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Já acabou, Jéssica?’: jovem abandonou estudo e caiu em depressão após virar meme
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5 anos agoon

Alerta: esta reportagem contém imagem de autolesão.
“Já acabou, Jéssica?”, perguntou Lara da Silva em novembro de 2015, em meio a uma briga na saída da escola, no pequeno município de Alto Jequitibá, em Minas Gerais.
A garota de 12 anos não imaginava, mas aquilo não acabaria naquele dia e a acompanharia ao longo dos anos seguintes. Até hoje, a situação está presente na vida de Lara, por meio dos inúmeros comentários que ela recebe ou até mesmo em marcas no corpo da jovem.
O episódio na saída da escola teve grande repercussão após uma filmagem da briga ser compartilhada nas redes sociais. O registro viralizou, a frase “Já acabou, Jéssica?” se tornou meme e mudou completamente a vida de Lara, hoje com 18 anos.
“É uma coisa que eu ainda não aceitei totalmente. Se eu parar pra pensar demais nisso, me faz mal. Não é algo que eu goste, mas é uma coisa que aconteceu, não tem como voltar atrás”, diz Lara à BBC News Brasil.
Após a repercussão, ela se tornou alvo de bullying, abandonou a escola, passou a se cortar e começou um tratamento psiquiátrico.
O vídeo virou caso de Justiça. Lara, assim como a outra garota que aparece na gravação, movem processos contra emissoras de televisão e plataformas nas quais a cena foi exibida. As duas jovens pedem que as imagens sejam excluídas e cobram indenização por danos morais e materiais.
Quase seis anos depois, Lara decidiu conceder uma entrevista sobre o assunto. “Ninguém nunca me perguntou como tudo isso me impactou”, comenta, ao explicar o motivo de ter aceitado conversar com a BBC News Brasil.
Na saída da escola

ARQUIVO PESSOAL – Lara, hoje com 18 anos, convive com o impacto de ter ficado famosa na internet contra a própria vontade
Era fim de uma manhã de meados de novembro de 2015. Na saída de uma escola estadual da cidade mineira de Alto Jequitibá, município com pouco mais de 8 mil habitantes, diversos adolescentes acompanharam a cena que logo rodaria a internet.
O vídeo mostra Lara caída no chão, enquanto Jéssica está em cima dela. As duas trocam agressões. Lara consegue se levantar após a outra garota correr. Ainda desorientada, arruma o cabelo e pergunta: “Já acabou, Jéssica?”
“Quando eu me levantei, pensei: ela me jogou no chão, me bateu enquanto eu estava caída e agora vai correr? Foi quando eu disse a frase, que depois se tornou um inferno na minha vida”, desabafa Lara.
As agressões físicas se encerraram ali. O principal motivo da briga teria sido o ciúme que Jéssica tinha de um garoto com quem namorava na época. “A gente nem namora mais, mas ela deu em cima dele, sim”, disse Jéssica, em entrevista ao site Estado de Minas em 2015, dias após o vídeo viralizar.
Ainda na entrevista ao Estado de Minas, a garota afirmou que a briga também foi motivada porque Lara a irritava e a xingava na escola.
Lara nega que tenha falado mal ou que xingasse a colega de escola. Para ela, o único motivo das agressões foi o ciúme que Jéssica sentia do namorado.
A briga entre as duas garotas era considerada uma situação que logo passaria. Isso se o momento não tivesse sido compartilhado naquele mesmo dia nas redes sociais por um dos jovens que acompanhou o episódio.
Quando soube que a filha havia se envolvido em uma briga na saída da escola, a agricultora Deusiana Figueredo, mãe de Lara, estranhou. “Ela nunca tinha brigado antes, até tinha medo de briga. Ela era uma menina muito boba”, diz.
No dia seguinte, as mães das garotas foram chamadas para conversar com a diretoria da escola e com o conselho tutelar. Na reunião, as responsáveis pelas jovens assinaram um termo para sinalizar que estavam cientes da situação e se comprometeram a conversar com as filhas para evitar que uma briga ocorresse novamente.
Após a reunião, Deusiana notou que algo incomum estava acontecendo: muitas pessoas na cidade haviam visto o vídeo da briga.
“A gente é muito simples, nunca imaginava que acontecesse o que aconteceu. Começaram a me ligar para falar que ela estava na internet e eu vi que o negócio estava ficando sério. Foi um susto. Foi tudo muito rápido”, diz Deusiana.
