Coronavírus
“Reação do governo tem sido uma desgraça para saúde pública”
Published
5 anos agoon

“Cientistas americanos certamente estão angustiados com a situação no Brasil. O surgimento da P.1 é uma ameaça global semelhante às outras variantes, mas pode até ser pior. A situação é agravada por uma reação governamental que tem sido uma desgraça para a saúde pública e que representa uma ameaça para todos nós.”
Assim reagiu o pesquisador americano Bill Hanage, epidemiologista da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard, ao ser questionado na sexta-feira, 5, se a circulação sem controle do coronavírus no Brasil e a prevalência da variante P.1, originada na região de Manaus, já em vários Estados, pode ser considerada uma ameaça para o mundo.
Envolvido com as pesquisas sobre a covid-19, o cientista foi crítico à forma como o governo brasileiro está lidando com a questão. “Todas as vezes que se permite que a infecção prolifere, é como se estivesse comprando para o vírus um bilhete de loteria”, disse, em entrevista ao Estadão.
“Porque essas ações não somente expõem os brasileiros a esses riscos, mas também os países vizinhos. E no fim, expõem todo o mundo. É uma renúncia chocante de um governante em proteger seus cidadãos. E também uma renúncia chocante de ser um bom cidadão do mundo”, afirmou o pesquisador. Confira a seguir a entrevista:
Como você avalia a proliferação do vírus no Brasil, com o aumento recente no número de novos casos e mortes enquanto essas taxas estão caindo, em geral, em outros países? É motivo de preocupação para o resto do mundo?
Cientistas americanos certamente estão preocupados com a situação no Brasil e estão desde pelo menos o início de janeiro. Eu mesmo comecei a me preocupar um pouco antes, quando a situação piorou em Manaus. O surgimento da P.1 é uma ameaça global semelhante às outras variantes, e pode até ser pior, embora a falta de dados realmente seguros torne difícil identificá-la completamente. Pode ser mais transmissível, mais virulento, mais capaz de escapar da imunidade, ou alguma combinação dos três. A situação é agravada por uma reação governamental que tem sido uma desgraça para a saúde pública e que representa uma ameaça para todos nós.
Alguns cientistas têm alertado que o Brasil pode se tornar um celeiro de variantes de preocupação (VOCs), como a P.1. Você concorda?
Apesar de uma dessas variantes, em teoria, poder emergir em qualquer lugar, as chances aumentam quanto mais infecções são permitidas. Qualquer lugar que permita muita transmissão torna mais prováveis que surjam mais variantes. Quando foi identificada a B.1.1.7 (variante com diversas mutações, como a P.1, que surgiu no Reino Unido no auge da segunda onda), eu comentei que era muito improvável que isso acontecesse na Nova Zelândia. Outra maneira de pensar nisso é que toda vez que você permite uma infecção, você compra um bilhete de loteria para o vírus.
Alguns estudos já indicam que a P.1 é mais transmissível, mas só isso seria o bastante para gerar o caos que estamos vivendo no Brasil?
A situação em Manaus é muito difícil de explicar de qualquer outra forma além de sugerir que a P.1 tem algumas propriedades de combinação muito desagradáveis. Mas a situação geral em termos de intervenção governamental e saúde pública tem sido tão terrível, tão incrivelmente ruim, que parte desse aumento de novos casos pode ser devido a isso. Portanto, ela pode até ser só um pouco mais transmissível, mas isso já é muito ruim porque ninguém está tentando fazer nada para impedir o vírus. Mas também a P.1 pode vir a ser a pior de todas as variantes. Quer dizer, acho que não vai conseguir fugir da vacinação, pelo menos não com as vacinas de RNA mensageiro (como a Pfizer ou Moderna) ou com a da Johnson. O que está me deixando angustiado é que estamos vendo a variante já dominando na Colômbia (a OMS já relata que lá tem transmissão comunitária, assim como no Brasil e no Peru) e temos razões para acreditar que a P.1 também pode estar contribuindo para o que está acontecendo na Bolívia.
O que mais te preocupa neste momento?
