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Religiosos ajudam mulheres em rodeio: ‘Muitas são dopadas por amigos’
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4 anos agoon

“Desculpe não atender antes, mas estava ajudando uma vítima de violência“, justifica a missionária Lilian Santos, 35 anos, a Universa, após adiar a entrevista mais de uma vez. Ela faz parte da Jocum Brasil (Jovens Com Uma Missão), ONG formada por grupo religioso que, entre outras frentes de trabalho resgata mulheres alcoolizadas e passíveis de abusos em festas como a do Peão de Barretos (SP), tradicional evento que acontece no interior desde 1956. Em 2019, atraiu um público de 800 mil pessoas em 11 dias de festa.
“A bebida no local costuma ser cara e muitas meninas já chegam sem conseguir se sustentar. Os amigos, para não perderem a noite cuidando delas, as colocam deitadas em um canto, e nisso elas acabam sendo abusadas. Então, vamos resgatá-las”, descreve a moradora de Uberlândia (MG).
No fim de novembro último, a estudante universitária e influenciadora digital Franciane Andrade, de 23 anos, contou por meio de uma série de stories em seu Instagram que descobriu ter sido dopada e estuprada no rodeio de Jaguariúna (SP).

Em seus depoimentos na rede, ela relatou ter sentindo dores, e se deu conta do crime ao procurar um médico. “Acabei de correr atrás de B.O., fui no IML [Instituto Médico Legal] em Mogi Guaçu [cidade em que reside], fiz um exame, a polícia constatou que houve estupro e não sabe me dizer se foi um, dois ou três [homens]“, relatou.
De acordo com o registro policial ao qual Universa teve acesso, ela disse que estava bebendo na festa com seus amigos e que, depois de certo momento, não se lembra de mais nada. Recorda-se, apenas, de ter acordado no meio da madrugada em uma rotatória, nas proximidades do local onde o evento era realizado.
Após publicação deste caso, uma leitora chamou atenção para o trabalho da Jocum, voltado também para evitar esse tipo de situação: “Eles passam a noite inteira pegando mulheres em estado vulnerável, abrigando e cuidando até que estejam sóbrias o suficiente para serem levadas para casa. Com isso evitamos milhares de estupros”, relata a leitora.
Fomos atrás para conhecer o trabalho do grupo.
Ideia nasceu na América Central e reúne 18 mil pelo mundo
A Jocum surgiu na década de 1960 após o estudante americano Loren Cunningham passar um tempo em oração durante viagem nas Bahamas com um grupo evangélico. O movimento chegou ao Brasil na década seguinte, em 1975, e hoje, de acordo com o site da instituição, há 66 escritórios e centros de treinamento missionário no país. Pelo mundo, são 18 mil voluntários, sendo 1,5 mil brasileiros.
Entre as atividades dos voluntários está o de acolher crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade em casas mantidas pela entidade, combate ao tráfico de pessoas, tratamento a dependentes químicos e abrigo a mulheres vítimas de violência. No meio de suas ações, os cristãos aproveitam para pregar a sua fé.
Foi o que aconteceu há cerca de 25 anos, quando quatro missionários escolheram a Festa do Peão de Barretos para evangelização. Enquanto ajudavam a organizar a entrada do público, por exemplo, indicando os locais de atendimento, falavam sobre Deus e a Bíblia para quem ali chegasse.
O número de religiosos foi crescendo a cada ano e, hoje, cerca de 300 pessoas participam das edições anuais, dentro do projeto chamado Promoção Humana. Eles permanecem em uma área de camping oferecida pelo evento, e a organização fornece alimentação. O grupo, então, se divide por área. Lilian atuava com resgate de mulheres nas madrugadas.
“Quando dava uma hora da manhã, a gente sabia que encontraria meninas alcoolizadas e dopadas, muitas vezes pelos próprios amigos. Levávamos para o posto de saúde e comunicávamos à polícia. Depois, seguíamos para o nosso acampamento. Esperávamos elas se recuperarem para entrar em contato com a família. Algumas acordam sem saber onde estão”, descreve Lilian.
