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Quem são os ‘novos católicos’ e por que eles estão voltando à Igreja

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Daniela Grelin em igreja do Pateo do Colégio, no centro de São Paulo; ela se converteu ao catolicismo já adulta - Folhapress
SÃO PAULO

O que vai, volta. Pouco antes de embarcar para o conclave que definiu Leão 14 como novo papa, o arcebispo de Manaus, dom Leonardo Steiner, contou à Folha que, pelas suas bandas amazônicas, tem visto muita gente retornando às origens católicas.

“Aqui em Manaus, na Páscoa, foram batizados vários adultos. Temos recebido pessoas voltando para a Igreja depois de um tempo ausente.”

Não é uma impressão só dele. Em vários cantos do mundo, clérigos relatam uma expansão na base de devotos adultos. Tomemos a França, país de alta voltagem laica, como exemplo.

Segundo a Conferência Episcopal Francesa, o número de adultos batizados foi de 5.423 em 2023 para 7.135 em 2025 até agora, um salto de 31,5%.

O batismo de adolescentes impressiona ainda mais: 2025 já acumula 7.404 jovens de 12 a 18 anos que foram atrás desse primeiro sacramento católico, 2,5 vezes mais do que a adesão vista dois anos antes nessa faixa etária.

Sabe aquele papo de que os católicos estão perdendo espaço no Brasil? Ele continua de pé. Ainda não há dados sobre religião do Censo 2022 para mensurar o fenômeno, mas tudo indica que a sangria de fiéis continua. O levantamento populacional feito pelo IBGE em 1960 registrou 93% adeptos do catolicismo, enquanto eram 64% segundo a estatística oficial mais recente, de 2010.

Ainda não se sabe de quanto, mas é de se esperar um novo tombo na representatividade católica, quando enfim saírem os números mais atualizados do Censo. Por que falar, então, numa onda de filiações tardias a essa aba do cristianismo?

“A gente não tem dados confiáveis que mostrem um crescimento claro desse tipo de conversão, sobretudo entre adultos que escolhem a fé católica mais tarde, por vontade própria, e não por tradição familiar ou batismo infantil”, afirma o antropólogo Rodrigo Toniol, da UFRJ.

“Mas dá pra notar, sim, um movimento curioso. Em alguns círculos urbanos, mais escolarizados, tem gente se reaproximando do catolicismo. Não daquele jeito automático, de rotina, mas buscando formas mais intensas, mais pensadas da religião. Liturgias mais elaboradas, leitura de autores católicos, uma religiosidade que envolve disciplina, ritos.”

A popularidade do papa Francisco e a atenção dada à sua sucessão, ou mesmo de fenômenos virtuais como frei Gilson, ajudam a renovar o fôlego católico.

Coordenador do Núcleo de Fé e Cultura da PUC-SP, Francisco Borba Ribeiro Neto aponta que há também o convertido “de dentro”, que a estatística dá de barato que já estava lá.

É o que poderíamos chamar de “católico de IBGE”, “que não praticavam sua religião e passaram a fazê-lo”. O pessoal que, se pisava na igreja uma vez por ano, era muito, mas foi batizado bebê, talvez até tenha feito primeira comunhão na escola, mas só agora busca a fé para valer.

Alguns vieram de outras religiões, ou nenhuma. E tem os que são católico de berço, experimentaram outras crenças ao longo da vida e agora entendem que elas não lhes bastam. A Igreja Católica entra como “velha de guerra”, que está aí há mais de dois milênios —bem menos fluida do que religiosidades mais recentes, sem o poder central de um Vaticano para oferecer estabilidade diante do que é encarado como modismo teológico.

Esse interesse por um relacionamento sério com a Igreja “aparece como uma resposta à bagunça do presente: um mundo acelerado, instável, sem muitas certezas”, diz Toniol. “Tem também quem veja nisso um contraponto à multiplicação de ofertas religiosas que, por vezes, parecem rasas ou muito ligadas ao mercado. O catolicismo, nesse caso, reaparece como um espaço de sentido, com memória, com espessura simbólica.”

A administradora de empresas Daniela Grelin, 55, leitora da Bíblia desde os 11 anos, conta que cresceu numa casa muito cristã, filha de mãe católica e pai adventista. A crença paterna acabou prevalecendo na criação.

A rotação religiosa acelerou na pandemia, quando ela lidou com problemas de saúde dos pais, “e “situações muito turbulentas demandaram de mim um embasamento espiritual vivo, uma experiência de intimidade com Deus”.

Daniela descobriu no período a oração centrante, método silencioso herdado de monges. Sentiu que era disso que precisava.

O mergulho no catolicismo lhe revelou outra forma de viver sua fé, diz. Ali encontrou “uma tradição incrível, sólida, que lê a Bíblia como livro inteiro, e não pinça versículos dela, como se tornou o costume no meio evangélico para defender um ou outro ponto de vista”.

