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Haitianos deixam Brasil em direção aos EUA atraídos por fake news de fronteira aberta por Biden
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6 anos agoon

Haitianos deixam Brasil em direção aos EUA atraídos por fake news de fronteira aberta por Biden
Aos 33 anos, a haitiana Manite “Carol” Dorlean sempre detestou o frio. Mas, grávida de oito meses de gêmeos, via nos poucos metros de largura daquele rio a mais curta distância que já havia estado de realizar um sonho.
“Ela cruzou porque sempre teve em mente que os EUA são a terra de onde jorra leite e mel. Todo mundo quer chegar ali”, contou à BBC News Brasil Gordia “Hector” Pierre, ex-marido de Carol, que vive na República Dominicana, em uma alusão à expressão bíblica sobre a terra prometida dos judeus.
Depois de passar dois anos no Brasil perseguindo, sem sucesso, uma vida melhor, Carol entrou no leito do Rio Grande acreditando que nos EUA encontraria o que buscava. Mas ela jamais chegou à margem americana com vida. Seu corpo foi resgatado pela guarda fronteiriça dos EUA no dia 8 de janeiro. Ela se tornou a 18ª pessoa morta por afogamento e hipotermia ali desde outubro de 2020, de acordo com as autoridades americanas.
A trajetória de Carol, da partida do Brasil até sua chegada aos EUA, é exemplar de um movimento que cada vez mais haitianos têm tentado fazer. Onze anos depois do terremoto que devastou o Haiti e acelerou sua vinda ao Brasil (de acordo com a Polícia Federal, estimados 130 mil haitianos teriam entrado no país entre 2010 e 2018), o grupo faz o movimento contrário.
Movidos por uma insatisfação com a crise econômica brasileira e mobilizados por um boato de que, sob a gestão de Biden, as fronteiras dos EUA estariam abertas para eles — especialmente para mulheres grávidas ou com bebês de colo — os haitianos se lançam em uma longa e perigosa jornada de partida do Brasil.
De acordo com os dados entregues à BBC News Brasil pela Alfândega e Proteção de Fronteira dos EUA, o número de detenções de haitianos que cruzaram sem visto a divisa com o México em janeiro de 2021 — em plena pandemia de covid-19 — mais que triplicou em relação ao mesmo mês de 2020.
Enquanto nos primeiros 31 dias do ano passado foram localizados 470 haitianos tentando entrar nos EUA via México sem visto, no mesmo período deste ano foram 1,7 mil. E embora não se saiba o país em que viviam antes de sua chegada em território americano, tanto haitianos quanto especialistas em migração consultados pela reportagem garantem que parte desse contingente saiu do Brasil.
“Desde que tivemos a mudança do governo Trump pelo governo Biden há uma expectativa dos imigrantes quanto à reforma da lei migratória dos Estados Unidos. Isso tem movimentado as caravanas de imigrantes e é possível que esses migrantes que residem no Brasil estejam de alguma forma mobilizados também por essas expectativas de deixar o território brasileiro e quem sabe acessar a América Central para depois conseguir chegar aos Estados Unidos”, explica a socióloga Letícia Mamed, professora da Universidade Federal do Acre especialista em migrações.
Na última segunda-feira, 8, um grupo de cem migrantes, a maior parte deles haitiana, decidiu deixar a ponte onde estava acampado há quase um mês, na fronteira entre Peru e Brasil, em Assis Brasil, no Acre. Entre o grupo, havia de 15 a 20 crianças e cinco mulheres grávidas, uma delas já no oitavo mês de gestação. No município de apenas 7,5 mil habitantes, ao menos mais três centenas de haitianos recém-chegados tentavam acolhimento em abrigos precários e improvisados.

Foto: João Chaves/ Defensor Público Federal / BBC News Brasil
Todos eles tinham a intenção de sair do Brasil e passar pelo Peru. A agentes sociais, admitiram que o território peruano não é seu destino final, a maioria tentaria chegar aos EUA. No caso dos haitianos e outros migrantes que partem por rota terrestre do Brasil, a jornada inclui saída pelo Acre e passagens pelo Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Nicarágua, Costa Rica, Honduras e Guatemala, até chegar ao México.