O que é muito difícil neste momento é que ainda faltam dados para entender todas as dimensões do que está acontecendo. Todos os cientistas no Brasil estão fazendo um trabalho incrível em diversas áreas, mas talvez também por um problema da forma como o governo está agindo, ainda não há bons dados epidemiológicos. É muito importante conseguir responder perguntas como: a distribuição de casos por idade com a P.1 é diferente da que ocorria nas linhagens que circulavam anteriormente? Sabemos que o risco da covid-19 aumenta com a idade do paciente. O risco de morte aumenta com a idade. É assim também com a P.1?
Médicos no Brasil e dados de algumas secretarias de saúde têm indicado um volume maior de pacientes mais jovens.
Mas precisamos de mais dados. Outra questão que ocorre por falta de teste, é se estão ocorrendo mais reinfecções. São todas questões muito importantes. E aqui nos Estados Unidos estamos paralisados, observando o que está acontecendo, tentando encontrar números, usando a tradução do google de textos em português. Mas estamos vendo a tudo com muita ansiedade. É urgente conseguir estabelecer se a P.1 é mais transmissível, mais virulenta ou mais capaz de reinfectar. Tem um monte de combinações diferentes entre esses fatores que podem explicar os dados que estão sendo observados. Nos Estados Unidos as pessoas já acreditam que serão vacinadas e que vai ficar tudo bem. Mas um monte de gente no mundo não vai ser vacinada tão cedo. E acho que o mais fundamental de tudo isso que estou dizendo é que eu tenho uma sensação de déjà vu.
Como assim?
Quando aconteceu Wuhan (o surgimento do coronavírus Sars-CoV-2, saltando de um animal para os seres humanos), o sentimento foi: isso mostra que isso pode acontecer. Ou seja, nós deveríamos pensar que pode acontecer em qualquer lugar. Essencialmente, é a mesma coisa agora. Se aconteceu em Manaus, pode acontecer em qualquer outro lugar. Isso é o que realmente importa.
Qual é a mensagem que essa situação deveria passar agora para os líderes mundiais?
O horror das doenças infecciosas é, que pela natureza delas, qualquer um que fingir que pode, de certa forma, ignorá-las, acaba sendo mordido no traseiro. Porque essas doenças não conhecem fronteiras, elas se movem. É por isso que as ações do Brasil são tão perigosas. Porque elas não somente expõem os brasileiros a esses riscos, mas também os países vizinhos. E no fim, expõem todo o mundo. É uma renúncia chocante de um governante em proteger seus cidadãos. E também uma renúncia chocante de ser um bom cidadão do mundo. Você pode ter certeza que as pessoas em vários lugares estão olhando para isso e sentindo muito pelo Brasil. Você sabe melhor do que eu quão terrível é essa situação. E infelizmente ela ainda vai durar bastante.
You may like

Justiça decide que 2ª dose da vacina da Pfizer seja aplicada em 21 dias e não em três meses, em Manaus

Oxford anuncia que vai testar efeitos da ivermectina contra a covid-19

Bolsonaro critica decisão que liberou Wilson Lima de ir a CPI

Covid-19: doenças neurológicas crônicas são incluídas na vacinação

Lei que determina afastamento de gestante na pandemia é sancionada

Começa hoje o prazo para pedir isenção de inscrição no Enem 2021
Coronavírus
Prefeitura de Manaus oferta doses contra Covid-19 em 74 pontos de vacinação nesta semana
Published
3 anos agoon
11 de setembro de 2023
Reforçando a vacinação como instrumento mais eficaz para prevenção e combate à Covid-19, a Prefeitura de Manaus orienta a população a buscar as unidades da rede básica de saúde para iniciar ou atualizar o esquema vacinal contra a doença. A aplicação das doses é ofertada nesta semana, de segunda a sexta-feira, 11 a 15/9, em 74 unidades gerenciadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), distribuídas em todas as zonas geográficas da capital.
O subsecretário municipal de Gestão da Saúde, Djalma Coelho, informa que a Semsa Manaus vem buscando ampliar o acesso da população à vacinação, com a oferta do serviço em horário ampliado, das 8h às 20h, em nove unidades da rede municipal. Nos demais estabelecimentos, o atendimento ocorre no horário regular, das 8h às 17h.
