Coronavírus
Vacinas contra covid: empresário brasileiro gasta R$ 450 mil para vacinar família contra covid nos EUA
Published
5 anos agoon

“Coloca um nickname aí pra mim porque não quero confusão para o meu lado, já tenho cinco stents no coração”, afirmou à BBC News Brasil o dono de incorporadoras e imobiliárias com capital social declarado de mais de R$ 10 milhões, a quem chamaremos nesta reportagem de Roberto*.
Aos 60 anos, Roberto é o patriarca de uma família que qualifica como “unida e conservadora”. Ele, a mulher, de 57, as três filhas do casal, com idades entre 24 e 35 anos de idade, e dois genros embarcaram para o México em meados de abril, pouco antes que o país batesse a marca de 400 mil mortos na pandemia. “Vários amigos nos EUA e o gerente do banco me alertaram que eu conseguiria tomar as doses lá e já estávamos ficando loucos trancados em casa”, diz Roberto, que relata ter cumprido quarentena rigorosa, em uma casa de campo, por mais de um ano.
Ele tem comorbidades: além de problemas cardíacos, é obeso. E via no novo coronavírus uma ameaça grave, especialmente “depois que um amigo de 48 anos, semi-atleta e sem problemas de saúde, faleceu de covid”. E embora sua vez na fila não estivesse distante no calendário vacinal do governo federal, Roberto não queria deixar o restante da família para trás – para a filha de 24, por exemplo, não há nem previsão de imunização no país.
“Meu pai foi claro em dizer que queria que todos tivessem a vacina. Não fazia sentido uma parte da família estar protegida e a outra não. Por isso todo mundo tinha que ir junto. E dinheiro não era uma questão, então depois que ele propôs, embarcamos em apenas quatro dias”, diz Jéssica*, filha de Roberto. Todos receberam a vacina de dose única da Janssen em Orlando, na Flórida. “Quando chegamos aos EUA, nem deixamos as malas na casa em que ficaríamos, fomos direto para o posto de vacinação”, completa Jéssica.

ARQUIVO PESSOAL – O empresário Douglas Moretto, de 42 anos, tomou a vacina da Pfizer em Orlando antes que sua mãe, de 63, fosse vacinada no Brasil
O empresário endossa o comentário da filha. Chega a mencionar um sonho premonitório de que um dos sete integrantes do clã se contaminava. “Eu tinha o dinheiro e me culparia eternamente se algo acontecesse com minha família porque não os levei para tomar a vacina”, diz.
Escassez de vacina no Brasil
Com apenas 18% da população imunizada com ao menos uma dose, o Brasil enfrenta uma escassez de insumos para produzir imunizantes tanto no Instituto Butantan (Coronavac) quanto na Fiocruz (Astrazeneca-Oxford).
O país também poderia já ter recebido mais lotes da vacina da Pfizer, mas, conforme relatou o ex-presidente da farmacêutica à CPI da Covid ao longo da última semana, a gestão Bolsonaro recusou seis ofertas de doses da Pfizer até fechar o primeiro contrato, apenas em março desse ano.
O cenário de alta mortalidade associada à falta de perspectiva de acesso ao imunizante fez com que brasileiros da classe A e B passassem a estudar formas de obter vacinas fora do país. Segundo a agente de viagens Márcia Rosa, de 53 anos, ela chegou a fechar viagens para brasileiros irem aos Emirados Árabes Unidos em busca da vacina, antes que ficasse claro que nos EUA também seria possível ser vacinado como turista.
Rosa viralizou nas redes sociais na semana passada com a campanha de sua agência, a Flytour, que oferecia: “Embarque imediato: México + Nova York para a vacina”.
A oportunidade estaria acessível para quem topasse desembolsar R$18.728 (que poderiam ser divididos em até 10 parcelas): quase mil reais por dia, já que o pacote previa duração de 21 dias para a empreitada. “Era o necessário para cumprir o tempo de quarentena exigida pelos americanos e tomar a vacina com calma, se recuperar de qualquer efeito colateral antes de voltar”, disse Rosa à BBC News Brasil.

