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Dor e revolta: Dia das Mães para os órfãos do feminicídio no Amazonas

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MANAUS –  Nunca mais sentir o afeto materno, nunca mais receber os conselhos da mãe, nunca mais ouvir a voz de quem lhe deu a vida. Esses são os dramas diários pelos quais passam os órfãos, mas para os filhos que tiveram as vidas devastadas pelo feminicídio, a revolta e o sofrimento alcançam proporções incalculáveis. Para eles, há pouco o que se comemorar neste domingo (9).

Vítimas invisíveis dos feminicídios, crianças e adultos são obrigados a conviverem com a saudade, a dor e a indignação de terem perdido suas mães em crimes brutais. No Amazonas, somente no primeiro quadrimestre deste ano, foram registrados seis assassinatos de mulheres decorrentes de violência doméstica, segundo levantamento realizado pelo EM TEMPO.

A diarista Verônica Sena dos Santos, de 37 anos, começaria a trabalhar em um novo emprego na última segunda-feira (3), mas não deu tempo. Ela foi esfaqueada 12 vezes pelo próprio marido, Whilso de Carvalho Santana, de 38 anos, no dia 1º deste mês. O crime foi cometido na casa onde eles moravam, localizada no beco José Antunes, Morro da Liberdade, Zona Sul de Manaus.

 

Verônica foi assassinada pelo próprio marido
Verônica foi assassinada pelo próprio marido | Foto: Reprodução

Para o assassino, arrancar a vida da diarista não foi o bastante. Ele queria também tirá-la a dignidade, mesmo depois de morta, tentou queimar o corpo da vítima. No entanto, uma nuvem de fumaça surgiu sobre o imóvel, chamando a atenção dos vizinhos. A princípio, Whilso conseguiu fugir, mas a polícia o capturou.

Ela deixou três filhos jovens. Ao EM TEMPO, o filho mais velho, Vanderson Matheus, de 22 anos, narrou a dor de ter perdido a mãe, em um crime tão brutal, pouco mais de uma semana antes do Dia das Mães. Ele começou o emocionante relato falando sobre a admiração e a ótima relação que ele e os irmãos sempre mantiveram com a diarista.

“Nós tínhamos uma relação extraordinária, eu podia falar tudo para ela, as coisas mais íntimas, que ela sempre me aconselhava e me apoiava. Eu e os meus irmãos somos testemunhas das lutas diárias da nossa mãe, ela sempre foi uma pessoa muito trabalhadora, honesta e digna. Sempre fez tudo o que pôde por nós”, afirmou.

 

Ainda muito abalado pela trágica perda da mãe, Vanderson também desabafou sobre o trauma pelo qual passou. Ele deseja que o ex-padrasto e assassino de Verônica pague pelo crime que cometeu.

“Minha mãe se foi de uma maneira horrível e dolorosa, nunca imaginei que isso fosse acontecer um dia, o que me conforta um pouco é que o covarde foi preso e irá pagar por tudo que fez, porque a vida da minha mamãe não vai mais voltar, seus sonhos e sua vida foram interrompidos para sempre”, disse.

Bebês que jamais conhecerão quem lhes deram a vida

Em São Gabriel da Cachoeira, a 853 quilômetros de Manaus, o bebê Pedro, de apenas 1 ano e onze meses, nunca terá a chance de conversar com a mãe, a indígena Anazilda Cordeiro Barra, assassinada no dia 7 de fevereiro, aos 20 anos. Ela foi espancada até a morte pelo marido e pai de Pedro, o soldado do Exército Celésio Marques Resende, de 25 anos. O militar foi preso um dia após ter cometido o feminicídio.

 

Anazilda foi morta pelo companheiro aos 20 anos
Anazilda foi morta pelo companheiro aos 20 anos | Foto: Reprodução

No dia em que foi morta pelo companheiro, os vizinhos encontraram a jovem, já sem vida, amamentando o filho na residência onde eles moravam.

 

Só em 2021, pelo menos dois bebês ficaram órfãos por causa de feminicídios
Só em 2021, pelo menos dois bebês ficaram órfãos por causa de feminicídios | Foto: Reprodução

Quem também jamais poderá abraçar a mãe é a filha da jovem Hellen Lima da Costa. A bebê de apenas 1 anos foi marcada por uma tragédia logo no início da vida.

Hellen foi morta pelo próprio marido, Josué Ferreira Marques, de 25 anos, no município de Anori, a 194 quilômetros de Manaus. Ele confessou que matou a companheira por ciúmes.

Mais casos de feminicídio no Amazonas em 2021

Outro crime brutal de feminicídio ocorreu na zona rural de Manacapuru, a 68 quilômetros da capital amazonense, no dia 19 de janeiro. Luciana Sales da Silva, de 27 anos, foi esfaqueada e enforcada pelo companheiro, de 21 anos, no sofá da própria, no ramal Acajatuba.

