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Montadoras temem perder investimentos em meio a crise política
Published
5 anos agoon

A Anfavea (associação das montadoras) já se prepara para a próxima crise. Os sinais negativos vindos da política e da economia podem trazer queda na demanda após um longo período de filas de espera por falta de componentes nas linhas de produção.
“Nós já estamos com dificuldades por conta do planejamento de produção, entramos esse ano com problemas de fornecimento e de logística. Já estamos com muitos temas para fazer a gestão, e o que aconteceu ontem [terça, os atos de raiz golpista do 7 de Setembro] não ajuda na retomada”, diz Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, durante divulgação dos resultados de agosto do setor, realizada nesta quarta (8).
“Não nos cabe aqui discutir como isso será resolvido. Esperamos que o Supremo [Tribunal Federal], do ponto de vista jurídico, encontre uma solução e, do ponto de vista político, que o Congresso tenha a decisão mais sábia possível, ouvindo a sociedade”, afirma Moraes.
“A imagem do país já não é boa, esses últimos eventos criam maiores preocupações em nossas matrizes.”
“Sempre que vamos discutir com as matrizes, a primeira parte das reuniões é sobre a situação política e econômica do país. Disputamos espaço com países com melhores condições de receber investimentos e com um ambiente institucional estável”, diz o presidente da Anfavea.

Área da montagem de motores veiculares, marítimos e geradores de energia em São Bernardo do Campo, em São Paulo; os motores de cor laranja que são destinados a geração de energia em uma das etapas finais Bruno Santos/Folhapress
Quando ocorrer a nova retomada, as montadoras instaladas no Brasil precisarão disputar investimentos com outros países. E é aí que o cenário político pode ter influência negativa.
Em agosto, a produção caiu 21,9% na comparação com agosto de 2020. Em relação a julho, houve uma pequena alta de 0,3%, o que indica problemas em ambos os períodos. Foram montadas 164 mil unidades no último mês, número que inclui carros de passeio, veículos comerciais leves, ônibus e caminhões.
A regularização das linhas de montagem só deve ocorrer no segundo semestre de 2022, período que vai coincidir com as eleições presidenciais. A Anfavea sonha com a pacificação e teme que a crise institucional fomentada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deteriore ainda mais o cenário econômico, levando os potenciais consumidores a não terem condições de adquirir um veículo novo.
“A inflação está vindo mais forte do que imaginávamos e a taxa Selic provoca o aumento do custo do CDC [crédito direto ao consumidor]. Isso, infelizmente, aumenta nossa preocupação com a capacidade de compra dos nossos consumidores”, afirma Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfav
Segundo Moraes, o volume geral de exportações registrado hoje no país deveria levar o dólar para algo em torno de R$ 4,20. Isso não ocorre devido à instabilidade política. “Empresas exportadoras não estão trazendo seus dólares para o país.”
Em um passado recente, havia esperança de uma retomada consistente. Após as paradas totais ocorridas no início da pandemia, a produção teve uma alta expressiva a partir do segundo semestre de 2020. Contudo, o crescimento virou fumaça diante da falta de peças, principalmente semicondutores.
O estoque de veículos leves e pesados caiu para 76,4 mil unidades, o que representa 13 dias de vendas. “É o nível mais baixo desde que começamos a fazer essa medição”, afirma Moraes.
Sem carros para atender à demanda, os emplacamentos em agosto caíram 5,8% na comparação com o mesmo período de 2020.
Foram registrados 172,8 mil licenciamentos de carros de passeio, veículos comerciais leves, ônibus e caminhões. Em relação a julho, houve queda de 1,5%.
A média diária ficou em 7.855 unidades comercializadas, número que segue em queda desde junho.
Apesar dos gargalos, o número de empregados se manteve estável. Houve alta de 0,3% em relação a julho, e hoje há 103 mil funcionários registrados nas montadoras. Há tendência de queda até o fim do ano, à medida em que os acordos trabalhistas feitos pela Ford –que fechou suas fábricas no Brasil– sejam implementados.
O segmento de caminhões segue aquecido e tentando driblar os problemas de fornecimento de componentes. As vendas tiveram alta de 60,4% na comparação com agosto de 2020. Foram comercializadas 13 mil unidades no último mês, melhor resultado desde 2014.
