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Não faz sentido buscar petróleo na Amazônia, critica Nobel de Economia

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Investigar se há petróleo na Amazônia é, além de um risco ambiental, um erro econômico. A opinião é do economista americano Joseph Stiglitz, Nobel de Economia de 2021, e um dos keynesianos mais respeitados no mundo hoje.

Em entrevista exclusiva à coluna, durante sua passagem por Brasília, quando se reuniu com Lula, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad, Stiglitz, de 80 anos, afirmou que não faz sentido a Petrobras investir em uma pesquisa incerta sobre petróleo diante do que ele descreveu como um inevitável futuro de carbono neutro, entre 2050 e 2060.

A estatal teve um pedido para explorar petróleo negado pelo Ibama, mas não desistiu de fazer as pesquisas na margem equatorial da foz do Rio Amazonas.

A crítica é uma exceção a uma avaliação majoritariamente positiva do governo Lula. Segundo Stiglitz, Fernando Haddad está fazendo uma condução “excelente” da política econômica, em que a tributação progressiva, mirando os super-ricos, é um dos acertos.

Stiglitz falou ainda sobre taxa de juros, o erro do Federal Reserve, o banco central americano, ao enfrentar de maneira errada a inflação, e o impacto da inteligência artificial sobre a desigualdade social.

Leia abaixo os principais trechos da conversa.

Em março, o senhor disse em um evento no BNDES que a taxa de juros do Brasil, então em 13,75%, era “chocante”. No mês passado, houve uma redução de 0,5 ponto. Qual sua visão?

 

Ainda acho chocante (risos), mas foi um movimento na direção correta. Então, vou parabenizá-los por isso. Mas a taxa de juros reais do Brasil ainda é muito mais alta do que o resto do mundo e especialmente mais alta do que economias emergentes. Estamos numa situação muito difícil na economia mundial. A China está desacelerando, e isso pesa para o Brasil e para o mundo. Alguns dos principais países europeus estão em recessão, em parte devido às taxas de juros muito altas do Fed americano (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos). Então, há muitas adversidades. Como o Brasil pode ser competitivo quando o custo de capital é tão alto? O Brasil sempre precisou muito de bancos de desenvolvimento, como o BNDES, e assim o país conseguiu ter cases de sucesso como a Embraer e o desenvolvimento de energia renovável, como o etanol oriundo da cana. Sob Bolsonaro, porém, os bancos de desenvolvimento foram postos de lado. Queriam se livrar do BNDES. Além da diminuição do financiamento público, o país não tem um capital financeiro que invista. Houve uma melhora, mas não o suficiente. Durante anos, eu venho dizendo que o Brasil precisa de um mercado financeiro mais equilibrado, que realmente apoie o investimento. Adam Smith tem um raciocínio de que quando você tem taxas de juros muito altas você só atrai especuladores. Bons negócios não são capazes de competir com taxas de juros tão altas. Portanto, é ruim para a economia brasileira, cria distorções.

O senhor costuma dizer que os bancos centrais de uma maneira geral têm um zelo excessive com taxas de inflação. Por quê?

 

Vamos quebrar em pedaços. Essa inflação de que estamos falando é diferente da outra inflação. E uma das coisas que eu digo é que os bancos centrais não são bons o suficiente em entender as fontes da inflação e em adaptar suas políticas para refletir as diferenças entre elas. Essa inflação é uma inflação na cadeia produtiva, e em larga medida, durante os anos 1970, ela foi uma inflação causada pelo choque do petróleo. Com esse tipo de inflação, subir taxas de juros pode agravar a situação. Vou te dar um exemplo. Uma das principais fontes de inflação na cadeia produtiva nos Estados Unidos é moradia. Bom, se você tem os preços de moradia subindo, o que você quer fazer? Você quer investir mais em habitação. Mas o que taxas de juros fazem? Elas fazem o investimento cair. Agrava o problema, não é solução. O ponto então é: nós sabemos que subir taxas de juros nesse tipo de inflação pode ser contraprodutivo. Você tem que diagnosticar. Agora, o que ocorre é essa mesma inflação de insumos, causada principalmente pela pandemia, que trouxe interrupções na cadeia produtiva. Os mercados não foram muito resilientes, isso leva tempo. Com apenas dois anos após a pandemia, nós ainda não sabemos quanto tempo vai levar para os preços baixarem. Então, houve uma inflação forte, as taxas de juros foram elevadas e isso vai causar uma recessão. Minha crítica ao Fed é que eles estão errando no diagnóstico da inflação. O Fed não levou em conta os efeitos adversos de subir os juros para o crescimento econômico e para a estabilidade. O que está acontecendo, então? A falência do Silicon Valley Bank. Países superendividados vão entrar em crise e isso será ruim para todo o mundo. O Fed não levou isso em conta como deveria.