ARQUIVO PESSOAL- A loja brasileira de artigos de bebê foi escolhida pelo governo da Flórida como ponto de vacinação para facilitar o acesso da comunidade do país aos imunizantes
Em menos de uma semana ela afirma ter recebido centenas de consultas e fechado 13 pacotes. “A maioria dos nossos clientes são pessoas entre 24 e 42 anos, que não têm nem perspectiva de se vacinar no Brasil. E agora que os EUA liberaram vacina a partir dos 12 anos, há muitos pais de adolescentes em busca também”, explica Rosa.
Ela mesma se vacinou recentemente em Nova York. A agência oferece auxílio para que o turista faça os agendamentos necessários para a aplicação. “A gente deixa claro que a vacina não é o nosso produto, o que a gente vende é a possibilidade de se vacinar”, diz a agente.
Em quase 30 anos no mercado de turismo, Rosa conta que esta foi sua campanha de maior sucesso – e tem esperança que o êxito a ajude a reverter o tombo que a pandemia representou nos negócios. De olho na mesma oportunidade, já há outras empresas no mercado com pacotes de viagem semelhantes.
Clima de ‘quem dá mais’ para vacinar nos EUA
E se brasileiros da classe A e B têm se mostrado dispostos a gastar polpudas somas para conseguir vacina no braço o quanto antes, nos EUA a situação é oposta. As autoridades têm se desdobrado em soluções criativas para atrair a população aos postos de vacinação.
Na última quinta-feira, o governador de Ohio, o republicano Mike Dewine, anunciou a que talvez seja a mais ambiciosa dessas medidas até agora. Com apenas 36% da população completamente vacinada e uma baixa demanda pelos imunizantes contra covid-19, o Estado resolveu que, a partir do próximo dia 26, irá sortear US$ 1 milhão por semana entre quem tiver se apresentado em um dos postos de vacinação nos sete dias anteriores ao sorteio.
A loteria durará cinco semanas. E como os EUA agora começam a vacinar adolescentes a partir de 12 anos, caso o vencedor do sorteio tenha entre 12 e 18 anos, o prêmio será o pagamento total das mensalidades dos quatro anos de universidade (que são famosas por serem tão boas quanto caras), mais o suficiente para o custeio de alimentação, livros e moradia durante todo o período universitário.
Outros governantes e empresas também ofereceram incentivos – incluindo ingressos para jogos esportivos, vale-presente, bolos de palito grátis e, em Nova Jersey, quem comparecesse a um posto de vacinação saia de lá imunizado e com uma cerveja em mãos.
“Huuummmm… Vacinação! Eu estou sentindo uma coisa muito boa em relação à vacinação nesse momento”, afirmou o prefeito de Nova York Bill de Blasio em um vídeo divulgado na última semana. Entre uma mordida e outra de um hambúrguer e batatas fritas da rede Shake Shack, ele contava à população local que quem aparecesse pra vacinar ganharia um combo como aquele da lanchonete.
DIVULGAÇÃO – A agência de viagens de Márcia Rosa viralizou nas redes com pacote para vacinação nos EUA
As estatísticas mostram que os incentivos são necessários: embora apenas 60% da população adulta tenha recebido ao menos uma dose de imunizante, a procura por vacinas já caiu significativamente nos EUA. Se, no início de abril, a média nacional de vacinação diária era de 3,4 milhões de doses, agora, esse número caiu para 2,2 milhões de vacinas aplicadas por dia. Diferentes pesquisas mostram que cerca de 20% dos americanos não pretendem se vacinar. O percentual é considerado alto pelas autoridades sanitárias do país, que temem a possibilidade de uma nova onda de covid-19 por causa dessa recusa.
“Os americanos estão praticamente laçando as pessoas na rua pra tomar vacina. Eu fiquei chateado de ver, é uma coisa descabida pensar que aqui estão te oferecendo isso sem parar enquanto no Brasil as pessoas estão implorando por vacina e não tem”, diz o empresário brasileiro Douglas Moretto, de 42 anos.
O fator Bolsonaro
Por ter uma filha de três anos de idade nascida nos EUA, Moretto pôde entrar em território americano no começo de abril sem enfrentar a quarentena em um terceiro país. Ele embarcou com a filha e a mulher para Orlando, onde já recebeu duas doses do imunizante da Pfizer.