O retorno à sala de aula após o vídeo viralizar foi dramático para Lara. “Não consegui estudar, porque me zoaram muito e eu fiquei muito mal com isso”, diz a jovem. Ela comenta que as pessoas a ofendiam e riam da pergunta “já acabou, Jéssica?”, que passou a ser repetida massivamente em todo o país. Ali, começou o tormento de Lara.
Quando perceberam que a filha estava abalada, os pais tiraram a garota da escola. Lara foi proibida pela mãe de acessar a internet ou assistir à televisão, pois Deusiana não queria que a menina corresse o risco de acompanhar comentários sobre a briga.

ARQUIVO PESSOAL – Deusiana logo procurou ajuda para a filha, ao notar sofrimento da garota após vídeo de briga viralizar
“Ficamos uns dias na praia, para sair da muvuca”, diz Deusiana. Ela acreditava que quando retornasse para a cidade, dias depois, o vídeo já teria sido esquecido. “Quando voltamos, vi que as pessoas continuavam falando sobre isso. Passava muitas vezes na televisão”, diz a agricultora.
A briga das estudantes foi um dos assuntos mais comentados nas redes sociais naquele período. O vídeo alcançou milhões de visualizações. Sites de humor e perfis de Facebook foram alguns dos meios que ajudaram a propagar a cena.
Depressão e lesões no corpo
A rotina de Lara após virar meme se resumia a ficar em casa ou ir a lugares próximos, como a residência de parentes ou mercadinhos na região em que morava.
“O que eu mais gostava de fazer era dormir e arrumar a casa. Comecei a viver em casa e resolvendo coisas com a minha mãe, que me levava com ela para sair um pouco”, diz a jovem.
Nas vezes em que saía nas ruas, ela costumava ser reconhecida e ouvir comentários sobre o vídeo.
O desânimo frequente da adolescente causou preocupação nos pais. A situação se tornou desesperadora para Deusiana quando notou cortes no braço da garota.
Lara conta que começou a se mutilar dias depois do vídeo viralizar nas redes. Ela admite que antes de se tornar meme já havia pensado em fazer isso, em momentos de tristeza, porém nunca havia tido coragem.
“Eu já costumava me culpar por tudo de ruim que acontecia comigo ou com meus pais. Quando aconteceu isso (o vídeo viralizou), eu não sabia o que era pior: que a minha mãe continuasse me prendendo em casa, como ela começou a fazer, ou me deixasse sair na rua”, diz.
“Mais ou menos uns quatro dias depois da briga, comecei a me cortar, por causa de tudo o que estava acontecendo”, comenta a jovem.
Os cortes, segundo ela, eram um meio de tentar aliviar o momento que estava vivendo. “Depois da primeira vez, virou um vício. Passei a me cortar cada vez mais fundo e em mais lugares. Quando acontecia alguma coisa, como quando via alguém debochando de mim na rua ou acontecia algo que me deixava triste, eu me cortava”, relata. Ela fazia marcas nos braços e em algumas partes das pernas.
Como aconteceu com Lara, casos de autolesão não suicida, termo usado por especialistas sobre os cortes que as pessoas fazem em si, geralmente ocorrem quando o indivíduo vive uma situação de angústia.

ARQUIVO PESSOAL – Lara mostra lesões que fez em si. Ela afirma que foi uma forma de aliviar a dor que sentiu após vídeo viralizar
“Às vezes, o adolescente está deprimido, não sabe como lidar com aquele sentimento e acaba se machucando para aliviar a desesperança ou a ansiedade”, explica a psiquiatra Jackeline Giusti, coordenadora do ambulatório de adolescentes do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP).
Giusti comenta que essas lesões no próprio corpo são feitas, geralmente, por crianças ou adolescentes com baixa autoestima. Em muitos desses casos, são jovens vítimas de bullying.
Os estudos sobre o tema, segundo a especialista, apontam que cerca de 20% dos adolescentes têm algum tipo de comportamento de autolesão não suicida.
“Geralmente, são lesões superficiais no corpo sem a intenção suicida. São episódios que costumam ocorrer, pelo menos, cinco vezes ao ano com esses jovens. A intenção do paciente que faz isso não é morrer. Mas há pessoas que estão com um sofrimento tão intenso que também podem tentar o suicídio”, explica Giusti à BBC News Brasil.
A psiquiatra ressalta que é fundamental que os responsáveis por esses jovens procurem ajuda especializada logo que notarem as lesões.
“É fundamental tratar esse jovem com respeito, não como vítima ou coitado, e sentar para conversar. É preciso falar que existem outras formas de ajudar a resolver esse sofrimento e que irá ajudá-lo a solucionar essa questão (por meio de terapia e acompanhamento psiquiátrico)”, diz Giusti.