“O problema dos semicondutores é mais significativo no segmento de automóveis, mas o setor de caminhões é uma surpresa boa”, diz o presidente da Anfavea, destacando as vendas para o agronegócio e serviços de transporte urbano.
As exportações também cresceram: 5,5% na comparação entre os meses de agosto e 23,9% sobre julho. Segundo o presidente da Anfavea, o mix de veículos enviados ao exterior tem contribuído para a rentabilidade no segmento.
O problema de fornecimento, entretanto, é global. Segundo a consultoria BCG, o setor automotivo deixou de produzir 4 milhões de unidades no primeiro semestre. Até o fim do ano, a empresa estima que entre 7 e 9 milhões de veículos não serão fabricados devido à falta de semicondutores.
No Brasil, a Anfavea calcula que até 280 mil automóveis leves e pesados deixarão de ser montados neste ano por falta de componentes.
“Além da Covid-19, houve o incêndio em uma fábrica de semicondutores no Japão, é uma tempestade perfeita nesse setor”, diz Moraes. “Nós vamos passar o final desse ano com essas dificuldades e vamos entrar 2022 com o problema, que só deve se revolver no segundo semestre do próximo ano.”
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Destaque
Vídeo de IA de Jair Bolsonaro pode ter consequências para o PL e o ex-presidente, avaliam especialistas
Published
4 horas agoon
28 de julho de 2026
A convenção partidária nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo no sábado (25), exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) para simular um pronunciamento de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Na gravação, o ex-presidente afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”, diz que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança” despertado por seu movimento e pede que os apoiadores recebam Flávio Bolsonaro “de braços abertos” como candidato à Presidência.
Para diferentes especialistas ouvidos pelo g1, o conteúdo deve causar reações tanto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque o TSE proíbe o uso de deepfakes, ou conteúdo sintético, para substituir a imagem ou voz de pessoa viva, mesmo com autorização. O ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses em prisão domiciliar, não pode divulgar manifestações de conteúdo político-eleitoral por qualquer meio, após determinação do ministro Alexandre de Moraes.
➡️ Deepfake é uma técnica que permite alterar um vídeo ou foto com ajuda de IA. Com ele, por exemplo, o rosto da pessoa que está em cena pode ser trocado pelo de outra; ou aquilo que a pessoa fala pode ser modificado.
Luiz Eduardo Peccinin, advogado especialista em Direito Eleitoral e doutor em Direito do Estado, acredita que o vídeo representou uma infração à legislação eleitoral. “Ainda que tenha sido indicado que se tratava de um personagem de inteligência artificial, isso viola de forma objetiva a norma do TSE que estabeleceu a proibição do uso de deepfake ou o uso da IA generativa para criar uma pessoa artificial”, disse ao g1.
Segundo Peccinin, o caso pode causar consequências que vão da aplicação de multa até a proibição do uso deste recurso específico durante as eleições. “Se essa conduta prosseguir pela campanha após ser considerada irregular, isso vai trazer riscos”, avalia.
Já Matheus Puppe, advogado e consultor da Comissão Especial de Direito Digital da Câmara dos Deputados, considera que a resolução do TSE que proíbe conteúdo sintético é “muito ampla” e não pode ser interpretada isoladamente. No seu entendimento, o conceito de deepfake deveria contemplar apenas conteúdos que têm caráter prejudicial, de atrapalhar ou ludibriar um candidato ou um eleitor.
“Proibir o deepfake e permitir a IA, uma coisa esbarra na outra. É uma norma que se contradiz”, pondera. “O próximo passo do TSE é reavaliar a próxima resolução, a finalidade de fato dela. E proibir o uso de IA sem o consentimento da pessoa representada para prejudicar a sociedade de maneira geral.”
Neste domingo, o Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o TSE contra o PL e o senador Flávio Bolsonaro por suposta propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial.
O partido também enviou uma petição ao STF afirmando que a veiculação do vídeo de IA pode ter desobedecido restrições impostas a Jair Bolsonaro.
De acordo com o advogado criminalista Guilherme Alonso, isso pode ter consequências sérias para o ex-presidente. “Já houve uma situação em que uma carta do ex-presidente foi utilizada com suposta finalidade política eleitoral e já houve uma decisão do ministro Alexandre de Moraes indicando que isso poderia justificar a prisão cautelar que seria imposta ao presidente”, explica. “Mas não houve naquela decisão uma devolução do ex-presidente ao estabelecimento prisional. Agora não é mais o primeiro episódio, então fica uma situação delicada”.
