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Papa vai a Lisboa sob críticas de gastos públicos excessivos em megaevento católico

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LISBOA

Considerado o maior evento internacional da Igreja Católica, a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) está de volta após a pandemia de Covid, desta vez em Lisboa, com a expectativa de atrair 1 milhão de pessoas.

Mas a festa, entre terça (1º) e domingo (6), com a presença do papa Francisco, acontece em meio a críticas pelo uso de dinheiro público para financiar o megaencontro e ainda sob o impacto do relatório que identificou pelo menos 4.815 menores de idade abusados por membros da igreja em Portugal desde 1950.

Imagem divulgada pelo artista português Bordalo II mostra 'tapete de dinheiro' colocado no altar construído para receber o papa Francisco em Lisboa

Imagem divulgada pelo artista português Bordalo II mostra ‘tapete de dinheiro’ colocado no altar construído para receber o papa Francisco em Lisboa – 28.jul.23/Bordalo II via AFP

O custo total da JMJ para os cofres públicos lusos ainda não foi contabilizado. O governo previu um investimento de € 36 milhões (R$ 187,9 milhões), enquanto a Câmara de Lisboa, equivalente à prefeitura, afirmou que gastará no máximo outros € 35 milhões (R$ 182,7 milhões) com o evento —outras câmaras municipais, como as de Loures e de Oeiras, também devem despender milhões de euros com a jornada.

 

Em 2013, quando Francisco veio ao Brasil, também para uma edição da JMJ, logo após ter sido eleito pontífice, o custo total estimado pelos organizadores à época foi entre R$ 320 milhões e R$ 350 milhões, com pelo menos R$ 109 milhões oriundos de recursos públicos.

A principal justificativa lusa para o investimento no encontro é o legado das obras para a população e o impulso econômico proporcionado pela ida de peregrinos ao evento, que serviria ainda de vitrine a Lisboa.

Na sexta-feira (28), reportagem do jornal Expresso, um dos mais lidos do país, mostrou que 75,8% dos contratos celebrados por entidades públicas para a JMJ foram feitos sem concorrência pública, por meio dos chamados ajustes diretos. O ritmo de contratações por esse método disparou no último mês.

Embora a prática não seja irregular, a ausência de concorrência pública dificulta a transparência das contas. Uma das obras feitas por meio de ajuste direto, o altar-palco instalado no Parque Tejo para receber o papa, foi alvo de um protesto que viralizou. Nas escadas diante da cruz, o artista português Bordalo II instalou um “tapete de dinheiro” formado por reproduções de notas de € 500 em grandes dimensões.

“Num Estado laico, num momento em que muitos lutam para manter suas casas, o trabalho e a dignidade, milhões do dinheiro público vão para o patrocínio da turnê da multinacional italiana”, escreveu o artista.

Fotos da ação correram o mundo e geraram questionamentos sobre a segurança do evento. Para realizar o protesto, Bordalo II vestiu um colete similar ao dos trabalhadores que faziam a montagem do palco —um vídeo mostra que ele conseguiu entrar na área reservada e instalar o “dinheiro” sem qualquer dificuldade.

Autoridades negaram que tenha havido alguma falha. O secretário-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI) afirmou que o local “ainda não é considerado um espaço público e, assim, a responsabilidade é do empreiteiro da obra, bem como da empresa contratada para o serviço de segurança”. Pouco após a divulgação do protesto, no entanto, a Polícia de Segurança Pública anunciou a proibição de cartazes de “grandes dimensões” com “mensagens ofensivas” à JMJ dentro dos espaços do evento.

Pesquisa realizada pelo instituto Intercampus em fevereiro mostrou que 69% dos portugueses apoiam a realização do encontro no país, ainda que a maioria (62,5%) fosse contra o Estado custear o evento. O número de fiéis em Portugal caiu ligeiramente na última década, mas 8 em cada 10 portugueses ainda se declaram católicos. No último censo, de 2021, 80,2% da população disse seguir o catolicismo, contra 81% em 2011. O número de pessoas sem religião, no entanto, subiu e agora representa 6,6% da população.

A JMJ também provocou críticas por mudanças que serão impostas à rotina dos lisboetas. Devido ao evento, a circulação será limitada em pontos que concentram escritórios, como a região do Marquês de Pombal. Diversas lojas e empresas suspenderão suas atividades ou migrarão para o esquema remoto.

No começo do mês, a Câmara Municipal de Lisboa foi acusada por sem-teto e ativistas de realizar uma operação para a remoção da população em situação de rua da avenida Almirante Reis, área que reúne tendas e abrigos improvisados na capital lusa e ponto de passagem para um dos palcos da jornada.

As autoridades municipais, contudo, negaram que a intenção tenha sido esconder essa parcela da população, afirmando que intervenções de limpeza na região são feitas periodicamente.

