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‘Noivas do Estado Islâmico’: o caso da britânica que se diz arrependida e quer voltar para casa
Published
5 anos agoon

Em entrevista à BBC, ela disse que pode ser “útil para a sociedade” e que seria um desperdício deixá-la “apodrecer” em um acampamento sírio.
A jovem de 22 anos é acusada de desempenhar um papel ativo no Estado Islâmico, algo que ela nega. Ela vive hoje em um acampamento de refugiados na Síria.
Neste ano, ela perdeu sua cidadania britânica, depois que o governo do Reino Unido declarou que ela é uma ameaça à segurança nacional. Shamima Begum vem tentando recuperar sua cidadania nos tribunais britânicos, mas até agora ela sofreu uma série de derrotas jurídicas.
O governo britânico afirma que a decisão de retirar a cidadania da jovem não a deixa na condição de apátrida, o que seria proibido no direito internacional, já que ela teria também cidadania de Bangladesh, país de origem da sua família.
No entanto, Bangladesh recentemente manifestou que ela não é considerada cidadã do país.
O Radicalizada aos 15 anos
Shamima Begum nasceu no Reino Unido, filha de pais de descendência de Bangladesh.
Ela tinha 15 anos quando ela e duas outras estudantes do leste de Londres viajaram para a Síria para ingressar no Estado Islâmico, atraídas pelas ideias radicais do grupo.
Uma das outras garotas que viajava com ela, Kadiza Sultana, teria sido morta em um bombardeio, e o paradeiro da terceira, Amira Abase, é desconhecido.
A fuga das jovens, que viajaram contra a vontade de seus parentes e usaram identidades falsas, foi destaque em 2015 na imprensa britânica, que publicou fotos das estudantes secundárias deixando o país pelo aeroporto de Gatwick. Todas elas estudavam na mesma escola em Londres.
Em seu auge, o grupo extremista Estado Islâmico chegou a controlar um território do tamanho do Reino Unido (ou do Estado de São Paulo) que se estendia entre a Síria e o Iraque. Mas em 2019, o grupo havia sido derrotado por forças sírias, com ajuda militar dos EUA e Reino Unido. Ainda há até hoje combatentes remanescentes em atividade.

Begum e suas amigas viajaram para a Turquia e depois para a cidade de Raqqa, na Síria. Lá ela se casou com um holandês recrutado pelo Estado Islâmico, com quem teve três filhos.
Em 2019, ela foi localizada, grávida de nove meses, em um campo de refugiados sírios. Seu bebê acabou morrendo de pneumonia. Begum disse que já havia perdido seus outros dois filhos antes disso e que seu marido estava em uma prisão onde há vários homens sendo torturados, depois que ele se entregou a um grupo de combatentes sírios.
Cidadania perdida
Depois que ela foi encontrada, o então ministro do Interior, Sajid Javid, cancelou sua cidadania britânica por motivos de segurança.
Begum entrou com um recurso contra a decisão, e um tribunal britânico decidiu que ela deveria ser autorizada a retornar ao Reino Unido para apresentar seu caso, porque ela não poderia fazê-lo vivendo em um campo perigoso no norte da Síria.
No entanto, o Ministério do Interior argumentou que permitir que ela voltasse criaria “riscos significativos para a segurança nacional”. A Suprema Corte do Reino Unido decidiu que o governo tem o direito de impedir que Begum retorne ao Reino Unido — mas também ordenou que a batalha legal sobre sua cidadania seja interrompida até que ela encontre uma maneira de participar do processo legal.
No passado, ela havia dito que o atentado à bomba em 2017 em um show da cantora Ariana Grande, em Manchester, no qual 22 pessoas — incluindo crianças — foram mortas em um ataque reivindicado pelo Estado Islâmico, foi semelhante a ataques militares contra o Estado Islâmico. Na ocasião, ela disse que atentado terrorista em Manchester havia sido uma “retaliação”.
‘Nauseada’
Questionada pela BBC como ela se sente por ter feito parte de um grupo que cometeu genocídio e assassinato ao redor do mundo, a jovem disse: “Isso me deixa nauseada, realmente. Isso me faz eu me odiar.”
Begum também disse que só agora se sente confortável para falar sobre seus verdadeiros sentimentos.
“Eu tenho essas opiniões há muito tempo, mas só agora me sinto confortável para expressar minha opinião real”, disse.
Ela disse que se tivesse permissão para voltar ao Reino Unido, ela poderia aconselhar sobre as táticas usadas pelo Estado Islâmico para recrutar as pessoas a irem para a Síria. Ela disse que pode ser útil no esforço contra a radicalização de jovens.
Segundo ela, é “uma obrigação” sua evitar que outras jovens destruam suas vidas como ela fez ao seguir o Estado Islâmico.
Nesta semana, Begum apareceu em um programa de TV da rede ITV e fez um apelo direto ao primeiro-ministro Boris Johnson para se tornar “um trunfo” na luta contra o terrorismo.