“Não necessariamente todas as crianças que se machucam vão precisar de medicação. Mas a grande maioria precisará, porque é muito comum ter algum transtorno associado, geralmente depressivo”, acrescenta a especialista.
Deusiana buscou tratamento para a filha. Na cidade em que morava, ela não encontrou um psicólogo que aceitasse acompanhar a jovem. “Foi muito triste. Quando eu falava que ela estava se cortando, os psicólogos diziam que era um caso de difícil tratamento. Tive que buscar atendimento em outra cidade”, relembra a mulher.
Para conseguir acompanhamento especializado, Lara enfrentava uma viagem de cerca de duas horas em uma ambulância que levava os moradores de Alto Jequitibá que precisavam de ajuda médica em outro município. “Era isso três vezes por semana (para a jovem ter acompanhamento psicológico). A gente saía de casa de manhã e só voltava 17h, que era quando a ambulância voltava para a nossa cidade”, diz Deusiana.
Nesse período, Lara foi diagnosticada com problemas como depressão, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e transtorno de ansiedade. “Cheguei a tomar sete remédios por dia”, detalha a jovem.
Vídeo se tornou questão judicial

GETTY IMAGES – Vídeo de novembro de 2015 se tornou alvo de ações movidas por garotas que aparecem brigando na saída da escola
O tratamento psiquiátrico é destacado pela defesa de Lara nas ações movidas na Justiça.
“A autora sofreu e sofre até hoje as consequências de tamanha exposição, vive em constante constrangimento que ocasionaram danos psicológicos”, pontua a defesa dela, nos processos sobre o caso.
Nessas ações, a defesa diz que Lara teve a honra manchada “injustamente perante o público”, por meio do vídeo que viralizou.
Há seis ações movidas por Lara, que têm como alvos: o Google, o Facebook, as emissoras de televisão SBT, Record e Band e dois rapazes que criaram um game baseado no vídeo da briga.
A defesa da jovem argumenta que o Google e o Facebook foram fundamentais para a rápida propagação do vídeo e aponta que essas plataformas não impediram os compartilhamentos do registro, mesmo envolvendo a exposição de adolescentes.
Os processos contra as emissoras de televisão têm argumentações semelhantes. A defesa de Lara diz que os canais exibiram o vídeo da briga das garotas ou utilizaram a expressão “já acabou, Jéssica?”, ajudando a propagar o caso, sem qualquer autorização dos responsáveis.
A ação contra os dois criadores do jogo chamado “Já acabou, Jéssica?”, lançado em novembro de 2015, menciona que eles usaram a briga entre as jovens para lucrar, sem qualquer tipo de autorização dos responsáveis por Lara.
Nas ações, a defesa de Lara afirma que a exibição do vídeo ou qualquer tipo de menção feita por uma empresa à briga em 2015 fere o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
“O ECA é muito claro sobre a inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral do adolescente, abrangendo a preservação da identidade, autonomia, valores e crenças desses jovens”, justifica a advogada Tatiane Hott, responsável pela defesa da jovem.
“A partir do momento em que divulgaram a imagem sem qualquer sentido jornalístico, apenas para mostrar como chacota, isso vai contra o que diz o ECA”, completa ela, que cuida da defesa da jovem junto com o advogado José Paulo Hott.
Entre os pedidos das ações está a retirada do vídeo das redes e de todos os conteúdos relacionados a ele, feitos sem qualquer tipo de autorização dos responsáveis por Lara.
No início de 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o direito ao esquecimento, que poderia auxiliar nas exclusões de conteúdos na internet, é incompatível com a Constituição Federal, porque apontou que impedir a divulgação de fatos ou dados verídicos pode ferir a liberdade de expressão.
Mas o STF destacou também que possíveis excessos ou abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a caso, com base em parâmetros constitucionais e na legislação penal e civil. A expectativa dos advogados de Lara é de que a Justiça entenda que o caso dela é um desses nos quais os registros precisam ser excluídos da rede.
As ações também pedem indenização por danos morais, em razão do impacto que causou para a menina, e materiais, em virtude dos valores que os pais tiveram de gastar com os tratamentos que ela precisou fazer após a exposição.
Em nota, o Facebook afirma que não irá comentar o caso. O Google também não fala especificamente sobre a ação movida por Lara, porém diz, em comunicado, que remove vídeos do YouTube, plataforma da qual é responsável, que violem suas diretrizes.
“Caso um vídeo não siga essas regras, ele pode ser removido da plataforma. Além disso, o YouTube cumpre as decisões judiciais que determinam a remoção de conteúdo devidamente especificado por meio da indicação das URLs, conforme estabelecido pelo Marco Civil da Internet e reconhecido pela jurisprudência”, diz nota encaminhada pelo Google à BBC News Brasil.
