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Bolsonaro na Rússia: como visita a Putin pode afetar relação com EUA

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*Bolsonaro e Biden nunca conversaram

Foto: Alan Santos/PR | Getty Images / BBC News Brasil

A decisão do presidente brasileiro Jair Bolsonaro de visitar Vladimir Putin, na Rússia, em meados de fevereiro, abriu um novo flanco de tensões na relação com o governo dos Estados Unidos. À BBC News Brasil, profissionais da diplomacia americana chamaram a decisão do mandatário brasileiro de “insana” e “sem sentido”.

Embora Brasil e Rússia componham o bloco de emergentes BRICS (junto com China, Índia e África do Sul) e mantenham relações comerciais e diplomáticas há tempos, a viagem de Bolsonaro ao país do Leste Europeu caiu mal para os americanos especialmente pelo momento em que ocorrerá.

EUA e Rússia protagonizam duro embate político internacional. De um lado, os russos estacionaram mais de cem mil soldados na fronteira com a Ucrânia e ameaçam invadir o país a qualquer momento se os americanos e seus aliados ocidentais não interromperem qualquer processo para a entrada da Ucrânia na OTAN, a aliança militar do Atlântico Norte.

De outro lado, os americanos abastecem o governo ucraniano com armas e já deslocaram mais de 3 mil soldados para bases da OTAN na Romênia e na Polônia. O risco é que a situação, que até agora gerou ásperas discussões na ONU e trocas de acusações de parte a parte, evolua para uma guerra na Europa.

É nesse contexto que Bolsonaro desembarcará em Moscou no dia 14 de fevereiro.

“É como assistir uma criança correndo na pista para tentar atravessar uma rodovia expressa e movimentada”, afirmou à BBC News Brasil um ex-alto diplomata americano, que já trabalhou no Brasil, a respeito da visita do presidente brasileiro à Rússia.

Na semana passada, oficiais do Departamento de Estado agiram para expressar claramente o descontentamento dos EUA com os planos brasileiros. Há dez dias, consultado pela BBC News Brasil, o departamento de Estado afirmou, por nota, que “o Brasil tem a responsabilidade de defender os princípios democráticos e proteger a ordem baseada em regras, e reforçar esta mensagem para a Rússia em todas as oportunidades”.

Putin e Bolsonaro já se encontraram anteriormente, em novembro de 2019

Putin e Bolsonaro já se encontraram anteriormente, em novembro de 2019

Foto: Marcos Corrêa/PR / BBC News Brasil

A portas fechadas, diplomatas americanos disseram aos brasileiros que a viagem de Bolsonaro à Rússia passaria ao mundo uma mensagem de que o Brasil endossa as atitudes de Putin em relação à Ucrânia e de que o governo brasileiro é indiferente a ameaças de invasão de territórios alheios por potências.

O Brasil é atualmente um aliado militar extra-OTAN dos Estados Unidos, status garantido ao país ainda na gestão do republicano Donald Trump. No ano passado, já no governo do democrata Joe Biden, os americanos afirmaram endossar que o Brasil se tornasse um parceiro global da Aliança Militar do Atlântico, o que aumentaria ainda mais acesso às Forças Armadas brasileiras a armamentos e treinamentos.

“Não é possível que o Brasil ignore o significado simbólico dessa viagem. Esse não é o momento de discutir relações bilaterais com a Rússia, enquanto eles ameaçam invadir seu vizinho. Claro que os Estados Unidos não estão felizes com o plano, assim como os europeus também não estão, porque sugere uma falta de respeito em relação às regras do jogo internacional, que historicamente o Brasil costumava defender”, afirmou à BBC News Brasil o ex-embaixador americano no Brasil Melvyn Levitsky, atualmente professor de relações internacionais da Universidade de Michigan.

‘Por que seu presidente não fala com o meu?’

O Itamaraty tem respondido aos americanos que a viagem estava pendente há mais de um ano – embora o convite de Putin tenha sido formalizado apenas em dezembro -, e que tratará estritamente de temas bilaterais.

A Rússia não está nem entre os dez maiores parceiros comerciais do Brasil, mas vende ao país fertilizantes necessários para a agricultura brasileira. Não há, no entanto, expectativa de que a visita possa resultar em algum acordo comercial formal entre os dois países.

A viagem ao leste europeu também contará com uma parada de Bolsonaro na Hungria, excluída por Biden do encontro pela democracia organizado pelos EUA em dezembro, já que Washington vê o governo conservador e direitista de Viktor Orban como distanciado dos princípios democráticos.

