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O grupo católico ultraconservador brasileiro que está em conflito com o Vaticano
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há 5 anosem
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No início do mês passado, o padre Anderson Marçal, pároco da Paróquia São Judas Tadeu, em Rio Branco (AC), recebeu uma ligação que o deixou preocupado.
Uma fiel da igreja contou que havia recebido a visita de dois jovens membros do grupo católico Arautos do Evangelho que citaram o nome de Anderson e de outro pároco e estavam pedindo dinheiro para custear seminaristas.
Em seguida, outras famílias da comunidade relataram ter recebido visitas e até enviaram fotos no grupo de Whatsapp da paróquia.
Criado no Brasil pelo monsenhor João Clá Dias, o grupo católico Arautos do Evangelho se espalhou por mais de 70 países pregando o tradicionalismo religioso. Seus membros – que incluem leigos e sacerdotes – vivem juntos em imóveis da entidade, incluindo um edifício que imita um castelo na Serra da Cantareira, em São Paulo.
Com cerca de 3 mil membros no Brasil, a entidade faz evangelização e promove eventos artísticos religiosos. No início de dezembro, o coral dos Arautos se apresentou para o presidente Jair Bolsonaro durante a cantata de Natal realizada no Palácio do Planalto.
O problema com a visita feita por eles às famílias da paróquia São Judas Tadeu é que o padre Anderson não só não tinha qualquer relação com os Arautos do Evangelho como não conhecia os jovens que estavam usando seu nome para arrecadar dinheiro.
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“Eles estavam usando o nome de dois padres que não os conheciam”, conta o padre, que imediatamente levou o problema ao bispo de Rio Branco.
Ao verificar que os jovens realmente eram membros do grupo, o bispo Joaquim Pertiñez enviou um comunicado aos Arautos manifestando “total rejeição a qualquer tipo de trabalho” do grupo em sua “jurisdição eclesiástica”.
“Não está certo e nunca aprovamos que tirem dinheiro de nosso povo humilde, pobre e sofrido para os membros dos Arautos do Evangelho banquetear em luxuosos e suntuosos palácios como aparecem nas fotos que foram publicadas na revista da instituição”, diz o bispo de Rio Branco. “Esse não é o evangelho que conhecemos, pregamos e transmitimos.”
O atrito dos Arautos com outro setor da Igreja Católica não é um episódio isolado. Outros bispos – como os das dioceses de Ituiutaba (MG) e São Mateus (ES) – já emitiram comunicados parecidos, rejeitando a atuação do grupo em suas dioceses.
Mas os atritos não são apenas locais. Os Arautos do Evangelho tiveram atritos com o próprio Vaticano durante o pontificado do papa Francisco, que adotou uma postura menos conservadora no comando da Igreja.
CRÉDITO, GETTY IMAGES – A associação está presente em mais de 70 países; na foto, membros no Peru
Em 2017, após denúncias feitas por ex-membros à Santa Sé, uma investigação foi aberta pelo Vaticano e João Clá Dias renunciou ao comando do grupo.
Em 2019, um decreto do Vaticano os colocou sob tutela direta do cardeal Raymundo Damasceno Assis, nomeado como interventor pontifício.
Na época, os Arautos emitiram um comunicado dizendo que, embora reverenciem o cardeal como bispo da Igreja, não aceitavam sua autoridade como comissário pois o decreto papal seria “inválido e ilegal” por “contradizer normas do direito canônico” e por causa de “erros fundamentais nele contidos”.
Em setembro desde ano, a Igreja ordenou que todos os menores nas escolas administradas pelo grupo fossem devolvidos a suas famílias após o fim do ano letivo com “o objetivo de prevenir qualquer situação que possa favorecer possíveis abusos de consciência e plágio contra menores”.
À BBC News Brasil os Arautos do Evangelho disseram que “as visitas recentemente realizadas na Diocese de Rio Branco foram de caráter evangelizador, restritas aos membros solidários da Associação que residem na diocese”, mas não explicaram por que o nome dos párocos foi usado sem seu consentimento durante as visitas.
A entidade disse também que a situação já foi resolvida com o bispo de Rio Branco, que “reconheceu a licitude civil e canônica da presença dos Arautos na região”.
Os arautos afirmaram também que “toda escola ou qualquer outra organização está sujeita a reclamações” e que “as escolas privadas inspiradas no carisma dos Arautos as recebem e as analisam sempre, com total liberdade de consciência, buscando melhorar seus serviços”.
Tradição, Família e Propriedade
O Arautos do Evangelho se tornaram oficialmente uma associação de fiéis em 2001, mas suas origens remontam ao final dos anos 1990, após a morte de Plínio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP (Sociedade de Defesa da Tradição, Família e Propriedade), em 1995.
A TFP foi uma organização civil tradicionalista de extrema-direita, fundada nos anos 1960 e conhecida por apoiar a ditadura militar.