O SBT afirma, em nota, que não exibiu a imagem de Lara em nenhum momento. A emissora argumenta que usou “apenas o jargão para anunciar a novela da tarde, pois na trama existia uma personagem com o mesmo nome (Jéssica)”, diz a emissora.
Os rapazes que desenvolveram o jogo não comentaram o caso. “Prefiro não me posicionar enquanto aguardo julgamento da ação”, diz Filipe Barbosa, que é alvo da ação junto com Guilherme Castilho.
A Band informa que não faz comentários “sobre os desdobramentos de ações judiciais nas quais é parte, limitando-se a se manifestar nos autos dos processos”.
A Record afirma, em nota à BBC News Brasil, que não comenta sobre ações judiciais.
Os processos tramitam na comarca de Manhumirim (MG). Na semana passada, Lara conseguiu a primeira medida favorável na Justiça.
Na quarta-feira (25/08), a juíza Rafaella Amaral determinou que a Record TV exclua vídeos publicados na internet pela emissora, fotos e montagens que tenham algum tipo de relação com o meme, sob a pena de multa diária de R$ 500, que pode chegar até o limite de R$ 30 mil.
Jéssica também move ações na Justiça mineira. A defesa dela destaca que a jovem sofreu “danos psicológicos irreversíveis” e aponta que até hoje ela “vem sofrendo com o ocorrido”. No fim do ano passado, ela teve uma decisão judicial favorável.
Em 19 de novembro de 2020, a juíza Rafaella Amaral condenou a Bandeirantes de Minas Gerais a pagar R$ 50 mil por danos morais, R$ 20 mil por danos materiais (referentes aos valores gastos pela família dela com acompanhamento psicológico nos últimos anos) e determinou que a emissora pague o tratamento psicológico de Jéssica.
No processo contra a Band Minas, a defesa de Jéssica apontou que a emissora expôs a garota de forma vexatória, por meio do vídeo que viralizou, em programas de televisão como o extinto Pânico na Band e lucrou em cima da imagem da jovem, que não recebeu nada por isso.

GETTY IMAGES – Propagação do vídeo da briga causou danos psicológicos às garotas envolvidas na briga, alegam defesas de jovens
Na ação, a Band Minas alegou que não cometeu irregularidade ao usar o vídeo e apontou que autoridades policiais de Minas Gerais rechaçaram a briga entre as jovens. A juíza, porém, frisou que apesar de a conduta de Jéssica no vídeo não ter sido correta, a ação trata dos danos que a jovem sofreu pela propagação massiva do vídeo.
“O programa Pânico na Band era nacionalmente conhecido pelo humor polêmico e infame que, indubitavelmente, contribui diretamente para a disseminação da conduta da requerente de forma irresponsável e com fins estritamente lucrativos. Friso que a responsabilidade não se recai, apenas, sob o indivíduo que gravou o vídeo e publicou, mas sim também sobre aqueles que divulgaram”, destacou a juíza. A Band Minas recorreu da decisão.
Nas últimas semanas, a reportagem entrou em contato com a defesa de Jéssica, que não respondeu aos pedidos de entrevista.
‘Se tivesse como excluir (o vídeo), eu gostaria’
As ações judiciais representam a busca por reparação por tudo o que viveu nos últimos anos, avalia Lara. É o capítulo fundamental em uma história que dificilmente será apagada da vida dela. “Se tivesse como excluir (qualquer publicação do vídeo na internet), eu gostaria. Mas acredito que não tenha mais jeito (pela proporção que a cena teve na época)”, diz a jovem.
Enquanto o vídeo permanece na rede, ao menos um fato traz alívio para Lara: as abordagens ofensivas ou jocosas sobre a situação reduziram cada vez mais nos últimos anos. A esperança dela é de que, em algum momento, pare de ser alvo de piadas por causa da situação.
O lugar em que mais se depara com comentários sobre o episódio de novembro de 2015 é o Instagram, onde acumula mais de 40 mil seguidores — a imensa maioria composta por desconhecidos, curiosos para acompanhar o que aconteceu com ela.
“Quando publico alguma foto, muitos comentam: já acabou, Jéssica? Eu fecho os comentários por isso. Não faz sentido ler esses comentários. Vai acabar alguma coisa? Por que estão perguntando se já acabou, Jéssica? Não faz sentido”, desabafa.
Sobre Jéssica, Lara comenta que elas não mantêm contato, porém explica que os problemas entre elas foram superados.