Orban é hoje um dos principais aliados internacionais de Bolsonaro. A entusiastas que o questionaram na frente do Palácio da Alvorada, o presidente brasileiro também elogiou as credenciais políticas de Putin: “Ele [Putin] é conservador sim. Eu vou estar mês que vem lá, atrás de melhores entendimentos, relações comerciais. O mundo todo é simpático com a gente”.

Analistas internacionais afirmam que a viagem à Rússia tem importância política doméstica para Bolsonaro, que quer mostrar aos eleitores brasileiros que não está isolado no mundo, como afirmam seus críticos. “Com a saída de Trump da Casa Branca, Bolsonaro perdeu seu principal aliado e tenta com a visita a Putin um realinhamento ideológico internacional. É claro que isso vai irritar ainda mais os EUA”, afirma Carlos Gustavo Poggio, professor de relações internacionais da FAAP.

Há pouco mais de um ano, a relação entre brasileiros e americanos sofreu um forte abalo, depois que o republicano Donald Trump, considerado o maior aliado global do atual mandatário brasileiro, perdeu as eleições e acusou de fraude eleitoral seu opositor Joe Biden, sem provas. Bolsonaro endossou tais alegações de Trump e demorou semanas para parabenizar o novo presidente dos EUA, que, em troca, se recusa a conversar diretamente com o colega brasileiro desde que chegou à Casa Branca.

De lá pra cá, o Brasil tem sido pressionado pelos americanos a mudar sua postura em relação à questão do meio ambiente, já que combater o aquecimento global é uma prioridade da gestão Biden. Por outro lado, os EUA mantiveram o apoio para que o Brasil entrasse na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a OCDE, uma prioridade para o governo Bolsonaro.

Um embaixador que acompanhou as discussões com os americanos sobre a viagem à Rússia afirmou que para o Brasil não há vantagens de se alinhar nesse momento com os americanos e cancelar a viagem. “Se eles acham que somos tão importantes, porque então o Biden não fala com nosso presidente?”, teria sido uma das respostas da diplomacia brasileira.

Apesar da retórica, no entanto, na segunda-feira passada (31/1), o Brasil acompanhou os Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU ao concordar que a questão Ucrânia deveria ser tratada no colegiado – contra a vontade dos russos.

No voto do país, no entanto, o embaixador brasileiro Ronaldo Costa fez questão de pontuar que o Brasil não endossa nem os exercícios militares russos nem as ameaças de sanções econômicas unilaterais dos americanos. E que manterá sua independência e defesa de saídas diplomáticas e multilaterais.

“Visitas bilaterais são normais, não implicam na violação de nenhuma regra internacional. Com o voto na ONU, o Brasil tentou deixar claro que a viagem à Rússia não deve ser tomada como a expressão de uma posição pró-Rússia. A questão está na oportunidade: os americanos estão fazendo um esforço para conter os ímpetos russos por meio de alianças, e queriam contar com o Brasil nesse bloco”, avalia o embaixador brasileiro Sérgio Amaral, que já comandou a embaixada em Washington.

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Foto: BBC News Brasil

A preocupação dos americanos com a questão Rússia/Ucrânia tem dominado a agenda internacional do país. E não só porque ela pode detonar uma guerra na Europa, mas porque os Estados Unidos enxergam no desafio russo uma contestação à atual ordem internacional.

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“Estamos vivendo um processo de demarcação de linhas e territórios de influência pelas potências, que estão reavaliando as suas posições geopolíticas. E isso vai criando novas áreas de instabilidade. Os EUA vão tentando manter sua hegemonia e as regras do jogo do pós segunda guerra, que veta invasões e tomadas de território, enquanto a Rússia se vê prejudicada pela expansão da OTAN. Dos 30 membros da aliança militar hoje, 14 são ex-repúblicas ou países de influência russa”, nota Amaral. Nesse xadrez global, estaria também a tensão entre China e Taiwan.

O grau de importância e de tensão do assunto transpareceu em um episódio entre os governos brasileiro e americano. Em meados de janeiro, depois de uma conversa com o chanceler Carlos França, o secretário de Estado americano Antony Blinken divulgou uma nota em que dizia que os dois países tinham “prioridades compartilhadas, incluindo a necessidade de uma resposta forte e unida contra novas agressões russas à Ucrânia”. O Itamaraty considerou que os americanos cruzaram uma linha com a afirmação, que não refletia o posicionamento brasileiro. O órgão veio a público com um “esclarecimento”, no qual defendia solução diplomática e pacífica e mostrava não se alinhar a nenhum dos lados.