Mas há pouco mais de um mês, o governo peruano fechou sua fronteira terrestre por conta da pandemia de covid-19 e interrompeu o fluxo, o que criou tensão e impasse na área. Em tentativas de forçar a passagem, haitianos e alguns africanos foram reprimidos com bombas de efeito moral e golpes de cassetete. Em uma dessas situações, gravada pela imprensa na área, uma mulher levanta a camiseta para mostrar a barriga de gestante e grita “tô grávida”, enquanto confronta os agentes de segurança do Peru.
Sem previsão para reabertura da ponte pelo governo peruano, o governo brasileiro chegou a pedir à Justiça reintegração de posse à força da área. O defensor público federal João Chaves, especialista em imigração, passou a última semana na área tentando impedir que mais violência acontecesse. Em fotos feitas pelo defensor, é possível ver a precariedade das instalações dos haitianos na ponte: alguns se abrigavam sob cabanas feitas com galhos de árvores e lonas ou sacos de lixo. Segundo Chaves, a ocupação da ponte era movida pelo desespero.
“É uma situação do limite do desalento, da falta de esperança. As comunidades haitianas, africanas, cubanas e de tantos outros países dependem da mobilidade, não têm mais expectativa de uma vida confortável no Brasil, de uma vida segura, por conta da recessão, da crise econômica, da pandemia, buscam desesperadamente outros países e não conseguem”, afirma Chaves.
A deterioração da vida no Brasil

Foto: Arquivo Pessoal / BBC News Brasil
Quando os primeiros haitianos chegaram em massa no Brasil, o PIB do país registrava crescimento de 7,5% e a cotação do dólar era de R$1,66. Em contraste, em 2020, a economia brasileira registrou tombo de 4,1% e são necessários R$5,20 para obter um dólar. Os dados não são nada abstratos na vida de quem precisa não só se sustentar mas também fazer polpudas remessas ao exterior, para ajudar no sustento dos amigos e parentes que ficaram na terra natal. Em 2020, remessas de haitianos migrantes representaram 37% do PIB do Haiti, de acordo com dados do Banco Mundial.
As estatísticas ilustram o motivo pelo qual Carol decidiu vir ao Brasil — e também o que a levou a sair dele em 2020. Antes, ela já havia passado por República Dominicana e Chile, os quais abandonou em busca de rendimentos maiores para sustentar os três filhos que tinha e a mãe viúva.

Foto: Arquivo Pessoal / BBC News Brasil
Carol chegou ao Brasil em 2017 e segundo seu ex-marido fez diversos trabalhos. Um de seus mais longos empregos no país, em 2019, foi como servente de limpeza em um restaurante em Curitiba. Ali, ela trabalhava cerca de 10 horas por dia em troca de R$1 mil mensais. Mas apenas com o aluguel de um quarto e transporte urbano, gastava R$800. Os rendimentos eram escassos demais para concretizar seus planos originais.
“Uma vez, ela conseguiu adiantar o décimo terceiro, porque estava precisando muito, e conseguiu US$ 100. Pra ela, mandar US$ 100 dólares para os filhos foi uma vitória”, conta Shirley Batista, que era sub chef no mesmo restaurante onde Carol trabalhava. Batista conta que a haitiana enfrentava necessidades tão básicas quanto não ter um cobertor para dormir nas noites frias do inverno curitibano.
“Ela trabalhava na limpeza, fazia a limpeza do bar, a limpeza do salão. Quando terminava, ia para a cozinha e lavava toda a louça. Ela era muito explorada, muito explorada. Foi uma coisa que eu me chateei muito nesse local. Um dia ela fez um comentário que me doeu muito. Ela olhou para mim e falou: ‘eu sou preta, né, então eu sou escrava'”, conta Batista, que preferiu não falar o nome do restaurante, do qual diz ter se demitido, entre outros motivos, por não concordar com a situação empregatícia de Carol.
