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Médico divulga alegações falsas sobre nova onda de covid e subvariantes em vídeo no WhatsApp

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É falso o conteúdo de um vídeo gravado por um médico em que ele nega a existência uma nova onda de covid-19, descarta o surgimento de novas variantes e desencoraja a população a reforçar cuidados, como o uso de máscaras. O autor do vídeo se identifica como especialista em saúde pública, mas ignora dados que apontam para uma alta na média de casos de coronavírus, alertas de órgãos públicos e institutos de pesquisa, além da identificação de novas subvariantes da ômicron no Brasil e no mundo.

A checagem do conteúdo foi solicitada por leitores do Estadão Verifica pelo número (11) 97683-7490

O vídeo circula há pelo menos uma semana — já havia, naquela ocasião, uma morte registrada pela sub-variante BQ.1 da ômicron, em São Paulo. Além disso, entidades como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Núcleo de Enfrentamento e Estudos em Doenças Infecciosas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Needier/UFRJ) haviam alertado para o aumento no número de casos de covid-19 em alguns estados brasileiros. Na Europa, a nova onda de covid-19 começou em setembro e em países como China e Estados Unidos, o número de casos vinha aumentando há semanas.

De acordo com a epidemiologista Ethel Maciel, professora titular da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e presidente da Rede Tuberculose, há sim uma nova onda de covid-19 no Brasil, que se reflete no aumento no número de casos. “Temos aumento de internação, principalmente em grupos de pessoas que não tomaram a vacina de reforço e em grupos de pessoas que tomaram as vacinas, mas já tem mais de seis meses”, disse. “Principalmente aqueles idosos com mais de 70 anos, além de imunossuprimidos e crianças que não se vacinaram”.

O autor do vídeo ainda engana ao afirmar que não existem novas variantes da covid-19. De fato, não há uma nova variante além da ômicron, mas vêm surgindo subvariantes dela, inclusive com casos identificados no Brasil nos últimos dias.

 

Novas subvariantes foram detectadas

O vídeo circula em grupos de WhatsApp desde o dia 12 de novembro. Nas imagens, o homem afirma que não há uma nova variante de covid-19 chamada “ômicron B isso, B aquilo”. Naquela data, contudo, o Brasil já tinha casos registrados da subvariante BQ.1 da ômicron, e até uma morte causada por ela – um idoso de 72 anos, de São Paulo.

 

Na quinta-feira, 17, já após a circulação do vídeo, a Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2, coordenada pelo Instituto Butantan, detectou mais duas subvariantes da ômicron pela primeira vez no Brasil. A subvariante XBB.1 foi detectada na cidade de São Paulo; a CK.2.1.1, em Ribeirão Preto (SP). Segundo o Instituto Butantan, há estudos preliminares da Organização Mundial de Saúde (OMS) que sugerem que a subvariante XBB.1 pode trazer um risco maior de reinfecção, se comparada com outras versões da ômicron. Ela foi detectada em outros 2.025 amostras de 35 países.

Já a CK.2.1.1 apareceu em apenas 342 amostras em todo o mundo, em apenas seis países: Alemanha, Estados Unidos, Dinamarca, Espanha, Áustria e, agora, no Brasil.

 

Número de casos vem crescendo

No vídeo, o autor afirma que não há uma nova onda de covid-19, mas isso não é verdade. Quando o vídeo começou a viralizar, o Núcleo de Enfrentamento e Estudos em Doenças Infecciosas da UFRJ já havia apontado aumento progressivo no número de casos positivos de covid nas últimas semanas de outubro. O Monitoramento da Ômicron divulgado em 3 de novembro pelo Instituto Todos pela Saúde (ITPS) também alertou para indícios de uma nova onda. A Fiocruz, por sua vez, apontou aumento de casos em quatro estados: Amazonas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

 

O Boletim InfoGripe mais recente da Fiocruz, divulgado nesta sexta-feira, 18, também fala em aumento de casos de covid-19 entre a população adulta nos estados do Amazonas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul em São Paulo. Nesta quinta-feira, 17, os dados do consórcio de veículos de imprensa, do qual o Estadão faz parte, apontaram que o Brasil registrou 29.102 novos casos de covid-19 em 24 horas – a média móvel ficou em 11.525 casos, a maior em mais de dois meses.