Outro ponto forte que viu no catolicismo: achou tudo bonito demais. Os cantos, o escrito dos santos (que não são venerados por evangélicos), a arquitetura. “A experiência estética mesmo.”

O teólogo Eduardo Faria, 43, foi pastor presbiteriano por uma década. Mas não conseguia deixar de lado o “incômodo crescente com a falta de unidade doutrinal entre os protestantes acerca de assuntos centrais da fé”, como o batismo —algumas igrejas, como a sua, permitiam batizar crianças, por exemplo, enquanto muitas outras não

“Ora, se todos afirmavam crer somente na Bíblia e que o Espírito Santo os iluminava na leitura, como eles poderiam chegar a conclusões tão divergentes?”

Atraiu-se “pela unidade que há no catolicismo”. Reconhece movimentos internos distintos, claro, mas tudo “sob o pastoreio de um só papa, um só batismo, uma só eucaristia”.

A retomada católica não deixa de ser uma resposta a “uma modernidade líquida, que parecia emancipadora no passado, quando as pessoas viviam presas a normas sociais”, diz o sociólogo Borba. No furdunço contemporâneo, quando “tudo parece ter se liquefeito, as pessoas procuram por algo sólido que lhes dê a segurança para embasar suas vidas”, afirma.

A universitária Marcela Sousa, 23, perdeu a mãe para o câncer no final de 2024. No mesmo mês, terminou um namoro e foi dispensada do estágio.

Até o ano passado, ela brinca, sua única religião “era o carboidrato”. Entrar para um grupo de WhatsApp com jovens católicos, convidada por uma colega da faculdade, lhe renovou “a fé na vida”, diz.

“Eu fui no terreiro, no culto, fui em tudo. Até hare krishna eu ensaiei ser. Mas entrei numa igreja [católica] um dia e me senti muito bem. Não compactuo com muitas coisas da Igreja. Mas eles estão no ‘business’ faz tempo, tem que respeitar.”

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Prefeitura de Manaus realiza abertura da 6ª edição dos Jiss no futsal masculino e feminino

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Wendell Ramos e Matheus Benjamim/Semed

Com três jogos no masculino e dois no feminino no futsal, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), realizou, neste sábado, 18/4, a abertura da 6ª edição dos Jogos de Integração dos Servidores da Semed (Jiss) 2026, na quadra da escola municipal Waldir Garcia, no bairro São Geraldo, zona Centro-Sul da cidade. A primeira rodada contou com jogos nas categorias 40+ e 50+ no masculino e no adulto feminino.

Fundador e atleta da equipe “Os Bravos”, o subsecretário de Administração e Finanças da Semed, Lourival Praia, acompanhou a abertura e o resultado positivo do time, mas destacou, principalmente, o crescimento dos jogos e a preocupação da atual administração em proporcionar esporte, lazer e entretenimento aos servidores.

“A nossa rede teve um crescimento fantástico em 2023 e, em 2025, conseguimos avançar ainda mais. Nossos professores e técnicos administrativos trabalharam bastante para gerar esse resultado. A administração do prefeito Renato Júnior e do secretário Arone Bentes reconhece isso. Estamos realizando a sexta edição dos jogos, com mais de mil atletas inscritos, inclusive a pessoa que está falando aqui, que joga no time Os Bravos”, concluiu Lourival.

Na sequência da primeira rodada do futsal, neste domingo, 19/4, acontece as partidas das categorias 40+ e adulto masculino, na quadra da escola municipal Waldir Garcia. Além disso, a programação conta também com a primeira rodada da queimada, nas categorias feminino 40+ e adulto, na quadra do Centro Integrado Municipal de Educação (Cime) Lucia Melo Ferreira Almeida, no bairro Novo Aleixo, zona Norte.

Emoção

Com o placar de 5 a 3, a equipe “Amigos da Semed Super Master” venceu o ABC, na categoria 50+. O professor Genival Alves de Souza, da escola municipal Vicente Mendonça, no bairro Grande Vitória, zona Leste, que atua como técnico e atleta, disse que é uma grande satisfação representar a escola e se unir a outros servidores ao longo dos jogos.

“Nosso time estreou bem, com um placar expressivo, para uma equipe que está se formando agora. Muitos jogadores nessa categoria ainda estão se conhecendo, se estruturando e se entrosando para disputar a competição e chegar longe. É uma iniciativa muito importante da Semed abrir espaço para essa categoria, porque professores e gestores já têm uma certa idade, e é fundamental que todos sejam integrados”, disse.

Designer gráfico na assessoria da Semed, Marcos Sena, conhecido como Tito, joga na equipe “Os Bravos” desde 2021 e acumula quatro títulos no futebol society e dois no futsal. Para ele, o esporte é uma forma de competir, mas também de se divertir e conhecer novos colegas servidores.