“A Semsa visa garantir que todas as pessoas tenham acesso à vacina, pois ela reduz em muito os riscos de agravos de saúde decorrentes da Covid-19, e também para limitar a transmissão do vírus causador da doença, aumentando a proteção de toda a comunidade”, afirma.
Conforme Djalma, os usuários devem se dirigir à unidade de saúde mais próxima portando documento oficial de identidade com foto, CPF ou Cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) para receber o imunizante. A lista dos estabelecimentos que ofertam a vacinação, com horários de funcionamento e endereços, pode ser conferida no site semsa.manaus.am.gov.br ou no link direto bit.ly/localvacinacovid19.
“Todas as pessoas a partir dos 6 meses de idade podem se vacinar. Quem já iniciou o esquema vacinal pode conferir se já está no prazo para receber a segunda dose ou dose de reforço no Imuniza Manaus (imuniza.manaus.am.gov.br), informando apenas o número do CPF”, orienta o gestor.
Djalma informa que os usuários a partir de 12 anos podem receber a vacina em qualquer um dos 74 pontos de vacinação da prefeitura. Já os menores de 12 anos, acompanhados dos pais ou responsáveis, são atendidos em unidades específicas, sendo 14 delas voltadas a bebês de 6 meses a 4 anos de idade, e 35 para crianças de 5 a 11 anos.
Eficazes e seguras
Nas unidades da rede básica de saúde são ofertadas doses das vacinas monovalentes e bivalentes, sendo aquelas empregadas como primeira e segunda doses do esquema primário para toda a população a partir dos 6 meses de idade, e como dose de reforço para adolescentes de 12 a 17 anos não integrantes de grupos prioritários.
Já as vacinas bivalentes, que protegem contra duas versões do coronavírus, são aplicadas como dose de reforço em pessoas a partir de 18 anos e adolescentes de grupos com maior vulnerabilidade, riscos para complicação e óbito e maior exposição.
Djalma Coelho explica que todas as vacinas ofertadas na rede pública de saúde são eficazes e seguras, tendo a devida aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“Seja mono ou bivalente, a vacina vai estimular as defesas do sistema imunológico contra o coronavírus, aumentando a proteção da pessoa contra a doença”, relata.
Para saber mais sobre a Campanha Municipal de Vacinação contra a Covid-19, basta acessar as redes sociais da Semsa Manaus, nos perfis @semsamanaus no Instagram e Semsa Manaus no Facebook.
—–
Coronavírus
Covid: relembre principais os episódios da pandemia
Published
3 anos agoon
6 de maio de 2023
Mais de 1.190 dias se passaram entre o início e o fim da declaração de emergência de saúde pública (PHEIC, na sigla em inglês) da pandemia do coronavírus, feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2020 e encerrada nesta sexta-feira, 5.
A doença provocou a maior crise sanitária do século em todo o planeta, totalizando 765,2 milhões de casos e quase 7 milhões de mortes durante mais de três anos, segundo a OMS.
De recordes de casos a disputas políticas, em tópicos, relembre os momentos mais marcantes da pandemia de covid-19 em todo o mundo:
2019
31 de dezembro de 2019 – A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre vários casos de pneumoniana cidade de Wuhan, na China.
2020
7 de janeiro de 2020 – As autoridades de Saúde chinesas confirmaram que haviam identificado um novo tipo de coronavírus.
13 de janeiro de 2020: O primeiro caso da doença é detectado fora da China, na Tailândia.
30 de janeiro de 2020: OMS declara que covid-19 é uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII).
23 de fevereiro de 2020: Europa vive a primeira grande onda de infecções pela doença, com maior parte dos casos na Itália.
26 de fevereiro de 2020: O Ministério da Saúde confirma o primeiro caso de covid-19 no Brasil. Tratava-se de um homem de 61 anos, de São Paulo, que havia viajado à Itália e sentiu desconforto respiratório.
11 de março de 2020: A OMS declara oficialmente uma pandemia de coronavírus em razão de seus “níveis alarmantes” de propagação em diferentes países. A Europa entra em modo de lockdown. Cerca de 120 mil pessoas haviam contraído o vírus em todo o mundo.