Atualmente, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem 688.835 óbitos por covid-19. Foram 34.971.043 casos confirmados da doença e 34.162.530 recuperados. Há 119.678 pacientes em acompanhamento. Na última quarta-feira, 16, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) disse que os países devem ficar atentos à “tripla ameaça” da covid-19, Influenza e Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

 

Variante ômicron tem alta taxa de reinfecção

De acordo com a epidemiologista Ethel Maciel, a taxa de reinfecção pela variante ômicron é muito grande, o que ajuda a explicar o aumento no número de casos, mesmo com vacinação. “Com essas novas subvariantes, a gente tem uma proteção, mas ela vai diminuindo por volta da 13ª semana depois da vacinação, e vão deixando esses grupos mais vulneráveis, como idosos e imunossuprimidos, mais suscetíveis a apresentar uma doença mais grave”, explicou.

 

Além disso, as vacinas disponíveis no Brasil ainda foram feitas com base na cepa original, de Wuhan. O País ainda não tem as chamadas vacinas bivalentes, remodeladas a partir da ômicron. Ainda assim, as vacinas são eficazes, sobretudo contra formas graves da doença. Para Ethel Maciel, a tendência é que as vacinas de covid-19 acompanhem o modelo adotado com as vacinas de gripe, feitas sempre com a cepa que prevaleceu no ano anterior.

“Muito provavelmente, é isso que vai acontecer com a covid, a gente vai ter essas vacinas remodeladas, porque é uma doença que tem reinfecção. Diferente do sarampo, que quando você tem uma vez, você não tem de novo, você tem imunidade. Por isso, a gente vai precisar de doses de reforço”, avaliou.

 

Uso de máscaras volta a ser recomendado

No final do vídeo, o médico trata como desinformação a recomendação para voltar a usar máscaras. Mas a verdade é que o equipamento de proteção deve sim voltar a ser usado. Diante do aumento de casos, o Observatório Covid-19 Fiocruz, por exemplo, reforçou a recomendação da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (MS) com relação ao uso de máscaras em locais fechados, com pouca ventilação ou com aglomeração de pessoas.

 

A recomendação já tinha sido feita pelo Ministério da Saúde e também foi adotada em estados como Alagoas, Goiás, cidades de Minas Gerais e Rio Grande do Norte, além de alguns locais de São Paulo, como universidades.

Após a publicação deste texto, por e-mail, o autor do vídeo respondeu ao Estadão Verifica que não disse que a pandemia acabou e afirmou que os casos de covid-19 provocados por variantes seguem em uma continuidade padrão, com tendência de redução após a vacinação. Segundo ele, o vídeo teve a intenção de esclarecer a população a acalmar os pacientes que se apavoraram com a notícia de uma nova onda. Embora os números apontem para o surgimento de uma nova onda de covid-19 em diversos países do mundo e também no Brasil, o autor do vídeo argumentou que o alerta, que ele considera falso, foi emitido apenas aqui e no momento em que ocorriam manifestações nas ruas.

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Coronavírus

Prefeitura de Manaus oferta doses contra Covid-19 em 74 pontos de vacinação nesta semana

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Reforçando a vacinação como instrumento mais eficaz para prevenção e combate à Covid-19, a Prefeitura de Manaus orienta a população a buscar as unidades da rede básica de saúde para iniciar ou atualizar o esquema vacinal contra a doença. A aplicação das doses é ofertada nesta semana, de segunda a sexta-feira, 11 a 15/9, em 74 unidades gerenciadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), distribuídas em todas as zonas geográficas da capital.