O senhor se encontrou nesta semana pela segunda vez neste ano com o ministro Fernando Haddad. Qual sua opinião sobre a agenda econômica brasileira?

 

Eu acho que está excelente. Estão indo na direção correta em muitas áreas, como por exemplo em adotar a tributação progressiva. O Brasil tem uma das sociedades mais desiguais do mundo. Vocês têm um sistema de tributação regressiva. Por que pessoas que ficaram ricas a partir de heranças deveria pagar impostos mais baixos do que alguém que trabalhe duro? Para mim, é inconcebível. Haddad está tentando corrigir as brechas e lacunas. Condições especiais não apenas são injustas como distorcem a economia de muitas maneiras. Livrando-se delas, você tem uma economia mais dinâmica. É justiça social e é positivo para a economia. Haddad está muito preocupado também com a transição ecológica, que é imperativo para o mundo, mas é especialmente imperativo para o Brasil. Proteger a Amazônia é tão importante para o mundo quanto para o Brasil. Não é apenas uma questão global, é uma questão brasileira também. Os brasileiros ainda não entenderam o quanto a Amazônia é importante para o clima no país. Se a água não evaporar, você não terá chuva no restante do país e isso impactará a agricultura. E vocês são uma economia agrícola. O que Bolsonaro fez na Amazônia, a forma como ele atacou a Amazônia, fez algumas pessoas mais ricas, mas enfraqueceu a economia brasileira.

Como o senhor disse, colocou em risco um dos pilares da nossa economia.

 

Exatamente. Então, na minha opinião, Haddad e o presidente Lula captaram tudo isso. E é impressionante o tanto que eles têm conseguido fazer em meio às dificuldades políticas. E isso é algo sempre admirável. Nos Estados Unidos, o presidente (Joe) Biden também enfrenta dificuldades políticas. Ele tem que navegar num Congresso controlado em parte pelo centro, em parte pela direita. E ele fez isso mesmo sendo do Partido Democrata.

Lula editou uma medida provisória há duas semanas alterando a tributação dos fundos exclusivos, os chamados super-ricos, e a oposição no Congresso afirma que isso pode afugentar investimentos ou fazer bilionários deixarem o país. Isso de fato é um risco?