16 de março de 2020: Primeira morte decorrente de covid-19 é anunciada no Brasil. A vítima foi um homem de 62 anos, em São Paulo. Entretanto, em julho, o Ministério da Saúde divulgou, após ajustes nos dados epidemiológicos da pasta, que a primeira morte no país ocorreu, na verdade, no dia 12 de março, em São Paulo. A vítima era uma mulher de 57 anos.
20 de março de 2020: Jair Bolsonarochama covid-19 de “gripezinha”. O então presidente afirmou que, após a facada que levou em 2018, não será uma “gripezinha” que irá derrubá-lo.
16 de abril de 2020: O então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi demitido por Jair Bolsonaro. A demissão ocorreu após uma série de divergências públicas entre ele e o presidente. O cargo foi assumido por Nelson Teich, que também deixou a pasta menos de um mês após assumi-la.
20 de abril de 2020 – Jair Bolsonaro afirma que “não era coveiro”, ao responder à pergunta de um jornalista sobre o número de mortes por coronavírus no País.
8 de agosto de 2020: Brasil chega ao marco de 100 mil mortes por covid-19. O País somava quase 3 milhões de infectados. Na data, o Senado decretou luto oficial de quatro dias no Congresso Nacional.
8 de dezembro de 2020: primeira pessoa no mundo é vacinada contra a covid-19. O Reino Unido dá início à imunização contra a doença, utilizando a vacina Pfizer/BioNTech. A primeira a ser vacinada foi Margaret Keenan, uma britânica de 90 anos.
2021
14 de janeiro de 2021: A explosão de casos de covid-19 levou ao colapso do sistema de saúde em Manaus, que ficou sem oxigênio para pacientes em hospitais.
17 de janeiro de 2021: Com autorização para uso emergencial das vacinas CoronaVac e AstraZeneca pela Anvisa, o Brasil dá início à vacinação. A primeira imunizada é Mônica Calazans, de 54 anos, mulher negra pertencente ao grupo de risco e enfermeira.
15 de março de 2021: Marcelo Queiroga é escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para substituir o general Eduardo Pazuello como ministro da Saúde. Queiroga tornou-se o quarto ministro da gestão de Bolsonaro durante a pandemia, permanecendo até o fim do mandato.
13 de abril de 2021: É criada a CPI da covid-19. No relatório final, a CPI acusou Jair Bolsonaro de ter cometido nove crimes: prevaricação; charlatanismo; epidemia com resultado morte; infração a medidas sanitárias preventivas; emprego irregular de verba pública; incitação ao crime; falsificação de documentos particulares; crime de responsabilidade; e crimes contra a humanidade.
19 de junho de 2021: Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo divulga o primeiro caso da variante delta na capital. A variante foi detectada pela primeira vez em outubro de 2020, na Índia, e ficou conhecida por ser mais contagiosa em comparação às demais cepas.
7 de outubro de 2021: Brasil atinge a marca de 60% da população adulta completamente vacinada contra a covid-19. Como resposta à cobertura vacinal, em setembro, o País registrou o menor número de mortes pela covid-19 de 2021 até então.
24 de novembro de 2021: Existência da variante Ômicron é reportada pela primeira vez à OMS, pela África. Variante apresentou riscos pela sua alta transmissibilidade, embora com sintomas mais brandos.
2022
14 de janeiro de 2022 – A primeira criança é vacinada contra a covid-19 no Brasil. O indígena Davi Seremramiwe, de 8 anos, foi o primeiro do público a receber o imunizante da Pfizer no País.
3 de fevereiro de 2022: Início do ano no Brasil é marcado por explosões de casos, apesar da queda no índice de letalidade. No dia 3 de fevereiro, o recorde do número diário de infecções foi batido, com 298.408 casos confirmados em 24 horas.
25 de março de 2022: Fiocruz divulga informe que, pela primeira vez desde o início da pandemia, a ocupação de UTIs para covid-19 está abaixo de 60% em todos Estados.
8 de abril de 2022: Paraíba é o último Estado brasileiro a tornar facultativo o uso de máscaras, fazendo com que todas as federações, pela primeira vez, estivessem com o uso do acessório de proteção desobrigado.
17 de abril de 2022: Marcelo Queiroga anuncia o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) por covid-19 no Brasil.