O mal-estar tanto com a questão financeira quanto com o preconceito racial é frequente nos relatos dos migrantes.
Aos 35 anos, um haitiano conhecido na comunidade como Chamara, que se recusou a dizer seu nome, afirma estar decidido a partir para os EUA. Quer chegar ainda esse ano à Flórida, onde hoje já vivem sua mãe e seu filho, de 9 anos. Há quase 8 anos no Brasil, ele trabalha como eletricista em Rio Claro, interior paulista, e afirma que mesmo fazendo o máximo de horas extras por mês, seu salário raramente supera R$ 2 mil.
“Como eu sou pai e faço meu papel de pai, e minha mãe sabe como está a situação aqui, ela aceita que eu mande uns US$ 100, 200. Ela aceita porque sabe que no Brasil não tem dinheiro. Mas se fosse depender do que eu estou ganhando pra cuidar do meu filho lá, não ia cuidar nunca”, lamenta.

Foto: João Chaves/Defensor Público Federal / BBC News Brasil
Formado em Direito e Jornalismo, ele se ressente de jamais ter conseguido empregos mais bem remunerados e em suas áreas de formação. Tem tentado tirar a cidadania brasileira para facilitar a saída do Brasil: assim tomaria um voo direto para o México e tentaria cruzar a fronteira. Chamara se recusou a discutir a possibilidade de tomar a rota via Acre. Para ele, é certo que todos os demais haitianos no Brasil chegaram à mesma conclusão sobre a falta de futuro no país.
“Economicamente os haitianos não vão encaixar no sistema do Brasil, com esse salário, com todo o preconceito que tem, o Brasil não está pronto para receber os estrangeiros, não vou falar nem os haitianos, mas os estrangeiros. O Brasil não está pronto nem para os brasileiros”, diz Chamara.
Apesar das duras críticas ao país, Chamara ainda está em melhor condição que parte significativa de seus compatriotas. Durante a pandemia, muitos perderam sua renda. Setores como a da construção civil ou de serviços, que costumam empregar mão de obra haitiana, sofreram grandes abalos. De acordo com Akon Patrick Dieudonné, lider da União Social dos Imigrantes Haitianos, como alguns são empregados de modo informal, sem carteira assinada, são trabalhadores de demissão mais barata para os patrões. E por isso mesmo, quando perdem o emprego, não conseguem acesso a nenhum seguro ou rescisão.
Em meio à pandemia, um detalhe complicou ainda mais a situação dos estrangeiros no Brasil: há uma fila de mais de 20 mil pedidos de renovação e regularização da Carteira de Registro Nacional Migratório, uma espécie de documento de identidade do estrangeiro, cuja emissão é de competência da Polícia Federal. O problema não tem previsão para solução. Sem esse documento, eles ficam irregulares no país e não podem pedir benefícios como o bolsa-família ou o agora extinto auxílio-emergencial.
“Este momento que a gente tá vivendo, é um poço que não tem fundo. A miséria agora é muito visível. Você vai lá por exemplo na Missão Paz e vê os haitianos estão ali vendendo milho, tomate, saco de arroz (pra sobreviver)”, diz Patrick, em referência ao espaço de acolhida a imigrantes mantido pela Igreja Católica no centro de São Paulo.
O sonho americano
O momento de profunda desilusão com o Brasil coincide com o fim da gestão de Donald Trump e a chegada do democrata Joe Biden ao poder nos EUA. Biden se elegeu prometendo acabar com o que chamou de política migratória “cruel e desumana” de Trump e readmitir refugiado e migrantes em território americano. Prometeu ainda construir com o Congresso americano um caminho de cidadania para 11 milhões de imigrantes indocumentados que vivem hoje no país.
Tudo isso chegou aos ouvidos da comunidade haitiana como uma certeza de asilo se chegarem ao território americano, um sonho histórico dos migrantes do país. Os EUA hoje concentram a maior comunidade haitiana fora do Haiti, com estimadas 700 mil pessoas, segundo dados de 2018 do Migration Policy Institute.