Uma sombra na relação

Para Melvyn Levitsky, a viagem de Bolsonaro à Rússia “lançará mais uma sombra sobre a relação Brasil-EUA”. “Não acredito que haverá uma resposta imediata (dos americanos), mas a relação vai piorar, certamente, e Bolsonaro terá que responder – se (Brasil) se posicionou como um aliado militar extra-OTAN deveria se posicionar diante de Putin”, diz o ex-embaixador no Brasil. Bolsonaro já afirmou em entrevista à rede Record que não mencionará o assunto Ucrânia na visita a Putin.

Na última quinta (3/2), o secretário assistente de Estado para o Hemisfério Ocidental Brian Nichols afirmou em sessão no Congresso dos EUA que, “até onde sei”, não há planos para revogar o status de aliado militar extra-OTAN do Brasil.

Mas diplomatas ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que, a depender do que acontecer na viagem e caso Bolsonaro se reeleja em outubro, essa é uma possibilidade.

Segundo os americanos, a visita recente do presidente argentino Alberto Fernandéz a Putin também provocou descontentamento em Washington. Os diplomatas dos EUA afirmam que o convite russo para os mandatários de Brasil e Argentina são uma forma de mostrar aos americanos que ele também pode exercer poder na zona de influência americana por excelência e que não está tão isolado como o Ocidente gostaria.

Como Fernandez e Biden têm boa relação, os argentinos estariam agora, segundo fontes americanas, se esforçando para reverter o mal-estar. Isso não seria verdade no caso brasileiro. Para os americanos, pode custar caro.

“Bolsonaro pode até achar agora que ele não tem muitos amigos no governo americano ou na Europa Ocidental. Mas se seguir em frente com esse tipo de atitude, aí sim ele vai ver o que é ser barrado no baile”, diz um ex-alto diplomata dos EUA.

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Prefeito Renato Junior conclui entrega das chaves às 576 famílias contempladas com as moradias dos residenciais Morar Melhor

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O prefeito de Manaus, Renato Junior, realizou, na manhã desta quinta-feira, 28/5, a entrega de 384 chaves aos novos moradores dos residenciais Morar Melhor 13 e 14, no Parque das Tribos, no bairro Tarumã-Açu, zona Oeste, concluindo a entrega das chaves para os 576 moradores do empreendimento construído em parceria com o governo federal. As outras 192 chaves do residencial Morar Melhor 15 foram entregues aos contemplados na última terça-feira, 26/5, logo após a cerimônia oficial de inauguração conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, mais de 2 mil pessoas poderão ter um recomeço de vida com moradia digna e a cidadania resgatada.

A ação desta quinta-feira foi realizada na escola municipal Professor Paulo Graça, localizada no bairro Parque das Laranjeiras, zona Centro-Sul. Sob a liderança do prefeito e executada por meio da Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Semhaf), em coordenação com a Caixa Econômica Federal, as famílias também assinaram os contratos de serviços de água e energia elétrica, garantindo o cadastro imediato na tarifa social. Com a organização das vistorias e contratos concluídos, os beneficiários já começam a se mudar na próxima semana, período em que a Prefeitura de Manaus realizará a entrega oficial das mobílias dos apartamentos.

Para o prefeito Renato Junior, que se emocionou durante o evento, o momento representa a devolução do respeito e da dignidade aos cidadãos manauaras que mais precisam.

“Hoje é um dia muito importante e eu estou profundamente feliz como prefeito de Manaus. Estamos devolvendo a dignidade para essas famílias que antes viviam em situação de humilhação, muitas em ruas, em áreas de calamidades, abrigos, vindas da praça dos Remédios, no Centro, ou pagando aluguéis caros de 600, 900 reais que comprometiam a renda. Ver a emoção e as lágrimas dessas pessoas nos motiva. As famílias já podem se preparar, pois na próxima semana vamos entregar as mobílias dessas casas. É mais do que moradia, é respeito, e já estamos construindo mais 576 novas habitações na zona Oeste para seguir mudando vidas”, declarou o prefeito.

 – Prefeito Renato Junior entregando chave para contemplado

O secretário da Semhaf, Júnior Nunes, destacou que o papel do município se estenderá no suporte contínuo à comunidade, auxiliando na transição e no desenvolvimento social dos moradores dentro do novo condomínio.