Após a morte de Plínio Corrêa de Oliveira, a TFP se dividiu em duas correntes, uma ligada a um grupo de fundadores da TFP que eventualmente formaram o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira e outra liderada por João S. Clá Dias, que ficou com o nome, as propriedades, o brasão e os direitos da associação no Brasil.Logo em seguida, Clá Dias começou a organizar os Arautos do Evangelho, que foram oficializados em 2001.
Aos poucos, a instituição cresceu e se espalhou por mais de 70 países. Seu líder criou outras entidades associadas, como a Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima, a Associação Católica Rainha das Virgens e a Sociedade Clerical Virgo Flos Carmeli.
Em 2009, o papa Bento 16 concedeu a aprovação pontifícia aos Arautos e deu o título de “monsenhor” ao fundador.

CRÉDITO, REUTERS – Arautos do Evangelho apresentaram cantata de Natal para o presidente Jair Bolsonaro em dezembro
Defensor de valores conservadores, o grupo se posiciona contra o que chamam de “revolução” (o avanço de ideias progressistas) dentro da Igreja.
Apesar dos Arautos terem abandonado muitos símbolos e práticas da TFP, Plínio Corrêa continuou a ser um nome reverenciado na instituição.
Fotos e informações sobre Plínio e sua mãe estão presentes no material didático das escolas do grupo e até nas escrivaninhas e paredes dos aposentos dos estudantes.
Considerado “varão católico” pelo grupo, Plínio ganhou uma biografia em cinco volumes publicada pela editora da entidade, O Dom de Sabedoria na Mente, Vida e Obra de Plínio Corrêa de Oliveira, escrita por João Clá Dias.
Na década de 2010, durante o pontificado do papa Francisco, a relação Arautos do Evangelho com a Santa Sé sofreu desgastes até se transformar em um conflito público.

CRÉDITO, REPRODUÇÃO – Entidade é herdeira da TFP; na foto, Plínio Correa de Oliveira beija o estandarte da TFP nas mãos de João S. Clá Dias
Intervenção da Santa Sé
Motivada por denúncias e reclamações de fiéis católicos, o Vaticano iniciou em 2017 uma investigação sobre as práticas da ordem, incluindo a análise de denúncias de “deficiências no estilo de governo, na vida dos membros do Conselho, na pastoral vocacional, na formação de novas vocações, na administração”, em palavras da própria Santa Sé.
As denúncias feitas pelos fiéis incluíam relatos de assédio sexual, abuso psicológico, alienação de membros de suas famílias, humilhações, práticas de exorcismos irregulares, recebimento de doações sem autorização e culto à personalidade dos fundadores.
A investigação começou pouco depois do vazamento de dois vídeos de supostos exorcismos feitos pelos arautos com práticas heterodoxas, não aprovadas pela Igreja.
Em um deles um homem dizia que o papa Francisco era um emissário do demônio e profetizava sua morte. “Ele vai escorregar e vai cair. Vai bater a cabeça. Mas ainda falta um pouco. Vai ser no Vaticano. E virá outro papa. E será bom”, dizia o homem, observado por membros dos Arautos, incluindo João S. Clá Dias, que riem das palavras.
No outro vídeo, uma jovem gritava e era agredida com tapas enquanto passava por um suposto exorcismo.
Os Arautos conseguiram na Justiça tirar os vídeos de circulação alegando desrespeito às leis de direito autoral. A entidade afirmou na época que os vídeos eram confidenciais, que foram divulgados por um “antigo desafeto” e que foram tirados de contexto como parte de uma “campanha de difamação”.
O grupo também afirmou que costuma ser procurado por fiéis para lidar com situações que supostamente são causadas por espíritos malignos e que não negam assistência.
“No caso específico da luta contra o demônio, é perfeitamente compreensível que os sacerdotes arautos ajam com naturalidade frente a relatos que causariam espanto a muitas pessoas leigas, pois estão mais familiarizados com esse tipo de situação”, disse a entidade em um comunicado.
Procurados pela BBC News Brasil, os Arautos disseram que “nenhuma pessoa criticou o papa naquela reunião”.
“Em momento algum, mons. João Clá ou qualquer outro participante da reunião concordou com críticas feitas pela suposta entidade demoníaca, nem tampouco proferiu qualquer crítica ao papa, ao qual se deve submissão e veneração”, diz a entidade, acrescentando que “a liberdade religiosa para acreditar na existência de fenômenos espirituais é garantida pela Constituição Federal.”
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CRÉDITO, DIVULGAÇÃO/VATICANO – O cardeal Raymundo Damasceno Assis foi indicado como comissário papal para intervir nos Arautos do Evangelho
Após o Vaticano iniciar a investigação, João Clá Dias renunciou ao comando oficial do grupo, mas continuou sendo um nome importante na organização.
Em 2019, o avanço das investigações levou a Santa Sé a nomear o cardeal Raymundo Damasceno Assis, ex-lider da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), como interventor para “guiar” os Arautos do Evangelho.
O Vaticano destacou que a decisão “não deve ser vista como uma punição”, mas como uma iniciativa que visa “o bem da instituição” e a correção de problemas existentes.
A resposta inicial da instituição foi de não aceitação da intervenção, dizendo que o documento continha erros como a definição da associação como pública, sendo que ela é privada.