O subsecretário municipal de Gestão da Saúde, Djalma Coelho, informa que a Semsa Manaus vem buscando ampliar o acesso da população à vacinação, com a oferta do serviço em horário ampliado, das 8h às 20h, em nove unidades da rede municipal. Nos demais estabelecimentos, o atendimento ocorre no horário regular, das 8h às 17h.

“A Semsa visa garantir que todas as pessoas tenham acesso à vacina, pois ela reduz em muito os riscos de agravos de saúde decorrentes da Covid-19, e também para limitar a transmissão do vírus causador da doença, aumentando a proteção de toda a comunidade”, afirma.

Conforme Djalma, os usuários devem se dirigir à unidade de saúde mais próxima portando documento oficial de identidade com foto, CPF ou Cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) para receber o imunizante. A lista dos estabelecimentos que ofertam a vacinação, com horários de funcionamento e endereços, pode ser conferida no site semsa.manaus.am.gov.br ou no link direto bit.ly/localvacinacovid19.

“Todas as pessoas a partir dos 6 meses de idade podem se vacinar. Quem já iniciou o esquema vacinal pode conferir se já está no prazo para receber a segunda dose ou dose de reforço no Imuniza Manaus (imuniza.manaus.am.gov.br), informando apenas o número do CPF”, orienta o gestor.

Djalma informa que os usuários a partir de 12 anos podem receber a vacina em qualquer um dos 74 pontos de vacinação da prefeitura. Já os menores de 12 anos, acompanhados dos pais ou responsáveis, são atendidos em unidades específicas, sendo 14 delas voltadas a bebês de 6 meses a 4 anos de idade, e 35 para crianças de 5 a 11 anos.

Eficazes e seguras

Nas unidades da rede básica de saúde são ofertadas doses das vacinas monovalentes e bivalentes, sendo aquelas empregadas como primeira e segunda doses do esquema primário para toda a população a partir dos 6 meses de idade, e como dose de reforço para adolescentes de 12 a 17 anos não integrantes de grupos prioritários.

Já as vacinas bivalentes, que protegem contra duas versões do coronavírus, são aplicadas como dose de reforço em pessoas a partir de 18 anos e adolescentes de grupos com maior vulnerabilidade, riscos para complicação e óbito e maior exposição.

Djalma Coelho explica que todas as vacinas ofertadas na rede pública de saúde são eficazes e seguras, tendo a devida aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Seja mono ou bivalente, a vacina vai estimular as defesas do sistema imunológico contra o coronavírus, aumentando a proteção da pessoa contra a doença”, relata.

Para saber mais sobre a Campanha Municipal de Vacinação contra a Covid-19, basta acessar as redes sociais da Semsa Manaus, nos perfis @semsamanaus no Instagram e Semsa Manaus no Facebook.

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Covid: relembre principais os episódios da pandemia

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Mais de 1.190 dias se passaram entre o início e o fim da declaração de emergência de saúde pública (PHEIC, na sigla em inglês) da pandemia do coronavírus, feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2020 e encerrada nesta sexta-feira, 5.

A doença provocou a maior crise sanitária do século em todo o planeta, totalizando 765,2 milhões de casos e quase 7 milhões de mortes durante mais de três anos, segundo a OMS.

De recordes de casos a disputas políticas, em tópicos, relembre os momentos mais marcantes da pandemia de covid-19 em todo o mundo:

2019

31 de dezembro de 2019 – A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre vários casos de pneumoniana cidade de Wuhan, na China.

2020

7 de janeiro de 2020 – As autoridades de Saúde chinesas confirmaram que haviam identificado um novo tipo de coronavírus.

13 de janeiro de 2020: O primeiro caso da doença é detectado fora da China, na Tailândia.

30 de janeiro de 2020: OMS declara que covid-19 é uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII).

23 de fevereiro de 2020: Europa vive a primeira grande onda de infecções pela doença, com maior parte dos casos na Itália.