Asfixiada até a morte. Foi assim que a industriária Viviane Araújo de Sena, de 34 anos, morreu na noite do dia 18 de fevereiro, no bairro Mauazinho, na zona Leste de Manaus. O esposo da vítima, identificado como Francisco Antônio Lima da Silva, de 29 anos, foi preso apontado como principal suspeito do crime.

Segundo a polícia, ele chegou a afirmar para uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel Urgente (Samu) que a mulher havia sido vítima da Covid-19, mas o assassinato acabou sendo descoberto.

Com um tiro no olho direito, Adriele Bruno da Silva, de 23 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro Paulo José de Aguiar, no dia 18 de janeiro, na comunidade Mutirão do Purupuru, na zona rural do Careiro Castanho, a 102 quilômetros de Manaus. O crime foi motivado por ciúmes.

Denúncias podem salvar vidas

A delegada Débora Mafra, responsável pela Delegacia da Mulher, aconselha que todas as mulheres que se sentirem ameaçadas devem registrar o boletim de ocorrência na unidade policial imediatamente. Só assim, poderá ser solicitada à justiça a medida protetiva.

“Nós temos visto que muitas mulheres têm rompido o ciclo de violência doméstica, indo denunciar. Quando a gente fala que houve o aumento da violência doméstica, na verdade houve o aumento das denúncias, dessa forma encerrando a violência e o feminicídio. Então uma denúncia, em muitos casos, pode salvar a vida de uma mulher”, destacou Mafra.

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Amazonas

Manaus vira epicentro do crime organizado na Amazônia, aponta relatório internacional

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Dragas destruídas no 2° dia da operação Boiúna contra o garimpo ilegal no sul do Amazonas — Foto: Divulgação/PF

A capital do Amazonas ocupa posição central nas rotas do narcotráfico e das economias ilícitas que se expandem pela floresta amazônica. É o que aponta o relatório “A Amazônia sob ataque – mapeando o crime na maior floresta tropical do mundo”, publicado pela organização jornalística Amazon Underworld no dia 21 de outubro.

Segundo o documento, Manaus se tornou um dos principais corredores por onde se escoa a cocaína produzida na América do Sul, com as drogas chegando no Amazonas pelo Rio Solimões e seguindo pelo Rio Amazonas rumo à distribuição nacional e internacional. A capital amazonense é considerada um elo logístico estratégico, conectando a produção amazônica a mercados da Europa, África e Ásia por meio de seus portos.

Ao g1, o Governo do Amazonas afirmou que as operações de combate ao crime organizado, tanto em Manaus quanto no interior, continuam fortalecidas, com monitoramento permanente, apoio tecnológico, capacitação de pessoal e ampliação das fronteiras de atuação. Leia a íntegra da nota no fim da reportagem.

O relatório destaca ainda que facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) disputam o controle das rotas fluviais, fronteiras e cadeias logísticas que movimentam toneladas de drogas e milhões de reais.

A ruptura do pacto de não agressão entre os dois grupos, em 2016, intensificou os confrontos e levou à fragmentação da Família do Norte (FDN), facção criada em Manaus.

Com a dissolução da FDN, parte dos seus membros se aliou ao CV, formando o CV-AM, enquanto outra parcela fundou o grupo “Os Crias”, com base em Tabatinga, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Após a morte do líder Brendo dos Santos, em 2023, o CV-AM consolidou seu domínio na região.

O controle do crime na Amazônia brasileira passou por uma transformação significativa nos últimos 15 anos
— diz um trecho do estudo

Além do tráfico de drogas, o relatório aponta que o garimpo ilegal também impulsiona o avanço das facções no Amazonas

A expansão das redes criminosas acelera a destruição ambiental e ameaça o papel da Amazônia como filtro de carbono global. Na conclusão, o estudo mostra que a região vive uma “era de violência exacerbada”, impulsionada pelo ouro e pela cocaína, e alerta para o risco de corrupção das forças estatais.

Com rios navegáveis, portos movimentados e fronteiras vulneráveis, Manaus se consolida como epicentro da criminalidade na Amazônia, refletindo os desafios enfrentados pelo Brasil no combate ao crime organizado transnacional.

Leia a nota do Governo do Amazonas na íntegra

 

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informa que, em todo o Estado do Amazonas, estão sendo implementadas de forma contínua medidas estratégicas para combater o crime organizado, o tráfico de drogas e demais ilícitos.

Neste ano, já foram apreendidas mais de 37 toneladas de entorpecentes em todo o Amazonas, resultado direto das operações integradas que demonstram a eficiência do trabalho conjunto no enfrentamento às organizações criminosas que tentam usar as vias fluviais para o transporte de drogas e outros ilícitos.