“Na hora ninguém nem te pergunta nada. Os americanos querem resolver o problema, não querem saber se você é turista, se é residente. Se tivesse vacina no Brasil, eu não viria. Me senti até um pouco egoísta por ter tido uma oportunidade dessas, incomum. Tomei a vacina antes da minha mãe, que tem 63 anos”, relata Moretto.
Tanto ele quanto Roberto votaram em Bolsonaro em 2018 e se dizem decepcionados com as ações do governo federal em relação à vacinação. “Ele foi um pouco estúpido de ir contra a vacina e investir em remédio sem eficácia”, diz Moretto, em referência ao investimento do presidente em drogas como a hidroxicloroquina e a ivermectina.
Já Roberto contemporiza. Diz que Bolsonaro errou ao não sentar para negociar com a Pfizer as condições do contrato, mas que seu erro não foi tão relevante para o resultado final da pandemia no país. “Não ia mudar tanto assim, no máximo reduziria entre 3% e 5% das mortes até agora”, especula o empresário. Se sua conta estivesse certa, isso representaria ter salvo a vida de algo entre 13 mil e 22 mil brasileiros.
“Eu gostaria que todo brasileiro tivesse a mesma condição de vacinar que eu. E gostaria que o Brasil fosse como os EUA, mas infelizmente não é”, diz o dono de incorporadoras.
E embora as decisões de Bolsonaro tenham arrancado R$ 450 mil de seu bolso, ele é taxativo em dizer que entre o atual mandatário e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que emerge como principal força de oposição em 2022, vai de Bolsonaro nas urnas de novo. “Esse outro (Lula) eu abomino. É tudo o que eu e minha família não queremos”, diz.
Reduto bolsonarista em 2018, a Flórida vive hoje uma divisão em relação a Bolsonaro. Para o brasileiro Richard Harary, CEO da Macrobaby, uma loja varejista de artigos para bebê sediada em Orlando, o sentimento de decepção é a tônica entre os brasileiros que procuram vacina no país.
O estabelecimento de Harary é um dos pontos de vacinação anti-covid na Flórida. Por dia, entre 200 e 300 pessoas recebem suas doses entre araras de macacões, chupetas e carrinhos de bebê. A esmagadora maioria é de brasileiros.
“As autoridades aqui nos procuraram para propor que a gente oferecesse esse serviço justamente para acessar mais a comunidade brasileira, tanto de turistas como de migrantes que moram aqui em situação irregular e estavam com medo de se vacinar e acabar deportados”, explica Harary.
Depois de apoiar o atual presidente, ele conta que começou a se desiludir com o atual governo bem no início da pandemia, durante a visita do mandatário brasileiro à Flórida, em março de 2020. “Quando ele esteve em Miami, eu estava lá entre os empresários que o receberam. Morri de medo porque um dos assessores dele já estava contaminado e tinha passado horas do meu lado”, diz.
De acordo com o empresário, a loja já recebeu mais de duas mil consultas de brasileiros que estão deixando o país em breve ou já estão em quarentena no México ou na Costa Rica para se vacinar ali.
“As pessoas estão sem esperança de conseguir se proteger no Brasil. Todo mundo, inclusive eu, conhece alguém que morreu da doença. Quem tem condição, vai buscar tomar fora mesmo. O país não merecia isso, merecia um governo melhor. O que o Bolsonaro fez, na minha opinião, foi dar oportunidade para o outro lado, da esquerda, voltar com força. É triste”, afirma Harary.
*O nome dos entrevistados foi alterado para preservar suas identidades.
You may like
Coronavírus
Prefeitura de Manaus oferta doses contra Covid-19 em 74 pontos de vacinação nesta semana
Published
3 anos agoon
11 de setembro de 2023
Reforçando a vacinação como instrumento mais eficaz para prevenção e combate à Covid-19, a Prefeitura de Manaus orienta a população a buscar as unidades da rede básica de saúde para iniciar ou atualizar o esquema vacinal contra a doença. A aplicação das doses é ofertada nesta semana, de segunda a sexta-feira, 11 a 15/9, em 74 unidades gerenciadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), distribuídas em todas as zonas geográficas da capital.
