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CPI da Covid: as principais revelações e os destaques dos depoimentos até agora
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Se duas semanas de depoimento ainda não trouxeram à tona nenhuma informação que possa ser considerada bombástica, na avaliação de senadores e analistas consultados pela BBC News Brasil houve revelações importantes a respeito da atuação federal no último ano. Eis as principais delas:
Cartas da Pfizer ignoradas
A demora na compra da vacina da farmacêutica americana Pfizer é um dos temas mais explorados na CPI até o momento.
E o principal fato concreto em torno disso foi mencionado no depoimento do ex-secretário de Comunicação do governo Fabio Wajngarten, que citou uma carta de 12 de setembro enviada pela Pfizer a seis autoridades brasileiras: ao presidente Jair Bolsonaro, a seu vice, Hamilton Mourão, aos então ministros Paulo Guedes (Economia), Eduardo Pazuello (Saúde), Walter Braga Netto (Casa Civil) e ao embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster.
A carta foi ignorada por dois meses, afirmou Wajngarten — agregando que, quando tomou conhecimento do assunto, em novembro, entrou em contato com a farmacêutica e se reuniu uma vez com o executivo da empresa no Brasil, Carlos Murillo.eira oferta da empresa, de 70 milhões de doses, fora feita em 14 agosto ao governo federal e tinha prazo para resposta de 15 dias — o governo ignorou o prazo e a oferta expirou.
Se essa oferta tivesse sido aceita, as primeiras doses da vacina poderiam ter sido entregues ainda em dezembro de 2020, afirma Murillo.
A segunda e terceira ofertas de 70 milhões de doses foram feitas em 18 e 26 de agosto, e também não foram aceitas pelo governo, segundo Carlos Murillo.

REUTERS – Carlos Murillo (à esq), da Pfizer, confirmou, em depoimento à CPI, que ofertas iniciais da farmacêutica foram ignoradas pelo governo federal
Foi só em março deste ano que o governo assinou o acordo com a empresa, e a primeira remessa de cerca de 1 milhão de doses da vacina da Pfizer/BioNTech chegou ao Brasil no final do último mês de abril.
Murillo afirmou à CPI que os outros países fecharam o contrato de compra antes da aprovação das agências regulatórias. Nos EUA, a vacinação começou em 14 de dezembro de 2020, com aprovação emergencial pela FDA, a agência regulatória americana.
Ao depor à CPI, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello contestou: “(As cartas da empresa) foram respondidas. A resposta à Pfizer é uma negociação que começa com a proposta e termina com a assinatura do memorando de entendimento para compra. Quando nós tivemos a primeira proposta oficial da Pfizer, ela chegou com cinco cláusulas que eram assustadoras.”
O ex-ministro citou exigências como a isenção de responsabilidade por efeitos colaterais, transferência do fórum de decisões sobre questões judiciais para Nova York, pagamento adiantado e não existência de multa por atraso de entrega.
As exigências são as mesmas feitas pela empresa para outros países e similares a propostas de outras empresas.
Pazuello afirmou que as “cláusulas leoninas” foram avaliadas por advogados da assessoria do ministério.
“Hoje já temos outras propostas com essas cláusulas, mas na época não havia”, afirmou. “Talvez hoje possamos ouvir com um grau de normalidade. Mas a primeira vez que eu ouvi isso achei assustador. Além disso, a Pfizer trouxe a (custo de) US$ 10 dólares a dose, e nós estávamos negociando a US$ 3. Além das discussões logísticas sobre armazenamento.”
Para o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), porém, “os documentos (em posse da CPI) já demonstram a demora e a má vontade” na negociação com a Pfizer.
Segundo a Folha de S.Paulo, esses documentos incluem dez emails a respeito de vacinas que foram enviados pela Pfizer e ignorados pelo governo.
Envolvimento da Secretaria de Comunicação nas vacinas

REUTERS – Fabio Wajngarten na CPI: ‘Nunca participei de negociação (de vacinas). O que busquei sempre foi o maior número de vacinas para atender a população brasileira com uma vacina que tinha maior eficácia’
Outro ponto chamou a atenção dos senadores nas discussões com a farmacêutica: o envolvimento de políticos cuja atuação não teria, em tese, nenhuma relação com aquisição de vacinas.