“Nós lhes reverenciamos como bispos da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, e como tais ambos são objeto de nossa consideração, mas devemos declarar que não reconhecemos Vossa Eminência enquanto ‘comissário’ da Associação Privada de Fiéis Arautos do Evangelho, da qual eu sou o presidente legitimamente eleito”, disse o então presidente do grupo, Felipe Eugênio Lecaros Concha, em um comunicado.
Após a contestação dos Arautos, o Vaticano emitiu um novo documento corrigindo a descrição da entidade como associação privada e reiterando que a nomeação do interventor foi aprovada diretamente pelo papa.
Procurados pela BBC News Brasil, os Arautos do Evangelho disseram que o Vaticano “retificou o decreto” a seu pedido e que “nunca houve recusa dos Arautos ao Cardeal Raymundo Damasceno, um dos mais destacados eclesiásticos brasileiros”.

CRÉDITO, WEBYSTHER NUNES/CREATIVE COMMONS
Prevenção de abusos
Em meados de 2021, o Vaticano ordenou o retorno de todos menores de idade das escolas administradas pelos Arautos para suas famílias. Segundo o documento de uma das congregações da Santa Sé, nesses locais se pratica um “tipo de disciplina excessivamente rígida”.
Em uma decisão da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica de junho, a Igreja tomou a decisão de que todos os “menores de idade que residam em casas, escolas” ou nas sociedades de vida apostólica da instituição deveriam ser “devolvidos às suas famílias”.
A decisão foi mantida em sigilo até setembro, quando foi revelada pelo jornal italiano de notícias católicas Adista.
A ordem tem o objetivo de proteger os jovens de “qualquer situação que possa favorecer possíveis abusos de consciência e subjugação de menores”, segundo o documento assinado pelo cardeal brasileiro João Braz de Aviz, prefeito da congregação.
Liderado por Braz de Aviz, o braço da Santa Sé tem promovido uma grande reforma em instituições de fiéis consagrados.
De acordo com o documento, a decisão em relação aos Arautos foi tomada “à luz das informações recebidas pela Sé Apostólica, tendo em conta as numerosas comunicações enviadas pelos pais das crianças e jovens inseridos na órbita da Associação Arautos do Evangelho, e que reclamam que as famílias são, na maioria das vezes, excluídas da vida dos seus filhos e que o contato com os pais não é suficientemente garantido”.
Os Arautos entraram com um recurso contra o decreto – que consideraram uma “aberração jurídica eclesiástica” – no âmbito canônico.
A entidade disse, na época, que nenhuma autoridade eclesiástica poderia interferir em instituições privadas de ensino – o que caberia apenas às Secretarias de Educação. Afirmou também que a decisão de onde manter as crianças caberia somente aos pais.
À BBC News Brasil, os Arautos disseram que “não administram, nem nunca administraram nenhum estabelecimento de ensino no Brasil”. Tecnicamente as escolas são administradas por uma associação privada com outro CNPJ, chamada Instituto Educacional Arautos do Evangelho.
Os Arautos afirmaram também que “toda escola ou qualquer outra organização está sujeita a reclamações” e que “as escolas privadas inspiradas no carisma dos Arautos as recebem e as analisam sempre, com total liberdade de consciência, buscando melhorar seus serviços”.
“A Associação de Mães e Pais de Alunos dos Arautos do Evangelho entregou ao cardeal Raymundo Damasceno Assis, em outubro deste ano de 2021, um abaixo-assinado de TODOS os pais cujos filhos atualmente estudam nestas escolas, apoiando as atividades, métodos pedagógicos e o resultado educacional obtido”, diz a entidade em nota.

CRÉDITO, GETTY IMAGES – A túnica usada pelo grupo tem uma cruz que remete a cavaleiros medievais
‘Culto à personalidade’
Em um depoimento enviado ao Vaticano e publicado pela revista Veja em 2019, um ex-membro dos Arautos conta que o grupo tem um “apego excessivo” às figuras de João Clá Dias e Plínio Corrêa de Oliveira, a ponto de itens tocados pelo monsenhor, como copos e guardanapos, se tornarem “relíquias” cobiçadas pelos membros.
O depoimento diz ainda que os jovens recrutados são incentivados a se afastar de suas famílias e amigos.
Um ex-membro dos Arautos, que chegou a viver com a comunidade no interior de São Paulo, disse à BBC News Brasil que as práticas relatadas no depoimento de fato acontecem.
“O culto à personalidade do monsenhor João Clá Dias é uma coisa tão forte que chega a ser uma heresia”, diz ele, que pede para não ser identificado.
Hoje adulto, ele diz que foi “recrutado” pelo grupo quando ainda era menor de idade e que no início “se encantou” com as roupas, os rituais e as atividades musicais promovidas.
“No começo tudo era muito atraente. Só depois comecei a perceber que as coisas que aconteciam não eram normais e não eram aprovadas pela Igreja”, diz ele, que continua sendo católico.