Hoje, Lara trabalha como auxiliar de limpeza e cuidadora de idosos. No futuro, planeja cursar farmácia ou enfermagem. “Gosto de cuidar de pessoas doentes”, diz.

ARQUIVO PESSOAL – “Hoje vivo intensamente”, diz Lara, após ficar reclusa depois que se tornou meme
Além do trabalho, ela também está concluindo o ensino médio. Ela explica que já deveria ter se formado, se não tivesse passado cerca de um ano longe da sala de aula, após a repercussão do vídeo.
Recentemente, Lara se mudou para Palma (MG) junto com a mãe, que se separou do pai da jovem no ano passado.
‘Hoje tenho marcas’
Semanas atrás, os impactos da repercussão do vídeo da filha voltou intensamente às recordações de Deusiana, após a agricultora ler sobre a morte do adolescente Lucas Santos, de 16 anos. A mãe do jovem, a cantora Walkyria Santos, disse que os comentários em um vídeo publicado pelo jovem foram um gatilho para que Lucas se suicidasse.
“Fiquei toda arrepiada com esse caso da cantora. As pessoas não veem o mal que fazem para as outras (na internet), elas não têm noção disso enquanto não acontece na casa delas”, declara Deusiana.
Justamente por todos os problemas que Lara vivenciou com a repercussão do vídeo, Deusiana nunca quis que a filha lucrasse com a fama. “Na época (no fim de 2015), ofereceram R$ 5 mil pra ela participar de uma propaganda (de uma operadora de telefonia), mas eu não quis. Se a minha filha tivesse ficado famosa por uma coisa boa, que somasse, tudo bem. Mas não foi isso”, diz Deusiana.
“Já me falaram: nossa, você tá com a faca e o queijo na mão (para lucrar com a fama) e é só cortar. Mas eu nunca gostei de briga, como vou querer ficar famosa por causa de uma briga? É uma coisa que não me fez bem e que não engulo até hoje”, acrescenta Lara.
Quando a questionam sobre o que ter se tornado meme trouxe para ela, Lara é enfática: muito bullying, depressão e falta de confiança em si e nas pessoas.
“Eu tenho marcas que não mudaram em nada a minha vida. Não fiquei rica ou pobre. Só tenho marca”, afirma Lara.
“Mas hoje vivo intensamente”, diz a jovem, que nos últimos anos passou a sair de casa sem muita preocupação com olhares ou comentários. “É raro que eu seja reconhecida nas ruas atualmente, mas se isso acontecer e se fizerem comentários ruins, tento ignorar”, afirma.
A jovem conta que parou de se cortar há cerca de um ano. Ela continua em tratamento para a depressão.
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Prefeito Renato Junior conclui entrega das chaves às 576 famílias contempladas com as moradias dos residenciais Morar Melhor
Published
15 horas agoon
30 de maio de 2026
O prefeito de Manaus, Renato Junior, realizou, na manhã desta quinta-feira, 28/5, a entrega de 384 chaves aos novos moradores dos residenciais Morar Melhor 13 e 14, no Parque das Tribos, no bairro Tarumã-Açu, zona Oeste, concluindo a entrega das chaves para os 576 moradores do empreendimento construído em parceria com o governo federal. As outras 192 chaves do residencial Morar Melhor 15 foram entregues aos contemplados na última terça-feira, 26/5, logo após a cerimônia oficial de inauguração conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, mais de 2 mil pessoas poderão ter um recomeço de vida com moradia digna e a cidadania resgatada.
A ação desta quinta-feira foi realizada na escola municipal Professor Paulo Graça, localizada no bairro Parque das Laranjeiras, zona Centro-Sul. Sob a liderança do prefeito e executada por meio da Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Semhaf), em coordenação com a Caixa Econômica Federal, as famílias também assinaram os contratos de serviços de água e energia elétrica, garantindo o cadastro imediato na tarifa social. Com a organização das vistorias e contratos concluídos, os beneficiários já começam a se mudar na próxima semana, período em que a Prefeitura de Manaus realizará a entrega oficial das mobílias dos apartamentos.
Para o prefeito Renato Junior, que se emocionou durante o evento, o momento representa a devolução do respeito e da dignidade aos cidadãos manauaras que mais precisam.
“Hoje é um dia muito importante e eu estou profundamente feliz como prefeito de Manaus. Estamos devolvendo a dignidade para essas famílias que antes viviam em situação de humilhação, muitas em ruas, em áreas de calamidades, abrigos, vindas da praça dos Remédios, no Centro, ou pagando aluguéis caros de 600, 900 reais que comprometiam a renda. Ver a emoção e as lágrimas dessas pessoas nos motiva. As famílias já podem se preparar, pois na próxima semana vamos entregar as mobílias dessas casas. É mais do que moradia, é respeito, e já estamos construindo mais 576 novas habitações na zona Oeste para seguir mudando vidas”, declarou o prefeito.