Pierre, ex-marido de Carol, conta que esse tipo de discurso animou não só a ex-companheira, mas muitos na comunidade. “Agora nos EUA está Biden, eles dizem que Biden está suave. Mas Biden não conversou com eles, não sei em que idioma Biden e os haitianos conversaram, mas eles dizem que Biden é o pai do migrante, que vai deixar cruzar, e se matam, deixam trabalho bom pra partir pros EUA”, diz Pierre, sem esconder a indignação com o espalhamento de fake news na rede migratória.

Foto: João Chaves/ Defensor Público Federal / BBC News Brasil
Não só os haitianos se mostram prontos a tentar entrar de novo nos EUA. Em janeiro de 2021, os EUA registraram a detenção de mais de 78 mil pessoas que tentaram cruzar a fronteira com o México irregularmente, o maior número para o período em mais de uma década. Segundo reportagem do jornal americano New York Times, nas últimas duas semanas, o número de menores de idade desacompanhados na região da fronteira triplicou, ultrapassando mais de 3 mil.
Segundo Laura Lopes, coordenadora de atendimento ao migrante do Instituto Adus, que atua em São Paulo na integração social de refugiados e vítimas de migração forçada, a motivação de migração dos haitianos – e de outras nacionalidade – está agora fortemente baseada em informações falsas e esperanças infundadas.
“São vários e vários rumores que eles alegam (pra fazer a travessia). Disseram que agora com o novo presidente está mais fácil de entrar. A fronteira não está fechada. Outra coisa que me falaram também e acho que explica porque tem tantas mulheres indo é que disseram que se você está grávida, quando você chega na fronteira com o México, consegue entrar por conta da gravidez. Eu tenho inclusive uma conhecida que é haitiana e ela engravidou, pegou a rota e quando ela chegou lá, ela se apresentou grávida e a criança acabou nascendo nos Estados Unidos”, conta Lopes.
A Defensoria Pública da União tem feito circular informes em que tenta rebater essas fake news e conter o fluxo, ou ao menos oferecer informações mais confiáveis para uma decisão consciente sobre a partida do Brasil. Em entrevista recente à BBC News Brasil, a porta-voz do Departamento de Estados dos EUA Kristina Rosales afirmou que ” os Estados Unidos estão trabalhando numa política para restauração do processo de migração, que vai ser organizado e justo, que não vai ser aquele processo que vai todo mundo pra fronteira e entra quem ganhar no ‘1,2,3 e já'”
Na fronteira americana, sem condições de fazer frente à onda migratória, o governo Biden tem sido criticado por usar um expediente criado pelo antecessor, Trump, durante a pandemia, para expulsar sumariamente migrantes.
O serviço de proteção de fronteiras dos EUA confirmou à BBC News Brasil que haitianos continuam sendo deportados de volta ao Haiti apesar do caos político e social no país. Desde o começo do ano, a nação tem sido palco de violentos protestos que pedem a saída do poder do atual presidente, Jovenel Moïse. Os manifestantes alegam que o mandato dele já terminou. Já o presidente afirma estar sendo vítima de um golpe de Estado e declara que ficará no poder até 2022.
Em retrospecto, Pierre gostaria que Carol tivesse apenas desistido da ideia de chegar aos EUA e retornado à República Dominicana para ajudá-lo a criar os filhos do casal.
Segundo ele, quando soube da morte dela “foi como se tivessem apagado a luz do mundo”. Dois meses após a perda, a família ainda se vê às voltas com o processo de liberação do corpo para o funeral. Ele diz que compartilha a história dela como uma forma de conscientizar os compatriotas sobre o risco da empreitada. “Manite me contou como as pessoas iam caindo de fome, de cansaço. Ela deixou gente inconsciente pelo caminho, mas tinha que seguir porque se ficasse, morria também. De 100 pessoas que saem do Brasil, metade ou 40% morrem. E quando passam, vão ser deportados. São muitos que vão, mas poucos que chegam”, resume.