Em uma das páginas da ONG, uma seguidora relata que passou por situação parecida. Ela escreveu em um post: “Durante o trabalho, uma missionária precisou ir ao banheiro. Enquanto esperava na fila, um outro missionário notou uma menina muito bêbada, sentada no banco. Levaram a menina no pronto atendimento para tomar soro e, depois, para o nosso camping devido à falta de enfermaria. Essa menina estava sozinha em uma situação extremamente vulnerável. Coisas terríveis poderiam ter acontecido, mas Deus manifestou seu grande amor ao enviar seus filhos para cuidar dela.”
Segundo a missionária Lilian, que deixou a profissão de instrumentadora cirúrgica para atuar exclusivamente na Jocum, não há tentativa de conversão religiosa nesse trabalho:
“Entendemos que o resgate já é uma evangelização. Em muitos momentos não há necessidade de falar algo. O evangelho está nas atitudes.”
O coordenador do Projeto de Promoção Humana é o missionário Thiago Oliveira Carvalho, de 40 anos, vice-diretor da equipe Jocum de Maringá (PR). Ele garante que o compromisso do grupo é prestar serviços, sem fazer uso de doutrina específica. O Jocum também atua em outros eventos grandes como o Rock in Rio e em Carnavais.
Vemos situações de casais se agredindo, e chamamos a segurança. Já fizemos vaquinha para meninas que são deixadas para trás por amigos conseguirem ir embora. Orientamos também a denunciar alguma situação de violência. Tem posto da polícia civil, mas a maioria não quer se expor, muitas vezes porque a família nem sabe que ela está ali.
Thiago Oliveira Carvalho, missionário
“E se o indivíduo der abertura e houver entendimento de que não estamos sendo invasivos, conversamos sobre a palavra de Deus”, complementa Thiago.
Grupo é ligado a Damares e já foi acusado de sequestro de indígenas
Apesar do trabalho voltado à promoção humana, o Jocum já foi denunciado ao MPF (Ministério Público Federal) por retirar crianças suruwahás de seu território durante atuação dos missionários Márcia e Edson Suzuki, em 2006. O povo indígena que vive na região sul do Amazonas tem poucos laços com a sociedade e soma cerca de 200 integrantes. Em sua cultura, o suicídio é comum, e sob esse argumento os evangélicos dizem atuar ali para impedir as mortes.
O casal Márcia Edson se aproximou dos suruwahás pela primeira vez em 1985 para estudar sua língua. Em 1997, segundo um documento da Funai (Fundação Nacional do Índio), a dupla passou a realizar “de modo aberto uma nova fase de doutrinação religiosa de tipo fundamentalista” na comunidade. Por isso, em dezembro de 2005 foi firmado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) entre MPF (Ministério Público Federal), Funai, Funasa (Fundação Nacional de Saúde) e Jocum para que os missionários abandonassem o local.
Em 2006, porém, eles foram contratados pela Funasa para atuar como intérpretes no atendimento a uma criança diagnosticada com retardo de crescimento e de desenvolvimento neuropsicomotor. E teria retirado dali a menina Iganani, com sua mãe, Muwaji. No ano seguinte, o casal voltou ao território e levou outra criança, Inikiru, de 9 anos, e um filho de Muwaji, na época com 12.
Muwaji e Inikiru se tornaram missionárias na Jocum, e em 2020 participaram de uma expedição junto aos ministérios da Saúde e da Mulher, Família e Direitos Humanos para sanar uma “crise de saúde mental” que estaria por trás de suicídios entre os indígenas suruwahá. Elas atuaram como intérpretes.
Pastora evangélica, a ministra Damares já atuou pela Jocum com crianças indígenas e depois fundou a organização Atini, em 2006. O objetivo da instituição seria impedir a prática do infanticídio indígena.
“Todo trabalho é feito com doações”
Apesar da proximidade com Damares Alves, os integrantes garantem que todo o trabalho dos missionários é realizado por meio de doações. Lilian, por exemplo, aponta ter parceiros que enviam valores mensais para manter a família e otrabalho. Igrejas também auxiliam. Quando não está atuando em Barretos, ela dá aconselhamento a mulheres vítimas de relacionamento abusivo e em processo de divórcio.