Em entrevista prévia à revista Veja, Fabio Wajngarten havia dito que se envolvera na compra de imunizantes na Secretaria Especial de Comunicação (Secom) porque o processo estava “sofrendo entraves”.
Em áudio tornado público pela revista, Wajngarten afirmou que havia “incompetência” no Ministério da Saúde.
No depoimento à CPI, porém, Wajngarten foi vago em relação à entrevista, dizendo apenas que teve uma reunião com a Pfizer e levou o assunto ao conhecimento de Bolsonaro “para ajudar no impasse”.
“Vi por bem levar o assunto Pfizer ao presidente Bolsonaro na busca de uma solução rápida, e assim foi feito. Minha atitude proativa em relação ao laboratório produtor da vacina foi republicana e no sentido de ajudar. Nunca participei de negociação. O que busquei sempre foi o maior número de vacinas para atender a população brasileira com uma vacina que tinha maior eficácia”, afirmou Wajngarten.
O senador governista Marcos Rogério (DEM-GO) opinou, em entrevista coletiva, que Wajngarten deveria ser “homenageado” por ter assumido sua responsabilidade de servidor público e tomado a iniciativa de contactar a Pfizer, em vez de “botar (o assunto) na gaveta”. “O problema é que há uma sanha acusadora no âmbito do Senado, por parte da oposição, que é incompreensível”, disse Rogério.
Já o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, afirmou durante o depoimento de Wajngarten que o envolvimento do ex-secretário em tema desvinculado da sua área de atuação reforça os indícios de que Jair Bolsonaro teria uma “consultoria paralela” ao Ministério da Saúde para tomar decisões relacionadas à pandemia (veja mais abaixo).
Segundo o depoimento de Carlos Murillo, quem também participou da reunião com a farmacêutica foi Carlos Bolsonaro, filho do presidente da República, que é vereador no Rio de Janeiro pelo partido Republicanos e não tem cargo oficial no governo federal.
Discussão para mudar a bula da cloroquina
Rejeitadas pelas agências internacionais de saúde no combate à covid-19 por sua ineficácia em tratar a covid-19 e por seus efeitos colaterais potencialmente graves, a cloroquina e a hidroxicloroquina foram constantemente sugeridas por Bolsonaro e por ações oficiais do Ministério da Saúde desde o início da pandemia.
Na última quinta-feira (20/05), Bolsonaro afirmou em uma live que voltou a usar cloroquina recentemente após sentir sintomas de covid-19: “Não vou falar o nome (do remédio) para não cair a live“, disse o presidente.
O que a CPI trouxe de novo é a informação de que foi discutida, no âmbito do governo, a ideia de modificar a bula da cloroquina, medicamento originalmente voltado ao tratamento da malária.
Em seu depoimento à comissão, em 4 de maio, o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta afirmou que durante sua gestão ele foi chamado a uma reunião em que “havia sobre a mesa um papel não timbrado de um decreto presidencial para que fosse sugerido que se mudasse a bula da cloroquina na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), colocando na bula a indicação da cloroquina para coronavírus. E foi inclusive o próprio presidente da Anvisa, (Antônio) Barra Torres, que disse não.”
Barra Torres também depôs e confirmou essa tratativa, que acabou sendo rejeitada naquela mesma reunião.
“Só quem pode modificar a bula de um medicamento registrado é a agência reguladora do país (a Anvisa), mas desde que solicitado pelo detentor do registro”, declarou Barra Torres.

REUTERS – CPI trouxe à tona a informação de que houve discussões não frutíferas dentro do governo para modificar-se a bula da cloroquina (segurada acima por Bolsonaro)
O presidente da Anvisa afirmou, também, que o documento com a minuta de mudança da bula foi comentado pela médica Nise Yamaguchi, que participava da reunião.
“(Isso) provocou uma reação até um pouco deseducada minha, de dizer que aquilo (mudança de bula) não poderia ser”, afirmou Barra Torres.