Eu acho que os benefícios de taxar super-ricos são muito maiores do que os riscos. Houve um reconhecimento nos últimos, eu diria, dez, quinze anos, de que as economias mais igualitárias são mais prósperas. Existia um pensamento de que a desigualdade é boa para o crescimento, mas houve uma mudança. Há 50 anos, o presidente do Conselho de Assessores Econômicos de Lyndon Johnson, Arthur Okun, escreveu um livro chamado “Equality and efficiency: The big trade-off” (“Igualdade e eficiência: o grande perde e ganha”, em tradução livre). Essa não é a visão de hoje. Nos extremos da desigualdade nos Estados Unidos e, ainda pior, no Brasil, há complementaridade, ou seja, sociedades mais igualitárias funcionam melhor. E este não é apenas o ponto de vista dos economistas progressistas, é uma visão do FMI, da OCDE e essas são instituições muito à direita. Se eles reconhecem, o Brasil deve reconhecer isso também. Então esse é o primeiro contexto. O segundo é: sabemos a partir de dados dos Estados Unidos que, em grande parte, impostos mais altos não aumentam a migração. Não quero dizer que não tenham efeito, mas o efeito é muito limitado. Eu conheço uma das pessoas super-ricas de Nova York, e ele poderia se mudar da cidade, porque você tem mais de 10% de imposto estadual, 35% imposto federal, ou seja, 45%, 50% de impostos, ou até mais que isso. Ele poderia se mudar para Porto Rico e pagar cerca de 4% de imposto, mas ele pensa “Nova York é um lugar maravilhoso para viver”, assim como o Brasil é um lugar maravilhoso para viver. E a maioria dos brasileiros tem uma lealdade ao seu país, se sentem brasileiros, e eu não acho que eles partiriam. Agora, existem maneiras, reformas, que eu acho que iriam tornar a migração ainda menos provável. Por exemplo, nós americanos somos taxados em nossos salários pelo mundo. Então, não importa onde nós vivamos, pagamos um imposto sobre nossa renda. Nós temos uma pequena isenção por viver no exterior, mas é muito pequena. A Suíça faz a mesma coisa com os impostos. Temos de renunciar à nossa cidadania e, em seguida, pagamos um imposto adicional para compensar. Então isso é algo que o governo brasileiro deve considerar, tornando a cidadania como base, e imposto de saída. Isso reduziria ainda mais o risco de migração. Agora, sobre a taxação causar menos investimento, se ela levaria pessoas super-ricas aos Estados Unidos, olhe para o Bill Gates. Você acha que o que motiva o Bill Gates é a margem de retorno do dólar? Não. O que quero dizer é que muitas das pessoas super- ricas são motivadas por outras causas. E o que você faz com o seu dinheiro quando você é super-rico? Você investe. Você pensa em seus filhos, seus netos. Aqui está o teu lugar na história, o teu lugar na sociedade. É claro que eles querem manter o máximo de dinheiro que podem, o que eu entendo. Todo mundo gostaria de manter o máximo de dinheiro que puder. Então eles vão ter esses argumentos, vão dizer “não me taxem, porque, se você me tributa, vai ficar pior”, mas você não deve levar a sério argumentos como esse. Você não deve levá-los a sério. E mais um ponto: as isenções distorcem a economia, a economia brasileira, e o lucro que se obtém da redução das distorções mais do que compensa os efeitos negativos que elas reivindicam.

O Brasil está tentando liderar de novo a luta contra as mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, a Petrobras pediu uma licença para pesquisar se há petróleo na margem equatorial do Rio Amazonas. Como o senhor vê isso?

Minha visão é mais ampla. Primeiro, o mundo e o mercado ainda não entenderam completamente o fato de que vamos ser carbono neutro em 2050, 2060. E o que isso significa? Leva 15 ou 20 anos para explorar e desenvolver um campo de petróleo. E campos petrolíferos se tornam mais rentáveis tipicamente só depois de 20 ou 30 anos de operação, dado o alto custo.

Sendo otimista…

Isso. Você está bem além de 2050. Não faz sentido econômico explorar petróleo na Amazônia. Vai levar a ativos ociosos, que se tornam um problema econômico para qualquer empresa, especialmente para uma empresa estatal. E esses custos quase sempre são repassados à sociedade. Então, o mercado ainda vai ter que entender as consequências econômicas completas de, em 2050 ou 2060, ser carbono neutro. Eu não sei quando isso vai acontecer. Pode ser em cinco, dez, quinze anos, mas vai acontecer. E aí há uma perda de dinheiro. Do ponto de vista econômico, eu seria muito cauteloso em fazer um investimento em qualquer coisa, exceto em um campo que você poderia desenvolver em dez anos e explorar em cinco. Se você tem esse tipo de tecnologia… Temos a Argentina, por exemplo, onde você pode ter um desenvolvimento muito rápido. Mas, do ponto de vista econômico, eu ficaria mais hesitante em relação a águas profundas ou novos campos, como na Amazônia. Também há custos ambientais enormes. É por isso que o presidente Biden, por exemplo, disse que vai cancelar os arrendamentos no Alaska. Eu concordo com o presidente Biden, e penso que o Brasil faz melhor preservando a Amazônia. O mundo obviamente faria melhor, e acho que o mundo compensaria o Brasil pelo serviço de preservação. Acho que o mundo deve algo ao Brasil, mas é interesse do Brasil também fazer isso.

Gostaria de falar sobre inteligência artificial. A disrupção que ela traz ao mercado de trabalho contribui para aumentar ou diminuir a desigualdade social?

