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Internacional

A cidade asiática obcecada com a limpeza

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Os aeroportos podem parecer todos iguais, mas desembarcar em Changi — tanto hoje quanto muito antes da pandemia de covid-19 — é uma experiência única de Cingapura.

No trajeto até o controle de passaportes, caminhando pelo ar perfumado, você verá paredes verdes impecavelmente cuidadas, equipes de limpeza (tanto na forma humana quanto robótica) e banheiros de alta tecnologia com telas de feedback interativas.

Se você sair do aeroporto esperando que o resto da cidade seja tão limpo e organizado, não vai ficar desapontado.

Cingapura

JOHN SEATON CALLAHAN/GETTY IMAGES – Cingapura colocou seu legado cultural de limpeza à prova durante a pandemia de covid-19

Uma vez descrita pelo jornal americano New York Times como um lugar “tão limpo que o chiclete é uma substância controlada”, Cingapura é universalmente conhecida por suas estradas perfeitamente pavimentadas, parques públicos bem cuidados e ruas sem lixo.

Mas a limpeza é mais do que um ideal meramente estético por aqui.

Nesta pequena cidade-estado com pouco menos de 56 anos de independência nacional, limpeza é sinônimo de profundas conquistas sociais, de um crescimento econômico sem precedentes e, mais recentemente, de uma contenção coordenada da pandemia de covid-19.

Enquanto a população tende a ignorar humildemente a sugestão de que seu país é especialmente limpo, seus líderes têm feito de tudo para obter e manter uma imagem pública imaculada.

“A reputação de limpeza de Cingapura é algo que o governo buscou conscientemente promover”, explica Donald Low, um acadêmico de Cingapura que estuda políticas públicas.

“Originalmente, essa limpeza tinha pelo menos duas conotações: a primeira era a limpeza física ou ambiental; a segunda era um governo e uma sociedade honestos, que não toleram a corrupção.”

Tendo se separado da Malásia em 1965, Cingapura, liderada pelo então primeiro-ministro Lee Kuan Yew, tinha grandes ambições de se tornar um “oásis de primeiro mundo em uma região de terceiro mundo”, nas palavras dele.

“Como uma cidade-estado recém-independente que estava ansiosa para atrair investimentos estrangeiros, Lee Kuan Yew acreditava, corretamente, que essas coisas iriam diferenciar Cingapura do resto do Sudeste Asiático”, acrescenta Low.

Na prática, alcançar a limpeza significava desenvolver sistemas de esgoto de qualidade, criar programas para combater a dengue e outras doenças, conduzir um projeto de dez anos para despoluição do Rio Cingapura, o plantio de árvores em toda a ilha e a realocação dos vendedores ambulantes de comida, outrora onipresentes nas ruas, em centros cobertos voltados para isso.

Também significou a realização de uma série de campanhas nacionais de higiene pública, convocando os cidadãos de Cingapura a fazer sua parte.

“Manter a comunidade limpa requer um povo consciente de suas responsabilidades”, declarou Lee no lançamento, em 1968, do Keep Singapore Clean, uma iniciativa agora anual contra os detritos.

O discurso de Lee buscou despertar um novo sentimento de orgulho nacional entre a população, invocando um espírito coletivo e comunitário que ele via como vital para alcançar os objetivos da nação.

À medida que as condições ambientais da cidade-estado melhoravam, o mesmo acontecia com o apelo de Cingapura a investidores estrangeiros e turistas, dando início a um longo período de crescimento econômico sem precedentes.

Hoje em dia, Cingapura lidera regularmente rankings de pesquisas sobre condições sociais, segurança pessoal e qualidade de vida, entre as cidades globais; enquanto sua economia de mercado altamente desenvolvida é uma das mais competitivas do planeta.

Nenhum lugar parece mais emblemático do vigor atual da nação do que o Central Business District, onde torres de escritórios reluzentes e arranha-céus — que abrigam milhares de sedes de empresas internacionais — dividem o espaço com hotéis de luxo de classe mundial, incluindo o icônico Marina Bay Sands projetado por Moshe Safdie.