Nise Yamaguchi é uma das convocadas para depoimento nas próximas semanas.
A médica diz que a fala de Barra Torres “não corresponde à realidade”. Ela deve comparecer na condição de convidada e não de testemunha, o que significa que não pode incorrer no crime de falso testemunho caso falte com a verdade.
Suspeita de “aconselhamento paralelo” a Bolsonaro
Os depoimentos na CPI reforçaram, entre os senadores críticos ao governo, a tese de que Jair Bolsonaro recebia um “aconselhamento paralelo” ao Ministério da Saúde no que se refere à estratégia de enfrentamento da pandemia.
Desse aconselhamento, argumentam os senadores, parecem ter saído as iniciativas de defesa da cloroquina e a ideia de imunidade de rebanho por contaminação, em vez de por vacinação. Por trás disso, está a falsa percepção de que, quanto mais gente infectada, maior seria a imunidade da população como um todo.
Embora o Ministério da Saúde nunca tenha oficialmente adotado a estratégia de imunidade de rebanho sem vacinas, Bolsonaro disse diversas vezes que a contaminação da maioria da população era inevitável e que “ajudaria a não proliferar” a doença.
“Muitos pegarão isso (vírus) independente (sic) dos cuidados que tomem. Isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde”, afirmou Bolsonaro em 15 de março de 2020 à CNN Brasil.
Em abril daquele ano, Bolsonaro afirmou que “o vírus vai atingir 70% da população, infelizmente é uma realidade”.
Em seu depoimento, Eduardo Pazuello afirmou ter ouvido a tese de imunidade de rebanho do deputado Osmar Terra (MDB-RS), que tem sido mencionado como um desses possíveis “conselheiros paralelos” a Bolsonaro.
Mas questionado se a estratégia foi adotada na pandemia, Pazuello respondeu que “em hipótese alguma”.

REUTERS – Alguns depoentes da CPI afirmaram que pessoas de fora do ministério aconselhavam Bolsonaro no enfrentamento da pandemia; nomes próximos ao presidente negaram isso
Outro nome que teria envolvimento nesse suposto aconselhamento paralelo é o do empresário Carlos Wizard, que afirmou à TV Brasil que passou um mês como conselheiro do Ministério da Saúde. Pazuello, porém, negou isso.
“Carlos Wizard, por si só, propôs reunir um grupo de médicos para aconselhamento, mas eu não aceitei. Teve uma reunião de 15 minutos e não gostei da dinâmica da conversa. Não tive aconselhamento nem assessoramento de grupos de médicos.”
Para o senador Otto Alencar (PSD-BA), porém, “está caracterizado com clareza a tentativa do governo, com Pazuello e o presidente (Bolsonaro), de pensar em imunidade de rebanho, (…) com esses assessores em paralelo”, opina.
Em entrevista coletiva, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI, afirmou que “existia um comando no Palácio do Planalto que compreendia como estratégia para enfrentamento da pandemia a contaminação de todos, a cloroquina como solução, e a chamada imunidade coletiva. Esse comando não apostava nos meios da ciência”.
Os depoimentos de Fabio Wajngarten e Carlos Murillo sugerem que esse “comando paralelo” teria tido ingerência nas negociações das vacinas, prosseguiu Randolfe.
“Temos que entender melhor quem fazia parte desse gabinete paralelo para ver, deste comando, de quem é importante pedir quebra de sigilo e a quem é importante fazer a convocação”, agregou o senador.
Em contrapartida, Pazuello, Wajngarten e o ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo negaram, em seus depoimentos, terem conhecimento de que houvesse redes extraoficiais de aconselhamento a Bolsonaro.
Jogo de empurra quanto à responsabilidade pela crise em Manaus
Ao falar à CPI, Pazuello voltou a responsabilizar o governo do Amazonas e o fornecimento privado pela crise em Manaus no início do ano, quando a escassez de oxigênio levou ao extremo o colapso no sistema de saúde local.