O secretário da Semhaf, Júnior Nunes, destacou que o papel do município se estenderá no suporte contínuo à comunidade, auxiliando na transição e no desenvolvimento social dos moradores dentro do novo condomínio.
“Hoje encerramos essa etapa burocrática e de entrega das chaves, mas o trabalho continua. Assinados os contratos com a Caixa e com as concessionárias de água e energia, as pessoas já recebem a chave e se preparam para a mudança na semana que vem, junto com a chegada dos móveis. Após essa mudança, a Semhaf dará início ao trabalho social de pós-ocupação, que vai durar um ano. Vamos oferecer palestras, oficinas e cursos voltados ao empreendedorismo, mercado de trabalho e convivência em condomínio, garantindo total suporte a essa nova fase”, informou.
Histórias de superação e recomeço
A emoção tomou conta dos moradores que receberam as chaves do imóvel que há anos sonhavam e que, a partir de agora, deixam o passado de instabilidade para trás. Para muitas mães de família, a entrega foi a coroação de anos de espera.

“Isso aqui é um sonho para qualquer mãe. São mais de 15 anos de luta para quem já morou na rua, em invasão, ocupação e abrigo. Essas são as chaves da vitória, tudo pela honra e glória do Senhor. Eu lutei muito, botando o joelho no chão e pedindo a Deus, e hoje a vitória chegou”, celebrou, bastante emocionada, a moradora Márcia Jorge.
Quem também compartilhou o sentimento de vitória foi Celinalva Rocha, que aguardava a oportunidade há anos. “O sentimento é de gratidão, primeiramente a Deus e depois à prefeitura por nos abrir essa porta e nos dar uma moradia digna. Eu nem acreditei quando me ligaram, achei que era trote, porque faz muito tempo que fiz essa inscrição”, relatou.
A moradora Luciana Munduruku relembra as dificuldades enfrentadas antes de conquistar o teto próprio. “A felicidade é de todas as mulheres e pais que estão aqui. Eu não estava conseguindo dormir de tanta felicidade. Eu já cheguei a dormir no chão, em cima de um plástico de colchão com meus filhos para nos defender da chuva. Pensar que hoje posso colocá-los em uma moradia digna é a maior felicidade do mundo”, comemorou.
O residencial Morar Melhor integra as ações de habitação de interesse social na capital amazonense. Com a consolidação desta etapa e a iminente mudança das famílias com mobília garantida, a Prefeitura de Manaus avança no planejamento para reduzir o déficit habitacional e expandir o atendimento para outras regiões administrativas da cidade.
Prorrogação das inscrições
Como parte da política contínua de habitação do município, a Prefeitura de Manaus, por meio da Semhaf, prorrogou as inscrições para o programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida” até o dia 30 de junho. O número de cadastrados já ultrapassa a marca de 300 mil inscritos. O processo para a Faixa 1, voltada a famílias com renda mensal de até R$ 3,2 mil, deve ser feito exclusivamente pelo site oficial (simhab.manaus.am.gov.br).
Para quem necessitar de suporte ou preferir o atendimento presencial, as equipes estão prestando assistência diretamente na sede da Semhaf, localizada na zona Oeste da capital.

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Prefeito Renato Junior e presidente Lula entregam 576 moradias semimobiliadas do residencial Morar Melhor no Parque das Tribos e beneficiam mais de 2 mil pessoas
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4 dias agoon
27 de maio de 2026
Em uma cerimônia marcada por forte emoção, o prefeito de Manaus, Renato Junior, juntamente com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, entregaram, nesta terça-feira, 26/5, as chaves de 576 unidades habitacionais semimobiliadas do residencial Morar Melhor. Localizado na comunidade Parque das Tribos, bairro Tarumã-Açu, zona Oeste da capital amazonense, o empreendimento integra o programa federal “Minha Casa, Minha Vida”.
O complexo, fiscalizado pela Secretaria Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (Semhaf), teve as obras concluídas em 30 de março de 2026. Dividido em três módulos (Morar Melhor 13, 14 e 15), o residencial recebeu investimento de R$ 92,16 milhões do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), beneficiando diretamente mais de 2.000 pessoas que antes viviam em situação de vulnerabilidade, em áreas de risco ou pagando aluguel.