É o tipo de utopia futurista com a qual seu então primeiro-ministro e líder fundador só poderia ter vislumbrado em sonhos.

Cingapura

ANDREA PISTOLESI/GETTY IMAGES

Os turistas encontram estradas perfeitamente pavimentadas, parques públicos bem cuidados e ruas limpas

Lee ficou irritado porque, apesar das conquistas de seu país, ele era de alguma forma sempre questionado sobre a notória proibição de chicletes durante entrevistas com a imprensa estrangeira.

É improvável que ele tenha previsto o nível de atenção global que isso atrairia ao promulgar a lei em 1992, para combater o gasto com a limpeza de chicletes mascados de espaços públicos, como do então novo sistema MRT (de transporte público).

Hoje em dia, o consumo de chicletes é, na verdade, permitido — se você inadvertidamente contrabandear um pacote aberto na mala, não vai parar na prisão — mas a venda continua proibida.

Low explica que a infame lei do chiclete é, na verdade, bastante anômala em termos de formulação de políticas públicas em Cingapura.

“Em vez de proibições diretas”, explica ele, “o governo de Cingapura geralmente recorre a (des)incentivos financeiros para atividades que geram custos para a sociedade”, citando como exemplo a recente introdução de um imposto sobre o carbono, destinado a reduzir as emissões e incentivar o uso alternativo de energia limpa.

Mas será que Cingapura pode realmente ser tão limpa quanto sua reputação sugere?

Nem é preciso dizer que os arranha-céus reluzentes, os hotéis em forma de barco e as fontes de água feitas pelo homem não apresentam uma imagem precisa da vida cotidiana aqui.

Mercado de comida de rua em Cingapura

JIMMY FAM/GETTY IMAGES

Os vendedores ambulantes de comida, antes onipresentes nas ruas, foram transferidos para centros cobertos com regulamentação de higiene

No entanto, mesmo quando eu saía do centro da cidade e entrava nas partes em que os turistas raramente se aventuram, seus conjuntos habitacionais públicos uniformemente projetados, parques públicos bem cuidados e centros de vendedores ambulantes escrupulosamente regulamentados estavam longe de ser sujos.

Fui para Geylang, uma área de Cingapura famosa por sua excelente comida local (elogiada por Anthony Bourdain) e por ser o único distrito da luz vermelha legalizado na cidade.

Certamente, pensei, era ali onde veria a “verdadeira” Cingapura.

Já estava escurecendo e as ruas estavam iluminadas com letreiros de neon fluorescentes de aparência antiquada anunciando sex shops, salas de karaokê e cafés noturnos vendendo mingau de perna de sapo, uma iguaria regional.

“Pense nisso como o submundo de Cingapura”, disse Cai Yinzhou, parado ao meu lado em um beco mal iluminado, “o oposto dos arranha-céus bem cuidados que vemos no Central Business District”.

Yinzhou, um nativo de Geylang, que “cresceu com profissionais do sexo e operadores de jogos de azar na vizinhança”, agora dirige o Geylang Adventures, um tour organizado que visa “apresentar Geylang como um ecossistema social, além do lado decadente ou delicioso que a maioria dos moradores locais conhecem”.

O tour de Yinzhou explora bordéis, bares e o ambiente social de Geylang, que muitas vezes parecem estar em conflito com a reputação puritana de Cingapura.

Cingapura

SHAN SHIHAN/GETTY IMAGES

Localizado no extremo leste do centro de Cingapura, Geylang é o único distrito da luz vermelha legalizado na cidade

Apesar de sua incongruência dentro de uma cidade “família”, Geylang não parecia um lugar perigoso. Nem de longe sem lei.

Com cerca de 500 câmeras de segurança cobrindo o bairro, havia uma forte sensação de que seus elementos indisciplinados — devido ao vício em drogas — estavam sendo cuidadosamente contidos e “frequentemente varridos”, como Yinzhou descreveu.

“Esta é a verdadeira Cingapura”, declarou um homem local que estava no nosso tour, “deveria estar no roteiro de todos os turistas.”