“Infelizmente, algumas denominações são muito fechadas para esse tema, e existe preconceito com a mulher divorciada e que sofreu com qualquer tipo de violência. Eu passei por um relacionamento abusivo, sou divorciada, fui julgada, mas quem me ajudou foi um pastor. Foquei meu trabalho nisso”, conta ela, que é mãe de duas crianças, de 7 e 6 anos.
Thiago endossa:
“Todo pessoal da Jocum é voluntário, e cada um é responsável pelo seu próprio sustento. Não temos relação com governo. Eu trabalhei ajudando vítimas de terremoto no Haiti e levantei recursos com bazar e doações.”
Uma consulta no Portal da Transparência, porém, aponta que em 2018 um braço da Jocum no Acre recebeu R$ 150 mil do Fundo Nacional Antidroga, do Ministério da Justiça. O grupo mantém uma Casa Resgate na capital Rio Branco, que cuida de adolescentes envolvidos com drogas. Na época, os missionários mantinham um convênio com a Sesacre (Secretaria de Saúde). Segundo o portal do governo, foi um único depósito realizado.
*Mulheres oram umas pelas outras em festa de Barretos. Imagem: Reprodução/Facebook
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Destaque
Prefeito Renato Junior conclui entrega das chaves às 576 famílias contempladas com as moradias dos residenciais Morar Melhor
Published
2 dias agoon
30 de maio de 2026
O prefeito de Manaus, Renato Junior, realizou, na manhã desta quinta-feira, 28/5, a entrega de 384 chaves aos novos moradores dos residenciais Morar Melhor 13 e 14, no Parque das Tribos, no bairro Tarumã-Açu, zona Oeste, concluindo a entrega das chaves para os 576 moradores do empreendimento construído em parceria com o governo federal. As outras 192 chaves do residencial Morar Melhor 15 foram entregues aos contemplados na última terça-feira, 26/5, logo após a cerimônia oficial de inauguração conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, mais de 2 mil pessoas poderão ter um recomeço de vida com moradia digna e a cidadania resgatada.
A ação desta quinta-feira foi realizada na escola municipal Professor Paulo Graça, localizada no bairro Parque das Laranjeiras, zona Centro-Sul. Sob a liderança do prefeito e executada por meio da Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Semhaf), em coordenação com a Caixa Econômica Federal, as famílias também assinaram os contratos de serviços de água e energia elétrica, garantindo o cadastro imediato na tarifa social. Com a organização das vistorias e contratos concluídos, os beneficiários já começam a se mudar na próxima semana, período em que a Prefeitura de Manaus realizará a entrega oficial das mobílias dos apartamentos.
Para o prefeito Renato Junior, que se emocionou durante o evento, o momento representa a devolução do respeito e da dignidade aos cidadãos manauaras que mais precisam.
“Hoje é um dia muito importante e eu estou profundamente feliz como prefeito de Manaus. Estamos devolvendo a dignidade para essas famílias que antes viviam em situação de humilhação, muitas em ruas, em áreas de calamidades, abrigos, vindas da praça dos Remédios, no Centro, ou pagando aluguéis caros de 600, 900 reais que comprometiam a renda. Ver a emoção e as lágrimas dessas pessoas nos motiva. As famílias já podem se preparar, pois na próxima semana vamos entregar as mobílias dessas casas. É mais do que moradia, é respeito, e já estamos construindo mais 576 novas habitações na zona Oeste para seguir mudando vidas”, declarou o prefeito.

O secretário da Semhaf, Júnior Nunes, destacou que o papel do município se estenderá no suporte contínuo à comunidade, auxiliando na transição e no desenvolvimento social dos moradores dentro do novo condomínio.
“Hoje encerramos essa etapa burocrática e de entrega das chaves, mas o trabalho continua. Assinados os contratos com a Caixa e com as concessionárias de água e energia, as pessoas já recebem a chave e se preparam para a mudança na semana que vem, junto com a chegada dos móveis. Após essa mudança, a Semhaf dará início ao trabalho social de pós-ocupação, que vai durar um ano. Vamos oferecer palestras, oficinas e cursos voltados ao empreendedorismo, mercado de trabalho e convivência em condomínio, garantindo total suporte a essa nova fase”, informou.
Histórias de superação e recomeço
A emoção tomou conta dos moradores que receberam as chaves do imóvel que há anos sonhavam e que, a partir de agora, deixam o passado de instabilidade para trás. Para muitas mães de família, a entrega foi a coroação de anos de espera.