A prática de um suposto culto às figuras de Plínio e João Clá Dias também foi descrita pelo pesquisador italiano Massimo Introvigne, que estudou as ramificações da TFP no Brasil.
“Há muitas evidências que, dentro do movimento dos Arautos do Evangelho há uma espécie de seita secreta que cultua uma trindade composta por Plínio Corrêa de Oliveira, sua mãe, Dona Lucília, e pelo monsenhor Clá Dias”, escreveu o sociólogo no artigo acadêmico Tradição Família e Propriedade e os Arautos do Evangelho, publicado em 2016.
Procurada pela BBC News Brasil, a entidade afirmou que “nenhum pai de aluno registrou qualquer reclamação” sobre veneração excessiva. “Contudo, se houver opinião diversa, isto é sempre bem recebido, tendo em vista o aprimoramento individual e institucional”;.
“Quanto a ex-membros e outros, não temos como subsidiar o porquê de tais acusações, pois estas são inverídicas”, disse a entidade em nota.
“Mons. João Clá é respeitado e querido por ser o fundador dos Arautos. Dr. Plinio Corrêa de Oliveira é para os Arautos um exemplo de leigo católico. Cabe exclusivamente à Igreja determinar sua beatificação ou canonização”, diz a entidade. “Respeito e veneração nunca foram proibidos na Igreja.”
Em outros momentos, a ordem negou denúncias de abuso, disse que jamais exerceu práticas desaprovadas pelo Vaticano e que tem sido vítima de uma campanha de difamação e perseguição religiosa.
* Foto: REPRODUÇÃO/FACEBOOK –
A basílica Nossa Senhora do Rosário, em Embu, é conhecida como basílica dos Arautos do Evangelho
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Destaque
Lula diz que Marcola errou ao pedir dinheiro a lobista, que filho vai pagar se cometeu ilícitos e que deseja ‘recuperar território’ do crime
Publicado
há 4 semanasem
28 de agosto de 2026Por
diamantenewscom
O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concedeu nesta quinta-feira (27) entrevista à Globo. Conduziram o programa os jornalistas Renata Vasconcellos e César Tralli.
Veja os principais destaques da entrevista com Lula:
Caso Lulinha
O presidente e candidato à reeleição afirmou que o filho dele Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, terá que responder como qualquer cidadão caso tenha cometido algum ilícito.
Ao ser questionado sobre investigações da Polícia Federal que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo o filho, o candidato disse que não interferirá nas apurações.
“Eu não sou do Ministério Público, eu não sou delegado, eu não sou juiz. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, disse.
“Eu não vou afastar delegado da Polícia Federal, eu não vou fazer qualquer movimento pelo meu filho. Ele sabe que a Marisa [Letícia, ex-primeira-dama] morreu por conta da falsa acusação que foi feita a mim na Lava Jato. Portanto, ele tem obrigação de não ter feito o erro.”
Lula disse que o que há contra Lulinha são “ilações” e comparou a situação do filho com a dele próprio.
O petista foi condenado e preso na Lava Jato e, um ano e sete meses depois, deixou a prisão. O Supremo Tribunal Federal (STF) anulou as condenações por entender que a competência para julgar os casos era da Justiça Federal do Distrito Federal, e não da 13ª Vara Federal de Curitiba, e por reconhecer que o então juiz Sergio Moro atuou de forma parcial.
“Não me deixo impactar por ilações. Eu conheço muito e já fui vítima disso”, disse o presidente.
“Eu tenho certeza que ele vai ser inocente. Vamos esperar o tempo, não haverá da parte da Presidência da República um milímetro de movimento para proteger o meu filho.”
Sobre acusações entre uma suposta relação entre Lulinha e o ex-secretário do Ministério da Saúde, Swedenberger do Nascimento Barbosa, conhecido como Berger, Lula reforçou que as mensagens entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger não configuram necessariamente um sinal de crime, e que não haveria provas concretas de corrupção a funcionários públicos.
“Eu estou dizendo para você que o fato de ter pego conversa no telefone não justifica absolutamente nada. Até agora não existe uma prova de um centavo público. Até agora não existe uma prova de uma conversa do meu filho com qualquer ministro”, disse Lula.
Lula foi questionado sobre a relação entre seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, e a lobista Roberta Luchsinger. Segundo a Polícia Federal, Marcola teve despesas pessoais, como boletos, parcelas de financiamento, faturas de cartão, e joias pagas por Roberta.
O presidente respondeu que Marcola errou ao manter esse tipo de relação e disse que o episódio leva suspeitas para dentro do Palácio do Planalto e “gera desconfiança”.
“Não é adequado, é totalmente errado. E o Marcola sabe do erro que ele cometeu, porque não é esse o papel do chefe de gabinete”, afirmou Lula.
O presidente também chamou a lobista de “pilantra” ao comentar o conteúdo de conversas obtidas durante as investigações. “O que é que uma pilantra pode falar no telefone? Ou o que é que um cara qualquer pode falar no telefone?”, disse.
Lula afirmou, porém, que as mensagens, por si só, não comprovam a prática de crime e defendeu que seja apurado se houve liberação de dinheiro público.