26 de fevereiro de 2020: O Ministério da Saúde confirma o primeiro caso de covid-19 no Brasil. Tratava-se de um homem de 61 anos, de São Paulo, que havia viajado à Itália e sentiu desconforto respiratório.

11 de março de 2020: A OMS declara oficialmente uma pandemia de coronavírus em razão de seus “níveis alarmantes” de propagação em diferentes países. A Europa entra em modo de lockdown. Cerca de 120 mil pessoas haviam contraído o vírus em todo o mundo.

16 de março de 2020: Primeira morte decorrente de covid-19 é anunciada no Brasil. A vítima foi um homem de 62 anos, em São Paulo. Entretanto, em julho, o Ministério da Saúde divulgou, após ajustes nos dados epidemiológicos da pasta, que a primeira morte no país ocorreu, na verdade, no dia 12 de março, em São Paulo. A vítima era uma mulher de 57 anos.

20 de março de 2020: Jair Bolsonarochama covid-19 de “gripezinha”. O então presidente afirmou que, após a facada que levou em 2018, não será uma “gripezinha” que irá derrubá-lo.

16 de abril de 2020: O então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi demitido por Jair Bolsonaro. A demissão ocorreu após uma série de divergências públicas entre ele e o presidente. O cargo foi assumido por Nelson Teich, que também deixou a pasta menos de um mês após assumi-la.

20 de abril de 2020 – Jair Bolsonaro afirma que “não era coveiro”, ao responder à pergunta de um jornalista sobre o número de mortes por coronavírus no País.

8 de agosto de 2020: Brasil chega ao marco de 100 mil mortes por covid-19. O País somava quase 3 milhões de infectados. Na data, o Senado decretou luto oficial de quatro dias no Congresso Nacional.

8 de dezembro de 2020: primeira pessoa no mundo é vacinada contra a covid-19. O Reino Unido dá início à imunização contra a doença, utilizando a vacina Pfizer/BioNTech. A primeira a ser vacinada foi Margaret Keenan, uma britânica de 90 anos.

2021

14 de janeiro de 2021: A explosão de casos de covid-19 levou ao colapso do sistema de saúde em Manaus, que ficou sem oxigênio para pacientes em hospitais.

17 de janeiro de 2021: Com autorização para uso emergencial das vacinas CoronaVac e AstraZeneca pela Anvisa, o Brasil dá início à vacinação. A primeira imunizada é Mônica Calazans, de 54 anos, mulher negra pertencente ao grupo de risco e enfermeira.

15 de março de 2021: Marcelo Queiroga é escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para substituir o general Eduardo Pazuello como ministro da Saúde. Queiroga tornou-se o quarto ministro da gestão de Bolsonaro durante a pandemia, permanecendo até o fim do mandato.

13 de abril de 2021: É criada a CPI da covid-19. No relatório final, a CPI acusou Jair Bolsonaro de ter cometido nove crimes: prevaricação; charlatanismo; epidemia com resultado morte; infração a medidas sanitárias preventivas; emprego irregular de verba pública; incitação ao crime; falsificação de documentos particulares; crime de responsabilidade; e crimes contra a humanidade.

19 de junho de 2021: Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo divulga o primeiro caso da variante delta na capital. A variante foi detectada pela primeira vez em outubro de 2020, na Índia, e ficou conhecida por ser mais contagiosa em comparação às demais cepas.

7 de outubro de 2021: Brasil atinge a marca de 60% da população adulta completamente vacinada contra a covid-19. Como resposta à cobertura vacinal, em setembro, o País registrou o menor número de mortes pela covid-19 de 2021 até então.

24 de novembro de 2021: Existência da variante Ômicron é reportada pela primeira vez à OMS, pela África. Variante apresentou riscos pela sua alta transmissibilidade, embora com sintomas mais brandos.

2022

14 de janeiro de 2022 – A primeira criança é vacinada contra a covid-19 no Brasil. O indígena Davi Seremramiwe, de 8 anos, foi o primeiro do público a receber o imunizante da Pfizer no País.