Para o senador Alessandro Vieira, um dos pontos que chamam a atenção é o fato de “a decisão pela não intervenção em Manaus ter tido a participação direta do presidente da República”.
Ele se refere ao momento do depoimento em que Pazuello contou ter havido uma reunião ministerial com Bolsonaro para discutir uma possível intervenção no Estado, mas que, pelo que o ex-ministro se recorda, chegou-se à conclusão de que o governo amazonense “tinha condição de continuar fazendo a resposta” à pandemia no Estado.
Vieira diz que um dos pontos que ainda precisam ser esclarecidos – e que podem indicar omissão do governo – é a aparente recusa à oferta de um avião americano para levar suprimentos emergenciais a Manaus em janeiro.
Quando foi questionado pela senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) sobre por que não aceitou a ajuda americana, Pazuello afirmou que a oferta não tinha chegado a ele. O ex-ministro agregou que, pelo que soube mais tarde, a oferta não seria gratuita, dando a entender que o governo brasileiro teria de pagar pela ajuda americana.

REUTERS – Crise do oxigênio em Manaus, em janeiro; Pazuello atribuiu responsabilidade ao governo do Amazonas
Nesse momento, Gama acusou Pazuello de mentir, dizendo ter em mãos um documento do próprio Ministério da Saúde que evidenciaria que a pasta tinha conhecimento sobre o caso.
Em seguida, o advogado da Advocacia-Geral da União que acompanhava Pazuello orientou-o a ficar em silêncio. “Melhor ele ficar em silêncio do que se comprometer cada vez mais. A explicação dele não bate com a explicação do ministério”, respondeu o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM).
‘Blindagem’ de Bolsonaro
Os senadores de oposição criticaram Pazuello, em seu depoimento, por supostamente blindar Jair Bolsonaro de qualquer responsabilidade pelo altíssimo número de vítimas da covid-19 no Brasil.
“Pazuello tentou fazer uma barreira de proteção ao presidente”, critica Otto Alencar.
“É inacreditável ele afirmar que algo dito pelo presidente na internet não valia”, agrega Alessandro Vieira – em alusão ao momento de seu depoimento em que Pazuello afirmou que as recusas públicas de Bolsonaro à CoronaVac não afetaram as decisões de compra da vacina.
Em outubro de 2020, Bolsonaro declarou que já tinha “mandado cancelar” o protocolo de intenções de compra do imunizante. Segundo Pazuello, porém, isso foi “uma posição como agente político na internet” que não interferiu em nada na discussão em curso com o Instituto Butantan, responsável pela CoronaVac.
“Uma fala na internet não é uma ordem”, disse Pazuello. “Bolsonaro nunca falou para que eu não comprasse. Ele falou publicamente, mas para o ministério ou para mim, nunca falou.”
Esse distanciamento em relação ao presidente ocorreu mesmo no caso do ex-ministro Mandetta, avalia o analista político Bruno Carazza, professor do Ibmec e da Fundação Dom Cabral. “O depoimento de Mandetta tinha um potencial explosivo, mas ele foi muito cauteloso, uma vez que é um eventual candidato (em 2022) e não quer se desgastar totalmente com o eleitor bolsonarista”, diz Carazza.
Se todas as Comissões Parlamentares de Inquérito são, por natureza, instrumentos de pressão e convencimento da opinião pública, a CPI da Covid o é ainda mais por abordar um tema tão próximo à realidade de cada um dos brasileiros, prossegue o analista.
“Então é de se esperar que seja explorada ao máximo pela oposição e também pelo governo, de jogar a conta (das mortes na pandemia) aos Estados e municípios e tentar se blindar”, explica.
“Depois de uma primeira fase com nomes muito aguardados (como os de ex-ministros), agora a CPI precisará não perder o foco, por uma tendência natural de desgaste da opinião pública. Teremos personagens mais coadjuvantes, então há o risco de a oposição perder o controle dos holofotes, mas também a chance de surgirem elementos novos para sacudir a história”, conclui Carazza.