21 de novembro de 2022: A Anvisa aprovou a venda do Paxlovid, medicamento utilizado como tratamento para a covid-19 para adultos, em farmácias e hospitais particulares.
2023
23 de fevereiro de 2023: O Brasil começa a vacinar públicos prioritários com a vacina bivalente, que confere maior proteção contra o vírus da cepa original e também contra a variante Ômicron.
1º de maio de 2023: São Paulo detecta o primeiro caso da variante Arcturus, caracterizada por quadros de conjuntivitee de febre alta.
05 de maio de 2023: OMS declara o fim da emergência de saúde pública da pandemia do coronavírus no planeta.
Coronavírus
Estudo revela mecanismo por trás de rara miocardite em adolescentes após vacina da Covid
Published
3 anos agoon
5 de maio de 2023Vacina contra Covid é aplicada em adolescente na UBS Veleiros em São Paulo – Danilo Verpa – 30.ago.21/Folhapress
As vacinas contra Covid tiveram sua segurança e eficácia avaliadas em milhares de pessoas em todo o mundo antes de serem aprovadas para uso em larga escala.
Mesmo assim, alguns efeitos raros relacionados à vacinação só podem ser observados depois de aplicadas em milhões de pessoas. Um desses efeitos é a miocardite ou pericardite (inflamação do tecido do coração), que foi observada em um número muito pequeno de casos, ainda que de relevância médica, em jovens e adolescentes do sexo masculino após a vacinação com a Pfizer.
O mecanismo por trás deste evento adverso ainda era desconhecido, mas um novo estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Yale e publicado nesta sexta (5) na revista especializada Science Immunology, acaba de revelar como ele ocorre.
Segundo a pesquisa, não foi encontrada uma associação entre a miocardite e os anticorposinduzidos após a vacinação, tampouco a uma doença autoimune dos pacientes ou hipersensibilidade aos componentes da vacina. O que os pesquisadores observaram foi uma resposta exagerada do próprio organismo como resposta a uma inflamação do tecido, produzindo mais danos e ele.
O estudo analisou 23 amostras de sangue de pacientes (87% eram homens) com idade de 13 a 21 anos que tiveram um quadro de miocardite de um a quatro dias após a segunda dose das vacinas de mRNA. Os sintomas dessa inflamação foram em geral dores no peito, palpitações, febre e perda de fôlego, entre outros. Indivíduos vacinados com duas doses da vacina monovalente e que não apresentaram miocardite foram incluídos como controle.
Nos pacientes com miocardite, foi observada uma quantidade elevada de duas moléculas indutoras da resposta imune exacerbada, como citocinas e glóbulos brancos, agindo de forma a atacar o próprio organismo.
Estas células de defesa eram em geral citotóxicas ou matadoras naturais (chamadas de NK ou natural killers, em inglês), ambas responsáveis por destruir outras células do organismo que estejam infectadas por vírus ou agindo de maneira errática (por exemplo, células tumorais). Os autores chamaram esse fenômeno de “citocinopatia”, ou uma condição causada pelas citocinas, como o que ocorria com a tempestade de citocinas no pulmão em alguns casos de infecção pelo Sars-CoV-2.
Para Carrie Lucas, professora associada de imunologia na Universidade de Yale e autora correspondente do estudo, a importância da pesquisa é que, embora fosse muito raro, ao vacinar milhões de crianças e adolescentes foi possível observar esse efeito, por isso era fundamental entendê-lo melhor. “Uma das implicações desse estudo é que não só ele traz explicação do fenômeno, mas também indica para uma redução do risco de miocardite quanto maior o intervalo entre as doses”, afirmou.
Os casos de miocardite foram registrados em geral após a segunda dose da vacina, e a pesquisadora sugere que a aplicação das doses seja espaçada para minimizar os possíveis efeitos adversos raros.
Akiko Iwasaki, imunologista e pesquisadora principal do Laboratório de Imunologia da Universidade de Yale e do Instituto Médico Howard Hughes, disse que não foram encontrados nas amostras dos pacientes marcadores indicando uma resposta induzida pela proteína S do Spike (ou espícula, usada pelo coronavírus para entrar nas células), o que sugeriria uma reação ao antígeno (parte do vírus contra o qual se deseja produzir resposta imune) no corpo.