3 de fevereiro de 2022: Início do ano no Brasil é marcado por explosões de casos, apesar da queda no índice de letalidade. No dia 3 de fevereiro, o recorde do número diário de infecções foi batido, com 298.408 casos confirmados em 24 horas.

25 de março de 2022: Fiocruz divulga informe que, pela primeira vez desde o início da pandemia, a ocupação de UTIs para covid-19 está abaixo de 60% em todos Estados.

8 de abril de 2022: Paraíba é o último Estado brasileiro a tornar facultativo o uso de máscaras, fazendo com que todas as federações, pela primeira vez, estivessem com o uso do acessório de proteção desobrigado.

17 de abril de 2022: Marcelo Queiroga anuncia o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) por covid-19 no Brasil.

21 de novembro de 2022: A Anvisa aprovou a venda do Paxlovid, medicamento utilizado como tratamento para a covid-19 para adultos, em farmácias e hospitais particulares.

2023

23 de fevereiro de 2023: O Brasil começa a vacinar públicos prioritários com a vacina bivalente, que confere maior proteção contra o vírus da cepa original e também contra a variante Ômicron.

1º de maio de 2023: São Paulo detecta o primeiro caso da variante Arcturus, caracterizada por quadros de conjuntivitee de febre alta.

05 de maio de 2023: OMS declara o fim da emergência de saúde pública da pandemia do coronavírus no planeta.

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Estudo revela mecanismo por trás de rara miocardite em adolescentes após vacina da Covid

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Vacina contra Covid é aplicada em adolescente na UBS Veleiros em São Paulo – Danilo Verpa – 30.ago.21/Folhapress

 

SÃO PAULO

As vacinas contra Covid tiveram sua segurança e eficácia avaliadas em milhares de pessoas em todo o mundo antes de serem aprovadas para uso em larga escala.

Mesmo assim, alguns efeitos raros relacionados à vacinação só podem ser observados depois de aplicadas em milhões de pessoas. Um desses efeitos é a miocardite ou pericardite (inflamação do tecido do coração), que foi observada em um número muito pequeno de casos, ainda que de relevância médica, em jovens e adolescentes do sexo masculino após a vacinação com a Pfizer.

 

O mecanismo por trás deste evento adverso ainda era desconhecido, mas um novo estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Yale e publicado nesta sexta (5) na revista especializada Science Immunology, acaba de revelar como ele ocorre.

 

Segundo a pesquisa, não foi encontrada uma associação entre a miocardite e os anticorposinduzidos após a vacinação, tampouco a uma doença autoimune dos pacientes ou hipersensibilidade aos componentes da vacina. O que os pesquisadores observaram foi uma resposta exagerada do próprio organismo como resposta a uma inflamação do tecido, produzindo mais danos e ele.

O estudo analisou 23 amostras de sangue de pacientes (87% eram homens) com idade de 13 a 21 anos que tiveram um quadro de miocardite de um a quatro dias após a segunda dose das vacinas de mRNA. Os sintomas dessa inflamação foram em geral dores no peito, palpitações, febre e perda de fôlego, entre outros. Indivíduos vacinados com duas doses da vacina monovalente e que não apresentaram miocardite foram incluídos como controle.

Nos pacientes com miocardite, foi observada uma quantidade elevada de duas moléculas indutoras da resposta imune exacerbada, como citocinas e glóbulos brancos, agindo de forma a atacar o próprio organismo.

Estas células de defesa eram em geral citotóxicas ou matadoras naturais (chamadas de NK ou natural killers, em inglês), ambas responsáveis por destruir outras células do organismo que estejam infectadas por vírus ou agindo de maneira errática (por exemplo, células tumorais). Os autores chamaram esse fenômeno de “citocinopatia”, ou uma condição causada pelas citocinas, como o que ocorria com a tempestade de citocinas no pulmão em alguns casos de infecção pelo Sars-CoV-2.