“Isso aqui é um sonho para qualquer mãe. São mais de 15 anos de luta para quem já morou na rua, em invasão, ocupação e abrigo. Essas são as chaves da vitória, tudo pela honra e glória do Senhor. Eu lutei muito, botando o joelho no chão e pedindo a Deus, e hoje a vitória chegou”, celebrou, bastante emocionada, a moradora Márcia Jorge.
Quem também compartilhou o sentimento de vitória foi Celinalva Rocha, que aguardava a oportunidade há anos. “O sentimento é de gratidão, primeiramente a Deus e depois à prefeitura por nos abrir essa porta e nos dar uma moradia digna. Eu nem acreditei quando me ligaram, achei que era trote, porque faz muito tempo que fiz essa inscrição”, relatou.
A moradora Luciana Munduruku relembra as dificuldades enfrentadas antes de conquistar o teto próprio. “A felicidade é de todas as mulheres e pais que estão aqui. Eu não estava conseguindo dormir de tanta felicidade. Eu já cheguei a dormir no chão, em cima de um plástico de colchão com meus filhos para nos defender da chuva. Pensar que hoje posso colocá-los em uma moradia digna é a maior felicidade do mundo”, comemorou.
O residencial Morar Melhor integra as ações de habitação de interesse social na capital amazonense. Com a consolidação desta etapa e a iminente mudança das famílias com mobília garantida, a Prefeitura de Manaus avança no planejamento para reduzir o déficit habitacional e expandir o atendimento para outras regiões administrativas da cidade.
Prorrogação das inscrições
Como parte da política contínua de habitação do município, a Prefeitura de Manaus, por meio da Semhaf, prorrogou as inscrições para o programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” até o dia 30 de junho. O número de cadastrados já ultrapassa a marca de 300 mil inscritos. O processo para a Faixa 1, voltada a famílias com renda mensal de até R$ 3,2 mil, deve ser feito exclusivamente pelo site oficial (simhab.manaus.am.gov.br).
Para quem necessitar de suporte ou preferir o atendimento presencial, as equipes estão prestando assistência diretamente na sede da Semhaf, localizada na zona Oeste da capital.

Destaque
Prefeito Renato Junior e presidente Lula entregam 576 moradias semimobiliadas do residencial Morar Melhor no Parque das Tribos e beneficiam mais de 2 mil pessoas
Published
5 dias agoon
27 de maio de 2026
Em uma cerimônia marcada por forte emoção, o prefeito de Manaus, Renato Junior, juntamente com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, entregaram, nesta terça-feira, 26/5, as chaves de 576 unidades habitacionais semimobiliadas do residencial Morar Melhor. Localizado na comunidade Parque das Tribos, bairro Tarumã-Açu, zona Oeste da capital amazonense, o empreendimento integra o programa federal “Minha Casa, Minha Vida”.
O complexo, fiscalizado pela Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Semhaf), teve as obras concluídas em 30 de março de 2026. Dividido em três módulos (Morar Melhor 13, 14 e 15), o residencial recebeu investimento de R$ 92,16 milhões do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), beneficiando diretamente mais de 2.000 pessoas que antes viviam em situação de vulnerabilidade, em áreas de risco ou pagando aluguel.
Cada apartamento possui 49,81 metros quadrados de área privativa, dois quartos, sala, cozinha, banheiro e varanda. A estrutura do condomínio oferece três bibliotecas, duas churrasqueiras, centro comunitário, três espaços comerciais e quadra poliesportiva, além de infraestrutura completa de água, esgoto, iluminação, pavimentação e drenagem.
Durante o evento, o prefeito Renato Junior agradeceu o apoio do governo federal e destacou a união de esforços para transformar a realidade habitacional de Manaus. Ele reforçou o compromisso de expandir o alcance dos projetos de moradia na capital amazonense.
