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Coronavírus

Por que é possível pegar covid mesmo vacinado, como o ministro Queiroga

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Pelo Twitter, Queiroga anunciou que está com coronavírus — diferentemente de Bolsonaro, no entanto, ele diz ter sido vacinado com as duas doses. A informação foi confirmada em nota divulgada pela Secretaria Especial de Comunicação Social.

De acordo com o comunicado, o ministro passa bem. Os demais integrantes da comitiva foram testados e receberam diagnóstico negativo para a doença.

O ministro terá que cumprir quarentena na cidade por 14 dias antes de retornar ao Brasil. Ele foi o segundo integrante da equipe presidencial a contrair o vírus nos Estados Unidos. Antes dele, um diplomata que foi enviado para preparar a viagem de Bolsonaro à ONU também recebeu resultado positivo para a covid-19.

“Comunico a todos que hoje testei positivo para Covid19. Ficarei em quarentena nos EUA, seguindo todos os protocolos de segurança sanitária. Enquanto isso, o Ministério da Saúde seguirá firme nas ações de enfrentamento à pandemia no Brasil. Vamos vencer esse vírus”, escreveu ele, em sua conta pessoal no Twitter.

Queiroga não é o primeiro caso de infecção após duas doses. Em julho, a apresentadora Ana Maria Braga, por exemplo, diz ter tido covid mesmo depois de ter sido duplamente vacinada.

Outras personalidades, também duplamente vacinadas, morreram mesmo depois de imunizadas — como o ator Tarcísio Meira, em agosto.

Mas o que explica a infecção por covid mesmo depois de a vacinação com as duas doses?

Em primeiro lugar, nenhuma vacina para covid é 100% eficaz — como, aliás, nenhum imunizante é, mesmo aqueles que estão disponíveis há décadas para outras enfermidades, como sarampo, gripe e catapora.

Mas estudos científicos apontam há meses que elas têm uma boa eficácia para barrar os casos mais graves das doenças que combatem.

Por isso, especialistas advertem que, no caso da covid, todos devem continuar se cuidando com o distanciamento físico e o uso de máscaras, até que uma grande porcentagem da população esteja vacinada e a pandemia fique controlada, com números de casos e mortes bem baixos.

Nos EUA, por exemplo, onde Queiroga provavelmente contraiu o vírus, os números de casos confirmados estão subindo, assim como o de mortes — a imensa maioria entre não vacinados.

Há algumas hipóteses para isso, entre as quais o ceticismo de muitos americanos quanto ao imunizante — para se ter uma ideia, hoje o Brasil tem uma proporção de vacinados com a primeira dose (68,57%) maior do que a dos Estados Unidos (63,11%), segundo dados da plataforma Our World in Data, ligada à Universidade de Oxford.

Outras suposições estão relacionadas a tipo de imunizante, tempo desde a vacinação, variantes e ao sistema imunológico (leia mais abaixo).

Também é preciso lembrar que os efeitos protetores da vacina só chegam ao auge somente 14 dias depois da imunização.

Ana Maria Braga

GETTY IMAGES – Apresentadora Ana Maria Braga teve diagnóstico positivo após ser duplamente imunizada

Infecção ‘breakthrough’

Portanto, se você ainda tiver covid-19 depois de duas semanas da segunda dose, como foi o caso de Queiroga, você sofreu uma infecção “breakthrough” (invasiva), ou seja, quando uma pessoa é infectada mesmo tendo recebido vacina contra uma doença.

Em termos gerais, as infecções breakthrough são semelhantes às infecções comuns de covid-19 em pessoas não-vacinadas — mas existem algumas diferenças.

De acordo com o estudo Covid Symptom Study, os cinco sintomas mais comuns de uma infecção breakthrough são dor de cabeça, coriza, espirros, dor de garganta e perda do olfato. Alguns desses sintomas são os mesmos sentidos por pessoas que não se vacinaram.

Se você não foi vacinado, três dos sintomas mais comuns também são dor de cabeça, dor de garganta e coriza.

No entanto, os outros dois sintomas mais comuns em pessoas não-vacinadas são febre e tosse persistente. Esses dois sintomas “clássicos” da covid-19 se tornam muito menos comuns depois que você recebe as vacinas. Um estudo descobriu que pessoas com infecções breakthrough têm 58% menos probabilidade de ter febre em comparação com pessoas não-vacinadas. Em vez disso, a covid-19 após a vacinação tem sido descrita como sensação de resfriado por muitos.