Atualmente, o Estado conta com três Bases Arpão, duas bases náuticas de apoio operacional, lanchas blindadas e lanchas de transporte de tropa, equipamentos que garantem maior presença, eficiência e segurança das forças policiais nas regiões estratégicas do Amazonas.

As ações contam com a atuação integrada da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Polícia Civil (PC-AM), Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO-AM), composta por agentes da Polícia Federal, que vêm intensificando o patrulhamento e as fiscalizações nas principais rotas fluviais do Estado.

Desde 2019, o Programa Amazonas Mais Seguro já contou com investimentos superiores a R$ 1,16 bilhão, voltados à modernização das forças de segurança, reforço do efetivo, aquisição de equipamentos, viaturas, embarcações e tecnologia de inteligência. Além disso, mais de 2,8 mil novos servidores foram convocados para compor as forças de segurança, fortalecendo a atuação das instituições e ampliando a presença do Estado em todas as regiões do Amazonas.

Em 2024, o Amazonas atingiu recorde histórico de apreensões de drogas, com 43,2 toneladas de entorpecentes retiradas de circulação em todo o Estado. No mesmo período, as apreensões de armas de fogo também cresceram, chegando a 1.593 unidades, representando um aumento de cerca de 11% em relação a 2023.

A SSP-AM reforça que as operações de combate ao crime organizado, tanto em Manaus quanto no interior, continuam fortalecidas, com monitoramento permanente, apoio tecnológico, capacitação de pessoal e ampliação das fronteiras de atuação, reafirmando o compromisso do Governo do Amazonas com a proteção da vida e a segurança da população.

Fonte: https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2025/10/28/manaus-vira-epicentro-do-crime-organizado-na-amazonia-aponta-relatorio-internacional.ghtml

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Operações Lei Seca prendem 47 motoristas por embriaguez ao volante em Manaus

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Operação Lei Seca em Manaus — Foto: Divulgação

 

Duas ações da Operação Lei Seca realizadas pelo Detran-AM, com apoio das polícias Militar e Civil, resultaram na prisão de 47 condutores por embriaguez ao volante em Manaus. As abordagens ocorreram entre a noite de quinta-feira (8) e a madrugada deste sábado (10), na zona norte da cidade.

Na madrugada de sábado (10), 38 motoristas foram presos durante fiscalização na zona norte. Eles foram levados para os 1º, 6º, 14º e 19º Distritos Integrados de Polícia (DIP) após serem flagrados com teor alcoólico igual ou superior a 0,34 mg/L — índice que configura crime de trânsito, conforme o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro.

Na ação anterior, realizada entre a noite de quinta-feira (8) e madrugada de sexta (9), na alameda Alphaville, bairro Novo Aleixo, outros nove motoristas foram presos por embriaguez ao volante. Os exames apontaram taxas entre 0,46 mg/L e 0,85 mg/L. A operação também resultou em 48 autuações, além da remoção de quatro carros e seis motos.

 

“Nós não queremos atrapalhar a diversão de ninguém, mas se faz necessário tomar as atitudes cabíveis para reduzirmos, cada vez mais, o número de mortes e internações no nosso estado”, disse o diretor-presidente do Detran-AM, David Fernandes.

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MPAM abre procedimento para investigar uso inadequado de atestados médicos por servidores em maternidade de Manaus

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Maternidade Moura Tapajós — Foto: Divulgação

O Ministério Público do Amazonas (MPAM), instaurou procedimento administrativo para acompanhar a investigação do possível uso inadequado de atestados médicos por servidores públicos que atuam na Maternidade Dr. Moura Tapajós (MMT), na Zona Oeste de Manaus. De acordo com a instituição o procedimento foi instaurado após denúncias anônimas.

Conforme o MPAM, obstetras plantonistas estariam orientando pacientes a buscar atendimento em outras unidades de saúde, em virtude da escassez de profissionais devido a frequência de afastamentos médicos de servidores concursados.

No entanto, esses servidores estariam supostamente atuando em cooperativas e hospitais particulares nos mesmos dias dos afastamentos ou em datas próximas. Tal conduta pode indicar uso indevido de atestados médicos, além de possível prática de falsidade ideológica.

De acordo 58ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa dos Direitos Humanos à Saúde Pública (PRODHSP), foi solicitado da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) a que encaminhe a previsão para a conclusão do procedimento investigatório para possibilitar a instrução e o encerramento do procedimento administrativo.

A medida, assinada pela promotora de Justiça Luissandra Chíxaro de Menezes, tem como base os artigos 196 e 197 da Constituição Federal, que estabelecem a saúde como direito de todos e dever do Estado, sendo de competência do poder público dispor sobre sua regulamentação, fiscalização e controle.

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