“Hoje encerramos essa etapa burocrática e de entrega das chaves, mas o trabalho continua. Assinados os contratos com a Caixa e com as concessionárias de água e energia, as pessoas já recebem a chave e se preparam para a mudança na semana que vem, junto com a chegada dos móveis. Após essa mudança, a Semhaf dará início ao trabalho social de pós-ocupação, que vai durar um ano. Vamos oferecer palestras, oficinas e cursos voltados ao empreendedorismo, mercado de trabalho e convivência em condomínio, garantindo total suporte a essa nova fase”, informou.

Histórias de superação e recomeço

A emoção tomou conta dos moradores que receberam as chaves do imóvel que há anos sonhavam e que, a partir de agora, deixam o passado de instabilidade para trás. Para muitas mães de família, a entrega foi a coroação de anos de espera.

 – Prefeito Renato Junior e moradora contemplada

“Isso aqui é um sonho para qualquer mãe. São mais de 15 anos de luta para quem já morou na rua, em invasão, ocupação e abrigo. Essas são as chaves da vitória, tudo pela honra e glória do Senhor. Eu lutei muito, botando o joelho no chão e pedindo a Deus, e hoje a vitória chegou”, celebrou, bastante emocionada, a moradora Márcia Jorge.

Quem também compartilhou o sentimento de vitória foi Celinalva Rocha, que aguardava a oportunidade há anos. “O sentimento é de gratidão, primeiramente a Deus e depois à prefeitura por nos abrir essa porta e nos dar uma moradia digna. Eu nem acreditei quando me ligaram, achei que era trote, porque faz muito tempo que fiz essa inscrição”, relatou.

A moradora Luciana Munduruku relembra as dificuldades enfrentadas antes de conquistar o teto próprio. “A felicidade é de todas as mulheres e pais que estão aqui. Eu não estava conseguindo dormir de tanta felicidade. Eu já cheguei a dormir no chão, em cima de um plástico de colchão com meus filhos para nos defender da chuva. Pensar que hoje posso colocá-los em uma moradia digna é a maior felicidade do mundo”, comemorou.

O residencial Morar Melhor integra as ações de habitação de interesse social na capital amazonense. Com a consolidação desta etapa e a iminente mudança das famílias com mobília garantida, a Prefeitura de Manaus avança no planejamento para reduzir o déficit habitacional e expandir o atendimento para outras regiões administrativas da cidade.

Prorrogação das inscrições

Como parte da política contínua de habitação do município, a Prefeitura de Manaus, por meio da Semhaf, prorrogou as inscrições para o programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” até o dia 30 de junho. O número de cadastrados já ultrapassa a marca de 300 mil inscritos. O processo para a Faixa 1, voltada a famílias com renda mensal de até R$ 3,2 mil, deve ser feito exclusivamente pelo site oficial (simhab.manaus.am.gov.br).

Para quem necessitar de suporte ou preferir o atendimento presencial, as equipes estão prestando assistência diretamente na sede da Semhaf, localizada na zona Oeste da capital.

 – Moradores sendo atendidos

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Prefeito Renato Junior e presidente Lula entregam 576 moradias semimobiliadas do residencial Morar Melhor no Parque das Tribos e beneficiam mais de 2 mil pessoas

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Em uma cerimônia marcada por forte emoção, o prefeito de Manaus, Renato Junior, juntamente com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, entregaram, nesta terça-feira, 26/5, as chaves de 576 unidades habitacionais semimobiliadas do residencial Morar Melhor. Localizado na comunidade Parque das Tribos, bairro Tarumã-Açu, zona Oeste da capital amazonense, o empreendimento integra o programa federal “Minha Casa, Minha Vida”.

O complexo, fiscalizado pela Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Semhaf), teve as obras concluídas em 30 de março de 2026. Dividido em três módulos (Morar Melhor 13, 14 e 15), o residencial recebeu investimento de R$ 92,16 milhões do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), beneficiando diretamente mais de 2.000 pessoas que antes viviam em situação de vulnerabilidade, em áreas de risco ou pagando aluguel.

Cada apartamento possui 49,81 metros quadrados de área privativa, dois quartos, sala, cozinha, banheiro e varanda. A estrutura do condomínio oferece três bibliotecas, duas churrasqueiras, centro comunitário, três espaços comerciais e quadra poliesportiva, além de infraestrutura completa de água, esgoto, iluminação, pavimentação e drenagem.

Durante o evento, o prefeito Renato Junior agradeceu o apoio do governo federal e destacou a união de esforços para transformar a realidade habitacional de Manaus. Ele reforçou o compromisso de expandir o alcance dos projetos de moradia na capital amazonense.