Pessoas vacinadas também têm menos probabilidade do que pessoas não-vacinadas de serem hospitalizadas caso tenham covid-19. Elas também são propensas a ter menos sintomas durante os estágios iniciais da doença e são menos propensas a desenvolver covid longa.

O motivo para a doença ser mais branda em pessoas vacinadas pode ser porque as vacinas, quando não bloqueiam a infecção, parecem fazer com que as pessoas infectadas tenham menos partículas de vírus em seu corpo. No entanto, isso ainda não foi comprovado.

O que aumenta o risco?

No Reino Unido, pesquisas descobriram que 0,2% da população — ou uma pessoa em cada 500 — sofre uma infecção breakthrough depois de totalmente vacinada. Mas nem todos correm o mesmo risco. Quatro fatores parecem contribuir para seu nível de proteção com a vacina.

1. Tipo de vacina

O primeiro é o tipo específico de vacina que você recebeu e a redução do risco relativo que cada tipo oferece. A redução do risco relativo é uma medida de quanto uma vacina reduz o risco de alguém desenvolver covid-19 em comparação com alguém que não foi vacinado.

Ensaios clínicos descobriram que a vacina Moderna reduz o risco de uma pessoa desenvolver covid-19 sintomático em 94%, enquanto a vacina Pfizer reduz esse risco em 95%. As vacinas Johnson & Johnson e AstraZeneca tiveram pior desempenho, reduzindo esse risco em cerca de 66% e 70%, respectivamente (embora a proteção oferecida pela vacina AstraZeneca parecesse aumentar para 81% se um intervalo maior fosse deixado entre as doses).

2. Tempo desde a vacinação

Mas esses números não dão o quadro completo. Está se tornando cada vez mais evidente que o tempo decorrido desde a vacinação também é importante e é uma das razões pelas quais o debate sobre as imunizações de reforço está crescendo em intensidade.

Pesquisas iniciais, ainda em pré-publicação (ainda não revisadas por outros cientistas), sugerem que a proteção da vacina Pfizer diminui ao longo dos seis meses após a vacinação. Outro artigo pré-publicação de Israel também sugere a mesma coisa. É muito cedo para saber o que acontece com a eficácia da vacina depois de seis meses da segunda dose, mas é provável que ela caia ainda mais.

3. Variantes

Meira sorri em foto mais recente

TV GLOBO/DIVULGAÇÃO – Tarcísio Meira morreu por complicações da covid-19

Outro fator importante é a variante do vírus que você está enfrentando. As reduções no risco acima foram calculadas testando vacinas contra a forma original do coronavírus.

Mas, ao enfrentar a variante alfa, os dados da Public Health England sugerem que duas doses da vacina Pfizer são ligeiramente menos protetoras, reduzindo o risco de sintomas de covid-19 em 93%. Contra a delta, o nível de proteção cai ainda mais, para 88%. A vacina AstraZeneca também é afetada.

O estudo Covid Symptom Study confirma tudo isso. Seus dados sugerem que em duas a quatro semanas após receber a segunda dose da Pfizer, você tem cerca de 87% menos probabilidade de ter sintomas de covid-19 ao enfrentar a variante delta. Depois de quatro a cinco meses, esse número cai para 77%.

4. Seu sistema imunológico

É importante lembrar que os números acima se referem à redução média do risco em uma população. O seu próprio risco dependerá de seus próprios níveis de imunidade e de outros fatores específicos da pessoa (como o grau de exposição ao vírus, que pode ser determinado pelo tipo de trabalho que você faz).

A aptidão imunológica geralmente diminui com a idade. Condições médicas de longo prazo também podem prejudicar nossa resposta à vacinação. Idosos ou pessoas com sistema imunológico comprometido podem, portanto, ter níveis mais baixos de proteção induzida por vacina contra covid-19 ou podem ver sua proteção diminuir mais rapidamente.

Também vale a pena lembrar que os mais vulneráveis clinicamente receberam vacinas primeiro, possivelmente há mais de oito meses, o que pode aumentar o risco de sofrer uma infecção inicial devido ao declínio da proteção.

Preciso me preocupar?

Vacina sendo aplicada num braço

GETTY IMAGES – Vacinas têm boa eficácia, mas não protegem 100% contra nenhuma doença

As vacinas ainda reduzem muito suas chances de contrair covid-19. Elas também protegem em um grau ainda maior contra hospitalização e morte.

No entanto, é preocupante haver mais infecções breakthrough, como a de Queiroga. O temor é que elas possam aumentar se a proteção da vacina, como se suspeita hoje, cair com o tempo.