Em entrevista realizada em um campo de refugiados sírios, ela disse que “não há provas” de que ela foi uma peça-chave no planejamento de atos terroristas e que está preparada para provar sua inocência na justiça.
“Eu sei que existem algumas pessoas que, não importa o que eu diga ou faça, não vão acreditar que eu mudei ou que quero ajudar”, disse ela.
“Mas para aqueles que têm até mesmo um pingo de misericórdia, compaixão e empatia em seus corações, eu digo a vocês do fundo do meu coração que lamento cada decisão que tomei desde que entrei na Síria e viverei com isso para o resto da minha vida.”
“Ninguém pode me odiar mais do que eu me odeio pelo que fiz e tudo o que posso dizer é ‘sinto muito’ e ‘por favor me dê uma segunda chance’.”
Ela disse que “preferia morrer a voltar para o Estado Islâmico” e acrescentou: “O único crime que cometi foi ser burra o suficiente para ingressar no Estado Islâmico”.
‘Vocês não viram o que eu vi’
Sajid Javid, atual ministro da Saúde que decidiu revogar a cidadania da jovem quando ele era ministro do Interior, disse que não há chance de que Begum possa voltar ao Reino Unido para lutar por sua cidadania perdida.
Ele disse que a decisão de privá-la de sua cidadania britânica é “moralmente certa, absolutamente certa, mas também legalmente correta para proteger o povo britânico”.
“Não vou entrar em detalhes do caso, mas digo que vocês certamente não viram o que eu vi”, acrescentou.
“Se você soubesse o que eu sei, porque você é uma pessoa sensível e responsável, você teria tomado exatamente a mesma decisão — disso eu não tenho dúvidas”, disse Javid, em entrevista a outra rede de notícias.
Um porta-voz do Ministério do Interior disse: “A principal prioridade do governo continua sendo a manutenção de nossa segurança nacional e a segurança do público”.
O grupo de direitos humanos Liberty havia considerado a decisão de revogar a cidadania de Begum “um precedente extremamente perigoso”. Segundo o grupo, o direito a um julgamento justo não pode ser retirado apenas por “capricho” em governos democráticos.
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Vídeo de IA de Jair Bolsonaro pode ter consequências para o PL e o ex-presidente, avaliam especialistas
Published
3 horas agoon
28 de julho de 2026
A convenção partidária nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo no sábado (25), exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) para simular um pronunciamento de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Na gravação, o ex-presidente afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”, diz que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança” despertado por seu movimento e pede que os apoiadores recebam Flávio Bolsonaro “de braços abertos” como candidato à Presidência.
Para diferentes especialistas ouvidos pelo g1, o conteúdo deve causar reações tanto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque o TSE proíbe o uso de deepfakes, ou conteúdo sintético, para substituir a imagem ou voz de pessoa viva, mesmo com autorização. O ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses em prisão domiciliar, não pode divulgar manifestações de conteúdo político-eleitoral por qualquer meio, após determinação do ministro Alexandre de Moraes.
➡️ Deepfake é uma técnica que permite alterar um vídeo ou foto com ajuda de IA. Com ele, por exemplo, o rosto da pessoa que está em cena pode ser trocado pelo de outra; ou aquilo que a pessoa fala pode ser modificado.
Luiz Eduardo Peccinin, advogado especialista em Direito Eleitoral e doutor em Direito do Estado, acredita que o vídeo representou uma infração à legislação eleitoral. “Ainda que tenha sido indicado que se tratava de um personagem de inteligência artificial, isso viola de forma objetiva a norma do TSE que estabeleceu a proibição do uso de deepfake ou o uso da IA generativa para criar uma pessoa artificial”, disse ao g1.
Segundo Peccinin, o caso pode causar consequências que vão da aplicação de multa até a proibição do uso deste recurso específico durante as eleições. “Se essa conduta prosseguir pela campanha após ser considerada irregular, isso vai trazer riscos”, avalia.
Já Matheus Puppe, advogado e consultor da Comissão Especial de Direito Digital da Câmara dos Deputados, considera que a resolução do TSE que proíbe conteúdo sintético é “muito ampla” e não pode ser interpretada isoladamente. No seu entendimento, o conceito de deepfake deveria contemplar apenas conteúdos que têm caráter prejudicial, de atrapalhar ou ludibriar um candidato ou um eleitor.
“Proibir o deepfake e permitir a IA, uma coisa esbarra na outra. É uma norma que se contradiz”, pondera. “O próximo passo do TSE é reavaliar a próxima resolução, a finalidade de fato dela. E proibir o uso de IA sem o consentimento da pessoa representada para prejudicar a sociedade de maneira geral.”
Neste domingo, o Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o TSE contra o PL e o senador Flávio Bolsonaro por suposta propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial.
