Destaque
Por que irmãs gêmeas “que tinham tudo” acabaram se suicidando
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5 anos agoon

“Você imagina o que é ir para a cama sem saber se ao despertar ainda terá duas filhas?”
Jane Cannon pronunciou essas palavras “horrivelmente proféticas” numa reunião com um conselheiro menos de 48 horas antes de sua filha Sam Gould se matar.
Tragicamente, a irmã gêmea de Sam, Chris, também se suicidou poucos meses depois.
Enquanto investigações tentam descobrir o que ocorreu, Jane e seu marido, Ian Gould, se perguntam o que mais poderiam ter feito para salvar as filhas.
Quado cresceram em Sawbridgeworth (Inglaterra) eram “meninas normais, saudáveis e felizes”, disse Jane.
Nascidas em novembro de 2001, eram brilhantes desde a tenra idade.
Ian Gould, que também é gêmeo, disse que sua filosofia como pai era “êxpô-las a tanta diversão e atividade quanto possível”.
Ele se refere às meninas que dançavam balé junto à piscina nas férias ao Egito, que integravam vários times desportivos e que curtiam seu passatempo preferido, montar a cavalo.

CHRIS PAISLEY
Sam e Chris, com os pais, Jane e Ian, na Turquia.
No entanto, Ian e Jane dizem que houve sinais desde cedo em sua infância que as coisas “não iam bem”.
Isso incluiu Sam raspando os cílios, sobrancelhas e o cabelo. As meninas tiraram as notas mais baixas já obtidas em sua escola nas provas psicométricas.
“Só somos pais. Não estamos capacitados para entender o que estava acontecendo e, lamentavelmente, nenhum dos profissionais que as atendeu tampouco o fez”, disse Jane.
Em 2014, quando a família vivia em Fulbourn, alguns amigos expressaram preocupação porque Sam e Chris estavam publicando “pensamentos suicidas e sobre anorexia” nas redes sociais.
Um ano depois, descobriram que Sam tinha se autolesionado.
Ian, que trabalha para uma empresa de propriedade intelectual, e Jane, então diretora de um departamento do Ministério do Interior britânico, se sentiram “completamente indefesos”.
Decidiram abandonar suas carreiras para se concentrar em ajudar suas filhas.

FAMILY PHOTO
Aos 14 anos, em maio de 2016, Chris tentou se matar.
No mês seguinte, Chris revelou que ela e Sam haviam sido abusadas sexualmente desde os 5 anos de idade até a adolescência, e deu os nomes do suposto abusador.
Jane diz que a revelação os deixou em “choque”.
“Não quero que interprete que não acreditamos, porque em nenhum momento deixamos de acreditar nelas, mas é isso que teu cérebro te diz: ‘Isso não pode ser verdade'”.
“FIzemos todo o possível para proteger nossas filhas; como isso poderia estar acontecendo sem que soubéssemos?”
De certo modo, esse momento lhes deu uma oportunidade.
“Pensamos ‘é isso, essa é a resposta que estávamos buscando’, por que duas meninas que tinham tudo estavam desmoronando”.
A polícia de Hampshire investigou o caso, mas, num momento em que as meninas lutavam com os problemas de saúde mental, não quiseram depor em vídeo, a única opção que lhes foi oferecida, segundo Ian.
A polícia encerrou o caso no fim de 2016 sem interrogar o suposto abusador.

FAMILY PHOTO
“Tivemos que dizer a elas que a polícia não iria fazer nada a respeito, nem sequer iriam interrogá-lo”, disse Ian.
“É isso que realmente não sai da minha cabeça.”
Chris e Sam sentiram que não acreditavam nelas, dizem seus pais.
As meninas eram as “maiores defensoras” uma da outra e eram “ferozmente leais”, disse Jane.
Ambas passaram um tempo em unidades de saúde mental como pacientes internadas, mas foram separadas, segundo o procedimento padrão usado com irmãos.
Apesar de estarem a 113 km uma da outra, estavam decididas a permanecer em contato.