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Coronavírus
Prefeitura de Manaus oferta doses contra Covid-19 em 74 pontos de vacinação nesta semana
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3 anos agoon
11 de setembro de 2023
Reforçando a vacinação como instrumento mais eficaz para prevenção e combate à Covid-19, a Prefeitura de Manaus orienta a população a buscar as unidades da rede básica de saúde para iniciar ou atualizar o esquema vacinal contra a doença. A aplicação das doses é ofertada nesta semana, de segunda a sexta-feira, 11 a 15/9, em 74 unidades gerenciadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), distribuídas em todas as zonas geográficas da capital.
O subsecretário municipal de Gestão da Saúde, Djalma Coelho, informa que a Semsa Manaus vem buscando ampliar o acesso da população à vacinação, com a oferta do serviço em horário ampliado, das 8h às 20h, em nove unidades da rede municipal. Nos demais estabelecimentos, o atendimento ocorre no horário regular, das 8h às 17h.
“A Semsa visa garantir que todas as pessoas tenham acesso à vacina, pois ela reduz em muito os riscos de agravos de saúde decorrentes da Covid-19, e também para limitar a transmissão do vírus causador da doença, aumentando a proteção de toda a comunidade”, afirma.
Conforme Djalma, os usuários devem se dirigir à unidade de saúde mais próxima portando documento oficial de identidade com foto, CPF ou Cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) para receber o imunizante. A lista dos estabelecimentos que ofertam a vacinação, com horários de funcionamento e endereços, pode ser conferida no site semsa.manaus.am.gov.br ou no link direto bit.ly/localvacinacovid19.
“Todas as pessoas a partir dos 6 meses de idade podem se vacinar. Quem já iniciou o esquema vacinal pode conferir se já está no prazo para receber a segunda dose ou dose de reforço no Imuniza Manaus (imuniza.manaus.am.gov.br), informando apenas o número do CPF”, orienta o gestor.
Djalma informa que os usuários a partir de 12 anos podem receber a vacina em qualquer um dos 74 pontos de vacinação da prefeitura. Já os menores de 12 anos, acompanhados dos pais ou responsáveis, são atendidos em unidades específicas, sendo 14 delas voltadas a bebês de 6 meses a 4 anos de idade, e 35 para crianças de 5 a 11 anos.
Eficazes e seguras
Nas unidades da rede básica de saúde são ofertadas doses das vacinas monovalentes e bivalentes, sendo aquelas empregadas como primeira e segunda doses do esquema primário para toda a população a partir dos 6 meses de idade, e como dose de reforço para adolescentes de 12 a 17 anos não integrantes de grupos prioritários.
Já as vacinas bivalentes, que protegem contra duas versões do coronavírus, são aplicadas como dose de reforço em pessoas a partir de 18 anos e adolescentes de grupos com maior vulnerabilidade, riscos para complicação e óbito e maior exposição.
Djalma Coelho explica que todas as vacinas ofertadas na rede pública de saúde são eficazes e seguras, tendo a devida aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“Seja mono ou bivalente, a vacina vai estimular as defesas do sistema imunológico contra o coronavírus, aumentando a proteção da pessoa contra a doença”, relata.
Para saber mais sobre a Campanha Municipal de Vacinação contra a Covid-19, basta acessar as redes sociais da Semsa Manaus, nos perfis @semsamanaus no Instagram e Semsa Manaus no Facebook.
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Coronavírus
Covid: relembre principais os episódios da pandemia
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3 anos agoon
6 de maio de 2023
Mais de 1.190 dias se passaram entre o início e o fim da declaração de emergência de saúde pública (PHEIC, na sigla em inglês) da pandemia do coronavírus, feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2020 e encerrada nesta sexta-feira, 5.
A doença provocou a maior crise sanitária do século em todo o planeta, totalizando 765,2 milhões de casos e quase 7 milhões de mortes durante mais de três anos, segundo a OMS.
De recordes de casos a disputas políticas, em tópicos, relembre os momentos mais marcantes da pandemia de covid-19 em todo o mundo:
2019
31 de dezembro de 2019 – A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre vários casos de pneumoniana cidade de Wuhan, na China.