Diversas categorias ainda aproveitaram a JMJ para pressionar por melhores condições de trabalho e salários. Greves totais ou parciais foram convocadas por trabalhadores dos setores de trens e aeroportos, além de médicos e enfermeiros. Policiais, professores e outros profissionais também agendaram atos.

Estrela da festa, o papa Francisco terá uma agenda intensa, com participação em 19 cerimônias religiosas e encontros com autoridades, como o presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o premiê António Costa.

 

Além das missas, o pontífice participará de uma via-sacra e da confissão de alguns jovens, além de uma visita à Universidade Católica e de reuniões com peregrinos e refugiados. Está prevista, ainda, uma breve visita ao santuário de Fátima. Embora a iniciativa não conste no programa oficial, Francisco deve se reunir com cerca de 30 pessoas que sofreram abuso sexual por membros da igreja em Portugal. A decisão de manter o ato fora da agenda oficial foi justificada como uma forma de proteger a privacidade das vítimas.

“Se disséssemos que o papa se encontrará às x horas em x lugar, alguma mídia não iria resistir à tentação de estar lá para fotografar e filmar. [Mas] o encontro acontecerá”, disse, em junho, o bispo Américo Aguiar, presidente da Fundação Jornada Mundial de Juventude e já anunciado como futuro cardeal.

Em fevereiro, uma comissão independente indicou que ao menos 4.815 menores foram abusados. Os casos aconteceram em diversos contextos, como em seminários, sacristias e casas de acolhimento ligadas à Igreja Católica. Cerca de 96% dos abusadores são do sexo masculino, e 77%, padres.

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Vídeo de IA de Jair Bolsonaro pode ter consequências para o PL e o ex-presidente, avaliam especialistas

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Convenção do PL exibe vídeo feito por Inteligência Artificial de Bolsonaro — Foto: Reprodução

A convenção partidária nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo no sábado (25), exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) para simular um pronunciamento de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Na gravação, o ex-presidente afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”, diz que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança” despertado por seu movimento e pede que os apoiadores recebam Flávio Bolsonaro “de braços abertos” como candidato à Presidência.

Para diferentes especialistas ouvidos pelo g1, o conteúdo deve causar reações tanto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque o TSE proíbe o uso de deepfakes, ou conteúdo sintético, para substituir a imagem ou voz de pessoa viva, mesmo com autorização. O ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses em prisão domiciliar, não pode divulgar manifestações de conteúdo político-eleitoral por qualquer meio, após determinação do ministro Alexandre de Moraes.

➡️ Deepfake é uma técnica que permite alterar um vídeo ou foto com ajuda de IA. Com ele, por exemplo, o rosto da pessoa que está em cena pode ser trocado pelo de outra; ou aquilo que a pessoa fala pode ser modificado.

Luiz Eduardo Peccinin, advogado especialista em Direito Eleitoral e doutor em Direito do Estado, acredita que o vídeo representou uma infração à legislação eleitoral. “Ainda que tenha sido indicado que se tratava de um personagem de inteligência artificial, isso viola de forma objetiva a norma do TSE que estabeleceu a proibição do uso de deepfake ou o uso da IA generativa para criar uma pessoa artificial”, disse ao g1.

Segundo Peccinin, o caso pode causar consequências que vão da aplicação de multa até a proibição do uso deste recurso específico durante as eleições. “Se essa conduta prosseguir pela campanha após ser considerada irregular, isso vai trazer riscos”, avalia.

Já Matheus Puppe, advogado e consultor da Comissão Especial de Direito Digital da Câmara dos Deputados, considera que a resolução do TSE que proíbe conteúdo sintético é “muito ampla” e não pode ser interpretada isoladamente. No seu entendimento, o conceito de deepfake deveria contemplar apenas conteúdos que têm caráter prejudicial, de atrapalhar ou ludibriar um candidato ou um eleitor.

“Proibir o deepfake e permitir a IA, uma coisa esbarra na outra. É uma norma que se contradiz”, pondera. “O próximo passo do TSE é reavaliar a próxima resolução, a finalidade de fato dela. E proibir o uso de IA sem o consentimento da pessoa representada para prejudicar a sociedade de maneira geral.”

Neste domingo, o Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o TSE contra o PL e o senador Flávio Bolsonaro por suposta propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial.

O partido também enviou uma petição ao STF afirmando que a veiculação do vídeo de IA pode ter desobedecido restrições impostas a Jair Bolsonaro.

De acordo com o advogado criminalista Guilherme Alonso, isso pode ter consequências sérias para o ex-presidente. “Já houve uma situação em que uma carta do ex-presidente foi utilizada com suposta finalidade política eleitoral e já houve uma decisão do ministro Alexandre de Moraes indicando que isso poderia justificar a prisão cautelar que seria imposta ao presidente”, explica. “Mas não houve naquela decisão uma devolução do ex-presidente ao estabelecimento prisional. Agora não é mais o primeiro episódio, então fica uma situação delicada”.