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Lula diz que Marcola errou ao pedir dinheiro a lobista, que filho vai pagar se cometeu ilícitos e que deseja ‘recuperar território’ do crime
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2 semanas agoon
28 de agosto de 2026
O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concedeu nesta quinta-feira (27) entrevista à Globo. Conduziram o programa os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
Veja os principais destaques da entrevista com Lula:
Caso Lulinha
O presidente e candidato à reeleição afirmou que o filho dele Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, terá que responder como qualquer cidadão caso tenha cometido algum ilícito.
Ao ser questionado sobre investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho, o candidato disse que não interferirá nas apurações.
“Eu não sou do Ministério Público, eu não sou delegado, eu não sou juiz. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, disse.
“Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal, eu não vou fazer qualquer movimento pelo meu filho. Ele sabe que a Marisa [Letícia, ex-primeira-dama] morreu por conta da falsa acusação que foi feita a mim na Lava Jato. Portanto, ele tem obrigação de não ter feito o erro.”
Lula disse que o que há contra Lulinha são “ilações” e comparou a situação do filho com a dele próprio.
O petista foi condenado e preso na Lava Jato e, um ano e sete meses depois, deixou a prisão. O Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações por entender que a competência para julgar os casos era da Justiça Federal do Distrito Federal, e não da 13ª Vara Federal de Curitiba, e por reconhecer que o então juiz Sergio Moro atuou de forma parcial.
“Não me deixo impactar por ilações. Eu conheço muito e já fui vítima disso”, disse o presidente.
“Eu tenho certeza que ele vai ser inocente. Vamos esperar o tempo, não haverá da parte da Presidência da República um milímetro de movimento para proteger o meu filho.”
Sobre acusações entre uma suposta relação entre Lulinha e o ex-secretário do Ministério da Saúde, Swedenberger do Nascimento Barbosa, conhecido como Berger, Lula reforçou que as mensagens entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger não configuram necessariamente um sinal de crime, e que não haveria provas concretas de corrupção a funcionários públicos.
“Eu estou dizendo para você que o fato de ter pego conversa no telefone não justifica absolutamente nada. Até agora não existe uma prova de um centavo público. Até agora não existe uma prova de uma conversa do meu filho com qualquer ministro”, disse Lula.
Lula foi questionado sobre a relação entre seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, e a lobista Roberta Luchsinger. Segundo a Polícia Federal, Marcola teve despesas pessoais, como boletos, parcelas de financiamento, faturas de cartão, e joias pagas por Roberta.
O presidente respondeu que Marcola errou ao manter esse tipo de relação e disse que o episódio leva suspeitas para dentro do Palácio do Planalto e “gera desconfiança”.
“Não é adequado, é totalmente errado. E o Marcola sabe do erro que ele cometeu, porque não é esse o papel do chefe de gabinete”, afirmou Lula.
O presidente também chamou a lobista de “pilantra” ao comentar o conteúdo de conversas obtidas durante as investigações. “O que é que uma pilantra pode falar no telefone? Ou o que é que um cara qualquer pode falar no telefone?”, disse.
Lula afirmou, porém, que as mensagens, por si só, não comprovam a prática de crime e defendeu que seja apurado se houve liberação de dinheiro público.
“O que nós precisamos saber é o seguinte: essa mulher conseguiu liberar o dinheiro que ela disse que estava atrás?” Tem prova de que tem dinheiro público? Porque aí é que está o crime, aí está o crime”, disse.
Lula foi questionado sobre uma mensagem específica de Roberta Luchsinger obtida pela Polícia Federal, na qual a lobista disse que o presidente teria lhe oferecido um cargo e dito que escolhesse onde queria ficar. Em resposta, o candidato ironizou: “Só faltou ela dizer que eu ofereci para ela o Ministério da Defesa, o comando da Marinha da Aeronáutica”.
O presidente disse que isso não aconteceu:
“Eu não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim”, disse Lula sobre a lobista Roberta Luchsinger.
