Amazonas
Consumo de tucunaré pode ser proibido no Amazonas
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5 anos agoon

MANAUS (AM) – Um Projeto de Lei (PL), de autoria do deputado estadual Tony Medeiros (PSD), em tramitação na Assembleia Legislativa, ameaça o consumo do tucunaré em todo o Amazonas. Um dos mais famosos pratos da região, a iguaria é consumida por amazonense e turistas, justamente por ser um dos principais representantes da culinária amazônica.
Caso o texto seja aprovado sem alterações, as espécies Cichla vazzoleri (tucunaré), Cichla temensis(tucunaré-açu) e Cichla pinima (tucunaré pinima) só poderão ser pescadas para consumo próprio, em situações de subsistência, ou durante pescas esportivos, desde que o animal seja devolvido com vida ao rio.
As proibições previstas nesta Lei não se aplicam nas seguintes hipóteses: I. Pesca na modalidade pesque e solte, ou pesca esportiva, incluindo-se torneios de pesca que utilizem sistema de aferição de peixes que possibilite a devolução dos exemplares vivos ao ambiente natural; II. Pesca destinada ao consumo humano, ou pesca de subsistência, vedado a comercialização do produto da pesca“
, diz o texto do PL.
Em relação à pesca das demais espécies, a proposta do deputado Tony Medeiros esclarece “fica permitida a cota de captura e transporte de até 5 quilos do total de peixes inteiros transportados, ou um único espécime com mais de 5 quilos, para cada pescador amador”, diz o enunciado do artigo 5°.
Para o deputado Dermilson Chagas (Podemos), presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca, Aquicultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Comapa), se o PL avançar e for sancionado, o dispositivo irá criminalizar pescadores, e causar danos ao setor. Além disso, ele acusou o projeto de beneficiar apenas empresários que exploram a pesca esportiva.
“Não há necessidade de penalizar todos os municípios com a proibição, até porque há algumas cidades que têm pouca ou quase nenhuma atividade pesqueira'”, afirmou.
Dermilson Chagas argumenta que o tucunaré, por seu sabor e abundância, é um dos principais peixes utilizados na culinária amazonense, e que, por isso, é indiscutível a sua enorme importância na cultura e na economia do Estado.
O presidente da Comapa disse, ainda, que solicitou que o deputado Tony Medeiros apresentasse um estudo técnico apontando que essas espécies estão em risco de extinção. “Pedi que ele apresentasse um estudo que venha do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) ou do Conselho do Meio Ambiente”, comentou o parlamentar.
Ao EM TEMPO, Tony Medeiros afirmou que o principal objetivo da proposta é o desenvolvimento da economia regional, por meio de fomento à pesca esportiva, e melhorar a vida da população do interior que encontra dificuldades para pescar durante as cheias.
É bom destacar que a pesca esportiva tem um potencial enorme para injetar ainda mais dezenas de milhões na economia estadual e ajudar no desenvolvimento regional. Por outro lado, o direito da população tradicional de pescar está resguardado. Eles terão, ainda, a oportunidade de capturar as espécies com mais facilidade, especialmente durante as cheias do rio, quando há mais dificuldade para pescar em rios de águas escuras, que possuem menor quantidade de peixes do que os de água barrenta“
, afirmou Tony MedeiroS
O parlamentar ainda destacou que a proposta não está fechada e se reunirá com todos os envolvidos no Projeto de Lei na próxima quarta-feira (15) em uma audiência pública na Assembleia Legislativa.
Pescadores e consumidores criticam PL
Segundo o pescador Raimundo João Barcelos, de 58 anos, o projeto de lei é um “absurdo”, e não ajuda a classe do setor pesqueiro, que ainda sente os efeitos do surto da síndrome de Haff, a doença da “urina preta”.
“Ao invés de buscarem soluções para melhorar a vida dos trabalhadores, só criam essas leis que nos prejudicam mais ainda. Eu já enfrento várias dificuldades para sobreviver neste ano, já não basta o prejuízo que tivemos com o [surto] da doença da urina preta, isso para não falar da pandemia [da covid-19] que paralisaram as nossas atividades por um mês”, afirma o pescador João, pescador há mais de 20 anos.