“O que nós precisamos saber é o seguinte: essa mulher conseguiu liberar o dinheiro que ela disse que estava atrás?” Tem prova de que tem dinheiro público? Porque aí é que está o crime, aí está o crime”, disse.
Lula foi questionado sobre uma mensagem específica de Roberta Luchsinger obtida pela Polícia Federal, na qual a lobista disse que o presidente teria lhe oferecido um cargo e dito que escolhesse onde queria ficar. Em resposta, o candidato ironizou: “Só faltou ela dizer que eu ofereci para ela o Ministério da Defesa, o comando da Marinha da Aeronáutica”.
O presidente disse que isso não aconteceu:
“Eu não conheço essa moça, nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim”, disse Lula sobre a lobista Roberta Luchsinger.
O Fato ou Fake, do g1, checou a informação e encontrou ao menos três fotos e um vídeo nos quais Roberta aparece ao lado do presidente Lula.
Um vídeo publicado no Instagram de Roberta em 20 de julho de 2022 exibe uma sequência de ao menos duas fotos nas quais a lobista aparece ao lado de Lula.
Há também imagens nas quais ela posa acompanhada das seguintes pessoas: a primeira-dama Janja; o candidato a governador de São Paulo Fernando Haddad (PT); o vice na chapa de Haddad, Márcio França (PSB); e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Recuperar territórios do crime
O petista afirmou que, em um novo mandato, tem como desejo “recuperar o território” dominado pelos grupos criminosos e que pretende “enfrentar o andar de cima” das facções.
“Qual é o meu desejo? O meu desejo é recuperar o território para o povo. Aquela rua é do povo do Rio, não é do bandido; a escola é do povo, não é do bandido; o bairro é da população.”
Lula afirmou que o Brasil “está pronto e preparado” para trabalhar junto com os Estados Unidos para combater o narcotráfico e listou ações feitas pelo governo federal contra o crime organizado.
“Nós aprovamos agora uma lei antifacção, estamos trabalhando a questão do combate ao crime organizado. Por isso eu fui levar ao [Donald] Trump [presidente dos EUA] uma proposta por escrito”, disse Lula.
O governo Trump classificou facções criminosas brasileiras como terroristas, o que foi contra a visão do governo Lula por considerar a decisão como uma invasão à soberania brasileira.
Ministério da Segurança Pública
Lula defendeu a PEC da Segurança Pública, que reorganiza as atribuições do governo federal e dos estados. Disse que negocia a proposta com os presidentes da Câmara e do Senado, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) e o senador Davi Alcolumbre (União-AP), respectivamente.
“A hora que for aprovar a PEC da Segurança Pública, eu crio o Ministério da Segurança Pública. Por que que eu vou criar o ministério? Porque primeiro eu quero estabelecer qual é a participação de cada ente federal na Segurança Pública. Qual vai ser o papel da União, qual vai ser o papel do estado e qual vai ser o papel do município”, disse.
Criminalidade na Bahia
Ainda no contexto da PEC da Segurança Pública e o tempo do PT no poder, Lula foi questionado sobre a violência no estado da Bahia, que hoje tem cinco das 10 cidades mais violentas do Brasil e é governado pelo partido há 20 anos.
O presidente disse que a colocação era “injusta” com a Bahia.
“Nenhum governador do Brasil conseguiu resolver o problema da segurança pública, nenhum conseguiu segurar”, disse.
Escândalo do INSS
O presidente foi questionado sobre o envolvimento de pessoas do governo dele no escândalo de desvio de dinheiro público do INSS. Lula disse que R$ 3 bilhões foram ressarcidos.
“Não tem um aposentado que foi roubado e que não foi devolvido dinheiro”, disse Lula.
“Esse dinheiro vai ser ressarcido pelos bens que nós apreendemos de […] uma quadrilha que foi montada em 2019, inclusive com a participação do ministro da Previdência daquela época. Nós passamos dois anos investigando tanto a CGU quanto a Polícia Federal. Se a gente faz a denúncia antes de a gente ter o processo como um todo, a gente atrapalharia, facilitando os bandidos.”
Confira datas de outras entrevistas com presidenciáveis à Globo
A entrevista com Lula foi a quarta de uma série com os candidatos à Presidência da República. Na segunda-feira (24), o participante foi Romeu Zema(Novo); na terça (25), Ronaldo Caiado(PSD); e na quarta (26), Renan Santos(Missão).
A Globo convidou os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto divulgada pela Quaest em 14 de agosto. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio, com a presença de representantes dos partidos.
Confira a data das próximas entrevistas:
Esta é a primeira vez que as entrevistas da Globo com candidatos ao Palácio do Planalto são após o Jornal Nacional, e não dentro do telejornal. Após a exibição, a entrevista vai ficar disponível na íntegra no g1 e no Globoplay.
O 1º turno das eleições será em 4 de outubro.