O Fato ou Fake, do g1, checou a informação e encontrou ao menos três fotos e um vídeo nos quais Roberta aparece ao lado do presidente Lula.
Um vídeo publicado no Instagram de Roberta em 20 de julho de 2022 exibe uma sequência de ao menos duas fotos nas quais a lobista aparece ao lado de Lula.
Há também imagens nas quais ela posa acompanhada das seguintes pessoas: a primeira-dama Janja; o candidato a governador de São Paulo Fernando Haddad (PT); o vice na chapa de Haddad, Márcio França (PSB); e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Recuperar territórios do crime
O petista afirmou que, em um novo mandato, tem como desejo “recuperar o território” dominado pelos grupos criminosos e que pretende “enfrentar o andar de cima” das facções.
“Qual é o meu desejo? O meu desejo é recuperar o território para o povo. Aquela rua é do povo do Rio, não é do bandido; a escola é do povo, não é do bandido; o bairro é da população.”
Lula afirmou que o Brasil “está pronto e preparado” para trabalhar junto com os Estados Unidos para combater o narcotráfico e listou ações feitas pelo governo federal contra o crime organizado.
“Nós aprovamos agora uma lei antifacção, estamos trabalhando a questão do combate ao crime organizado. Por isso eu fui levar ao [Donald] Trump [presidente dos EUA] uma proposta por escrito”, disse Lula.
O governo Trump classificou facções criminosas brasileiras como terroristas, o que foi contra a visão do governo Lula por considerar a decisão como uma invasão à soberania brasileira.
Ministério da Segurança Pública
Lula defendeu a PEC da Segurança Pública, que reorganiza as atribuições do governo federal e dos estados. Disse que negocia a proposta com os presidentes da Câmara e do Senado, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP), respectivamente.
“A hora que for aprovar a PEC da Segurança Pública, eu crio o Ministério da Segurança Pública. Por que que eu vou criar o ministério? Porque primeiro eu quero estabelecer qual é a participação de cada ente federal na Segurança Pública. Qual vai ser o papel da União, qual vai ser o papel do estado e qual vai ser o papel do município”, disse.
Criminalidade na Bahia
Ainda no contexto da PEC da Segurança Pública e o tempo do PT no poder, Lula foi questionado sobre a violência no estado da Bahia, que hoje tem cinco das 10 cidades mais violentas do Brasil e é governado pelo partido há 20 anos.
O presidente disse que a colocação era “injusta” com a Bahia.
“Nenhum governador do Brasil conseguiu resolver o problema da segurança pública, nenhum conseguiu segurar”, disse.
Escândalo do INSS
O presidente foi questionado sobre o envolvimento de pessoas do governo dele no escândalo de desvio de dinheiro público do INSS. Lula disse que R$ 3 bilhões foram ressarcidos.
“Não tem um aposentado que foi roubado e que não foi devolvido dinheiro”, disse Lula.
“Esse dinheiro vai ser ressarcido pelos bens que nós apreendemos de […] uma quadrilha que foi montada em 2019, inclusive com a participação do ministro da Previdência daquela época. Nós passamos dois anos investigando tanto a CGU quanto a Polícia Federal. Se a gente faz a denúncia antes de a gente ter o processo como um todo, a gente atrapalharia, facilitando os bandidos.”
Confira datas de outras entrevistas com presidenciáveis à Globo
A entrevista com Lula foi a quarta de uma série com os candidatos à Presidência da República. Na segunda-feira (24), o participante foi Romeu Zema(Novo); na terça (25), Ronaldo Caiado(PSD); e na quarta (26), Renan Santos(Missão).
A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
Confira a data das próximas entrevistas:
Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto são após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal. Após a exibição, a entrevista vai ficar disponível na íntegra no g1 e no Globoplay.
O 1º turno das eleições será em 4 de outubro.
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Quem é Lula
Luiz Inácio Lula da Silva, que completa 81 anos em outubro, é um dos principais líderes políticos da história do Brasil e tenta, em 2026, chegar ao quarto mandato presidencial. Se for reeleito, poderá completar 16 anos no Palácio do Planalto.