A dona de casa Neide Valente, de 58 anos, diz que a proposta não tem cabimento e mexe com uma tradição dos amazonenses. “Como alguém resolve propor uma medida dessas que retira um prato tão tradicional dos amazonenses, como o tucunaré? Nunca ouvi falar que o tucunaré está sob risco de extinção. Parece que está faltando trabalho para os deputados estaduais e espero que essa lei não avance”, reclamou.
Impacto na economia
De acordo com Lucas Pontes, membro da Associação Comercial do Amazonas, os efeitos na economia, caso a proposta avance, deverá pesar no setor do mercado pesqueiro.
“Precisamos aguardar como e se essa proposta vai ser aprovada. O tucunaré é um peixe muito popular e, por isso, a suspensão de sua venda trará consequências na economia, especialmente sob o ponto de vista turístico, porque é uma iguaria muito famosa e requisitada por muitos turistas que vem à região”, afirmou.
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Amazonas
Manaus vira epicentro do crime organizado na Amazônia, aponta relatório internacional
Published
7 meses agoon
28 de outubro de 2025
A capital do Amazonas ocupa posição central nas rotas do narcotráfico e das economias ilícitas que se expandem pela floresta amazônica. É o que aponta o relatório “A Amazônia sob ataque – mapeando o crime na maior floresta tropical do mundo”, publicado pela organização jornalística Amazon Underworld no dia 21 de outubro.
Segundo o documento, Manaus se tornou um dos principais corredores por onde se escoa a cocaína produzida na América do Sul, com as drogas chegando no Amazonas pelo Rio Solimões e seguindo pelo Rio Amazonas rumo à distribuição nacional e internacional. A capital amazonense é considerada um elo logístico estratégico, conectando a produção amazônica a mercados da Europa, África e Ásia por meio de seus portos.
Ao g1, o Governo do Amazonas afirmou que as operações de combate ao crime organizado, tanto em Manaus quanto no interior, continuam fortalecidas, com monitoramento permanente, apoio tecnológico, capacitação de pessoal e ampliação das fronteiras de atuação. Leia a íntegra da nota no fim da reportagem.
O relatório destaca ainda que facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) disputam o controle das rotas fluviais, fronteiras e cadeias logísticas que movimentam toneladas de drogas e milhões de reais.
A ruptura do pacto de não agressão entre os dois grupos, em 2016, intensificou os confrontos e levou à fragmentação da Família do Norte (FDN), facção criada em Manaus.
Com a dissolução da FDN, parte dos seus membros se aliou ao CV, formando o CV-AM, enquanto outra parcela fundou o grupo “Os Crias”, com base em Tabatinga, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Após a morte do líder Brendo dos Santos, em 2023, o CV-AM consolidou seu domínio na região.
Além do tráfico de drogas, o relatório aponta que o garimpo ilegal também impulsiona o avanço das facções no Amazonas
A expansão das redes criminosas acelera a destruição ambiental e ameaça o papel da Amazônia como filtro de carbono global. Na conclusão, o estudo mostra que a região vive uma “era de violência exacerbada”, impulsionada pelo ouro e pela cocaína, e alerta para o risco de corrupção das forças estatais.
Com rios navegáveis, portos movimentados e fronteiras vulneráveis, Manaus se consolida como epicentro da criminalidade na Amazônia, refletindo os desafios enfrentados pelo Brasil no combate ao crime organizado transnacional.
Leia a nota do Governo do Amazonas na íntegra
A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informa que, em todo o Estado do Amazonas, estão sendo implementadas de forma contínua medidas estratégicas para combater o crime organizado, o tráfico de drogas e demais ilícitos.
Neste ano, já foram apreendidas mais de 37 toneladas de entorpecentes em todo o Amazonas, resultado direto das operações integradas que demonstram a eficiência do trabalho conjunto no enfrentamento às organizações criminosas que tentam usar as vias fluviais para o transporte de drogas e outros ilícitos.
Atualmente, o Estado conta com três Bases Arpão, duas bases náuticas de apoio operacional, lanchas blindadas e lanchas de transporte de tropa, equipamentos que garantem maior presença, eficiência e segurança das forças policiais nas regiões estratégicas do Amazonas.