O partido também enviou uma petição ao STF afirmando que a veiculação do vídeo de IA pode ter desobedecido restrições impostas a Jair Bolsonaro.
De acordo com o advogado criminalista Guilherme Alonso, isso pode ter consequências sérias para o ex-presidente. “Já houve uma situação em que uma carta do ex-presidente foi utilizada com suposta finalidade política eleitoral e já houve uma decisão do ministro Alexandre de Moraes indicando que isso poderia justificar a prisão cautelar que seria imposta ao presidente”, explica. “Mas não houve naquela decisão uma devolução do ex-presidente ao estabelecimento prisional. Agora não é mais o primeiro episódio, então fica uma situação delicada”.
Alonso acredita que, com a petição feita pelo PT, Moraes deve abrir um prazo para a defesa de Bolsonaro se manifestar e explicar por que não se tratava de uma manifestação por intermédio de terceiros sobre a candidatura do filho. “Se isso vai ser suficiente para que ele indefira a manifestação do PT para que se reconheça a violação da cautelar, não sabemos. Mas objetivamente há esse risco real de revogar a prisão domiciliar.”
Fonte: https://g1-globo-com.cdn.ampproject.org/v/s/g1.globo.com/google/amp/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/07/28/video-ia-jair-bolsonaro-consequencias.ghtml?amp_js_v=0.1&_gsa=1#webview=1&cap=swipe
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Inscrições para concurso de auditor fiscal da Prefeitura de Manaus estão abertas; salário inicial é de R$ 27 mil
Published
3 horas agoon
28 de julho de 2026
A Prefeitura de Manaus abriu, nesta segunda-feira (27), as inscrições para o concurso público destinado ao cargo de Auditor-Fiscal de Tributos Municipais (AFTM), da Secretaria Municipal de Finanças, Planejamento e Tecnologia da Informação (Semef). O concurso prevê vagas e formação de cadastro reserva. Os candidatos têm até o dia 27 de agosto para se inscrever no certame.
Ao todo, serão 19 vagas de ampla concorrência e uma vaga reservada a candidatos com deficiência.
O cargo de Auditor-Fiscal exige ensino superior completo, tem jornada de 30 horas semanais e oferece remuneração inicial de R$ 27.270,61.
Para participar, o interessado deve acessar o Portal do Candidato, preencher o formulário de inscrição com as informações pessoais, junto com uma fotografia 3×4 e baixar o boleto bancário no valor de R$300, que pode ser pago até o dia 28 de agosto.
De acordo com o edital, o concurso será realizado em três etapas: prova objetiva, prova discursiva e pesquisa de vida pregressa. As duas primeiras fases terão caráter eliminatório e classificatório, enquanto a última será eliminatória.
A primeira fase acontece no dia 1º de novembro. Já a segunda a fase está prevista para 24 de janeiro de 2027. Quem for aprovado seguirá para a fase de pesquisa de vida pregressa.
Os candidatos aprovados e nomeados serão lotados na Subsecretaria da Receita da Semef, localizada no Centro de Manaus.
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Operação contra agiotagem prende três em Manaus; grupo cobrava juros de até 70% ao mês
Published
4 horas agoon
28 de julho de 2026
Três pessoas foram presas durante a Operação Usura, deflagrada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) nesta segunda-feira (27), em Manaus. A ação investiga um grupo suspeito de praticar agiotagem e extorsão, com cobrança de juros de até 70% ao mês. Segundo as investigações, as principais vítimas eram servidores do Poder Judiciário.
A operação é resultado de uma investigação iniciada há cerca de quatro meses, após a denúncia de uma servidora do Judiciário. De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o grupo oferecia empréstimos de até R$ 200 mil e utilizava intimidação psicológica para cobrar as dívidas.
Um policial militar suspeito de integrar o esquema foi preso na última terça-feira (22), durante as primeiras diligências do caso. Nesta segunda, outras duas pessoas foram detidas em flagrante, sendo uma delas por desacato.
Ao todo, a Justiça expediu dois mandados de prisão e 16 de busca e apreensão. Um dos alvos não foi localizado e é considerado foragido.
Alvos e buscas
As investigações apontam que o grupo é formado por 24 pessoas físicas e jurídicas. Entre os investigados estão três advogados, cujos escritórios também foram alvo de buscas por suposta ligação com o esquema.
Os mandados foram cumpridos nos bairros Japiim, Ponta Negra, Centro, Adrianópolis e Flores.
Durante a operação, foram apreendidos cerca de R$ 160 mil em espécie, valor que ainda passará por conferência oficial. Também foram recolhidos dois veículos, joias, documentos e celulares.
A Justiça determinou ainda o bloqueio de contas bancárias dos investigados.
Segundo o coordenador do Gaeco, promotor de Justiça Leonardo Tupinambá, as investigações continuam sob sigilo para identificar a dimensão da atuação do grupo e o prejuízo causado às vítimas.
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Operação do Gaeco no Amazonas — Foto: Divulgação


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