“Gostaria de agradecer, em nome do povo de Manaus, o suporte do governo federal por intermédio da habitação. Aqui, 576 famílias terão sua vida ressignificada. Aquilo que era um sonho, uma moradia, agora se torna realidade a partir de uma parceria institucional. A Prefeitura de Manaus humildemente se coloca à disposição para construir não somente mais 576, mas que nós possamos construir mais mil, mais duas mil, mais três mil habitações. Conte com a parceria da prefeitura, quando o assunto for mudar a vida do nosso povo”, afirmou o chefe do Executivo municipal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que o acesso à moradia digna é um direito constitucional fundamental e celebrou a superação de carências básicas de infraestrutura que ainda afetam muitas famílias brasileiras. Ele também parabenizou a gestão municipal por entregar os apartamentos semimobiliados.
“Tem gente que nunca tinha tomado banho no chuveiro, usado uma pia ou lavado um prato em uma torneira. Isso é desumano em um país que tem todo o potencial de fazer casa para todo mundo. Está na Constituição Brasileira que casa é um direito de todo e qualquer cidadão, e nós temos apenas que cumprir a Constituição. Quero agradecer ao prefeito pela colaboração exitosa de mobiliar a casa de vocês. O que está acontecendo aqui é um exemplo”, disse o presidente.

Unidades semimobiliadas
Como diferencial da gestão municipal, considerado um exemplo pelo presidente da República, cada unidade foi entregue semimobiliada pela Prefeitura de Manaus, equipada com geladeira, fogão, televisão de 32 polegadas, cama box com colchão, roupeiro e ventilador.
“Isso é inédito. Vamos entregar geladeira, fogão, guarda-roupa, cama box e TV para cada uma dessas 576 famílias. Muitas delas não têm esses eletrodomésticos ou estão com os utensílios deteriorados. São pessoas que vêm de alagamentos, das ruas, de enchentes ou de desabamentos. Elas precisam de uma mudança de vida e buscamos dar esse conforto”, destacou o secretário da Semhaf, Junior Nunes.
Nunes também reforçou que o cadastramento para novos projetos segue aberto pelo Sistema Municipal de Habitação (Simhab) até o dia 29. “São mais de 300 mil inscritos. Não deixem de ter esperança e de acreditar na casa própria, porque estamos trabalhando para fazer novas entregas”, pontuou.

Acompanhamento dos moradores
A atuação da Prefeitura de Manaus não será encerrada com a entrega das chaves. Após a instalação das famílias, a Semhaf realizará um trabalho contínuo de pós-ocupação e acompanhamento técnico-social com as famílias. “Estaremos no mínimo um ano aqui dentro com cursos, palestras e oficinas. Vamos caminhar lado a lado, pegando na mão dessas famílias e ajudando-as a construir um futuro melhor”, garantiu o secretário Junior Nunes.
Durante esse tempo, equipes da secretaria darão suporte na transição, orientando os moradores sobre as regras de convivência em condomínio, auxiliando na eleição de síndicos e oferecendo instruções fundamentais para a gestão do espaço coletivo.
Recomeço aguardado
Após deixar sua antiga casa devido a um deslizamento de terra e passar a viver de aluguel, Raimunda Maia celebrou a conquista da casa própria após quase uma década de espera. “Há quase oito anos eu estava lutando por esse benefício e, hoje, alcancei essa bênção. Eu morava em uma área de risco, mas, após um deslizamento, passei a viver de aluguel. Olhar para o meu prédio traz uma felicidade muito grande. Sei que muita gente precisa e se pergunta por que ainda não foi contemplada, mas, com fé em Deus, todos vão conseguir, assim como eu consegui”, celebrou.
Lisângela Martins, que perdeu a moradia em uma fatalidade na comunidade Redenção e precisou se abrigar em uma área de ocupação com o marido e os filhos, destacou o fim da rotina de insegurança. “Nós não tínhamos nada, morávamos de aluguel e, após uma fatalidade na Redenção, fomos para uma ocupação. Morar de aluguel e saber que aquilo nunca vai ser seu é muito difícil. Chegamos a morar na beira de um igarapé. Quando alagava, os ratos entravam em casa e tomávamos banho com água da chuva por falta de água encanada. Hoje, ter a minha casa própria e mobiliada é um sonho que virou realidade. É um recomeço. Nossa casa está chique, tem até varanda. Agora é só comemorar”, relatou.