2020
7 de janeiro de 2020 – As autoridades de Saúde chinesas confirmaram que haviam identificado um novo tipo de coronavírus.
13 de janeiro de 2020: O primeiro caso da doença é detectado fora da China, na Tailândia.
30 de janeiro de 2020: OMS declara que covid-19 é uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII).
23 de fevereiro de 2020: Europa vive a primeira grande onda de infecções pela doença, com maior parte dos casos na Itália.
26 de fevereiro de 2020: O Ministério da Saúde confirma o primeiro caso de covid-19 no Brasil. Tratava-se de um homem de 61 anos, de São Paulo, que havia viajado à Itália e sentiu desconforto respiratório.
11 de março de 2020: A OMS declara oficialmente uma pandemia de coronavírus em razão de seus “níveis alarmantes” de propagação em diferentes países. A Europa entra em modo de lockdown. Cerca de 120 mil pessoas haviam contraído o vírus em todo o mundo.
16 de março de 2020: Primeira morte decorrente de covid-19 é anunciada no Brasil. A vítima foi um homem de 62 anos, em São Paulo. Entretanto, em julho, o Ministério da Saúde divulgou, após ajustes nos dados epidemiológicos da pasta, que a primeira morte no país ocorreu, na verdade, no dia 12 de março, em São Paulo. A vítima era uma mulher de 57 anos.
20 de março de 2020: Jair Bolsonarochama covid-19 de “gripezinha”. O então presidente afirmou que, após a facada que levou em 2018, não será uma “gripezinha” que irá derrubá-lo.
16 de abril de 2020: O então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi demitido por Jair Bolsonaro. A demissão ocorreu após uma série de divergências públicas entre ele e o presidente. O cargo foi assumido por Nelson Teich, que também deixou a pasta menos de um mês após assumi-la.
20 de abril de 2020 – Jair Bolsonaro afirma que “não era coveiro”, ao responder à pergunta de um jornalista sobre o número de mortes por coronavírus no País.
8 de agosto de 2020: Brasil chega ao marco de 100 mil mortes por covid-19. O País somava quase 3 milhões de infectados. Na data, o Senado decretou luto oficial de quatro dias no Congresso Nacional.
8 de dezembro de 2020: primeira pessoa no mundo é vacinada contra a covid-19. O Reino Unido dá início à imunização contra a doença, utilizando a vacina Pfizer/BioNTech. A primeira a ser vacinada foi Margaret Keenan, uma britânica de 90 anos.
2021
14 de janeiro de 2021: A explosão de casos de covid-19 levou ao colapso do sistema de saúde em Manaus, que ficou sem oxigênio para pacientes em hospitais.
17 de janeiro de 2021: Com autorização para uso emergencial das vacinas CoronaVac e AstraZeneca pela Anvisa, o Brasil dá início à vacinação. A primeira imunizada é Mônica Calazans, de 54 anos, mulher negra pertencente ao grupo de risco e enfermeira.
15 de março de 2021: Marcelo Queiroga é escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para substituir o general Eduardo Pazuello como ministro da Saúde. Queiroga tornou-se o quarto ministro da gestão de Bolsonaro durante a pandemia, permanecendo até o fim do mandato.
13 de abril de 2021: É criada a CPI da covid-19. No relatório final, a CPI acusou Jair Bolsonaro de ter cometido nove crimes: prevaricação; charlatanismo; epidemia com resultado morte; infração a medidas sanitárias preventivas; emprego irregular de verba pública; incitação ao crime; falsificação de documentos particulares; crime de responsabilidade; e crimes contra a humanidade.
19 de junho de 2021: Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo divulga o primeiro caso da variante delta na capital. A variante foi detectada pela primeira vez em outubro de 2020, na Índia, e ficou conhecida por ser mais contagiosa em comparação às demais cepas.
7 de outubro de 2021: Brasil atinge a marca de 60% da população adulta completamente vacinada contra a covid-19. Como resposta à cobertura vacinal, em setembro, o País registrou o menor número de mortes pela covid-19 de 2021 até então.