Eu me peguei concordando. Embora Geylang não parecesse estéril, acabou se encaixando, de sua maneira única, na narrativa nacional de uma sociedade limpa e sem corrupção de Cingapura.

Esses valores típicos de Cingapura foram efetivamente colocados à prova no ano passado.

Desde as fervorosas campanhas de Lee no fim da década de 1960, a questão da limpeza nunca pareceu tão pertinente quanto na era atual. Em um mundo que foi radicalmente redefinido pela pandemia de covid-19, as boas práticas de higiene pública podem ser uma questão de vida ou morte.

No cenário mundial, a resposta de Cingapura ao novo coronavírus foi amplamente elogiada.

Cachorro robô em parque de Cingapura

ROSLAN RAHMAN/GETTY IMAGES

Os cães-robôs transmitem mensagens gravadas lembrando as pessoas de manterem uma distância segura em espaços públicos

Mas, diferentemente da maioria das nações, a forma como Cingapura lidou com a pandemia não foi puramente reativa.

A avançada infraestrutura de higiene pública do país significava que, de muitas maneiras, Cingapura já estava preparada.

“Treinamos nossos agentes para lidar com a desinfecção de doenças infecciosas antes mesmo da covid-19 chegar às nossas terras”, explicou Tai Ji Choong, diretor do departamento de limpeza pública da Agência Nacional de Meio Ambiente de Cingapura.

Após ter planejado um curso com a Escola Politécnica de Cingapura em 2017, Choong me disse que a equipe estava “dotada de habilidades e conhecimentos atualizados sobre técnicas de desinfecção, manuseio de desinfetantes, procedimentos de segurança e uso correto de equipamento de proteção individual para lidar com um surto de doença infecciosa em Cingapura”.

“O que se provou fundamental quando fomos notificados do primeiro caso de covid-19 no ano passado”, acrescentou.

Isso resultou na implementação eficaz de soluções de tecnologia de saúde pública: aplicativos de celular que permitem aos cidadãos adquirirem máscaras faciais; tecnologias inteligentes para monitorar a temperatura corporal em grandes grupos; e cães-robôs que patrulham parques públicos para fazer cumprir as medidas de distanciamento social.

Embora uma gestão governamental eficaz tenha sido crucial para lidar com o vírus, a pandemia forçou inevitavelmente os líderes a pedirem a colaboração dos cidadãos.

Em Cingapura, onde o uso de máscaras e o rastreamento de contatos são obrigatórios, a resposta da população tem sido totalmente positiva.

Mas, em uma sociedade com um legado cultural de limpeza, em que políticas de higiene pública e coordenação comunitária são a norma, o que mais você poderia esperar?

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Travel.

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Destaque

Educação da Prefeitura de Manaus é destaque em conferência internacional

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Fotos - Divulgação/Semed

As iniciativas desenvolvidas na rede municipal de ensino pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), foram destaques na conferência internacional “Investindo no hoje, transformando o amanhã”, realizada, entre os dias 8 e 9/4, no Suriname. O evento, que reuniu representantes de mais de 15 países para discutir inovação, tecnologia e desenvolvimento educacional, teve como foco a troca de experiências entre nações, com destaque para estratégias voltadas à valorização profissional e à melhoria do ambiente escolar.

 

Durante a programação, especialistas e gestores educacionais compartilharam práticas exitosas em seus países, promovendo um amplo diálogo sobre políticas públicas voltadas à educação.

 

Representando Manaus, o diretor do Departamento de Apoio à Gestão Educacional (Dage), Luiz Oliveira, destacou que a participação do município possibilitou apresentar iniciativas desenvolvidas na rede municipal, especialmente aquelas voltadas à integração entre tecnologia e práticas pedagógicas.

 

“Um dos principais pontos apresentados foi o avanço da conectividade nas escolas, permitindo a implementação de projetos educacionais que atendem tanto a zona urbana quanto as comunidades ribeirinhas. A similaridade geográfica entre Manaus e o Suriname despertou o interesse de outros participantes pelo modelo adotado na capital amazonense, especialmente pela capacidade de adaptar soluções educacionais a diferentes realidades”, explicou Luiz.