Investimentos no Parque das Tribos
A entrega das 576 moradias coroa um ciclo de cinco anos de investimentos da Prefeitura de Manaus na infraestrutura e nos serviços públicos da comunidade Parque das Tribos. Ao longo desse período, o entorno do residencial recebeu uma série de intervenções estruturais e sociais que transformaram a realidade local.
Entre as principais realizações na comunidade, destacam-se a abertura da escola municipal Santa Rosa 2, a maior escola indígena de Manaus e um marco para a preservação cultural das etnias locais, e a inauguração da Unidade de Saúde da Família (USF) Parque das Tribos, uma estrutura de grande porte (porte 4) equipada com o programa Farmácia Viva. A segurança alimentar também foi reforçada com a entrega do restaurante Prato do Povo, criando uma rede de suporte direto à população.
Na área de saneamento e infraestrutura viária, a gestão municipal implantou um novo reservatório de água tratada, em parceria com a concessionária responsável pelo serviço na cidade, além de executar obras complexas de contenção de erosão na rua Siusi, pavimentação asfáltica na rua Rio Purus e implantação de uma nova rede de drenagem profunda na rua 31.
Seleção transparente
O processo de cadastramento e pré-seleção das famílias foi conduzido pela Semhaf, por meio do Simhab. A seleção seguiu os critérios do governo federal, com validação final realizada pela Caixa Econômica Federal, priorizando o atendimento a famílias da Faixa 1 (renda mensal de até R$ 3,2 mil).
Com esta entrega, Manaus consolida sua posição como uma das capitais mais beneficiadas pela política habitacional do país, somando investimentos que já superam a marca de R$ 1 bilhão.

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Prefeito Renato Junior fiscaliza obras da nova USF de Flores que será referência para mais de 66 mil famílias
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2 semanas agoon
20 de maio de 2026
O prefeito de Manaus, Renato Junior, fiscalizou as obras de construção da nova Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro Flores, localizada estrategicamente entre as ruas Barão de Indaiá e Inhaúma, na zona Centro-Sul da capital. O projeto, que faz parte do plano de expansão e modernização da rede de Atenção Primária, avançou significativamente e já superou a etapa das fundações profundas, entrando em fase acelerada de superestrutura e alvenaria.
A nova unidade foi planejada para ampliar de forma expressiva a capacidade de atendimento na região, tornando-se referência assistencial para mais de 66 mil famílias. O novo prédio passará a abrigar os serviços que hoje são oferecidos na Unidade Básica de Saúde (UBS) Nilton Lins, tendo uma área física um terço maior que o espaço atual, além de um modelo arquitetônico moderno, totalmente climatizado e adequado às normas de acessibilidade.
Durante a vistoria, o prefeito Renato Junior destacou a importância de entregar um equipamento público de saúde com excelência e reforçou o ganho significativo na cobertura de assistência primária em saúde na região.
“Vale ressaltar que essa UBS é um terço maior que a outra que tinha quase 800 metros, essa aqui vai ter 1.260 metros. Aqui teremos 57 ambientes e 12 consultórios, sendo oito para enfermagem e médicos e quatro odontológicos, que não tinha na outra. Com isso, a gente vai garantir uma qualidade de atendimento muito melhor e uma ampla cobertura, porque só nessa área tem 66 mil famílias”, garantiu o prefeito.
A previsão é que a nova USF de Flores seja entregue nos primeiros meses de 2027. “Essa é uma obra que já avançou 35% do seu cronograma. Acredito que já no começo do próximo ano, entre janeiro e fevereiro, a gente já deve estar entregando essa USF totalmente equipada para a população”, acrescentou o prefeito Renato Junior.
A nova unidade está sendo erguida sob o modelo de Porte 4, a maior categoria de atenção básica do município, projetada para suportar um alto fluxo diário com equipes multidisciplinares completas de Estratégia Saúde da Família. Com o término da fase subterrânea de concretagem da base e dos baldrames, o canteiro opera agora no levantamento das paredes e na preparação das lajes.
Quando inaugurado, o complexo oferecerá consultórios médicos, de enfermagem e odontológicos de última geração. Dos 12 novos consultórios, oito serão destinados exclusivamente aos atendimentos médicos e de enfermagem, e quatro serão voltados ao atendimento odontológico, serviço que passará a ser oferecido à comunidade.


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