No terceiro mandato, o governo aprovou a reforma tributária, ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda e tirou novamente o Brasil do Mapa da Fome, mas também enfrentou crises como as fraudes no INSS, investigações envolvendo um dos filhos do presidente, dificuldades no Congresso e embates com os Estados Unidos.
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Nascido em Garanhuns (PE), Lula mudou-se aos 7 anos para São Paulo com a mãe e os irmãos. Trabalhou como engraxate e office boy, formou-se torneiro mecânico pelo Senai e ingressou na indústria metalúrgica. Em São Bernardo do Campo, tornou-se presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e ganhou projeção nacional ao liderar greves no fim dos anos 1970, durante a ditadura militar.
Em 1980, participou da fundação do PT. Depois de derrotas nas eleições de 1982, 1989, 1994 e 1998, foi eleito presidente em 2002 e reeleito em 2006, deixando o cargo em 2010 com 87% de aprovação.
Nos dois primeiros mandatos, Lula teve como principais metas a redução da pobreza e da desigualdade social e lançou programas como Fome Zero, Bolsa Família, ProUni, Minha Casa, Minha Vida e PAC. A trajetória política também foi marcada pelo Mensalão e, posteriormente, pela Operação Lava Jato.
Condenado em 2017 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, Lula sempre negou as acusações, foi preso em 2018 e permaneceu 580 dias em Curitiba. Em 2021, o STF anulou as condenações relacionadas à Lava Jato, devolvendo os direitos políticos e tornando-o novamente elegível.
Em 2022, Lula formou uma ampla coalizão contra o bolsonarismo, reunindo antigos adversários, adotou um discurso mais ao centro e venceu Jair Bolsonaro, retornando ao Planalto para o terceiro mandato.
Além das medidas econômicas e sociais, o governo ampliou a estrutura administrativa e recriou ministérios. O mandato, porém, também foi marcado por críticas à estratégia econômica, aumento dos gastos públicos, dificuldades na relação com o Congresso e investigações envolvendo o filho Fábio Luís da Silva.
Em 2026, o PT oficializou a candidatura de Lula à Presidência, tendo Geraldo Alckmin novamente como candidato a vice.
Veja as principais propostas de Lula, registradas no plano de governo entregue ao TSE:
- Fortalecer a democracia brasileira e promover uma reforma política e eleitoral.
- Defender a soberania brasileira e rejeitar tentativas de subordinar o país a interesses estrangeiros ou de reduzir a autonomia nacional.
- Avançar na regulação democrática das redes sociais e plataformas digitais, preservando a liberdade de expressão.
- Democratizar o orçamento público, priorizando recursos para quem mais precisa.
- Promover um debate com a sociedade sobre o sistema de emendas parlamentares e enfrentar o que o programa classifica como uma distorção na elaboração e gestão do orçamento federal.
- Manter o arcabouço fiscal aprovado em 2023.
- Adotar uma política macroeconômica voltada ao crescimento, à redução das desigualdades, à valorização do trabalho, à responsabilidade ambiental e fiscal, à queda dos juros e ao controle da inflação.
- Criar condições para uma redução sustentada das taxas de juros, com inflação controlada e responsabilidade fiscal.
- Manter, aperfeiçoar e ampliar políticas de proteção social, incluindo justiça tributária, valorização do salário mínimo, inclusão produtiva, educação, saúde e programas de transferência de renda.
- Dar continuidade à política de valorização do salário mínimo como instrumento de distribuição de renda, combate à pobreza e promoção do desenvolvimento econômico e social.
- Apoiar o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, nos termos aprovados pela Câmara.
- Aprovar a PEC da Segurança Pública proposta pelo Executivo e criar um Ministério da Segurança Pública para coordenar as políticas nacionais da área em articulação com estados e municípios.
- Combater o crime organizado e fortalecer a integração entre os entes federados, a inteligência estatal, a prevenção da violência e a proteção dos direitos civis.
- Valorizar e qualificar os profissionais de segurança pública e fortalecer os mecanismos de controle interno e externo da atividade policial.