Mas Chris foi transferida a uma unidade diferente que não permitia nenhuma forma de comunicação, o que seus pais disseram que foi a “pior separação”.

FAMILY PHOTO
Ian e Jane lutaram para que suas filhas fossem diagnosticadas com alguma doença mental específica, embora demonstrassem sinais de um transtorno de personalidade limítrofe.
Jane conta que parecia que o transtorno era um “diagnóstico de Voldemort” para as meninas, comparando-o com o personagem de Harry Potter cujo nome não podia ser pronunciado.
“Como não quiseram dar um nome, não pudemos nos educar a respeito”, afirma.
“As meninas estavam desesperadas por saber que algo estava errado, elas mesmas diziam: Por que me sinto assim, o que acontece comigo?”
“Os profissionais se recusaram a lhes dar uma resposta, ainda que, com o passar do tempo, a resposta se tornou cada vez mais evidente (sobre seu diagnóstico)”.
Ambas tinham uma paixão pelo rock, e a família foi ao festival de Reading em agosto de 2018.
No dia 1º de setembro, Sam e seus pais assistiram a um filme juntos, e tudo parecia normal.
Mas nas primeiras horas da manhã, sua mãe a encontrou morta. Tinha 16 anos.
A morte de Sam teve um impacto profundo em Chris, que viu os paramédicos tentarem ressuscitá-la.
Chris dormiu uma noite na cama de sua irmã, mas nunca mais se sentiu capaz de passar a noite na casa da família. Em novembro, fez 17 anos, o primeiro e único aniversário sem Sam.
Os pais estavam “muito agradecidos” já que, após a morte de Sam, a unidade de saúde lhes ofereceu um espaço mais próximo, algo que normalmente não faziam.
Chris virou algo “mais parecido com uma paciente externa”.
Mas, tragicamente, ela se matou em 26 de janeiro de 2019, quatro meses depois da irmã.
Quando se indaga qual o impacto a morte de Sam teve em Chris, Ian e Jane afirmam quase juntos que isso “a matou”.
Jane agrega: “A partir desse momento, dizia a qualquer um que era um caso de ‘quando’ e não ‘se’ iria a se reunir com sua irmã.”
“Toda nossa vida girou em torno de ‘como podemos fazer com que a vida de Chris valha a pena?’ ‘Como podemos mantê-la viva para ajudá-la a ver que poderia ser uma gêmea sobrevivente e fazer a vida por si mesma?'”
“Embora ainda tivesse problemas de saúde mental, em 2018 ela havia começado a retomar o controle de sua vida. Se Sam não tivesse morrido, agora estaria na universidade fazendo algo fantástico, não temos nenhuma dúvida disso”.

ARQUIVO FAMILIAR
Sam e Chris em seu primeiro dia de escola
Na investigação sobre as causas da morte de Chris no mês passado, os profissionais que analisaram o caso admitiram que havia “inconsistências” em seu diagnóstico, algo que teria sido “confuso” para Chris.
O especialista forense Nicholas Moss disse que a unidade de saúde mental parecia relutante em usar o termpo transtorno de personalidade limítrofe para adolescentes como Sam e Chris.
Ele disse que isso era evidente, “inclusive quando uma segunda opinião altamente especializada havia respaldado” o diagnóstico, e advertiu que essa renúncia implicou riscos.
Em seus achados de 62 páginas, Moss indicou que o suicídio de Chris não significava que os profissionais ou seus “pais devotos” haviam falhado.
“Mais precisamente, demonstra o dano generalizado e traumático causado pelo susposto abuso, que foi horrivelmente amplificado no caso de Chris pelo suicídio da irmã.”
Ian e Jane repetem suas palavras. “Todos os profissionais que trataram as meninas disseram o mesmo: sua morte foi causada por sua doença, e sua doença foi causada pelo abuso sexual.”
Depois da morte das meninas, e depois do trabalho policial adicional, foi enviada uma carta ao suposto abusador para informá-lo que havia uma acusação contra ele.
A polícia diz que não havia provas suficientes para apresentar uma denúncia.