Portanto, muitos países ao redor do mundo, como o Brasil, estão oferecendo uma terceira dose aos mais vulneráveis e também considerando se os reforços devem ser dados mais amplamente ao restante da população.

Mas mesmo que eles venham a ser usados, isso não deve ser interpretado como “vacinas não funcionam”.

E, enquanto isso, é essencial promover a vacinação para todos aqueles que possam ser vacinados mas que ainda não foram, advertem os especialistas.

Ganho individual ou um bem coletivo?

Quando tomamos uma vacina, sempre pensamos em nossa própria saúde: na maioria das vezes, o objetivo é diminuir o risco de pegar determinada doença infecciosa.

Mas precisamos ter em mente que o benefício da vacinação vai muito além de nós mesmos.

Quando nos protegemos, estamos beneficiando por tabela toda a sociedade.

Afinal, o imunizante pode quebrar as cadeias de transmissão de um vírus (quando ele é capaz de prevenir a infecção) ou diminuir o risco de superlotação dos leitos hospitalares (quando ele minimiza as chances de evolução para os quadros mais graves).

Mas há um detalhe importante nessa história. Esses efeitos positivos só costumam ser sentidos quando uma parcela considerável da população está efetivamente imunizada.

“A vacina é, principalmente, um bem coletivo. E esse impacto individual, de proteção contra determinada doença ou suas formas mais graves, cresce à medida que uma maior parte da população é vacinada”, explicou a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin de Vacinas, nos Estados Unidos, em entrevista recente à BBC News Brasil.

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Coronavírus

Prefeitura de Manaus oferta doses contra Covid-19 em 74 pontos de vacinação nesta semana

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Reforçando a vacinação como instrumento mais eficaz para prevenção e combate à Covid-19, a Prefeitura de Manaus orienta a população a buscar as unidades da rede básica de saúde para iniciar ou atualizar o esquema vacinal contra a doença. A aplicação das doses é ofertada nesta semana, de segunda a sexta-feira, 11 a 15/9, em 74 unidades gerenciadas pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), distribuídas em todas as zonas geográficas da capital.

O subsecretário municipal de Gestão da Saúde, Djalma Coelho, informa que a Semsa Manaus vem buscando ampliar o acesso da população à vacinação, com a oferta do serviço em horário ampliado, das 8h às 20h, em nove unidades da rede municipal. Nos demais estabelecimentos, o atendimento ocorre no horário regular, das 8h às 17h.

“A Semsa visa garantir que todas as pessoas tenham acesso à vacina, pois ela reduz em muito os riscos de agravos de saúde decorrentes da Covid-19, e também para limitar a transmissão do vírus causador da doença, aumentando a proteção de toda a comunidade”, afirma.

Conforme Djalma, os usuários devem se dirigir à unidade de saúde mais próxima portando documento oficial de identidade com foto, CPF ou Cartão do Sistema Único de Saúde (SUS) para receber o imunizante. A lista dos estabelecimentos que ofertam a vacinação, com horários de funcionamento e endereços, pode ser conferida no site semsa.manaus.am.gov.br ou no link direto bit.ly/localvacinacovid19.

“Todas as pessoas a partir dos 6 meses de idade podem se vacinar. Quem já iniciou o esquema vacinal pode conferir se já está no prazo para receber a segunda dose ou dose de reforço no Imuniza Manaus (imuniza.manaus.am.gov.br), informando apenas o número do CPF”, orienta o gestor.

Djalma informa que os usuários a partir de 12 anos podem receber a vacina em qualquer um dos 74 pontos de vacinação da prefeitura. Já os menores de 12 anos, acompanhados dos pais ou responsáveis, são atendidos em unidades específicas, sendo 14 delas voltadas a bebês de 6 meses a 4 anos de idade, e 35 para crianças de 5 a 11 anos.

Eficazes e seguras

Nas unidades da rede básica de saúde são ofertadas doses das vacinas monovalentes e bivalentes, sendo aquelas empregadas como primeira e segunda doses do esquema primário para toda a população a partir dos 6 meses de idade, e como dose de reforço para adolescentes de 12 a 17 anos não integrantes de grupos prioritários.

Já as vacinas bivalentes, que protegem contra duas versões do coronavírus, são aplicadas como dose de reforço em pessoas a partir de 18 anos e adolescentes de grupos com maior vulnerabilidade, riscos para complicação e óbito e maior exposição.