“Essa integração proporcionada pelo prefeito de Manaus e pelo secretário fortalece o vínculo de amizade entre colegas, pessoas que conheci, aprendi a conviver e compartilhar experiências. É muito bom ter essa convivência. É muito legal estar no esporte, brincar, se divertir e fazer algo diferente, tanto no futsal quanto no society”, concluiu.

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Prefeitura de Manaus fortalece qualificação no cuidado à pessoa idosa com programa ‘Cuidar Mais 60+’

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Fábio Simões/FDT

A Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação de Apoio ao Idoso Doutor Thomas (FDT), vem ampliando as ações de formação e qualificação voltadas ao cuidado com a pessoa idosa. As iniciativas integram o programa “Cuidar Mais 60+”, desenvolvido a partir de um acordo de cooperação técnica firmado com a Fundação Aberta da Terceira Idade (Funati).

O acordo tem como objetivo implementar ações conjuntas nas áreas de ensino, pesquisa, extensão e assistência, voltadas ao fortalecimento da qualidade de vida e do envelhecimento ativo das pessoas idosas acolhidas na Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) da FDT.

Para o diretor-presidente da FDT, Eduardo Lucas, a iniciativa representa um avanço importante na política pública voltada ao envelhecimento.

“Esse acordo com a Funati fortalece a nossa capacidade de formar profissionais mais preparados e sensíveis às demandas da pessoa idosa. Seguimos a orientação do prefeito Renato Junior de investir em qualificação, cuidado humanizado e políticas públicas que garantam mais dignidade e qualidade de vida para a população idosa”, destacou.

Coordenado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Envelhecimento de Manaus (Nepem), o programa também garante o alinhamento técnico e científico das formações. As aulas estão sendo realizadas na sede da Fundação Doutor Thomas, proporcionando um ambiente estruturado e integrado às práticas de cuidado desenvolvidas pela instituição.

Desde o início da cooperação, mais de 155 profissionais já foram capacitados, entre cuidadores, maqueiros e servidores, fortalecendo a rede de atendimento à pessoa idosa em Manaus.

Entre os cursos já ofertados estão a formação em mediação de conflitos e inteligência emocional com foco no trabalho em equipe, o workshop sobre uso ético de contenção e o curso de prevenção e manejo de quedas. As formações abordam temas essenciais para a qualificação do cuidado, contribuindo para práticas mais humanizadas, seguras e alinhadas às necessidades da pessoa idosa.

A iniciativa reforça o compromisso da gestão municipal em investir na valorização dos profissionais e na melhoria contínua dos serviços ofertados à população idosa. A proposta do programa é seguir ampliando o número de turmas e diversificando os conteúdos, consolidando Manaus como referência em políticas públicas voltadas ao envelhecimento com dignidade e qualidade de vida.

O programa “Cuidar Mais 60+” segue em expansão, com novas ações previstas ainda para este ano, fortalecendo a integração entre instituições e promovendo conhecimento como ferramenta de transformação social.

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Prefeitura de Manaus realiza melhorias no Terminal 4 e aumenta a segurança dos usuários

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Naira Nascimento / IMMU

A substituição das calhas da cobertura do Terminal de Integração 4 (T4), situado na avenida Camapuã, no bairro Cidade Nova, zona Norte da capital, foi finalizada pela Prefeitura de Manaus, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU). A intervenção também envolveu a manutenção do sistema de energia elétrica do terminal, aumentando a segurança e o conforto para os passageiros do transporte público.

Com um fluxo diário aproximado de 25 mil pessoas, o Terminal 4 se destaca como um dos principais centros de integração da zona Norte. As melhorias estruturais fazem parte de um conjunto de medidas preventivas e corretivas implementadas pela administração municipal para assegurar o bom funcionamento dos serviços públicos, especialmente no período de chuvas, quando a necessidade de uma infraestrutura adequada aumenta.

Segundo o chefe do Departamento de Engenharia de Transporte do IMMU, Leida Sicsu, os serviços realizados são fundamentais para manter a estrutura do terminal e garantir maior segurança aos usuários. “Além de realizar a substituição completa das calhas, fizemos reparos nas telhas da cobertura, o que previne infiltrações e acúmulo de água em períodos de chuva. Também realizamos a manutenção do quadro de energia, o que garante maior estabilidade no fornecimento de energia elétrica e diminui os riscos de falhas”, ressaltou.

As intervenções buscam tanto aumentar a durabilidade da estrutura quanto melhorar a experiência dos passageiros que usam o espaço diariamente. Com a temporada de chuvas, a manutenção preventiva ganha ainda mais relevância para prevenir problemas como goteiras, alagamentos e falhas elétricas.

A Prefeitura de Manaus continua investindo na manutenção e melhoria dos terminais de integração, reafirmando seu compromisso com a mobilidade urbana e com a excelência dos serviços prestados à população.

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