Alonso acredita que, com a petição feita pelo PT, Moraes deve abrir um prazo para a defesa de Bolsonaro se manifestar e explicar por que não se tratava de uma manifestação por intermédio de terceiros sobre a candidatura do filho. “Se isso vai ser suficiente para que ele indefira a manifestação do PT para que se reconheça a violação da cautelar, não sabemos. Mas objetivamente há esse risco real de revogar a prisão domiciliar.”

Fonte: https://g1-globo-com.cdn.ampproject.org/v/s/g1.globo.com/google/amp/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/07/28/video-ia-jair-bolsonaro-consequencias.ghtml?amp_js_v=0.1&amp_gsa=1#webview=1&cap=swipe

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Inscrições para concurso de auditor fiscal da Prefeitura de Manaus estão abertas; salário inicial é de R$ 27 mil

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Auditor fiscal Manaus: prefeitura lança edital do concurso com salário inicial de R$ 27 mil — Foto: Foto: Divulgação Auditor fiscal Manaus: prefeitura lança edital do concurso com salário inicial de R$ 27 mil — Foto: Foto: Divulgação

A Prefeitura de Manaus abriu, nesta segunda-feira (27), as inscrições para o concurso público destinado ao cargo de Auditor-Fiscal de Tributos Municipais (AFTM), da Secretaria Municipal de Finanças, Planejamento e Tecnologia da Informação (Semef). O concurso prevê vagas e formação de cadastro reserva. Os candidatos têm até o dia 27 de agosto para se inscrever no certame.

Ao todo, serão 19 vagas de ampla concorrência e uma vaga reservada a candidatos com deficiência.

O cargo de Auditor-Fiscal exige ensino superior completo, tem jornada de 30 horas semanais e oferece remuneração inicial de R$ 27.270,61.

Para participar, o interessado deve acessar o Portal do Candidato, preencher o formulário de inscrição com as informações pessoais, junto com uma fotografia 3×4 e baixar o boleto bancário no valor de R$300, que pode ser pago até o dia 28 de agosto.

De acordo com o edital, o concurso será realizado em três etapas: prova objetiva, prova discursiva e pesquisa de vida pregressa. As duas primeiras fases terão caráter eliminatório e classificatório, enquanto a última será eliminatória.

A primeira fase acontece no dia 1º de novembro. Já a segunda a fase está prevista para 24 de janeiro de 2027. Quem for aprovado seguirá para a fase de pesquisa de vida pregressa.

Os candidatos aprovados e nomeados serão lotados na Subsecretaria da Receita da Semef, localizada no Centro de Manaus.

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Operação contra agiotagem prende três em Manaus; grupo cobrava juros de até 70% ao mês

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Material apreendido na operação — Foto: Divulgação/MPAM

Três pessoas foram presas durante a Operação Usura, deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) nesta segunda-feira (27), em Manaus. A ação investiga um grupo suspeito de praticar agiotagem e extorsão, com cobrança de juros de até 70% ao mês. Segundo as investigações, as principais vítimas eram servidores do Poder Judiciário.

A operação é resultado de uma investigação iniciada há cerca de quatro meses, após a denúncia de uma servidora do Judiciário. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo oferecia empréstimos de até R$ 200 mil e utilizava intimidação psicológica para cobrar as dívidas.

Um policial militar suspeito de integrar o esquema foi preso na última terça-feira (22), durante as primeiras diligências do caso. Nesta segunda, outras duas pessoas foram detidas em flagrante, sendo uma delas por desacato.

Ao todo, a Justiça expediu dois mandados de prisão e 16 de busca e apreensão. Um dos alvos não foi localizado e é considerado foragido.

 

Alvos e buscas

 

As investigações apontam que o grupo é formado por 24 pessoas físicas e jurídicas. Entre os investigados estão três advogados, cujos escritórios também foram alvo de buscas por suposta ligação com o esquema.

Os mandados foram cumpridos nos bairros Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores.

Durante a operação, foram apreendidos cerca de R$ 160 mil em espécie, valor que ainda passará por conferência oficial. Também foram recolhidos dois veículos, joias, documentos e celulares.

A Justiça determinou ainda o bloqueio de contas bancárias dos investigados.

Segundo o coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, as investigações continuam sob sigilo para identificar a dimensão da atuação do grupo e o prejuízo causado às vítimas.

Gaeco deflagra operação contra suspeitos de integrar grupo de agiotagem em Manaus — Foto: Jucélio Paiva/Rede Amazônica
Gaeco deflagra operação contra suspeitos de integrar grupo de agiotagem em Manaus — Foto: Jucélio Paiva/Rede Amazônica
Operação do Gaeco no Amazonas — Foto: Divulgação

Operação do Gaeco no Amazonas — Foto: Divulgação

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