O especialista forense manifestou preocupação com o fato de que o caso não teve seguimento enquanto as meninas estavam vivas, mantendo-se aberta a opção de colher um depoimento numa etapa posterior, que pudesse ser usado como prova.
Acrescentou que não havia qualquer orientação sobre o que deve se comunicar a vítimas de abuso sexual infantil que “sofrem doenças mentais e que inicialmente não estão dispostas a dar um depoimento como prova”.
O Conselho Nacional dos Chefes da Polícia Nacional está revisando sua orientação “para ver se existem lacunas que devem ser abordadas”.
A polícia de Hampshire disse sobre a investigação: “Não havia provas suficientes neste caso para proporcionar uma perspectiva realista de condenação, e a decisão de não tomar mais medidas levou em conta os desejos das vítimas e as preocupações mais amplas da família neste momento”.
A polícia de Cambridgeshire afirmou que reforçou seu enfoque para investigar o abuso sexual infantil e que estava analisando os achados do especialista forense.
Suicídio – Onde buscar ajuda?
- CAPS e Unidades Básicas de Saúde (saúde da família, postos e centros de saúde)
- UPA 24h
- Samu 192
- Hospitais
- Pronto-socorro
CVV – Centro de Valorização da Vida (apoio emocional e prevenção do suicídio)
- 188 (ligação gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular)
- www.cvv.org.br (Chat, Skype ou e-mail)
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Destaque
Lula diz que Marcola errou ao pedir dinheiro a lobista, que filho vai pagar se cometeu ilícitos e que deseja ‘recuperar território’ do crime
Published
2 semanas agoon
28 de agosto de 2026
O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concedeu nesta quinta-feira (27) entrevista à Globo. Conduziram o programa os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
Veja os principais destaques da entrevista com Lula:
Caso Lulinha
O presidente e candidato à reeleição afirmou que o filho dele Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, terá que responder como qualquer cidadão caso tenha cometido algum ilícito.
Ao ser questionado sobre investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho, o candidato disse que não interferirá nas apurações.
“Eu não sou do Ministério Público, eu não sou delegado, eu não sou juiz. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, disse.
“Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal, eu não vou fazer qualquer movimento pelo meu filho. Ele sabe que a Marisa [Letícia, ex-primeira-dama] morreu por conta da falsa acusação que foi feita a mim na Lava Jato. Portanto, ele tem obrigação de não ter feito o erro.”
Lula disse que o que há contra Lulinha são “ilações” e comparou a situação do filho com a dele próprio.
O petista foi condenado e preso na Lava Jato e, um ano e sete meses depois, deixou a prisão. O Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações por entender que a competência para julgar os casos era da Justiça Federal do Distrito Federal, e não da 13ª Vara Federal de Curitiba, e por reconhecer que o então juiz Sergio Moro atuou de forma parcial.
“Não me deixo impactar por ilações. Eu conheço muito e já fui vítima disso”, disse o presidente.
“Eu tenho certeza que ele vai ser inocente. Vamos esperar o tempo, não haverá da parte da Presidência da República um milímetro de movimento para proteger o meu filho.”
Sobre acusações entre uma suposta relação entre Lulinha e o ex-secretário do Ministério da Saúde, Swedenberger do Nascimento Barbosa, conhecido como Berger, Lula reforçou que as mensagens entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger não configuram necessariamente um sinal de crime, e que não haveria provas concretas de corrupção a funcionários públicos.
“Eu estou dizendo para você que o fato de ter pego conversa no telefone não justifica absolutamente nada. Até agora não existe uma prova de um centavo público. Até agora não existe uma prova de uma conversa do meu filho com qualquer ministro”, disse Lula.
Lula foi questionado sobre a relação entre seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, e a lobista Roberta Luchsinger. Segundo a Polícia Federal, Marcola teve despesas pessoais, como boletos, parcelas de financiamento, faturas de cartão, e joias pagas por Roberta.
O presidente respondeu que Marcola errou ao manter esse tipo de relação e disse que o episódio leva suspeitas para dentro do Palácio do Planalto e “gera desconfiança”.