Sim, estou muito preocupado com isso. A inovação do carro destruiu empregos, como as carroças, mas também criou mais trabalhos. A transição verde e as novas tecnologias são muito diferentes. Estão sempre destruindo trabalhos de tarefas rotineiras, que exigem uma baixa qualificação profissional. (As novas tecnologias) Reduziram a demanda para trabalho qualificado e deixaram a sociedade mais rica. Então você poderia compensar os perdedores porque você tem mais bens, mais eficiência. Mas me preocupo se isso vai acontecer, o que vai causar mais desigualdade. E mais desigualdade significa resistência a uma redistribuição da renda. Acho que podemos conduzir a inovação de modo que seja melhor para o meio ambiente. Faz mais sentido ter mais inovação para proteger o mundo do que para minar empregos de mão de obra desqualificada, que leva o governo a intervir em mercados. Deveríamos investir em inovação que leve à proteção do planeta.

 

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Amazonas

Manaus vira epicentro do crime organizado na Amazônia, aponta relatório internacional

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Dragas destruídas no 2° dia da operação Boiúna contra o garimpo ilegal no sul do Amazonas — Foto: Divulgação/PF

A capital do Amazonas ocupa posição central nas rotas do narcotráfico e das economias ilícitas que se expandem pela floresta amazônica. É o que aponta o relatório “A Amazônia sob ataque – mapeando o crime na maior floresta tropical do mundo”, publicado pela organização jornalística Amazon Underworld no dia 21 de outubro.

Segundo o documento, Manaus se tornou um dos principais corredores por onde se escoa a cocaína produzida na América do Sul, com as drogas chegando no Amazonas pelo Rio Solimões e seguindo pelo Rio Amazonas rumo à distribuição nacional e internacional. A capital amazonense é considerada um elo logístico estratégico, conectando a produção amazônica a mercados da Europa, África e Ásia por meio de seus portos.

Ao g1, o Governo do Amazonas afirmou que as operações de combate ao crime organizado, tanto em Manaus quanto no interior, continuam fortalecidas, com monitoramento permanente, apoio tecnológico, capacitação de pessoal e ampliação das fronteiras de atuação. Leia a íntegra da nota no fim da reportagem.

O relatório destaca ainda que facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) disputam o controle das rotas fluviais, fronteiras e cadeias logísticas que movimentam toneladas de drogas e milhões de reais.

A ruptura do pacto de não agressão entre os dois grupos, em 2016, intensificou os confrontos e levou à fragmentação da Família do Norte (FDN), facção criada em Manaus.

Com a dissolução da FDN, parte dos seus membros se aliou ao CV, formando o CV-AM, enquanto outra parcela fundou o grupo “Os Crias”, com base em Tabatinga, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Após a morte do líder Brendo dos Santos, em 2023, o CV-AM consolidou seu domínio na região.

O controle do crime na Amazônia brasileira passou por uma transformação significativa nos últimos 15 anos
— diz um trecho do estudo

Além do tráfico de drogas, o relatório aponta que o garimpo ilegal também impulsiona o avanço das facções no Amazonas

A expansão das redes criminosas acelera a destruição ambiental e ameaça o papel da Amazônia como filtro de carbono global. Na conclusão, o estudo mostra que a região vive uma “era de violência exacerbada”, impulsionada pelo ouro e pela cocaína, e alerta para o risco de corrupção das forças estatais.

Com rios navegáveis, portos movimentados e fronteiras vulneráveis, Manaus se consolida como epicentro da criminalidade na Amazônia, refletindo os desafios enfrentados pelo Brasil no combate ao crime organizado transnacional.

Leia a nota do Governo do Amazonas na íntegra

 

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informa que, em todo o Estado do Amazonas, estão sendo implementadas de forma contínua medidas estratégicas para combater o crime organizado, o tráfico de drogas e demais ilícitos.

Neste ano, já foram apreendidas mais de 37 toneladas de entorpecentes em todo o Amazonas, resultado direto das operações integradas que demonstram a eficiência do trabalho conjunto no enfrentamento às organizações criminosas que tentam usar as vias fluviais para o transporte de drogas e outros ilícitos.

Atualmente, o Estado conta com três Bases Arpão, duas bases náuticas de apoio operacional, lanchas blindadas e lanchas de transporte de tropa, equipamentos que garantem maior presença, eficiência e segurança das forças policiais nas regiões estratégicas do Amazonas.

As ações contam com a atuação integrada da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Polícia Civil (PC-AM), Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO-AM), composta por agentes da Polícia Federal, que vêm intensificando o patrulhamento e as fiscalizações nas principais rotas fluviais do Estado.