- Ampliar o uso de câmeras corporais, com padrões nacionais para utilização, gestão e preservação das imagens.
- Fortalecer as Forças Armadas e a indústria de defesa, com equipamentos e capacidade para proteger o território e os recursos naturais brasileiros.
- Buscar autonomia estratégica, inovação tecnológica e integração entre defesa e desenvolvimento, combinando persuasão diplomática e capacidade de dissuasão.
- Tornar o Brasil mais independente e ativo na política externa, ampliando a cooperação e a negociação com diferentes regiões e diversificando parcerias estratégicas.
- Fortalecer a integração regional, a América do Sul e o Caribe como zona de paz e o Mercosul como principal plataforma de integração econômica, produtiva, política e social da América do Sul.
- Buscar novos acordos comerciais e mercados para bens e serviços brasileiros e defender os interesses do país com base nas normas internacionais e no multilateralismo.
fonte: https://g1-globo-com.cdn.ampproject.org/v/s/g1.globo.com/google/amp/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/08/27/lula-entrevista-globo.ghtml?amp_js_v=0.1&_gsa=1#webview=1&cap=swipe
Destaque
Inscrições para concurso de auditor fiscal da Prefeitura de Manaus estão abertas; salário inicial é de R$ 27 mil
Published
1 mês agoon
28 de julho de 2026
A Prefeitura de Manaus abriu, nesta segunda-feira (27), as inscrições para o concurso público destinado ao cargo de Auditor-Fiscal de Tributos Municipais (AFTM), da Secretaria Municipal de Finanças, Planejamento e Tecnologia da Informação (Semef). O concurso prevê vagas e formação de cadastro reserva. Os candidatos têm até o dia 27 de agosto para se inscrever no certame.
Ao todo, serão 19 vagas de ampla concorrência e uma vaga reservada a candidatos com deficiência.
O cargo de Auditor-Fiscal exige ensino superior completo, tem jornada de 30 horas semanais e oferece remuneração inicial de R$ 27.270,61.
Para participar, o interessado deve acessar o Portal do Candidato, preencher o formulário de inscrição com as informações pessoais, junto com uma fotografia 3×4 e baixar o boleto bancário no valor de R$300, que pode ser pago até o dia 28 de agosto.
De acordo com o edital, o concurso será realizado em três etapas: prova objetiva, prova discursiva e pesquisa de vida pregressa. As duas primeiras fases terão caráter eliminatório e classificatório, enquanto a última será eliminatória.
A primeira fase acontece no dia 1º de novembro. Já a segunda a fase está prevista para 24 de janeiro de 2027. Quem for aprovado seguirá para a fase de pesquisa de vida pregressa.
Os candidatos aprovados e nomeados serão lotados na Subsecretaria da Receita da Semef, localizada no Centro de Manaus.
Destaque
Acidente deixa feridos na Avenida Ephigênio Salles, em Manaus
Published
4 meses agoon
27 de abril de 2026
Um acidente de trânsito deixou três pessoas feridas na manhã desta segunda-feira (27), na Avenida Ephigênio Salles, na zona Centro-Sul de Manaus, em frente a Superintendência de Habitação (Suhab).
De acordo com o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), a perícia foi acionada para o local. As três vítimas foram socorridas e encaminhadas para uma unidade hospitalar. Até a publicação desta reportagem, o estado de saúde delas não foi divulgado.
Por causa do acidente, a via ficou totalmente interditada no sentido bairro Coroado, provocando congestionamento na região. Agentes do IMMU estiveram no local para orientar os motoristas e organizar o fluxo de veículos.
As circunstâncias do acidente devem ser apuradas.
Fonte: https://g1-globo-com.cdn.ampproject.org/v/s/g1.globo.com/google/amp/am/amazonas/noticia/2026/04/27/acidente-deixa-feridos-e-interdita-avenida-ephigenio-salles-em-manaus.ghtml?amp_js_v=0.1&_gsa=1#webview=1&cap=swipe


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