“Gostaria de agradecer, em nome do povo de Manaus, o suporte do governo federal por intermédio da habitação. Aqui, 576 famílias terão sua vida ressignificada. Aquilo que era um sonho, uma moradia, agora se torna realidade a partir de uma parceria institucional. A Prefeitura de Manaus humildemente se coloca à disposição para construir não somente mais 576, mas que nós possamos construir mais mil, mais duas mil, mais três mil habitações. Conte com a parceria da prefeitura, quando o assunto for mudar a vida do nosso povo”, afirmou o chefe do Executivo municipal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que o acesso à moradia digna é um direito constitucional fundamental e celebrou a superação de carências básicas de infraestrutura que ainda afetam muitas famílias brasileiras. Ele também parabenizou a gestão municipal por entregar os apartamentos semimobiliados.

“Tem gente que nunca tinha tomado banho no chuveiro, usado uma pia ou lavado um prato em uma torneira. Isso é desumano em um país que tem todo o potencial de fazer casa para todo mundo. Está na Constituição Brasileira que casa é um direito de todo e qualquer cidadão, e nós temos apenas que cumprir a Constituição. Quero agradecer ao prefeito pela colaboração exitosa de mobiliar a casa de vocês. O que está acontecendo aqui é um exemplo”, disse o presidente.

 – Descerramento da placa de inauguração

Unidades semimobiliadas

Como diferencial da gestão municipal, considerado um exemplo pelo presidente da República, cada unidade foi entregue semimobiliada pela Prefeitura de Manaus, equipada com geladeira, fogão, televisão de 32 polegadas, cama box com colchão, roupeiro e ventilador.

“Isso é inédito. Vamos entregar geladeira, fogão, guarda-roupa, cama box e TV para cada uma dessas 576 famílias. Muitas delas não têm esses eletrodomésticos ou estão com os utensílios deteriorados. São pessoas que vêm de alagamentos, das ruas, de enchentes ou de desabamentos. Elas precisam de uma mudança de vida e buscamos dar esse conforto”, destacou o secretário da Semhaf, Junior Nunes.

Nunes também reforçou que o cadastramento para novos projetos segue aberto pelo Sistema Municipal de Habitação (Simhab) até o dia 29. “São mais de 300 mil inscritos. Não deixem de ter esperança e de acreditar na casa própria, porque estamos trabalhando para fazer novas entregas”, pontuou.

 – Unidade habitacional

Acompanhamento dos moradores

A atuação da Prefeitura de Manaus não será encerrada com a entrega das chaves. Após a instalação das famílias, a Semhaf realizará um trabalho contínuo de pós-ocupação e acompanhamento técnico-social com as famílias. “Estaremos no mínimo um ano aqui dentro com cursos, palestras e oficinas. Vamos caminhar lado a lado, pegando na mão dessas famílias e ajudando-as a construir um futuro melhor”, garantiu o secretário Junior Nunes.

Durante esse tempo, equipes da secretaria darão suporte na transição, orientando os moradores sobre as regras de convivência em condomínio, auxiliando na eleição de síndicos e oferecendo instruções fundamentais para a gestão do espaço coletivo.

Recomeço aguardado

Após deixar sua antiga casa devido a um deslizamento de terra e passar a viver de aluguel, Raimunda Maia celebrou a conquista da casa própria após quase uma década de espera. “Há quase oito anos eu estava lutando por esse benefício e, hoje, alcancei essa bênção. Eu morava em uma área de risco, mas, após um deslizamento, passei a viver de aluguel. Olhar para o meu prédio traz uma felicidade muito grande. Sei que muita gente precisa e se pergunta por que ainda não foi contemplada, mas, com fé em Deus, todos vão conseguir, assim como eu consegui”, celebrou.

Lisângela Martins, que perdeu a moradia em uma fatalidade na comunidade Redenção e precisou se abrigar em uma área de ocupação com o marido e os filhos, destacou o fim da rotina de insegurança. “Nós não tínhamos nada, morávamos de aluguel e, após uma fatalidade na Redenção, fomos para uma ocupação. Morar de aluguel e saber que aquilo nunca vai ser seu é muito difícil. Chegamos a morar na beira de um igarapé. Quando alagava, os ratos entravam em casa e tomávamos banho com água da chuva por falta de água encanada. Hoje, ter a minha casa própria e mobiliada é um sonho que virou realidade. É um recomeço. Nossa casa está chique, tem até varanda. Agora é só comemorar”, relatou.