Para Carrie Lucas, professora associada de imunologia na Universidade de Yale e autora correspondente do estudo, a importância da pesquisa é que, embora fosse muito raro, ao vacinar milhões de crianças e adolescentes foi possível observar esse efeito, por isso era fundamental entendê-lo melhor. “Uma das implicações desse estudo é que não só ele traz explicação do fenômeno, mas também indica para uma redução do risco de miocardite quanto maior o intervalo entre as doses”, afirmou.

Os casos de miocardite foram registrados em geral após a segunda dose da vacina, e a pesquisadora sugere que a aplicação das doses seja espaçada para minimizar os possíveis efeitos adversos raros.

Akiko Iwasaki, imunologista e pesquisadora principal do Laboratório de Imunologia da Universidade de Yale e do Instituto Médico Howard Hughes, disse que não foram encontrados nas amostras dos pacientes marcadores indicando uma resposta induzida pela proteína S do Spike (ou espícula, usada pelo coronavírus para entrar nas células), o que sugeriria uma reação ao antígeno (parte do vírus contra o qual se deseja produzir resposta imune) no corpo.

A equipe de Iwasaki é uma das mais proeminentes na área de investigação dos atores envolvidos na resposta imunológica, incluindo como nosso organismo combate novos vírus e patógenos e a resposta gerada por vacinação ou proteção induzida por infecção natural.

“O que observamos foi que a resposta é induzida por linfócitos [glóbulos brancos], e não a um antígeno específico, seja ele produzido pela vacinação [anticorpos anti-Spike] ou infecção do Sars-CoV-2”, explicou.

TRATAMENTO E INCIDÊNCIA

Como a miocardite foi tratada na maioria dos casos com recuperação total do indivíduo, os pesquisadores sugerem que ao menor sinal de dores no peito e palpitações as crianças e adolescentes sejam levados para acompanhamento médico. “O tratamento é o mesmo que para qualquer outra inflamação, mas é claro que precisamos pensar no uso de corticosteróides a longo prazo, então não recomendamos uso de anti-inflamatórios profiláticos para evitar o risco de miocardite”, disse a imunologista.

As autoras reforçam que há um risco mais elevado de miocardite ou pericardite como consequência da infecção pelo coronavírus e sequelas da Covid longa, mas isso não foi avaliado no estudo, que analisou apenas casos de miocardite em pacientes que não tiveram um quadro prévio de Covid.

Segundo dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) americano, entre 2.507.209 e adolescentes de 12 a 17 anos vacinados no país, foram identificados 54 casos de miocardite, demonstrando ser um evento muito raro da vacina. A incidência acumulada de miocardite na população adolescente masculina foi de 36 casos a cada 100 mil pessoas. Em relação à infecção por Sars-CoV-2, a incidência foi quase o dobro, de 65 casos por 100 mil pessoas.

A pesquisa pode ajudar agora identificar marcadores para a ocorrência desses efeitos colaterais, como por exemplo a alta concentração das interleucinas no sangue, mas não existem atualmente exames disponíveis que possam prever essa reação.

“Também não foi possível prever nenhum precursor de miocardite, isto é, alguma condição prévia que pudesse aumentar o risco de ter esse efeito. Até agora, podemos apenas especular que existe um fator genético do indivíduo que responde a essa inflamação de maneira exacerbada, mas ainda não conseguimos determinar o gatilho”, afirmou.

Como os casos são extremamente raros e não foram observados novos eventos com os reforços bivalentes, os pesquisadores acreditam que os próximos passos devem se concentrar em buscar meios de produzir testes diagnósticos específicos para captar rapidamente o problema e iniciar o tratamento o quanto antes.

“Felizmente, os participantes do nosso estudo se recuperaram, por isso não temos como avaliar os danos causados após a reação, mas identificar esses marcadores pode ajudar na detecção precoce de novos casos”, finalizou.

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