Djalma Coelho explica que todas as vacinas ofertadas na rede pública de saúde são eficazes e seguras, tendo a devida aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Seja mono ou bivalente, a vacina vai estimular as defesas do sistema imunológico contra o coronavírus, aumentando a proteção da pessoa contra a doença”, relata.

Para saber mais sobre a Campanha Municipal de Vacinação contra a Covid-19, basta acessar as redes sociais da Semsa Manaus, nos perfis @semsamanaus no Instagram e Semsa Manaus no Facebook.

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Covid: relembre principais os episódios da pandemia

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Mais de 1.190 dias se passaram entre o início e o fim da declaração de emergência de saúde pública (PHEIC, na sigla em inglês) da pandemia do coronavírus, feita pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2020 e encerrada nesta sexta-feira, 5.

A doença provocou a maior crise sanitária do século em todo o planeta, totalizando 765,2 milhões de casos e quase 7 milhões de mortes durante mais de três anos, segundo a OMS.

De recordes de casos a disputas políticas, em tópicos, relembre os momentos mais marcantes da pandemia de covid-19 em todo o mundo:

2019

31 de dezembro de 2019 – A Organização Mundial da Saúde (OMS) foi alertada sobre vários casos de pneumoniana cidade de Wuhan, na China.

2020

7 de janeiro de 2020 – As autoridades de Saúde chinesas confirmaram que haviam identificado um novo tipo de coronavírus.

13 de janeiro de 2020: O primeiro caso da doença é detectado fora da China, na Tailândia.

30 de janeiro de 2020: OMS declara que covid-19 é uma Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII).

23 de fevereiro de 2020: Europa vive a primeira grande onda de infecções pela doença, com maior parte dos casos na Itália.

26 de fevereiro de 2020: O Ministério da Saúde confirma o primeiro caso de covid-19 no Brasil. Tratava-se de um homem de 61 anos, de São Paulo, que havia viajado à Itália e sentiu desconforto respiratório.

11 de março de 2020: A OMS declara oficialmente uma pandemia de coronavírus em razão de seus “níveis alarmantes” de propagação em diferentes países. A Europa entra em modo de lockdown. Cerca de 120 mil pessoas haviam contraído o vírus em todo o mundo.

16 de março de 2020: Primeira morte decorrente de covid-19 é anunciada no Brasil. A vítima foi um homem de 62 anos, em São Paulo. Entretanto, em julho, o Ministério da Saúde divulgou, após ajustes nos dados epidemiológicos da pasta, que a primeira morte no país ocorreu, na verdade, no dia 12 de março, em São Paulo. A vítima era uma mulher de 57 anos.

20 de março de 2020: Jair Bolsonarochama covid-19 de “gripezinha”. O então presidente afirmou que, após a facada que levou em 2018, não será uma “gripezinha” que irá derrubá-lo.

16 de abril de 2020: O então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, foi demitido por Jair Bolsonaro. A demissão ocorreu após uma série de divergências públicas entre ele e o presidente. O cargo foi assumido por Nelson Teich, que também deixou a pasta menos de um mês após assumi-la.

20 de abril de 2020 – Jair Bolsonaro afirma que “não era coveiro”, ao responder à pergunta de um jornalista sobre o número de mortes por coronavírus no País.

8 de agosto de 2020: Brasil chega ao marco de 100 mil mortes por covid-19. O País somava quase 3 milhões de infectados. Na data, o Senado decretou luto oficial de quatro dias no Congresso Nacional.

8 de dezembro de 2020: primeira pessoa no mundo é vacinada contra a covid-19. O Reino Unido dá início à imunização contra a doença, utilizando a vacina Pfizer/BioNTech. A primeira a ser vacinada foi Margaret Keenan, uma britânica de 90 anos.

2021

14 de janeiro de 2021: A explosão de casos de covid-19 levou ao colapso do sistema de saúde em Manaus, que ficou sem oxigênio para pacientes em hospitais.

17 de janeiro de 2021: Com autorização para uso emergencial das vacinas CoronaVac e AstraZeneca pela Anvisa, o Brasil dá início à vacinação. A primeira imunizada é Mônica Calazans, de 54 anos, mulher negra pertencente ao grupo de risco e enfermeira.

15 de março de 2021: Marcelo Queiroga é escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para substituir o general Eduardo Pazuello como ministro da Saúde. Queiroga tornou-se o quarto ministro da gestão de Bolsonaro durante a pandemia, permanecendo até o fim do mandato.