Investimentos no Parque das Tribos

A entrega das 576 moradias coroa um ciclo de cinco anos de investimentos da Prefeitura de Manaus na infraestrutura e nos serviços públicos da comunidade Parque das Tribos. Ao longo desse período, o entorno do residencial recebeu uma série de intervenções estruturais e sociais que transformaram a realidade local.

Entre as principais realizações na comunidade, destacam-se a abertura da escola municipal Santa Rosa 2, a maior escola indígena de Manaus e um marco para a preservação cultural das etnias locais, e a inauguração da Unidade de Saúde da Família (USF) Parque das Tribos, uma estrutura de grande porte (porte 4) equipada com o programa Farmácia Viva. A segurança alimentar também foi reforçada com a entrega do restaurante Prato do Povo, criando uma rede de suporte direto à população.

Na área de saneamento e infraestrutura viária, a gestão municipal implantou um novo reservatório de água tratada, em parceria com a concessionária responsável pelo serviço na cidade, além de executar obras complexas de contenção de erosão na rua Siusi, pavimentação asfáltica na rua Rio Purus e implantação de uma nova rede de drenagem profunda na rua 31.

Seleção transparente

O processo de cadastramento e pré-seleção das famílias foi conduzido pela Semhaf, por meio do Simhab. A seleção seguiu os critérios do governo federal, com validação final realizada pela Caixa Econômica Federal, priorizando o atendimento a famílias da Faixa 1 (renda mensal de até R$ 3,2 mil).

Com esta entrega, Manaus consolida sua posição como uma das capitais mais beneficiadas pela política habitacional do país, somando investimentos que já superam a marca de R$ 1 bilhão.

 – Residencial Morar Melhor no Parque das Tribos

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Prefeito Renato Junior fiscaliza obras da nova USF de Flores que será referência para mais de 66 mil famílias

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O prefeito de Manaus, Renato Junior, fiscalizou as obras de construção da nova Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro Flores, localizada estrategicamente entre as ruas Barão de Indaiá e Inhaúma, na zona Centro-Sul da capital. O projeto, que faz parte do plano de expansão e modernização da rede de Atenção Primária, avançou significativamente e já superou a etapa das fundações profundas, entrando em fase acelerada de superestrutura e alvenaria.

 

A nova unidade foi planejada para ampliar de forma expressiva a capacidade de atendimento na região, tornando-se referência assistencial para mais de 66 mil famílias. O novo prédio passará a abrigar os serviços que hoje são oferecidos na Unidade Básica de Saúde (UBS) Nilton Lins, tendo uma área física um terço maior que o espaço atual, além de um modelo arquitetônico moderno, totalmente climatizado e adequado às normas de acessibilidade.

 

Durante a vistoria, o prefeito Renato Junior destacou a importância de entregar um equipamento público de saúde com excelência e reforçou o ganho significativo na cobertura de assistência primária em saúde na região.

 

“Vale ressaltar que essa UBS é um terço maior que a outra que tinha quase 800 metros, essa aqui vai ter 1.260 metros. Aqui teremos 57 ambientes e 12 consultórios, sendo oito para enfermagem e médicos e quatro odontológicos, que não tinha na outra. Com isso, a gente vai garantir uma qualidade de atendimento muito melhor e uma ampla cobertura, porque só nessa área tem 66 mil famílias”, garantiu o prefeito.

 

A previsão é que a nova USF de Flores seja entregue nos primeiros meses de 2027. “Essa é uma obra que já avançou 35% do seu cronograma. Acredito que já no começo do próximo ano, entre janeiro e fevereiro, a gente já deve estar entregando essa USF totalmente equipada para a população”, acrescentou o prefeito Renato Junior.

 

A nova unidade está sendo erguida sob o modelo de Porte 4, a maior categoria de atenção básica do município, projetada para suportar um alto fluxo diário com equipes multidisciplinares completas de Estratégia Saúde da Família. Com o término da fase subterrânea de concretagem da base e dos baldrames, o canteiro opera agora no levantamento das paredes e na preparação das lajes.

 

Quando inaugurado, o complexo oferecerá consultórios médicos, de enfermagem e odontológicos de última geração. Dos 12 novos consultórios, oito serão destinados exclusivamente aos atendimentos médicos e de enfermagem, e quatro serão voltados ao atendimento odontológico, serviço que passará a ser oferecido à comunidade.

 

 

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