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Quem é Lula
Luiz Inácio Lula da Silva, que completa 81 anos em outubro, é um dos principais líderes políticos da história do Brasil e tenta, em 2026, chegar ao quarto mandato presidencial. Se for reeleito, poderá completar 16 anos no Palácio do Planalto.
No terceiro mandato, o governo aprovou a reforma tributária, ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda e tirou novamente o Brasil do Mapa da Fome, mas também enfrentou crises como as fraudes no INSS, investigações envolvendo um dos filhos do presidente, dificuldades no Congresso e embates com os Estados Unidos.
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Nascido em Garanhuns (PE), Lula mudou-se aos 7 anos para São Paulo com a mãe e os irmãos. Trabalhou como engraxate e office boy, formou-se torneiro mecânico pelo Senai e ingressou na indústria metalúrgica. Em São Bernardo do Campo, tornou-se presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e ganhou projeção nacional ao liderar greves no fim dos anos 1970, durante a ditadura militar.
Em 1980, participou da fundação do PT. Depois de derrotas nas eleições de 1982, 1989, 1994 e 1998, foi eleito presidente em 2002 e reeleito em 2006, deixando o cargo em 2010 com 87% de aprovação.
Nos dois primeiros mandatos, Lula teve como principais metas a redução da pobreza e da desigualdade social e lançou programas como Fome Zero, Bolsa Família, ProUni, Minha Casa, Minha Vida e PAC. A trajetória política também foi marcada pelo Mensalão e, posteriormente, pela Operação Lava Jato.
Condenado em 2017 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá, Lula sempre negou as acusações, foi preso em 2018 e permaneceu 580 dias em Curitiba. Em 2021, o STF anulou as condenações relacionadas à Lava Jato, devolvendo os direitos políticos e tornando-o novamente elegível.
Em 2022, Lula formou uma ampla coalizão contra o bolsonarismo, reunindo antigos adversários, adotou um discurso mais ao centro e venceu Jair Bolsonaro, retornando ao Planalto para o terceiro mandato.
Além das medidas econômicas e sociais, o governo ampliou a estrutura administrativa e recriou ministérios. O mandato, porém, também foi marcado por críticas à estratégia econômica, aumento dos gastos públicos, dificuldades na relação com o Congresso e investigações envolvendo o filho Fábio Luís da Silva.
Em 2026, o PT oficializou a candidatura de Lula à Presidência, tendo Geraldo Alckmin novamente como candidato a vice.
Veja as principais propostas de Lula, registradas no plano de governo entregue ao TSE:
- Fortalecer a democracia brasileira e promover uma reforma política e eleitoral.
- Defender a soberania brasileira e rejeitar tentativas de subordinar o país a interesses estrangeiros ou de reduzir a autonomia nacional.
- Avançar na regulação democrática das redes sociais e plataformas digitais, preservando a liberdade de expressão.
- Democratizar o orçamento público, priorizando recursos para quem mais precisa.
- Promover um debate com a sociedade sobre o sistema de emendas parlamentares e enfrentar o que o programa classifica como uma distorção na elaboração e gestão do orçamento federal.
- Manter o arcabouço fiscal aprovado em 2023.
- Adotar uma política macroeconômica voltada ao crescimento, à redução das desigualdades, à valorização do trabalho, à responsabilidade ambiental e fiscal, à queda dos juros e ao controle da inflação.
- Criar condições para uma redução sustentada das taxas de juros, com inflação controlada e responsabilidade fiscal.
- Manter, aperfeiçoar e ampliar políticas de proteção social, incluindo justiça tributária, valorização do salário mínimo, inclusão produtiva, educação, saúde e programas de transferência de renda.
- Dar continuidade à política de valorização do salário mínimo como instrumento de distribuição de renda, combate à pobreza e promoção do desenvolvimento econômico e social.
- Apoiar o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial, nos termos aprovados pela Câmara.
- Aprovar a PEC da Segurança Pública proposta pelo Executivo e criar um Ministério da Segurança Pública para coordenar as políticas nacionais da área em articulação com estados e municípios.
- Combater o crime organizado e fortalecer a integração entre os entes federados, a inteligência estatal, a prevenção da violência e a proteção dos direitos civis.
- Valorizar e qualificar os profissionais de segurança pública e fortalecer os mecanismos de controle interno e externo da atividade policial.
- Ampliar o uso de câmeras corporais, com padrões nacionais para utilização, gestão e preservação das imagens.
- Fortalecer as Forças Armadas e a indústria de defesa, com equipamentos e capacidade para proteger o território e os recursos naturais brasileiros.
- Buscar autonomia estratégica, inovação tecnológica e integração entre defesa e desenvolvimento, combinando persuasão diplomática e capacidade de dissuasão.
- Tornar o Brasil mais independente e ativo na política externa, ampliando a cooperação e a negociação com diferentes regiões e diversificando parcerias estratégicas.
- Fortalecer a integração regional, a América do Sul e o Caribe como zona de paz e o Mercosul como principal plataforma de integração econômica, produtiva, política e social da América do Sul.