13 de abril de 2021: É criada a CPI da covid-19. No relatório final, a CPI acusou Jair Bolsonaro de ter cometido nove crimes: prevaricação; charlatanismo; epidemia com resultado morte; infração a medidas sanitárias preventivas; emprego irregular de verba pública; incitação ao crime; falsificação de documentos particulares; crime de responsabilidade; e crimes contra a humanidade.

19 de junho de 2021: Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo divulga o primeiro caso da variante delta na capital. A variante foi detectada pela primeira vez em outubro de 2020, na Índia, e ficou conhecida por ser mais contagiosa em comparação às demais cepas.

7 de outubro de 2021: Brasil atinge a marca de 60% da população adulta completamente vacinada contra a covid-19. Como resposta à cobertura vacinal, em setembro, o País registrou o menor número de mortes pela covid-19 de 2021 até então.

24 de novembro de 2021: Existência da variante Ômicron é reportada pela primeira vez à OMS, pela África. Variante apresentou riscos pela sua alta transmissibilidade, embora com sintomas mais brandos.

2022

14 de janeiro de 2022 – A primeira criança é vacinada contra a covid-19 no Brasil. O indígena Davi Seremramiwe, de 8 anos, foi o primeiro do público a receber o imunizante da Pfizer no País.

3 de fevereiro de 2022: Início do ano no Brasil é marcado por explosões de casos, apesar da queda no índice de letalidade. No dia 3 de fevereiro, o recorde do número diário de infecções foi batido, com 298.408 casos confirmados em 24 horas.

25 de março de 2022: Fiocruz divulga informe que, pela primeira vez desde o início da pandemia, a ocupação de UTIs para covid-19 está abaixo de 60% em todos Estados.

8 de abril de 2022: Paraíba é o último Estado brasileiro a tornar facultativo o uso de máscaras, fazendo com que todas as federações, pela primeira vez, estivessem com o uso do acessório de proteção desobrigado.

17 de abril de 2022: Marcelo Queiroga anuncia o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) por covid-19 no Brasil.

21 de novembro de 2022: A Anvisa aprovou a venda do Paxlovid, medicamento utilizado como tratamento para a covid-19 para adultos, em farmácias e hospitais particulares.

2023

23 de fevereiro de 2023: O Brasil começa a vacinar públicos prioritários com a vacina bivalente, que confere maior proteção contra o vírus da cepa original e também contra a variante Ômicron.

1º de maio de 2023: São Paulo detecta o primeiro caso da variante Arcturus, caracterizada por quadros de conjuntivitee de febre alta.

05 de maio de 2023: OMS declara o fim da emergência de saúde pública da pandemia do coronavírus no planeta.

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Estudo revela mecanismo por trás de rara miocardite em adolescentes após vacina da Covid

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Vacina contra Covid é aplicada em adolescente na UBS Veleiros em São Paulo – Danilo Verpa – 30.ago.21/Folhapress

 

SÃO PAULO

As vacinas contra Covid tiveram sua segurança e eficácia avaliadas em milhares de pessoas em todo o mundo antes de serem aprovadas para uso em larga escala.

Mesmo assim, alguns efeitos raros relacionados à vacinação só podem ser observados depois de aplicadas em milhões de pessoas. Um desses efeitos é a miocardite ou pericardite (inflamação do tecido do coração), que foi observada em um número muito pequeno de casos, ainda que de relevância médica, em jovens e adolescentes do sexo masculino após a vacinação com a Pfizer.

 

O mecanismo por trás deste evento adverso ainda era desconhecido, mas um novo estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Yale e publicado nesta sexta (5) na revista especializada Science Immunology, acaba de revelar como ele ocorre.

 

Segundo a pesquisa, não foi encontrada uma associação entre a miocardite e os anticorposinduzidos após a vacinação, tampouco a uma doença autoimune dos pacientes ou hipersensibilidade aos componentes da vacina. O que os pesquisadores observaram foi uma resposta exagerada do próprio organismo como resposta a uma inflamação do tecido, produzindo mais danos e ele.

O estudo analisou 23 amostras de sangue de pacientes (87% eram homens) com idade de 13 a 21 anos que tiveram um quadro de miocardite de um a quatro dias após a segunda dose das vacinas de mRNA. Os sintomas dessa inflamação foram em geral dores no peito, palpitações, febre e perda de fôlego, entre outros. Indivíduos vacinados com duas doses da vacina monovalente e que não apresentaram miocardite foram incluídos como controle.