“Não é adequado, é totalmente errado. E o Marcola sabe do erro que ele cometeu, porque não é esse o papel do chefe de gabinete”, afirmou Lula.
O presidente também chamou a lobista de “pilantra” ao comentar o conteúdo de conversas obtidas durante as investigações. “O que é que uma pilantra pode falar no telefone? Ou o que é que um cara qualquer pode falar no telefone?”, disse.
Lula afirmou, porém, que as mensagens, por si só, não comprovam a prática de crime e defendeu que seja apurado se houve liberação de dinheiro público.
“O que nós precisamos saber é o seguinte: essa mulher conseguiu liberar o dinheiro que ela disse que estava atrás?” Tem prova de que tem dinheiro público? Porque aí é que está o crime, aí está o crime”, disse.
Lula foi questionado sobre uma mensagem específica de Roberta Luchsinger obtida pela Polícia Federal, na qual a lobista disse que o presidente teria lhe oferecido um cargo e dito que escolhesse onde queria ficar. Em resposta, o candidato ironizou: “Só faltou ela dizer que eu ofereci para ela o Ministério da Defesa, o comando da Marinha da Aeronáutica”.
O presidente disse que isso não aconteceu:
“Eu não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim”, disse Lula sobre a lobista Roberta Luchsinger.
O Fato ou Fake, do g1, checou a informação e encontrou ao menos três fotos e um vídeo nos quais Roberta aparece ao lado do presidente Lula.
Um vídeo publicado no Instagram de Roberta em 20 de julho de 2022 exibe uma sequência de ao menos duas fotos nas quais a lobista aparece ao lado de Lula.
Há também imagens nas quais ela posa acompanhada das seguintes pessoas: a primeira-dama Janja; o candidato a governador de São Paulo Fernando Haddad (PT); o vice na chapa de Haddad, Márcio França (PSB); e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Recuperar territórios do crime
O petista afirmou que, em um novo mandato, tem como desejo “recuperar o território” dominado pelos grupos criminosos e que pretende “enfrentar o andar de cima” das facções.
“Qual é o meu desejo? O meu desejo é recuperar o território para o povo. Aquela rua é do povo do Rio, não é do bandido; a escola é do povo, não é do bandido; o bairro é da população.”
Lula afirmou que o Brasil “está pronto e preparado” para trabalhar junto com os Estados Unidos para combater o narcotráfico e listou ações feitas pelo governo federal contra o crime organizado.
“Nós aprovamos agora uma lei antifacção, estamos trabalhando a questão do combate ao crime organizado. Por isso eu fui levar ao [Donald] Trump [presidente dos EUA] uma proposta por escrito”, disse Lula.
O governo Trump classificou facções criminosas brasileiras como terroristas, o que foi contra a visão do governo Lula por considerar a decisão como uma invasão à soberania brasileira.
Ministério da Segurança Pública
Lula defendeu a PEC da Segurança Pública, que reorganiza as atribuições do governo federal e dos estados. Disse que negocia a proposta com os presidentes da Câmara e do Senado, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP), respectivamente.
“A hora que for aprovar a PEC da Segurança Pública, eu crio o Ministério da Segurança Pública. Por que que eu vou criar o ministério? Porque primeiro eu quero estabelecer qual é a participação de cada ente federal na Segurança Pública. Qual vai ser o papel da União, qual vai ser o papel do estado e qual vai ser o papel do município”, disse.
Criminalidade na Bahia
Ainda no contexto da PEC da Segurança Pública e o tempo do PT no poder, Lula foi questionado sobre a violência no estado da Bahia, que hoje tem cinco das 10 cidades mais violentas do Brasil e é governado pelo partido há 20 anos.
O presidente disse que a colocação era “injusta” com a Bahia.
“Nenhum governador do Brasil conseguiu resolver o problema da segurança pública, nenhum conseguiu segurar”, disse.