Alonso acredita que, com a petição feita pelo PT, Moraes deve abrir um prazo para a defesa de Bolsonaro se manifestar e explicar por que não se tratava de uma manifestação por intermédio de terceiros sobre a candidatura do filho. “Se isso vai ser suficiente para que ele indefira a manifestação do PT para que se reconheça a violação da cautelar, não sabemos. Mas objetivamente há esse risco real de revogar a prisão domiciliar.”
Fonte: https://g1-globo-com.cdn.ampproject.org/v/s/g1.globo.com/google/amp/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/07/28/video-ia-jair-bolsonaro-consequencias.ghtml?amp_js_v=0.1&_gsa=1#webview=1&cap=swipe
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Inscrições para concurso de auditor fiscal da Prefeitura de Manaus estão abertas; salário inicial é de R$ 27 mil
Published
4 horas agoon
28 de julho de 2026
A Prefeitura de Manaus abriu, nesta segunda-feira (27), as inscrições para o concurso público destinado ao cargo de Auditor-Fiscal de Tributos Municipais (AFTM), da Secretaria Municipal de Finanças, Planejamento e Tecnologia da Informação (Semef). O concurso prevê vagas e formação de cadastro reserva. Os candidatos têm até o dia 27 de agosto para se inscrever no certame.
Ao todo, serão 19 vagas de ampla concorrência e uma vaga reservada a candidatos com deficiência.
O cargo de Auditor-Fiscal exige ensino superior completo, tem jornada de 30 horas semanais e oferece remuneração inicial de R$ 27.270,61.
Para participar, o interessado deve acessar o Portal do Candidato, preencher o formulário de inscrição com as informações pessoais, junto com uma fotografia 3×4 e baixar o boleto bancário no valor de R$300, que pode ser pago até o dia 28 de agosto.
De acordo com o edital, o concurso será realizado em três etapas: prova objetiva, prova discursiva e pesquisa de vida pregressa. As duas primeiras fases terão caráter eliminatório e classificatório, enquanto a última será eliminatória.
A primeira fase acontece no dia 1º de novembro. Já a segunda a fase está prevista para 24 de janeiro de 2027. Quem for aprovado seguirá para a fase de pesquisa de vida pregressa.
Os candidatos aprovados e nomeados serão lotados na Subsecretaria da Receita da Semef, localizada no Centro de Manaus.
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Operação contra agiotagem prende três em Manaus; grupo cobrava juros de até 70% ao mês
Published
5 horas agoon
28 de julho de 2026
Três pessoas foram presas durante a Operação Usura, deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) nesta segunda-feira (27), em Manaus. A ação investiga um grupo suspeito de praticar agiotagem e extorsão, com cobrança de juros de até 70% ao mês. Segundo as investigações, as principais vítimas eram servidores do Poder Judiciário.
A operação é resultado de uma investigação iniciada há cerca de quatro meses, após a denúncia de uma servidora do Judiciário. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo oferecia empréstimos de até R$ 200 mil e utilizava intimidação psicológica para cobrar as dívidas.
Um policial militar suspeito de integrar o esquema foi preso na última terça-feira (22), durante as primeiras diligências do caso. Nesta segunda, outras duas pessoas foram detidas em flagrante, sendo uma delas por desacato.
Ao todo, a Justiça expediu dois mandados de prisão e 16 de busca e apreensão. Um dos alvos não foi localizado e é considerado foragido.
Alvos e buscas
As investigações apontam que o grupo é formado por 24 pessoas físicas e jurídicas. Entre os investigados estão três advogados, cujos escritórios também foram alvo de buscas por suposta ligação com o esquema.
Os mandados foram cumpridos nos bairros Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores.
Durante a operação, foram apreendidos cerca de R$ 160 mil em espécie, valor que ainda passará por conferência oficial. Também foram recolhidos dois veículos, joias, documentos e celulares.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de contas bancárias dos investigados.
Segundo o coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, as investigações continuam sob sigilo para identificar a dimensão da atuação do grupo e o prejuízo causado às vítimas.
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Operação do Gaeco no Amazonas — Foto: Divulgação


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