O subsecretário municipal de Gestão da Saúde, Djalma Coelho, informa que a Semsa Manaus vem buscando ampliar o acesso da população à vacinação, com a oferta do serviço em horário ampliado, das 8h às 20h, em nove unidades da rede municipal. Nos demais estabelecimentos, o atendimento ocorre no horário regular, das 8h às 17h.
“A Semsa visa garantir que todas as pessoas tenham acesso à vacina, pois ela reduz em muito os riscos de agravos de saúde decorrentes da Covid-19, e também para limitar a transmissão do vírus causador da doença, aumentando a proteção de toda a comunidade”, afirma.
Conforme Djalma, os usuários devem se dirigir à unidade de saúde mais próxima portando documento oficial de identidade com foto, CPF ou Cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) para receber o imunizante. A lista dos estabelecimentos que ofertam a vacinação, com horários de funcionamento e endereços, pode ser conferida no site semsa.manaus.am.gov.br ou no link direto bit.ly/localvacinacovid19.
“Todas as pessoas a partir dos 6 meses de idade podem se vacinar. Quem já iniciou o esquema vacinal pode conferir se já está no prazo para receber a segunda dose ou dose de reforço no Imuniza Manaus (imuniza.manaus.am.gov.br), informando apenas o número do CPF”, orienta o gestor.
Djalma informa que os usuários a partir de 12 anos podem receber a vacina em qualquer um dos 74 pontos de vacinação da prefeitura. Já os menores de 12 anos, acompanhados dos pais ou responsáveis, são atendidos em unidades específicas, sendo 14 delas voltadas a bebês de 6 meses a 4 anos de idade, e 35 para crianças de 5 a 11 anos.
Eficazes e seguras
Nas unidades da rede básica de saúde são ofertadas doses das vacinas monovalentes e bivalentes, sendo aquelas empregadas como primeira e segunda doses do esquema primário para toda a população a partir dos 6 meses de idade, e como dose de reforço para adolescentes de 12 a 17 anos não integrantes de grupos prioritários.
Já as vacinas bivalentes, que protegem contra duas versões do coronavírus, são aplicadas como dose de reforço em pessoas a partir de 18 anos e adolescentes de grupos com maior vulnerabilidade, riscos para complicação e óbito e maior exposição.
Djalma Coelho explica que todas as vacinas ofertadas na rede pública de saúde são eficazes e seguras, tendo a devida aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“Seja mono ou bivalente, a vacina vai estimular as defesas do sistema imunológico contra o coronavírus, aumentando a proteção da pessoa contra a doença”, relata.
Para saber mais sobre a Campanha Municipal de Vacinação contra a Covid-19, basta acessar as redes sociais da Semsa Manaus, nos perfis @semsamanaus no Instagram e Semsa Manaus no Facebook.
—–
Coronavírus
Covid: relembre principais os episódios da pandemia
Published
3 anos agoon
6 de maio de 2023
Mais de 1.190 dias se passaram entre o início e o fim da declaração de emergência de saúde pública (PHEIC, na sigla em inglês) da pandemia do coronavírus, feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2020 e encerrada nesta sexta-feira, 5.
A doença provocou a maior crise sanitária do século em todo o planeta, totalizando 765,2 milhões de casos e quase 7 milhões de mortes durante mais de três anos, segundo a OMS.
De recordes de casos a disputas políticas, em tópicos, relembre os momentos mais marcantes da pandemia de covid-19 em todo o mundo:
2019
31 de dezembro de 2019 – A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre vários casos de pneumoniana cidade de Wuhan, na China.
2020
7 de janeiro de 2020 – As autoridades de Saúde chinesas confirmaram que haviam identificado um novo tipo de coronavírus.
13 de janeiro de 2020: O primeiro caso da doença é detectado fora da China, na Tailândia.
30 de janeiro de 2020: OMS declara que covid-19 é uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII).
23 de fevereiro de 2020: Europa vive a primeira grande onda de infecções pela doença, com maior parte dos casos na Itália.
26 de fevereiro de 2020: O Ministério da Saúde confirma o primeiro caso de covid-19 no Brasil. Tratava-se de um homem de 61 anos, de São Paulo, que havia viajado à Itália e sentiu desconforto respiratório.
11 de março de 2020: A OMS declara oficialmente uma pandemia de coronavírus em razão de seus “níveis alarmantes” de propagação em diferentes países. A Europa entra em modo de lockdown. Cerca de 120 mil pessoas haviam contraído o vírus em todo o mundo.