Escândalo do INSS
O presidente foi questionado sobre o envolvimento de pessoas do governo dele no escândalo de desvio de dinheiro público do INSS. Lula disse que R$ 3 bilhões foram ressarcidos.
“Não tem um aposentado que foi roubado e que não foi devolvido dinheiro”, disse Lula.
“Esse dinheiro vai ser ressarcido pelos bens que nós apreendemos de […] uma quadrilha que foi montada em 2019, inclusive com a participação do ministro da Previdência daquela época. Nós passamos dois anos investigando tanto a CGU quanto a Polícia Federal. Se a gente faz a denúncia antes de a gente ter o processo como um todo, a gente atrapalharia, facilitando os bandidos.”
Confira datas de outras entrevistas com presidenciáveis à Globo
A entrevista com Lula foi a quarta de uma série com os candidatos à Presidência da República. Na segunda-feira (24), o participante foi Romeu Zema(Novo); na terça (25), Ronaldo Caiado(PSD); e na quarta (26), Renan Santos(Missão).
A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
Confira a data das próximas entrevistas:
Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto são após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal. Após a exibição, a entrevista vai ficar disponível na íntegra no g1 e no Globoplay.
O 1º turno das eleições será em 4 de outubro.
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Quem é Lula
Luiz Inácio Lula da Silva, que completa 81 anos em outubro, é um dos principais líderes políticos da história do Brasil e tenta, em 2026, chegar ao quarto mandato presidencial. Se for reeleito, poderá completar 16 anos no Palácio do Planalto.
No terceiro mandato, o governo aprovou a reforma tributária, ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda e tirou novamente o Brasil do Mapa da Fome, mas também enfrentou crises como as fraudes no INSS, investigações envolvendo um dos filhos do presidente, dificuldades no Congresso e embates com os Estados Unidos.
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Nascido em Garanhuns (PE), Lula mudou-se aos 7 anos para São Paulo com a mãe e os irmãos. Trabalhou como engraxate e office boy, formou-se torneiro mecânico pelo Senai e ingressou na indústria metalúrgica. Em São Bernardo do Campo, tornou-se presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e ganhou projeção nacional ao liderar greves no fim dos anos 1970, durante a ditadura militar.
Em 1980, participou da fundação do PT. Depois de derrotas nas eleições de 1982, 1989, 1994 e 1998, foi eleito presidente em 2002 e reeleito em 2006, deixando o cargo em 2010 com 87% de aprovação.
Nos dois primeiros mandatos, Lula teve como principais metas a redução da pobreza e da desigualdade social e lançou programas como Fome Zero, Bolsa Família, ProUni, Minha Casa, Minha Vida e PAC. A trajetória política também foi marcada pelo Mensalão e, posteriormente, pela Operação Lava Jato.
Condenado em 2017 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, Lula sempre negou as acusações, foi preso em 2018 e permaneceu 580 dias em Curitiba. Em 2021, o STF anulou as condenações relacionadas à Lava Jato, devolvendo os direitos políticos e tornando-o novamente elegível.
Em 2022, Lula formou uma ampla coalizão contra o bolsonarismo, reunindo antigos adversários, adotou um discurso mais ao centro e venceu Jair Bolsonaro, retornando ao Planalto para o terceiro mandato.
Além das medidas econômicas e sociais, o governo ampliou a estrutura administrativa e recriou ministérios. O mandato, porém, também foi marcado por críticas à estratégia econômica, aumento dos gastos públicos, dificuldades na relação com o Congresso e investigações envolvendo o filho Fábio Luís da Silva.
Em 2026, o PT oficializou a candidatura de Lula à Presidência, tendo Geraldo Alckmin novamente como candidato a vice.
Veja as principais propostas de Lula, registradas no plano de governo entregue ao TSE:
- Fortalecer a democracia brasileira e promover uma reforma política e eleitoral.
- Defender a soberania brasileira e rejeitar tentativas de subordinar o país a interesses estrangeiros ou de reduzir a autonomia nacional.
- Avançar na regulação democrática das redes sociais e plataformas digitais, preservando a liberdade de expressão.