Desde 2019, o Programa Amazonas Mais Seguro já contou com investimentos superiores a R$ 1,16 bilhão, voltados à modernização das forças de segurança, reforço do efetivo, aquisição de equipamentos, viaturas, embarcações e tecnologia de inteligência. Além disso, mais de 2,8 mil novos servidores foram convocados para compor as forças de segurança, fortalecendo a atuação das instituições e ampliando a presença do Estado em todas as regiões do Amazonas.

Em 2024, o Amazonas atingiu recorde histórico de apreensões de drogas, com 43,2 toneladas de entorpecentes retiradas de circulação em todo o Estado. No mesmo período, as apreensões de armas de fogo também cresceram, chegando a 1.593 unidades, representando um aumento de cerca de 11% em relação a 2023.

A SSP-AM reforça que as operações de combate ao crime organizado, tanto em Manaus quanto no interior, continuam fortalecidas, com monitoramento permanente, apoio tecnológico, capacitação de pessoal e ampliação das fronteiras de atuação, reafirmando o compromisso do Governo do Amazonas com a proteção da vida e a segurança da população.

Fonte: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2025/10/28/manaus-vira-epicentro-do-crime-organizado-na-amazonia-aponta-relatorio-internacional.ghtml

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Operações Lei Seca prendem 47 motoristas por embriaguez ao volante em Manaus

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Operação Lei Seca em Manaus — Foto: Divulgação

 

Duas ações da Operação Lei Seca realizadas pelo Detran-AM, com apoio das polícias Militar e Civil, resultaram na prisão de 47 condutores por embriaguez ao volante em Manaus. As abordagens ocorreram entre a noite de quinta-feira (8) e a madrugada deste sábado (10), na zona norte da cidade.

Na madrugada de sábado (10), 38 motoristas foram presos durante fiscalização na zona norte. Eles foram levados para os 1º, 6º, 14º e 19º Distritos Integrados de Polícia (DIP) após serem flagrados com teor alcoólico igual ou superior a 0,34 mg/L — índice que configura crime de trânsito, conforme o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro.

Na ação anterior, realizada entre a noite de quinta-feira (8) e madrugada de sexta (9), na alameda Alphaville, bairro Novo Aleixo, outros nove motoristas foram presos por embriaguez ao volante. Os exames apontaram taxas entre 0,46 mg/L e 0,85 mg/L. A operação também resultou em 48 autuações, além da remoção de quatro carros e seis motos.

 

“Nós não queremos atrapalhar a diversão de ninguém, mas se faz necessário tomar as atitudes cabíveis para reduzirmos, cada vez mais, o número de mortes e internações no nosso estado”, disse o diretor-presidente do Detran-AM, David Fernandes.

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MPAM abre procedimento para investigar uso inadequado de atestados médicos por servidores em maternidade de Manaus

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Maternidade Moura Tapajós — Foto: Divulgação

O Ministério Público do Amazonas (MPAM), instaurou procedimento administrativo para acompanhar a investigação do possível uso inadequado de atestados médicos por servidores públicos que atuam na Maternidade Dr. Moura Tapajós (MMT), na Zona Oeste de Manaus. De acordo com a instituição o procedimento foi instaurado após denúncias anônimas.

Conforme o MPAM, obstetras plantonistas estariam orientando pacientes a buscar atendimento em outras unidades de saúde, em virtude da escassez de profissionais devido a frequência de afastamentos médicos de servidores concursados.

No entanto, esses servidores estariam supostamente atuando em cooperativas e hospitais particulares nos mesmos dias dos afastamentos ou em datas próximas. Tal conduta pode indicar uso indevido de atestados médicos, além de possível prática de falsidade ideológica.

De acordo 58ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa dos Direitos Humanos à Saúde Pública (PRODHSP), foi solicitado da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) a que encaminhe a previsão para a conclusão do procedimento investigatório para possibilitar a instrução e o encerramento do procedimento administrativo.

A medida, assinada pela promotora de Justiça Luissandra Chíxaro de Menezes, tem como base os artigos 196 e 197 da Constituição Federal, que estabelecem a saúde como direito de todos e dever do Estado, sendo de competência do poder público dispor sobre sua regulamentação, fiscalização e controle.

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