 

Essa integração com a tecnologia possibilitou que o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das escolas municipais conseguissem um avanço histórico, alcançando a melhor nota de sua história e sendo destaque nacional.

 

Além da apresentação das ações, a comitiva também compartilhou os resultados obtidos pela rede municipal de ensino. Entre os avanços, está a melhoria nos índices de desenvolvimento da educação básica, com a saída da 9ª para a 5ª colocação, resultado atribuído à implementação de projetos, programas e políticas educacionais integradas.

 

“Foram apresentados os resultados alcançados, evidenciando a evolução do município, que saiu da 9ª posição para a 5ª colocação nos índices de desenvolvimento da educação básica. Esse avanço é resultado da união de projetos, atividades e ações que vêm sendo implementadas na rede, contribuindo de forma significativa para a melhoria da qualidade da educação em Manaus”, finaliza o diretor.

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Destaque

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump

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Trump anuncia tarifas recíprocas — Foto: REUTERS/Carlos Barria

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, nesta sexta-feira (20), que o presidente Donald Trump extrapolou sua autoridade ao impor um amplo aumento de tarifas sobre importações de quase todos os parceiros comerciais dos EUA, conhecido como “tarifaço”.

Por 6 votos a 3, a maioria dos ministros concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não permite ao presidente criar tarifas por conta própria. Trump argumentava que a lei de 1977 autoriza o presidente a adotar esse tipo de medida em situações excepcionais.

O presidente da Corte, John Roberts, foi o relator da decisão e liderou a maioria. Os juízes Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh foram os votos vencidos.

Roberts afirmou que Trump precisa de uma “autorização clara do Congresso” para justificar o tarifaço, citando precedente da própria Suprema Corte.

A decisão atinge principalmente as chamadas tarifas recíprocas, que representam o núcleo da estratégia tarifária do governo. Outras tarifas em vigor, como as aplicadas sobre aço, alumínio e fentanil, continuam valendo.

 

O que você vai encontrar nesta reportagem:

O que acontece agora?

 

Na prática, a decisão da Suprema Corte derruba as chamadas “tarifas recíprocas” de 10% ou mais, aplicadas desde abril de 2025 à maioria dos parceiros comerciais dos EUA com base na IEEPA.

Com a decisão, a estratégia comercial de Donald Trump pode sofrer mudanças significativas. As medidas aplicadas com base nessa lei foram invalidadas, mas ainda há outras formas legais de impor tarifas. (veja abaixo)

As tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, não são afetadas pela decisão, pois foram aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, voltada à segurança nacional.

Por fim, o governo americano também pode ser obrigado a devolver parte dos bilhões arrecadados com tarifas de importação. De acordo com economistas do Penn-Wharton Budget Model, esse valor pode ultrapassar US$ 175 bilhões (cerca de R$ 912,5 bilhões).

 

Alternativas legais para Trump

 

O governo Trump já indicou que pode buscar outros fundamentos legais para impor tarifas de importação, como argumentos ligados à segurança nacional ou a práticas comerciais consideradas desleais.

Confira os caminhos legais que o presidente dos EUA pode usar para manter ou reintroduzir tarifas, segundo análises do Goldman Sachs, do Deutsche Bank e da Panmure Liberum.

Algumas dessas alternativas também foram mencionadas no voto dissidente do juiz Brett Kavanaugh.

 

  • Seção 122 da Lei de Comércio

 

Essa é uma das opções mais rápidas para o governo. A lei permite aplicar tarifas de até 15% por um período de até seis meses em situações de desequilíbrio nas contas externas ou risco de desvalorização do dólar, sem necessidade de investigação formal.

Após esse período, o Congresso precisa aprovar a prorrogação das medidas.

 

  • Seção 301 da Lei de Comércio de 1974

 

Essa alternativa permite abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais por outros países. Se forem confirmadas, o governo pode impor tarifas sem limite de valor ou duração.

O processo, porém, é mais lento, pois exige investigação formal e consulta pública, o que pode levar meses.

Trump já utilizou esse instrumento em seu primeiro mandato para taxar importações chinesas, o que levou a uma disputa comercial prolongada entre os dois países.