Cada apartamento possui 49,81 metros quadrados de área privativa, dois quartos, sala, cozinha, banheiro e varanda. A estrutura do condomínio oferece três bibliotecas, duas churrasqueiras, centro comunitário, três espaços comerciais e quadra poliesportiva, além de infraestrutura completa de água, esgoto, iluminação, pavimentação e drenagem.
Durante o evento, o prefeito Renato Junior agradeceu o apoio do governo federal e destacou a união de esforços para transformar a realidade habitacional de Manaus. Ele reforçou o compromisso de expandir o alcance dos projetos de moradia na capital amazonense.
“Gostaria de agradecer, em nome do povo de Manaus, o suporte do governo federal por intermédio da habitação. Aqui, 576 famílias terão sua vida ressignificada. Aquilo que era um sonho, uma moradia, agora se torna realidade a partir de uma parceria institucional. A Prefeitura de Manaus humildemente se coloca à disposição para construir não somente mais 576, mas que nós possamos construir mais mil, mais duas mil, mais três mil habitações. Conte com a parceria da prefeitura, quando o assunto for mudar a vida do nosso povo”, afirmou o chefe do Executivo municipal.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que o acesso à moradia digna é um direito constitucional fundamental e celebrou a superação de carências básicas de infraestrutura que ainda afetam muitas famílias brasileiras. Ele também parabenizou a gestão municipal por entregar os apartamentos semimobiliados.
“Tem gente que nunca tinha tomado banho no chuveiro, usado uma pia ou lavado um prato em uma torneira. Isso é desumano em um país que tem todo o potencial de fazer casa para todo mundo. Está na Constituição Brasileira que casa é um direito de todo e qualquer cidadão, e nós temos apenas que cumprir a Constituição. Quero agradecer ao prefeito pela colaboração exitosa de mobiliar a casa de vocês. O que está acontecendo aqui é um exemplo”, disse o presidente.

Unidades semimobiliadas
Como diferencial da gestão municipal, considerado um exemplo pelo presidente da República, cada unidade foi entregue semimobiliada pela Prefeitura de Manaus, equipada com geladeira, fogão, televisão de 32 polegadas, cama box com colchão, roupeiro e ventilador.
“Isso é inédito. Vamos entregar geladeira, fogão, guarda-roupa, cama box e TV para cada uma dessas 576 famílias. Muitas delas não têm esses eletrodomésticos ou estão com os utensílios deteriorados. São pessoas que vêm de alagamentos, das ruas, de enchentes ou de desabamentos. Elas precisam de uma mudança de vida e buscamos dar esse conforto”, destacou o secretário da Semhaf, Junior Nunes.
Nunes também reforçou que o cadastramento para novos projetos segue aberto pelo Sistema Municipal de Habitação (Simhab) até o dia 29. “São mais de 300 mil inscritos. Não deixem de ter esperança e de acreditar na casa própria, porque estamos trabalhando para fazer novas entregas”, pontuou.

Acompanhamento dos moradores
A atuação da Prefeitura de Manaus não será encerrada com a entrega das chaves. Após a instalação das famílias, a Semhaf realizará um trabalho contínuo de pós-ocupação e acompanhamento técnico-social com as famílias. “Estaremos no mínimo um ano aqui dentro com cursos, palestras e oficinas. Vamos caminhar lado a lado, pegando na mão dessas famílias e ajudando-as a construir um futuro melhor”, garantiu o secretário Junior Nunes.
Durante esse tempo, equipes da secretaria darão suporte na transição, orientando os moradores sobre as regras de convivência em condomínio, auxiliando na eleição de síndicos e oferecendo instruções fundamentais para a gestão do espaço coletivo.
Recomeço aguardado
Após deixar sua antiga casa devido a um deslizamento de terra e passar a viver de aluguel, Raimunda Maia celebrou a conquista da casa própria após quase uma década de espera. “Há quase oito anos eu estava lutando por esse benefício e, hoje, alcancei essa bênção. Eu morava em uma área de risco, mas, após um deslizamento, passei a viver de aluguel. Olhar para o meu prédio traz uma felicidade muito grande. Sei que muita gente precisa e se pergunta por que ainda não foi contemplada, mas, com fé em Deus, todos vão conseguir, assim como eu consegui”, celebrou.
Lisângela Martins, que perdeu a moradia em uma fatalidade na comunidade Redenção e precisou se abrigar em uma área de ocupação com o marido e os filhos, destacou o fim da rotina de insegurança. “Nós não tínhamos nada, morávamos de aluguel e, após uma fatalidade na Redenção, fomos para uma ocupação. Morar de aluguel e saber que aquilo nunca vai ser seu é muito difícil. Chegamos a morar na beira de um igarapé. Quando alagava, os ratos entravam em casa e tomávamos banho com água da chuva por falta de água encanada. Hoje, ter a minha casa própria e mobiliada é um sonho que virou realidade. É um recomeço. Nossa casa está chique, tem até varanda. Agora é só comemorar”, relatou.