16 de março de 2020: Primeira morte decorrente de covid-19 é anunciada no Brasil. A vítima foi um homem de 62 anos, em São Paulo. Entretanto, em julho, o Ministério da Saúde divulgou, após ajustes nos dados epidemiológicos da pasta, que a primeira morte no país ocorreu, na verdade, no dia 12 de março, em São Paulo. A vítima era uma mulher de 57 anos.
20 de março de 2020: Jair Bolsonarochama covid-19 de “gripezinha”. O então presidente afirmou que, após a facada que levou em 2018, não será uma “gripezinha” que irá derrubá-lo.
16 de abril de 2020: O então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi demitido por Jair Bolsonaro. A demissão ocorreu após uma série de divergências públicas entre ele e o presidente. O cargo foi assumido por Nelson Teich, que também deixou a pasta menos de um mês após assumi-la.
20 de abril de 2020 – Jair Bolsonaro afirma que “não era coveiro”, ao responder à pergunta de um jornalista sobre o número de mortes por coronavírus no País.
8 de agosto de 2020: Brasil chega ao marco de 100 mil mortes por covid-19. O País somava quase 3 milhões de infectados. Na data, o Senado decretou luto oficial de quatro dias no Congresso Nacional.
8 de dezembro de 2020: primeira pessoa no mundo é vacinada contra a covid-19. O Reino Unido dá início à imunização contra a doença, utilizando a vacina Pfizer/BioNTech. A primeira a ser vacinada foi Margaret Keenan, uma britânica de 90 anos.
2021
14 de janeiro de 2021: A explosão de casos de covid-19 levou ao colapso do sistema de saúde em Manaus, que ficou sem oxigênio para pacientes em hospitais.
17 de janeiro de 2021: Com autorização para uso emergencial das vacinas CoronaVac e AstraZeneca pela Anvisa, o Brasil dá início à vacinação. A primeira imunizada é Mônica Calazans, de 54 anos, mulher negra pertencente ao grupo de risco e enfermeira.
15 de março de 2021: Marcelo Queiroga é escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para substituir o general Eduardo Pazuello como ministro da Saúde. Queiroga tornou-se o quarto ministro da gestão de Bolsonaro durante a pandemia, permanecendo até o fim do mandato.
13 de abril de 2021: É criada a CPI da covid-19. No relatório final, a CPI acusou Jair Bolsonaro de ter cometido nove crimes: prevaricação; charlatanismo; epidemia com resultado morte; infração a medidas sanitárias preventivas; emprego irregular de verba pública; incitação ao crime; falsificação de documentos particulares; crime de responsabilidade; e crimes contra a humanidade.
19 de junho de 2021: Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo divulga o primeiro caso da variante delta na capital. A variante foi detectada pela primeira vez em outubro de 2020, na Índia, e ficou conhecida por ser mais contagiosa em comparação às demais cepas.
7 de outubro de 2021: Brasil atinge a marca de 60% da população adulta completamente vacinada contra a covid-19. Como resposta à cobertura vacinal, em setembro, o País registrou o menor número de mortes pela covid-19 de 2021 até então.
24 de novembro de 2021: Existência da variante Ômicron é reportada pela primeira vez à OMS, pela África. Variante apresentou riscos pela sua alta transmissibilidade, embora com sintomas mais brandos.
2022
14 de janeiro de 2022 – A primeira criança é vacinada contra a covid-19 no Brasil. O indígena Davi Seremramiwe, de 8 anos, foi o primeiro do público a receber o imunizante da Pfizer no País.
3 de fevereiro de 2022: Início do ano no Brasil é marcado por explosões de casos, apesar da queda no índice de letalidade. No dia 3 de fevereiro, o recorde do número diário de infecções foi batido, com 298.408 casos confirmados em 24 horas.
25 de março de 2022: Fiocruz divulga informe que, pela primeira vez desde o início da pandemia, a ocupação de UTIs para covid-19 está abaixo de 60% em todos Estados.
8 de abril de 2022: Paraíba é o último Estado brasileiro a tornar facultativo o uso de máscaras, fazendo com que todas as federações, pela primeira vez, estivessem com o uso do acessório de proteção desobrigado.