24 de novembro de 2021: Existência da variante Ômicron é reportada pela primeira vez à OMS, pela África. Variante apresentou riscos pela sua alta transmissibilidade, embora com sintomas mais brandos.
2022
14 de janeiro de 2022 – A primeira criança é vacinada contra a covid-19 no Brasil. O indígena Davi Seremramiwe, de 8 anos, foi o primeiro do público a receber o imunizante da Pfizer no País.
3 de fevereiro de 2022: Início do ano no Brasil é marcado por explosões de casos, apesar da queda no índice de letalidade. No dia 3 de fevereiro, o recorde do número diário de infecções foi batido, com 298.408 casos confirmados em 24 horas.
25 de março de 2022: Fiocruz divulga informe que, pela primeira vez desde o início da pandemia, a ocupação de UTIs para covid-19 está abaixo de 60% em todos Estados.
8 de abril de 2022: Paraíba é o último Estado brasileiro a tornar facultativo o uso de máscaras, fazendo com que todas as federações, pela primeira vez, estivessem com o uso do acessório de proteção desobrigado.
17 de abril de 2022: Marcelo Queiroga anuncia o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) por covid-19 no Brasil.
21 de novembro de 2022: A Anvisa aprovou a venda do Paxlovid, medicamento utilizado como tratamento para a covid-19 para adultos, em farmácias e hospitais particulares.
2023
23 de fevereiro de 2023: O Brasil começa a vacinar públicos prioritários com a vacina bivalente, que confere maior proteção contra o vírus da cepa original e também contra a variante Ômicron.
1º de maio de 2023: São Paulo detecta o primeiro caso da variante Arcturus, caracterizada por quadros de conjuntivitee de febre alta.
05 de maio de 2023: OMS declara o fim da emergência de saúde pública da pandemia do coronavírus no planeta.
Coronavírus
Estudo revela mecanismo por trás de rara miocardite em adolescentes após vacina da Covid
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3 anos agoon
5 de maio de 2023Vacina contra Covid é aplicada em adolescente na UBS Veleiros em São Paulo – Danilo Verpa – 30.ago.21/Folhapress
As vacinas contra Covid tiveram sua segurança e eficácia avaliadas em milhares de pessoas em todo o mundo antes de serem aprovadas para uso em larga escala.
Mesmo assim, alguns efeitos raros relacionados à vacinação só podem ser observados depois de aplicadas em milhões de pessoas. Um desses efeitos é a miocardite ou pericardite (inflamação do tecido do coração), que foi observada em um número muito pequeno de casos, ainda que de relevância médica, em jovens e adolescentes do sexo masculino após a vacinação com a Pfizer.
O mecanismo por trás deste evento adverso ainda era desconhecido, mas um novo estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Yale e publicado nesta sexta (5) na revista especializada Science Immunology, acaba de revelar como ele ocorre.
Segundo a pesquisa, não foi encontrada uma associação entre a miocardite e os anticorposinduzidos após a vacinação, tampouco a uma doença autoimune dos pacientes ou hipersensibilidade aos componentes da vacina. O que os pesquisadores observaram foi uma resposta exagerada do próprio organismo como resposta a uma inflamação do tecido, produzindo mais danos e ele.
O estudo analisou 23 amostras de sangue de pacientes (87% eram homens) com idade de 13 a 21 anos que tiveram um quadro de miocardite de um a quatro dias após a segunda dose das vacinas de mRNA. Os sintomas dessa inflamação foram em geral dores no peito, palpitações, febre e perda de fôlego, entre outros. Indivíduos vacinados com duas doses da vacina monovalente e que não apresentaram miocardite foram incluídos como controle.
Nos pacientes com miocardite, foi observada uma quantidade elevada de duas moléculas indutoras da resposta imune exacerbada, como citocinas e glóbulos brancos, agindo de forma a atacar o próprio organismo.
Estas células de defesa eram em geral citotóxicas ou matadoras naturais (chamadas de NK ou natural killers, em inglês), ambas responsáveis por destruir outras células do organismo que estejam infectadas por vírus ou agindo de maneira errática (por exemplo, células tumorais). Os autores chamaram esse fenômeno de “citocinopatia”, ou uma condição causada pelas citocinas, como o que ocorria com a tempestade de citocinas no pulmão em alguns casos de infecção pelo Sars-CoV-2.