As ações contam com a atuação integrada da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Polícia Civil (PC-AM), Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO-AM), composta por agentes da Polícia Federal, que vêm intensificando o patrulhamento e as fiscalizações nas principais rotas fluviais do Estado.
Desde 2019, o Programa Amazonas Mais Seguro já contou com investimentos superiores a R$ 1,16 bilhão, voltados à modernização das forças de segurança, reforço do efetivo, aquisição de equipamentos, viaturas, embarcações e tecnologia de inteligência. Além disso, mais de 2,8 mil novos servidores foram convocados para compor as forças de segurança, fortalecendo a atuação das instituições e ampliando a presença do Estado em todas as regiões do Amazonas.
Em 2024, o Amazonas atingiu recorde histórico de apreensões de drogas, com 43,2 toneladas de entorpecentes retiradas de circulação em todo o Estado. No mesmo período, as apreensões de armas de fogo também cresceram, chegando a 1.593 unidades, representando um aumento de cerca de 11% em relação a 2023.
A SSP-AM reforça que as operações de combate ao crime organizado, tanto em Manaus quanto no interior, continuam fortalecidas, com monitoramento permanente, apoio tecnológico, capacitação de pessoal e ampliação das fronteiras de atuação, reafirmando o compromisso do Governo do Amazonas com a proteção da vida e a segurança da população.
Amazonas
Operações Lei Seca prendem 47 motoristas por embriaguez ao volante em Manaus
Published
1 ano agoon
10 de maio de 2025
Duas ações da Operação Lei Seca realizadas pelo Detran-AM, com apoio das polícias Militar e Civil, resultaram na prisão de 47 condutores por embriaguez ao volante em Manaus. As abordagens ocorreram entre a noite de quinta-feira (8) e a madrugada deste sábado (10), na zona norte da cidade.
Na madrugada de sábado (10), 38 motoristas foram presos durante fiscalização na zona norte. Eles foram levados para os 1º, 6º, 14º e 19º Distritos Integrados de Polícia (DIP) após serem flagrados com teor alcoólico igual ou superior a 0,34 mg/L — índice que configura crime de trânsito, conforme o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro.
Na ação anterior, realizada entre a noite de quinta-feira (8) e madrugada de sexta (9), na alameda Alphaville, bairro Novo Aleixo, outros nove motoristas foram presos por embriaguez ao volante. Os exames apontaram taxas entre 0,46 mg/L e 0,85 mg/L. A operação também resultou em 48 autuações, além da remoção de quatro carros e seis motos.
“Nós não queremos atrapalhar a diversão de ninguém, mas se faz necessário tomar as atitudes cabíveis para reduzirmos, cada vez mais, o número de mortes e internações no nosso estado”, disse o diretor-presidente do Detran-AM, David Fernandes.
Amazonas
MPAM abre procedimento para investigar uso inadequado de atestados médicos por servidores em maternidade de Manaus
Published
1 ano agoon
10 de maio de 2025
O Ministério Público do Amazonas (MPAM), instaurou procedimento administrativo para acompanhar a investigação do possível uso inadequado de atestados médicos por servidores públicos que atuam na Maternidade Dr. Moura Tapajós (MMT), na Zona Oeste de Manaus. De acordo com a instituição o procedimento foi instaurado após denúncias anônimas.
Conforme o MPAM, obstetras plantonistas estariam orientando pacientes a buscar atendimento em outras unidades de saúde, em virtude da escassez de profissionais devido a frequência de afastamentos médicos de servidores concursados.
No entanto, esses servidores estariam supostamente atuando em cooperativas e hospitais particulares nos mesmos dias dos afastamentos ou em datas próximas. Tal conduta pode indicar uso indevido de atestados médicos, além de possível prática de falsidade ideológica.
De acordo 58ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa dos Direitos Humanos à Saúde Pública (PRODHSP), foi solicitado da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) a que encaminhe a previsão para a conclusão do procedimento investigatório para possibilitar a instrução e o encerramento do procedimento administrativo.
A medida, assinada pela promotora de Justiça Luissandra Chíxaro de Menezes, tem como base os artigos 196 e 197 da Constituição Federal, que estabelecem a saúde como direito de todos e dever do Estado, sendo de competência do poder público dispor sobre sua regulamentação, fiscalização e controle.


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