- Buscar novos acordos comerciais e mercados para bens e serviços brasileiros e defender os interesses do país com base nas normas internacionais e no multilateralismo.
fonte: https://g1-globo-com.cdn.ampproject.org/v/s/g1.globo.com/google/amp/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/08/27/lula-entrevista-globo.ghtml?amp_js_v=0.1&_gsa=1#webview=1&cap=swipe
Destaque
Flávio aparece no TSE filiado ao Missão; PL diz não ter conseguido registrar candidatura e fala em fraude
Publicado
há 1 mêsem
13 de agosto de 2026Por
diamantenewscom
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não conseguiu registrar nesta quinta-feira (13) sua candidatura à Presidência da República após aparecer filiado ao partido Missão nos registros da Justiça Eleitoral. O caso é analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O Missão informou em nota que “foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro”. O partido diz que tentou no mesmo dia cancelar a filiação de Flávio, mas a ação foi rejeitada pelo TSE (veja íntegra abaixo).
O TSE informou que “a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações” (veja na íntegra mais abaixo).
A advogada da campanha de Flávio, Maria Claudia Bucchianeri, disse que é “inequívoco que foi fraudulento”.
Segundo ela, a alteração foi identificada quando a equipe começou a reunir os documentos necessários para protocolar o pedido de registro da candidatura.
Após o ocorrido, Flávio gravou um vídeo para suas redes sociais. Na legenda, o senador afirma que adversários “só sabem jogar sujo”, mas que “não funcionou e nem vai funcionar”.
“Vocês viram aí que fraudaram a minha filiação partidária. O sistema vai tentar de tudo para me parar, mas não vai conseguir não, porque Deus está no comando e a gente vai conseguir juntos resgatar o nosso Brasil”, afirmou.
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O prazo para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina às 19h de sábado (15).
O PL oficializou em convenção nacional no dia 25 de julho a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República (detalhes abaixo).
As convenções partidárias são encontros em que os partidos definem os candidatos que vão disputar os cargos das eleições. O prazo para a realização delas terminou em 5 de agosto.
Campanha suspeitou de ataque hacker
De acordo com a advogada, o partido já acionou o TSE e ela aguarda o fim da sessão desta manhã no tribunal para tentar despachar com o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques.
“Precisamos entender se foi hacker, uma venda de senha, alguém que entrou no sistema dolosamente, a gente não sabe”, afirmou a advogada à GloboNews.
Segundo Bucchianeri, ainda não há elementos para apontar a causa da alteração cadastral. Ela citou como referência um episódio ocorrido durante a campanha de 2022, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a aparecer filiado ao PL no sistema eleitoral.
“Estas foram as hipóteses cogitadas pelo ministro Alexandre na época do Lula”, afirmou.
A advogada disse ainda que, após o episódio de 2022, houve aprimoramentos nos sistemas da Justiça Eleitoral para evitar ocorrências semelhantes. “Vai ter que abrir um inquérito para entender”, declarou.
De acordo com Bucchianeri, há elementos que indicam que a alteração ocorreu entre a noite de quarta-feira (12) e a manhã desta quinta.
“É inequívoco que foi fraudulento. E aconteceu depois das 23h17 de ontem. Eu tenho uma certidão emitida no sistema do TSE de que o Flávio era candidato do PL ontem às 23h17”, afirmou.
Segundo ela, a certidão foi emitida porque a equipe jurídica já havia iniciado, ainda na noite de quarta-feira, os procedimentos para registrar a candidatura.
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou à GloboNews que houve uma “falsificação”, mas não detalhou como a alteração teria ocorrido.
Nos bastidores do partido, integrantes da legenda atribuem o episódio a um ataque hacker. O TSE, porém, faz verificações sobre o caso.
Relatos obtidos pela TV Globo indicam que a análise inicial conduzida por pessoas envolvidas na apuração considera outras hipóteses além de uma eventual invasão aos sistemas da Justiça Eleitoral.
A mudança no cadastro impede, neste momento, que o PL registre a candidatura de Flávio.
Segundo a advogada, o pedido de registro só poderá ser apresentado depois que a situação da filiação partidária for regularizada.
“Ele está sem filiação regular agora. O Missão tem candidato. Tem que restabelecer a filiação original para poder fazer o registro”, afirmou.
Convenção do PL
Flávio Bolsonaro foi oficializado pelo PL como candidato à Presidência da República durante convenção realizada em São Paulo, no fim de julho.
Em seu discurso, afirmou que representava a continuidade do projeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro e fez críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A candidatura foi lançada sem a definição formal de um candidato a vice-presidente e se tornou a principal aposta eleitoral do PL para a disputa presidencial de 2026.
O que dizem o TSE e o partido
Leia a nota do TSE na íntegra:
“O Tribunal Superior Eleitoral informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credencias da legenda para efetivar filiações.
O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral para providências e determinou instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária.
O Partido Liberal protocolou pedido de desfiliação do Missão, que já está sob análise”.
Leia a íntegra da nota do Missão:
“O Partido Missão vem a público informar que foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro. Nosso sistema, ao notar a fraude, tentou realizar no mesmo dia o cancelamento da filiação, ação que foi rejeitada pelo TSE.