Para Carrie Lucas, professora associada de imunologia na Universidade de Yale e autora correspondente do estudo, a importância da pesquisa é que, embora fosse muito raro, ao vacinar milhões de crianças e adolescentes foi possível observar esse efeito, por isso era fundamental entendê-lo melhor. “Uma das implicações desse estudo é que não só ele traz explicação do fenômeno, mas também indica para uma redução do risco de miocardite quanto maior o intervalo entre as doses”, afirmou.
Os casos de miocardite foram registrados em geral após a segunda dose da vacina, e a pesquisadora sugere que a aplicação das doses seja espaçada para minimizar os possíveis efeitos adversos raros.
Akiko Iwasaki, imunologista e pesquisadora principal do Laboratório de Imunologia da Universidade de Yale e do Instituto Médico Howard Hughes, disse que não foram encontrados nas amostras dos pacientes marcadores indicando uma resposta induzida pela proteína S do Spike (ou espícula, usada pelo coronavírus para entrar nas células), o que sugeriria uma reação ao antígeno (parte do vírus contra o qual se deseja produzir resposta imune) no corpo.
A equipe de Iwasaki é uma das mais proeminentes na área de investigação dos atores envolvidos na resposta imunológica, incluindo como nosso organismo combate novos vírus e patógenos e a resposta gerada por vacinação ou proteção induzida por infecção natural.
“O que observamos foi que a resposta é induzida por linfócitos [glóbulos brancos], e não a um antígeno específico, seja ele produzido pela vacinação [anticorpos anti-Spike] ou infecção do Sars-CoV-2”, explicou.
TRATAMENTO E INCIDÊNCIA
Como a miocardite foi tratada na maioria dos casos com recuperação total do indivíduo, os pesquisadores sugerem que ao menor sinal de dores no peito e palpitações as crianças e adolescentes sejam levados para acompanhamento médico. “O tratamento é o mesmo que para qualquer outra inflamação, mas é claro que precisamos pensar no uso de corticosteróides a longo prazo, então não recomendamos uso de anti-inflamatórios profiláticos para evitar o risco de miocardite”, disse a imunologista.
As autoras reforçam que há um risco mais elevado de miocardite ou pericardite como consequência da infecção pelo coronavírus e sequelas da Covid longa, mas isso não foi avaliado no estudo, que analisou apenas casos de miocardite em pacientes que não tiveram um quadro prévio de Covid.
Segundo dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) americano, entre 2.507.209 e adolescentes de 12 a 17 anos vacinados no país, foram identificados 54 casos de miocardite, demonstrando ser um evento muito raro da vacina. A incidência acumulada de miocardite na população adolescente masculina foi de 36 casos a cada 100 mil pessoas. Em relação à infecção por Sars-CoV-2, a incidência foi quase o dobro, de 65 casos por 100 mil pessoas.
A pesquisa pode ajudar agora identificar marcadores para a ocorrência desses efeitos colaterais, como por exemplo a alta concentração das interleucinas no sangue, mas não existem atualmente exames disponíveis que possam prever essa reação.
“Também não foi possível prever nenhum precursor de miocardite, isto é, alguma condição prévia que pudesse aumentar o risco de ter esse efeito. Até agora, podemos apenas especular que existe um fator genético do indivíduo que responde a essa inflamação de maneira exacerbada, mas ainda não conseguimos determinar o gatilho”, afirmou.
Como os casos são extremamente raros e não foram observados novos eventos com os reforços bivalentes, os pesquisadores acreditam que os próximos passos devem se concentrar em buscar meios de produzir testes diagnósticos específicos para captar rapidamente o problema e iniciar o tratamento o quanto antes.
“Felizmente, os participantes do nosso estudo se recuperaram, por isso não temos como avaliar os danos causados após a reação, mas identificar esses marcadores pode ajudar na detecção precoce de novos casos”, finalizou.


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