17 de abril de 2022: Marcelo Queiroga anuncia o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) por covid-19 no Brasil.
21 de novembro de 2022: A Anvisa aprovou a venda do Paxlovid, medicamento utilizado como tratamento para a covid-19 para adultos, em farmácias e hospitais particulares.
2023
23 de fevereiro de 2023: O Brasil começa a vacinar públicos prioritários com a vacina bivalente, que confere maior proteção contra o vírus da cepa original e também contra a variante Ômicron.
1º de maio de 2023: São Paulo detecta o primeiro caso da variante Arcturus, caracterizada por quadros de conjuntivitee de febre alta.
05 de maio de 2023: OMS declara o fim da emergência de saúde pública da pandemia do coronavírus no planeta.
Coronavírus
Estudo revela mecanismo por trás de rara miocardite em adolescentes após vacina da Covid
Published
3 anos agoon
5 de maio de 2023Vacina contra Covid é aplicada em adolescente na UBS Veleiros em São Paulo – Danilo Verpa – 30.ago.21/Folhapress
As vacinas contra Covid tiveram sua segurança e eficácia avaliadas em milhares de pessoas em todo o mundo antes de serem aprovadas para uso em larga escala.
Mesmo assim, alguns efeitos raros relacionados à vacinação só podem ser observados depois de aplicadas em milhões de pessoas. Um desses efeitos é a miocardite ou pericardite (inflamação do tecido do coração), que foi observada em um número muito pequeno de casos, ainda que de relevância médica, em jovens e adolescentes do sexo masculino após a vacinação com a Pfizer.
O mecanismo por trás deste evento adverso ainda era desconhecido, mas um novo estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Yale e publicado nesta sexta (5) na revista especializada Science Immunology, acaba de revelar como ele ocorre.
Segundo a pesquisa, não foi encontrada uma associação entre a miocardite e os anticorposinduzidos após a vacinação, tampouco a uma doença autoimune dos pacientes ou hipersensibilidade aos componentes da vacina. O que os pesquisadores observaram foi uma resposta exagerada do próprio organismo como resposta a uma inflamação do tecido, produzindo mais danos e ele.
O estudo analisou 23 amostras de sangue de pacientes (87% eram homens) com idade de 13 a 21 anos que tiveram um quadro de miocardite de um a quatro dias após a segunda dose das vacinas de mRNA. Os sintomas dessa inflamação foram em geral dores no peito, palpitações, febre e perda de fôlego, entre outros. Indivíduos vacinados com duas doses da vacina monovalente e que não apresentaram miocardite foram incluídos como controle.
Nos pacientes com miocardite, foi observada uma quantidade elevada de duas moléculas indutoras da resposta imune exacerbada, como citocinas e glóbulos brancos, agindo de forma a atacar o próprio organismo.
Estas células de defesa eram em geral citotóxicas ou matadoras naturais (chamadas de NK ou natural killers, em inglês), ambas responsáveis por destruir outras células do organismo que estejam infectadas por vírus ou agindo de maneira errática (por exemplo, células tumorais). Os autores chamaram esse fenômeno de “citocinopatia”, ou uma condição causada pelas citocinas, como o que ocorria com a tempestade de citocinas no pulmão em alguns casos de infecção pelo Sars-CoV-2.
Para Carrie Lucas, professora associada de imunologia na Universidade de Yale e autora correspondente do estudo, a importância da pesquisa é que, embora fosse muito raro, ao vacinar milhões de crianças e adolescentes foi possível observar esse efeito, por isso era fundamental entendê-lo melhor. “Uma das implicações desse estudo é que não só ele traz explicação do fenômeno, mas também indica para uma redução do risco de miocardite quanto maior o intervalo entre as doses”, afirmou.
Os casos de miocardite foram registrados em geral após a segunda dose da vacina, e a pesquisadora sugere que a aplicação das doses seja espaçada para minimizar os possíveis efeitos adversos raros.
Akiko Iwasaki, imunologista e pesquisadora principal do Laboratório de Imunologia da Universidade de Yale e do Instituto Médico Howard Hughes, disse que não foram encontrados nas amostras dos pacientes marcadores indicando uma resposta induzida pela proteína S do Spike (ou espícula, usada pelo coronavírus para entrar nas células), o que sugeriria uma reação ao antígeno (parte do vírus contra o qual se deseja produzir resposta imune) no corpo.