 

  • Seção 338 da Lei de 1930

 

Essa lei autoriza tarifas de até 50% contra países que discriminem o comércio dos EUA. Ela nunca foi usada na prática e não exige investigação formal, o que pode torná-la uma via mais rápida do que a Seção 301, embora com limite máximo para as tarifas.

 

  • Seção 232 da Lei de Comércio de 1962

 

Outra possibilidade é recorrer à lei que permite impor tarifas por motivos de segurança nacional, já aplicada a produtos como aço, alumínio e automóveis, que continuam taxados.

Nesse caso, o governo argumenta que a dependência de importações pode enfraquecer a indústria local e comprometer a segurança do país.

A aplicação costuma exigir uma investigação conduzida pelo governo, o que torna o processo mais demorado do que o uso de poderes emergenciais.

 

O que diz a Constituição americana?

 

A Constituição dos EUA estabelece que o poder de criar impostos e tarifas é exclusivo do Congresso, e não do presidente.

Mesmo assim, Trump utilizou a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional(IEEPA, na sigla em inglês) para impor tarifas a quase todos os parceiros comerciais dos EUA, incluindo o Brasil, sem a aprovação do Legislativo.

O presidente também aplicou tarifas adicionais com base em outras leis, que não foram objeto de análise da Suprema Corte neste caso.

 

  • 🔎 A IEEPA (International Emergency Economic Powers Act, ou Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) permite ao presidente regular o comércio em situações de emergência nacional. Donald Trump foi o primeiro a usar essa lei para criar tarifas, ampliando de forma inédita os limites da autoridade presidencial em diversas áreas, como imigração, demissão de funcionários federais, envio de tropas e operações militares no exterior.

 

Entre as medidas aplicadas com base na IEEPA estavam as tarifas “recíprocas” de alcance quase global e outras tarifas relacionadas ao combate ao tráfico de drogas letais nos EUA.

No entanto, a Suprema Corte destacou que a IEEPA não menciona explicitamente a criação de tarifas. A lei apenas permite que o presidente “regule a importação” de bens estrangeiros após declarar emergência nacional para enfrentar ameaças consideradas “incomuns e extraordinárias”.

O governo Trump argumentava que essa redação conferia ao presidente o poder de impor tarifas sobre produtos estrangeiros. A Corte reafirmou que, de acordo com o Artigo I, Seção 8 da Constituição, apenas o Congresso pode criar e cobrar impostos e tarifas alfandegárias.

Os juízes concluíram que seria inconcebível delegar ao presidente, de forma ambígua, poderes com impacto econômico e político tão amplo.

Embora a decisão limite o uso da IEEPA, os juízes dissidentes observaram que o presidente ainda pode tentar impor tarifas por meio de outras leis específicas, como a Lei de Expansão Comercial de 1962 ou a Lei de Comércio de 1974.

A partir de agora, a IEEPA não poderá mais ser usada como uma “caixa de ferramentas” para criar tarifas de forma unilateral e imediata.

 

Críticas de Trump

 

Segundo a agência Reuters, Trump classificou como “uma vergonha” a decisão da Suprema Corte dos EUA. O presidente também afirmou que já tem “um plano B” para manter as tarifas sobre produtos importados.

Em agosto de 2025, Donald Trump criticou a decisão do tribunal de apelações, que declarou ilegal a maior parte das tarifas impostas por ele.

Na ocasião, o tribunal determinou que as tarifas continuassem em vigor até 14 de outubro, concedendo ao governo Trump a oportunidade de recorrer à Suprema Corte. Ao levar o caso à instância superior, as tarifas permaneceram em vigor.

 

“Se essa decisão fosse mantida, ela literalmente destruiria os Estados Unidos. (…) Todos devemos lembrar que as TARIFAS são a melhor ferramenta para ajudar nossos trabalhadores e apoiar empresas que produzem excelentes produtos FEITOS NOS EUA”, publicou ele na Truth Social.

 

Na prática, Trump transformou as tarifas em um eixo de sua política externa no segundo mandato, usando-as para pressionar e renegociar acordos com países exportadores para os EUA. A estratégia permitiu obter concessões econômicas, mas aumentou a instabilidade nos mercados financeiros.