Nos pacientes com miocardite, foi observada uma quantidade elevada de duas moléculas indutoras da resposta imune exacerbada, como citocinas e glóbulos brancos, agindo de forma a atacar o próprio organismo.

Estas células de defesa eram em geral citotóxicas ou matadoras naturais (chamadas de NK ou natural killers, em inglês), ambas responsáveis por destruir outras células do organismo que estejam infectadas por vírus ou agindo de maneira errática (por exemplo, células tumorais). Os autores chamaram esse fenômeno de “citocinopatia”, ou uma condição causada pelas citocinas, como o que ocorria com a tempestade de citocinas no pulmão em alguns casos de infecção pelo Sars-CoV-2.

Para Carrie Lucas, professora associada de imunologia na Universidade de Yale e autora correspondente do estudo, a importância da pesquisa é que, embora fosse muito raro, ao vacinar milhões de crianças e adolescentes foi possível observar esse efeito, por isso era fundamental entendê-lo melhor. “Uma das implicações desse estudo é que não só ele traz explicação do fenômeno, mas também indica para uma redução do risco de miocardite quanto maior o intervalo entre as doses”, afirmou.

Os casos de miocardite foram registrados em geral após a segunda dose da vacina, e a pesquisadora sugere que a aplicação das doses seja espaçada para minimizar os possíveis efeitos adversos raros.

Akiko Iwasaki, imunologista e pesquisadora principal do Laboratório de Imunologia da Universidade de Yale e do Instituto Médico Howard Hughes, disse que não foram encontrados nas amostras dos pacientes marcadores indicando uma resposta induzida pela proteína S do Spike (ou espícula, usada pelo coronavírus para entrar nas células), o que sugeriria uma reação ao antígeno (parte do vírus contra o qual se deseja produzir resposta imune) no corpo.

A equipe de Iwasaki é uma das mais proeminentes na área de investigação dos atores envolvidos na resposta imunológica, incluindo como nosso organismo combate novos vírus e patógenos e a resposta gerada por vacinação ou proteção induzida por infecção natural.

“O que observamos foi que a resposta é induzida por linfócitos [glóbulos brancos], e não a um antígeno específico, seja ele produzido pela vacinação [anticorpos anti-Spike] ou infecção do Sars-CoV-2”, explicou.

TRATAMENTO E INCIDÊNCIA

Como a miocardite foi tratada na maioria dos casos com recuperação total do indivíduo, os pesquisadores sugerem que ao menor sinal de dores no peito e palpitações as crianças e adolescentes sejam levados para acompanhamento médico. “O tratamento é o mesmo que para qualquer outra inflamação, mas é claro que precisamos pensar no uso de corticosteróides a longo prazo, então não recomendamos uso de anti-inflamatórios profiláticos para evitar o risco de miocardite”, disse a imunologista.

As autoras reforçam que há um risco mais elevado de miocardite ou pericardite como consequência da infecção pelo coronavírus e sequelas da Covid longa, mas isso não foi avaliado no estudo, que analisou apenas casos de miocardite em pacientes que não tiveram um quadro prévio de Covid.

Segundo dados do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) americano, entre 2.507.209 e adolescentes de 12 a 17 anos vacinados no país, foram identificados 54 casos de miocardite, demonstrando ser um evento muito raro da vacina. A incidência acumulada de miocardite na população adolescente masculina foi de 36 casos a cada 100 mil pessoas. Em relação à infecção por Sars-CoV-2, a incidência foi quase o dobro, de 65 casos por 100 mil pessoas.

A pesquisa pode ajudar agora identificar marcadores para a ocorrência desses efeitos colaterais, como por exemplo a alta concentração das interleucinas no sangue, mas não existem atualmente exames disponíveis que possam prever essa reação.

“Também não foi possível prever nenhum precursor de miocardite, isto é, alguma condição prévia que pudesse aumentar o risco de ter esse efeito. Até agora, podemos apenas especular que existe um fator genético do indivíduo que responde a essa inflamação de maneira exacerbada, mas ainda não conseguimos determinar o gatilho”, afirmou.

Como os casos são extremamente raros e não foram observados novos eventos com os reforços bivalentes, os pesquisadores acreditam que os próximos passos devem se concentrar em buscar meios de produzir testes diagnósticos específicos para captar rapidamente o problema e iniciar o tratamento o quanto antes.

“Felizmente, os participantes do nosso estudo se recuperaram, por isso não temos como avaliar os danos causados após a reação, mas identificar esses marcadores pode ajudar na detecção precoce de novos casos”, finalizou.

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