A equipe de Iwasaki é uma das mais proeminentes na área de investigação dos atores envolvidos na resposta imunológica, incluindo como nosso organismo combate novos vírus e patógenos e a resposta gerada por vacinação ou proteção induzida por infecção natural.
“O que observamos foi que a resposta é induzida por linfócitos [glóbulos brancos], e não a um antígeno específico, seja ele produzido pela vacinação [anticorpos anti-Spike] ou infecção do Sars-CoV-2”, explicou.
TRATAMENTO E INCIDÊNCIA
Como a miocardite foi tratada na maioria dos casos com recuperação total do indivíduo, os pesquisadores sugerem que ao menor sinal de dores no peito e palpitações as crianças e adolescentes sejam levados para acompanhamento médico. “O tratamento é o mesmo que para qualquer outra inflamação, mas é claro que precisamos pensar no uso de corticosteróides a longo prazo, então não recomendamos uso de anti-inflamatórios profiláticos para evitar o risco de miocardite”, disse a imunologista.
As autoras reforçam que há um risco mais elevado de miocardite ou pericardite como consequência da infecção pelo coronavírus e sequelas da Covid longa, mas isso não foi avaliado no estudo, que analisou apenas casos de miocardite em pacientes que não tiveram um quadro prévio de Covid.
Segundo dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) americano, entre 2.507.209 e adolescentes de 12 a 17 anos vacinados no país, foram identificados 54 casos de miocardite, demonstrando ser um evento muito raro da vacina. A incidência acumulada de miocardite na população adolescente masculina foi de 36 casos a cada 100 mil pessoas. Em relação à infecção por Sars-CoV-2, a incidência foi quase o dobro, de 65 casos por 100 mil pessoas.
A pesquisa pode ajudar agora identificar marcadores para a ocorrência desses efeitos colaterais, como por exemplo a alta concentração das interleucinas no sangue, mas não existem atualmente exames disponíveis que possam prever essa reação.
“Também não foi possível prever nenhum precursor de miocardite, isto é, alguma condição prévia que pudesse aumentar o risco de ter esse efeito. Até agora, podemos apenas especular que existe um fator genético do indivíduo que responde a essa inflamação de maneira exacerbada, mas ainda não conseguimos determinar o gatilho”, afirmou.
Como os casos são extremamente raros e não foram observados novos eventos com os reforços bivalentes, os pesquisadores acreditam que os próximos passos devem se concentrar em buscar meios de produzir testes diagnósticos específicos para captar rapidamente o problema e iniciar o tratamento o quanto antes.
“Felizmente, os participantes do nosso estudo se recuperaram, por isso não temos como avaliar os danos causados após a reação, mas identificar esses marcadores pode ajudar na detecção precoce de novos casos”, finalizou.


Justiça determina perda de mandato do vereador de Manaus Jaildo Oliveira e convocação de suplente do PT
Prefeito Renato Junior assina ordem de serviço do programa ‘Casa Manauara’ e beneficia famílias em vulnerabilidade social

Esposa e filhos de jogador argentino são encontrados mortos após terremotos na Venezuela
Trending
Destaque5 anos agoVereador alerta pais sobre aplicativo Gacha Life que expõe crianças a conteúdos impróprios
Destaque5 anos agoDo profano ao sagrado: Simone ministra louvor na igreja de Leonardo Sale
Destaque5 anos agoEx de Isadora Pompeo, Thiago Maia fala sobre suposta nova namorada
Destaque5 anos agoSaiba quem é Monique Medeiros, presa pela morte do próprio filho, o menino Henry; ao depor, ela fez selfie na delegacia
Destaque5 anos ago‘Manaus está preparada para enfrentar uma cheia de até 30 metros’, afirma prefeito David Almeida
Amazonas5 anos agoTubarões no Rio Amazonas são raros, mas existem; bióloga explica
Coronavírus5 anos agoO que se sabe sobre vacinação de crianças e adolescentes
Amazonas5 anos agoMedicina indígena indica chás e xaropes caseiros contra Covid-19