Tarifas sobre produtos brasileiros

 

Em abril de 2025, ao anunciar as chamadas tarifas recíprocas, Trump aplicou uma tarifa adicional de 10% sobre produtos brasileiros importados pelos EUA. Em julho, impôs um novo aumento de 40%, elevando a alíquota total para 50%.

A medida, no entanto, veio acompanhada de uma extensa lista de exceções, que excluiu da alíquota adicional de 40% itens como suco de laranja, aeronaves civis, petróleo, veículos e autopeças, fertilizantes e produtos do setor energético. A nova alíquota entrou em vigor em 6 de agosto.

Em novembro, após Trump iniciar negociações diretas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os EUA retiraram a tarifa de 40% de novos itens, incluindo café, carnes e frutas. Meses antes, em discurso na ONU, o presidente afirmou ter tido uma “química excelente” com Lula.

As tarifas específicas sobre importações de aço e alumínio, incluindo produtos brasileiros, não são afetadas pela decisão, pois foram aplicadas com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962.

fonte: https://g1-globo-com.cdn.ampproject.org/v/s/g1.globo.com/google/amp/economia/noticia/2026/02/20/suprema-corte-dos-eua-trump-tarifas-globais.ghtml?amp_js_v=0.1&amp_gsa=1#webview=1&cap=swipe

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Destaque

Novo vazamento de água é registrado em outra mina da Vale em Congonhas em menos de 24 horas

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Reservatório da Vale, em Congonhas, se rompe e atinge área da CSN — Foto: Reprodução

Um novo vazamento de água foi registrado neste domingo (25), desta vez na mina Viga, da Vale, localizada entre as localidades da Plataforma e do Esmeril, em Congonhas, na Região Central de Minas Gerais. Segundo a Prefeitura, a ocorrência foi acompanhada pela Defesa Civil, que constatou o lançamento de água no rio Maranhão.

De acordo com as informações apuradas pelo município, não houve bloqueio de vias nem comunidades atingidas. O impacto registrado, até o momento, é de natureza ambiental. A distância entre os dois pontos, de carro, dá pouco mais de 25 quilômetros (veja o infográfico mais abaixo).

Este foi o segundo registro, em menos de 24 horas na região, envolvendo estruturas da mineradora no município.

Também no domingo (25), durante a madrugada, um extravasamento de água com sedimentos em uma cava da mina de Fábrica, operada pela Vale na divisa de Congonhas com Ouro Preto, provocou alagamentos em áreas da unidade Pires da CSN Mineração, incluindo almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e setores operacionais. Apesar do ocorrido, ninguém ficou ferido e os trabalhos da mineradora CSN não foram interrompidos (relembre o caso mais abaixo).

Nesta segunda-feira (26), a Defesa Civil e Secretaria Municipal de Meio Ambiente seguem monitorando os vazamentos e avaliando os impactos ambientais e providências cabíveis. Segundo a prefeitura de Congonhas, novas informações devem ser divulgadas assim que houver atualização.

A Defesa Civil Estadual informou que está no local avaliando o possível segundo vazamento.

O g1 entrou em contato novamente com a Vale e Ministério de Minas e Energia e aguarda retorno.

Distância entre as minas de Fábrica e Viga, entre os municípios de Ouro Preto e Congonhas, na região Central do estado. — Foto: Bruna Azevedo - g1 Artes
Distância entre as minas de Fábrica e Viga, entre os municípios de Ouro Preto e Congonhas, na região Central do estado. — Foto: Bruna Azevedo – g1 Artes

 

Relembre o caso

 

De acordo com a CSN Mineração, o fluxo de água atingiu áreas da unidade Pires, incluindo almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e área de embarque.

A empresa informou que todas as estruturas de contenção de sedimentos seguem operando normalmente e que acompanha a situação desde o primeiro momento. As autoridades competentes foram comunicadas.

Em nota, a Vale esclareceu que houve o extravasamento de água com sedimentos de uma cava da mina de Fábrica.

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