O gabinete de Flávio foi informado dessa tentativa de filiação desde o dia 2 deste mês. Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos.
A Missão já está adotando todas as providências cabíveis junto à Polícia Federal e ao TSE, a fim de que os responsáveis pelo crime e pela fraude sejam identificados e exemplarmente punidos. Um relatório com todos os logs, e-mails e IPs será disponibilizado para a imprensa e autoridades.
Ressaltamos, ainda, que não é do interesse do partido acolher em seus quadros um parlamentar que, para além do desalinhamento ideológico, figura em acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção.
O Partido Missão reafirma que não compactua com filiações de natureza fraudulenta e repudia veementemente episódios dessa natureza. Colocamo-nos à disposição das autoridades competentes para a completa apuração dos fatos.”
Destaque
Vídeo de IA de Jair Bolsonaro pode ter consequências para o PL e o ex-presidente, avaliam especialistas
Publicado
há 2 mesesem
28 de julho de 2026Por
diamantenewscom
A convenção partidária nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo no sábado (25), exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial (IA) para simular um pronunciamento de Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Na gravação, o ex-presidente afirma estar “preso e calado por uma decisão arbitrária”, diz que “nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança” despertado por seu movimento e pede que os apoiadores recebam Flávio Bolsonaro “de braços abertos” como candidato à Presidência.
Para diferentes especialistas ouvidos pelo g1, o conteúdo deve causar reações tanto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto do Supremo Tribunal Federal (STF). Isso porque o TSE proíbe o uso de deepfakes, ou conteúdo sintético, para substituir a imagem ou voz de pessoa viva, mesmo com autorização. O ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses em prisão domiciliar, não pode divulgar manifestações de conteúdo político-eleitoral por qualquer meio, após determinação do ministro Alexandre de Moraes.
➡️ Deepfake é uma técnica que permite alterar um vídeo ou foto com ajuda de IA. Com ele, por exemplo, o rosto da pessoa que está em cena pode ser trocado pelo de outra; ou aquilo que a pessoa fala pode ser modificado.
Luiz Eduardo Peccinin, advogado especialista em Direito Eleitoral e doutor em Direito do Estado, acredita que o vídeo representou uma infração à legislação eleitoral. “Ainda que tenha sido indicado que se tratava de um personagem de inteligência artificial, isso viola de forma objetiva a norma do TSE que estabeleceu a proibição do uso de deepfake ou o uso da IA generativa para criar uma pessoa artificial”, disse ao g1.
Segundo Peccinin, o caso pode causar consequências que vão da aplicação de multa até a proibição do uso deste recurso específico durante as eleições. “Se essa conduta prosseguir pela campanha após ser considerada irregular, isso vai trazer riscos”, avalia.
Já Matheus Puppe, advogado e consultor da Comissão Especial de Direito Digital da Câmara dos Deputados, considera que a resolução do TSE que proíbe conteúdo sintético é “muito ampla” e não pode ser interpretada isoladamente. No seu entendimento, o conceito de deepfake deveria contemplar apenas conteúdos que têm caráter prejudicial, de atrapalhar ou ludibriar um candidato ou um eleitor.
“Proibir o deepfake e permitir a IA, uma coisa esbarra na outra. É uma norma que se contradiz”, pondera. “O próximo passo do TSE é reavaliar a próxima resolução, a finalidade de fato dela. E proibir o uso de IA sem o consentimento da pessoa representada para prejudicar a sociedade de maneira geral.”
Neste domingo, o Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o TSE contra o PL e o senador Flávio Bolsonaro por suposta propaganda eleitoral antecipada e uso irregular de inteligência artificial.
O partido também enviou uma petição ao STF afirmando que a veiculação do vídeo de IA pode ter desobedecido restrições impostas a Jair Bolsonaro.
De acordo com o advogado criminalista Guilherme Alonso, isso pode ter consequências sérias para o ex-presidente. “Já houve uma situação em que uma carta do ex-presidente foi utilizada com suposta finalidade política eleitoral e já houve uma decisão do ministro Alexandre de Moraes indicando que isso poderia justificar a prisão cautelar que seria imposta ao presidente”, explica. “Mas não houve naquela decisão uma devolução do ex-presidente ao estabelecimento prisional. Agora não é mais o primeiro episódio, então fica uma situação delicada”.
Alonso acredita que, com a petição feita pelo PT, Moraes deve abrir um prazo para a defesa de Bolsonaro se manifestar e explicar por que não se tratava de uma manifestação por intermédio de terceiros sobre a candidatura do filho. “Se isso vai ser suficiente para que ele indefira a manifestação do PT para que se reconheça a violação da cautelar, não sabemos. Mas objetivamente há esse risco real de revogar a prisão domiciliar.”
Fonte: https://g1-globo-com.cdn.ampproject.org/v/s/g1.globo.com/google/amp/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/07/28/video-ia-jair-bolsonaro-consequencias.ghtml?amp_js_v=0.1&_gsa=1#webview=1&cap=swipe

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