A equipe de Iwasaki é uma das mais proeminentes na área de investigação dos atores envolvidos na resposta imunológica, incluindo como nosso organismo combate novos vírus e patógenos e a resposta gerada por vacinação ou proteção induzida por infecção natural.
“O que observamos foi que a resposta é induzida por linfócitos [glóbulos brancos], e não a um antígeno específico, seja ele produzido pela vacinação [anticorpos anti-Spike] ou infecção do Sars-CoV-2”, explicou.
TRATAMENTO E INCIDÊNCIA
Como a miocardite foi tratada na maioria dos casos com recuperação total do indivíduo, os pesquisadores sugerem que ao menor sinal de dores no peito e palpitações as crianças e adolescentes sejam levados para acompanhamento médico. “O tratamento é o mesmo que para qualquer outra inflamação, mas é claro que precisamos pensar no uso de corticosteróides a longo prazo, então não recomendamos uso de anti-inflamatórios profiláticos para evitar o risco de miocardite”, disse a imunologista.
As autoras reforçam que há um risco mais elevado de miocardite ou pericardite como consequência da infecção pelo coronavírus e sequelas da Covid longa, mas isso não foi avaliado no estudo, que analisou apenas casos de miocardite em pacientes que não tiveram um quadro prévio de Covid.
Segundo dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) americano, entre 2.507.209 e adolescentes de 12 a 17 anos vacinados no país, foram identificados 54 casos de miocardite, demonstrando ser um evento muito raro da vacina. A incidência acumulada de miocardite na população adolescente masculina foi de 36 casos a cada 100 mil pessoas. Em relação à infecção por Sars-CoV-2, a incidência foi quase o dobro, de 65 casos por 100 mil pessoas.
A pesquisa pode ajudar agora identificar marcadores para a ocorrência desses efeitos colaterais, como por exemplo a alta concentração das interleucinas no sangue, mas não existem atualmente exames disponíveis que possam prever essa reação.
“Também não foi possível prever nenhum precursor de miocardite, isto é, alguma condição prévia que pudesse aumentar o risco de ter esse efeito. Até agora, podemos apenas especular que existe um fator genético do indivíduo que responde a essa inflamação de maneira exacerbada, mas ainda não conseguimos determinar o gatilho”, afirmou.
Como os casos são extremamente raros e não foram observados novos eventos com os reforços bivalentes, os pesquisadores acreditam que os próximos passos devem se concentrar em buscar meios de produzir testes diagnósticos específicos para captar rapidamente o problema e iniciar o tratamento o quanto antes.
“Felizmente, os participantes do nosso estudo se recuperaram, por isso não temos como avaliar os danos causados após a reação, mas identificar esses marcadores pode ajudar na detecção precoce de novos casos”, finalizou.


Justiça determina perda de mandato do vereador de Manaus Jaildo Oliveira e convocação de suplente do PT
Prefeito Renato Junior assina ordem de serviço do programa ‘Casa Manauara’ e beneficia famílias em vulnerabilidade social

Esposa e filhos de jogador argentino são encontrados mortos após terremotos na Venezuela
Trending
Destaque5 anos agoVereador alerta pais sobre aplicativo Gacha Life que expõe crianças a conteúdos impróprios
Destaque5 anos agoDo profano ao sagrado: Simone ministra louvor na igreja de Leonardo Sale
Destaque5 anos agoEx de Isadora Pompeo, Thiago Maia fala sobre suposta nova namorada
Destaque5 anos agoSaiba quem é Monique Medeiros, presa pela morte do próprio filho, o menino Henry; ao depor, ela fez selfie na delegacia
Destaque5 anos ago‘Manaus está preparada para enfrentar uma cheia de até 30 metros’, afirma prefeito David Almeida
Amazonas5 anos agoTubarões no Rio Amazonas são raros, mas existem; bióloga explica
Coronavírus5 anos agoO que se sabe sobre vacinação de crianças e adolescentes
Amazonas5 anos agoMedicina indígena indica chás e xaropes caseiros contra Covid-19