- Democratizar o orçamento público, priorizando recursos para quem mais precisa.
- Promover um debate com a sociedade sobre o sistema de emendas parlamentares e enfrentar o que o programa classifica como uma distorção na elaboração e gestão do orçamento federal.
- Manter o arcabouço fiscal aprovado em 2023.
- Adotar uma política macroeconômica voltada ao crescimento, à redução das desigualdades, à valorização do trabalho, à responsabilidade ambiental e fiscal, à queda dos juros e ao controle da inflação.
- Criar condições para uma redução sustentada das taxas de juros, com inflação controlada e responsabilidade fiscal.
- Manter, aperfeiçoar e ampliar políticas de proteção social, incluindo justiça tributária, valorização do salário mínimo, inclusão produtiva, educação, saúde e programas de transferência de renda.
- Dar continuidade à política de valorização do salário mínimo como instrumento de distribuição de renda, combate à pobreza e promoção do desenvolvimento econômico e social.
- Apoiar o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, nos termos aprovados pela Câmara.
- Aprovar a PEC da Segurança Pública proposta pelo Executivo e criar um Ministério da Segurança Pública para coordenar as políticas nacionais da área em articulação com estados e municípios.
- Combater o crime organizado e fortalecer a integração entre os entes federados, a inteligência estatal, a prevenção da violência e a proteção dos direitos civis.
- Valorizar e qualificar os profissionais de segurança pública e fortalecer os mecanismos de controle interno e externo da atividade policial.
- Ampliar o uso de câmeras corporais, com padrões nacionais para utilização, gestão e preservação das imagens.
- Fortalecer as Forças Armadas e a indústria de defesa, com equipamentos e capacidade para proteger o território e os recursos naturais brasileiros.
- Buscar autonomia estratégica, inovação tecnológica e integração entre defesa e desenvolvimento, combinando persuasão diplomática e capacidade de dissuasão.
- Tornar o Brasil mais independente e ativo na política externa, ampliando a cooperação e a negociação com diferentes regiões e diversificando parcerias estratégicas.
- Fortalecer a integração regional, a América do Sul e o Caribe como zona de paz e o Mercosul como principal plataforma de integração econômica, produtiva, política e social da América do Sul.
- Buscar novos acordos comerciais e mercados para bens e serviços brasileiros e defender os interesses do país com base nas normas internacionais e no multilateralismo.
fonte: https://g1-globo-com.cdn.ampproject.org/v/s/g1.globo.com/google/amp/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/08/27/lula-entrevista-globo.ghtml?amp_js_v=0.1&_gsa=1#webview=1&cap=swipe
Destaque
Flávio aparece no TSE filiado ao Missão; PL diz não ter conseguido registrar candidatura e fala em fraude
Published
4 semanas agoon
13 de agosto de 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não conseguiu registrar nesta quinta-feira (13) sua candidatura à Presidência da República após aparecer filiado ao partido Missão nos registros da Justiça Eleitoral. O caso é analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O Missão informou em nota que “foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro”. O partido diz que tentou no mesmo dia cancelar a filiação de Flávio, mas a ação foi rejeitada pelo TSE (veja íntegra abaixo).
O TSE informou que “a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações” (veja na íntegra mais abaixo).
A advogada da campanha de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri, disse que é “inequívoco que foi fraudulento”.
Segundo ela, a alteração foi identificada quando a equipe começou a reunir os documentos necessários para protocolar o pedido de registro da candidatura.
Após o ocorrido, Flávio gravou um vídeo para suas redes sociais. Na legenda, o senador afirma que adversários “só sabem jogar sujo”, mas que “não funcionou e nem vai funcionar”.
“Vocês viram aí que fraudaram a minha filiação partidária. O sistema vai tentar de tudo para me parar, mas não vai conseguir não, porque Deus está no comando e a gente vai conseguir juntos resgatar o nosso Brasil”, afirmou.
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O prazo para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina às 19h de sábado (15).
O PL oficializou em convenção nacional no dia 25 de julho a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República (detalhes abaixo).