Investimentos no Parque das Tribos
A entrega das 576 moradias coroa um ciclo de cinco anos de investimentos da Prefeitura de Manaus na infraestrutura e nos serviços públicos da comunidade Parque das Tribos. Ao longo desse período, o entorno do residencial recebeu uma série de intervenções estruturais e sociais que transformaram a realidade local.
Entre as principais realizações na comunidade, destacam-se a abertura da escola municipal Santa Rosa 2, a maior escola indígena de Manaus e um marco para a preservação cultural das etnias locais, e a inauguração da Unidade de Saúde da Família (USF) Parque das Tribos, uma estrutura de grande porte (porte 4) equipada com o programa Farmácia Viva. A segurança alimentar também foi reforçada com a entrega do restaurante Prato do Povo, criando uma rede de suporte direto à população.
Na área de saneamento e infraestrutura viária, a gestão municipal implantou um novo reservatório de água tratada, em parceria com a concessionária responsável pelo serviço na cidade, além de executar obras complexas de contenção de erosão na rua Siusi, pavimentação asfáltica na rua Rio Purus e implantação de uma nova rede de drenagem profunda na rua 31.
Seleção transparente
O processo de cadastramento e pré-seleção das famílias foi conduzido pela Semhaf, por meio do Simhab. A seleção seguiu os critérios do governo federal, com validação final realizada pela Caixa Econômica Federal, priorizando o atendimento a famílias da Faixa 1 (renda mensal de até R$ 3,2 mil).
Com esta entrega, Manaus consolida sua posição como uma das capitais mais beneficiadas pela política habitacional do país, somando investimentos que já superam a marca de R$ 1 bilhão.

Destaque
Prefeito Renato Junior fiscaliza obras da nova USF de Flores que será referência para mais de 66 mil famílias
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1 semana agoon
20 de maio de 2026
O prefeito de Manaus, Renato Junior, fiscalizou as obras de construção da nova Unidade de Saúde da Família (USF) do bairro Flores, localizada estrategicamente entre as ruas Barão de Indaiá e Inhaúma, na zona Centro-Sul da capital. O projeto, que faz parte do plano de expansão e modernização da rede de Atenção Primária, avançou significativamente e já superou a etapa das fundações profundas, entrando em fase acelerada de superestrutura e alvenaria.
A nova unidade foi planejada para ampliar de forma expressiva a capacidade de atendimento na região, tornando-se referência assistencial para mais de 66 mil famílias. O novo prédio passará a abrigar os serviços que hoje são oferecidos na Unidade Básica de Saúde (UBS) Nilton Lins, tendo uma área física um terço maior que o espaço atual, além de um modelo arquitetônico moderno, totalmente climatizado e adequado às normas de acessibilidade.
Durante a vistoria, o prefeito Renato Junior destacou a importância de entregar um equipamento público de saúde com excelência e reforçou o ganho significativo na cobertura de assistência primária em saúde na região.
“Vale ressaltar que essa UBS é um terço maior que a outra que tinha quase 800 metros, essa aqui vai ter 1.260 metros. Aqui teremos 57 ambientes e 12 consultórios, sendo oito para enfermagem e médicos e quatro odontológicos, que não tinha na outra. Com isso, a gente vai garantir uma qualidade de atendimento muito melhor e uma ampla cobertura, porque só nessa área tem 66 mil famílias”, garantiu o prefeito.
A previsão é que a nova USF de Flores seja entregue nos primeiros meses de 2027. “Essa é uma obra que já avançou 35% do seu cronograma. Acredito que já no começo do próximo ano, entre janeiro e fevereiro, a gente já deve estar entregando essa USF totalmente equipada para a população”, acrescentou o prefeito Renato Junior.
A nova unidade está sendo erguida sob o modelo de Porte 4, a maior categoria de atenção básica do município, projetada para suportar um alto fluxo diário com equipes multidisciplinares completas de Estratégia Saúde da Família. Com o término da fase subterrânea de concretagem da base e dos baldrames, o canteiro opera agora no levantamento das paredes e na preparação das lajes.
Quando inaugurado, o complexo oferecerá consultórios médicos, de enfermagem e odontológicos de última geração. Dos 12 novos consultórios, oito serão destinados exclusivamente aos atendimentos médicos e de enfermagem, e quatro serão voltados ao atendimento odontológico, serviço que passará a ser oferecido à comunidade.


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