As convenções partidárias são encontros em que os partidos definem os candidatos que vão disputar os cargos das eleições. O prazo para a realização delas terminou em 5 de agosto.
Campanha suspeitou de ataque hacker
De acordo com a advogada, o partido já acionou o TSE e ela aguarda o fim da sessão desta manhã no tribunal para tentar despachar com o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques.
“Precisamos entender se foi hacker, uma venda de senha, alguém que entrou no sistema dolosamente, a gente não sabe”, afirmou a advogada à GloboNews.
Segundo Bucchianeri, ainda não há elementos para apontar a causa da alteração cadastral. Ela citou como referência um episódio ocorrido durante a campanha de 2022, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a aparecer filiado ao PL no sistema eleitoral.
“Estas foram as hipóteses cogitadas pelo ministro Alexandre na época do Lula”, afirmou.
A advogada disse ainda que, após o episódio de 2022, houve aprimoramentos nos sistemas da Justiça Eleitoral para evitar ocorrências semelhantes. “Vai ter que abrir um inquérito para entender”, declarou.
De acordo com Bucchianeri, há elementos que indicam que a alteração ocorreu entre a noite de quarta-feira (12) e a manhã desta quinta.
“É inequívoco que foi fraudulento. E aconteceu depois das 23h17 de ontem. Eu tenho uma certidão emitida no sistema do TSE de que o Flávio era candidato do PL ontem às 23h17”, afirmou.
Segundo ela, a certidão foi emitida porque a equipe jurídica já havia iniciado, ainda na noite de quarta-feira, os procedimentos para registrar a candidatura.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou à GloboNews que houve uma “falsificação”, mas não detalhou como a alteração teria ocorrido.
Nos bastidores do partido, integrantes da legenda atribuem o episódio a um ataque hacker. O TSE, porém, faz verificações sobre o caso.
Relatos obtidos pela TV Globo indicam que a análise inicial conduzida por pessoas envolvidas na apuração considera outras hipóteses além de uma eventual invasão aos sistemas da Justiça Eleitoral.
A mudança no cadastro impede, neste momento, que o PL registre a candidatura de Flávio.
Segundo a advogada, o pedido de registro só poderá ser apresentado depois que a situação da filiação partidária for regularizada.
“Ele está sem filiação regular agora. O Missão tem candidato. Tem que restabelecer a filiação original para poder fazer o registro”, afirmou.
Convenção do PL
Flávio Bolsonaro foi oficializado pelo PL como candidato à Presidência da República durante convenção realizada em São Paulo, no fim de julho.
Em seu discurso, afirmou que representava a continuidade do projeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro e fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A candidatura foi lançada sem a definição formal de um candidato a vice-presidente e se tornou a principal aposta eleitoral do PL para a disputa presidencial de 2026.
O que dizem o TSE e o partido
Leia a nota do TSE na íntegra:
“O Tribunal Superior Eleitoral informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credencias da legenda para efetivar filiações.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral para providências e determinou instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária.
O Partido Liberal protocolou pedido de desfiliação do Missão, que já está sob análise”.
Leia a íntegra da nota do Missão:
“O Partido Missão vem a público informar que foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro. Nosso sistema, ao notar a fraude, tentou realizar no mesmo dia o cancelamento da filiação, ação que foi rejeitada pelo TSE.
O gabinete de Flávio foi informado dessa tentativa de filiação desde o dia 2 deste mês. Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos.
A Missão já está adotando todas as providências cabíveis junto à Polícia Federal e ao TSE, a fim de que os responsáveis pelo crime e pela fraude sejam identificados e exemplarmente punidos. Um relatório com todos os logs, e-mails e IPs será disponibilizado para a imprensa e autoridades.
Ressaltamos, ainda, que não é do interesse do partido acolher em seus quadros um parlamentar que, para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção.
O Partido Missão reafirma que não compactua com filiações de natureza fraudulenta e repudia veementemente episódios dessa natureza. Colocamo-nos à disposição das autoridades competentes para a completa apuração dos fatos.”
Destaque
Vídeo de IA de Jair Bolsonaro pode ter consequências para o PL e o ex-presidente, avaliam especialistas
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1 mês agoon
28 de julho de 2026
A convenção partidária nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo no sábado (25), exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) para simular um pronunciamento de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Na gravação, o ex-presidente afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”, diz que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança” despertado por seu movimento e pede que os apoiadores recebam Flávio Bolsonaro “de braços abertos” como candidato à Presidência.
Para diferentes especialistas ouvidos pelo g1, o conteúdo deve causar reações tanto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque o TSE proíbe o uso de deepfakes, ou conteúdo sintético, para substituir a imagem ou voz de pessoa viva, mesmo com autorização. O ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses em prisão domiciliar, não pode divulgar manifestações de conteúdo político-eleitoral por qualquer meio, após determinação do ministro Alexandre de Moraes.
➡️ Deepfake é uma técnica que permite alterar um vídeo ou foto com ajuda de IA. Com ele, por exemplo, o rosto da pessoa que está em cena pode ser trocado pelo de outra; ou aquilo que a pessoa fala pode ser modificado.
Luiz Eduardo Peccinin, advogado especialista em Direito Eleitoral e doutor em Direito do Estado, acredita que o vídeo representou uma infração à legislação eleitoral. “Ainda que tenha sido indicado que se tratava de um personagem de inteligência artificial, isso viola de forma objetiva a norma do TSE que estabeleceu a proibição do uso de deepfake ou o uso da IA generativa para criar uma pessoa artificial”, disse ao g1.
Segundo Peccinin, o caso pode causar consequências que vão da aplicação de multa até a proibição do uso deste recurso específico durante as eleições. “Se essa conduta prosseguir pela campanha após ser considerada irregular, isso vai trazer riscos”, avalia.
Já Matheus Puppe, advogado e consultor da Comissão Especial de Direito Digital da Câmara dos Deputados, considera que a resolução do TSE que proíbe conteúdo sintético é “muito ampla” e não pode ser interpretada isoladamente. No seu entendimento, o conceito de deepfake deveria contemplar apenas conteúdos que têm caráter prejudicial, de atrapalhar ou ludibriar um candidato ou um eleitor.
“Proibir o deepfake e permitir a IA, uma coisa esbarra na outra. É uma norma que se contradiz”, pondera. “O próximo passo do TSE é reavaliar a próxima resolução, a finalidade de fato dela. E proibir o uso de IA sem o consentimento da pessoa representada para prejudicar a sociedade de maneira geral.”
Neste domingo, o Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o TSE contra o PL e o senador Flávio Bolsonaro por suposta propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial.
O partido também enviou uma petição ao STF afirmando que a veiculação do vídeo de IA pode ter desobedecido restrições impostas a Jair Bolsonaro.
De acordo com o advogado criminalista Guilherme Alonso, isso pode ter consequências sérias para o ex-presidente. “Já houve uma situação em que uma carta do ex-presidente foi utilizada com suposta finalidade política eleitoral e já houve uma decisão do ministro Alexandre de Moraes indicando que isso poderia justificar a prisão cautelar que seria imposta ao presidente”, explica. “Mas não houve naquela decisão uma devolução do ex-presidente ao estabelecimento prisional. Agora não é mais o primeiro episódio, então fica uma situação delicada”.
Alonso acredita que, com a petição feita pelo PT, Moraes deve abrir um prazo para a defesa de Bolsonaro se manifestar e explicar por que não se tratava de uma manifestação por intermédio de terceiros sobre a candidatura do filho. “Se isso vai ser suficiente para que ele indefira a manifestação do PT para que se reconheça a violação da cautelar, não sabemos. Mas objetivamente há esse risco real de revogar a prisão domiciliar.”
Fonte: https://g1-globo-com.cdn.ampproject.org/v/s/g1.globo.com/google/amp/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/07/28/video-ia-jair-bolsonaro-consequencias.ghtml?amp_js_v=0.1&_gsa=1#webview=1&cap=swipe


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