Amazonas
Tubarões no Rio Amazonas são raros, mas existem; bióloga explica
Published
5 anos agoon

MANAUS – Nadar no Rio Amazonas pode ser uma experiência de terror para quem tem medo das suas águas escuras e barrentas. No entanto, o susto pode ser ainda maior ao saber que é possível se deparar com um dos animais mais ferozes do mundo, o tubarão. Esse peixe cartilaginoso já foi encontrado em níveis do Rio Amazonas onde o mar Atlântico está próximo.
“Há registros de entrada de fêmeas de tubarão-touro (carcharhinus leucas) em Iquitos, no Peru, provavelmente vindo pelo estuário do Rio Amazonas e até no Lago Maracaibo, na Venezuela, com entrada pelo estuário do Rio Orinoco”, conta Lucia Rapp, doutora em Ecologia e Evolução pela Universidade do Arizona (EUA) e responsável pela Coleção de Peixes do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Um dos casos de tubarões no Rio Amazonas ocorreu em novembro de 2016. Pescadores da comunidade Pinduri encontraram um tubarão-touro próximo a Santarém (PA). O animal ficou preso na rede de pesca do ribeirinho Glicério Viana, de 56 anos. Segundo o homem, o predador estava morto quando foi encontrado.

“Temos poucos registros documentados de entrada de tubarões na Amazônia. Muitas vezes, o tubarão é capturado e cortado em pedaços e vendido em mercados, de onde só recebemos notícias pouco fundamentadas. Não sabemos também até que ponto acidentes mais graves podem ter ocorrido por causa de tubarões e que tenham sido atribuídos a jacarés ou grandes bagres (feras)”, explica a bióloga.
Além do tubarão-touro, segundo a especialista, outros peixes de água salgada podem ser encontrados no Rio Amazonas, dentre eles, bagres e peixes de pequeno e médio porte. Isso acontece porque essas espécies marinhas entram nas águas doces por causa dos chamados estuários.

“Diversos animais são atraídos por esses estuários, que são os pontos onde os rios deságuam no mar. Esses ambientes têm extrema riqueza de nutrientes para alimentação de diversas espécies de peixes, crustáceos, aves e outros organismos”, diz a especialista.
Adaptação
Apesar de ser possível, são poucas as espécies de tubarão que foram encontradas longe do mar. Segundo a doutora Lucia, dos mais de 200 tipos de peixes cartilaginosos (tubarões e arraias), apenas cerca de 40 foram encontrados em águas doces. O principal motivo, segundo ela, é a falta de adaptação ao habitat diferenciado.
“Os tubarões são um grupo de peixes profundamente adaptados para viver em água salgada. Porém, alguns deles circulam facilmente por água doce e vice-versa. A essas espécies, é dado o nome de diádromos”, elucida a bióloga.
No caso dos tubarões com essa classificação, órgãos do animal como rins e fígado apresentam modificações únicas para manter o equilíbrio osmótico, ou seja, da distribuição de água pelo corpo do peixe.
Motivos
Uma das principais razões para os tubarões trocarem as águas salgadas por doces está ligada à manutenção da espécie, explica a doutora Lucia. Ocorre que os animais sentem-se à vontade para estarem em rios, dado o baixo nível de competitividade com outros predadores.
“Algumas espécies são atraídas pela riqueza das presas, além disso, os filhotes podem se desenvolver muito bem, já tendo sido observado um grande número de jovens tubarões em áreas de estuários (onde o rio se une ao mar)”, afirma a bióloga.

Outra possível motivação para o aparecimento dos animais em águas doces é o chamado ‘estresse fisiológico’, um gatilho químico que facilita a reprodução dos tubarões, segundo a pesquisadora do Inpa.
“O amadurecimento das gônadas (aparelho reprodutor) nestes peixes parece ser estimulado pela entrada nas águas doces, tanto que fêmeas grávidas já foram encontradas em Iquitos, no Peru, uma viagem de mais de 3.000 km. Não sabemos quanto tempo uma fêmea demora neste percurso, nem por quanto tempo esses tubarões permanecem em água doce, mas é certeza que retornam ao mar”, comenta a bióloga.
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Amazonas
Manaus vira epicentro do crime organizado na Amazônia, aponta relatório internacional
Published
4 meses agoon
28 de outubro de 2025
A capital do Amazonas ocupa posição central nas rotas do narcotráfico e das economias ilícitas que se expandem pela floresta amazônica. É o que aponta o relatório “A Amazônia sob ataque – mapeando o crime na maior floresta tropical do mundo”, publicado pela organização jornalística Amazon Underworld no dia 21 de outubro.
Segundo o documento, Manaus se tornou um dos principais corredores por onde se escoa a cocaína produzida na América do Sul, com as drogas chegando no Amazonas pelo Rio Solimões e seguindo pelo Rio Amazonas rumo à distribuição nacional e internacional. A capital amazonense é considerada um elo logístico estratégico, conectando a produção amazônica a mercados da Europa, África e Ásia por meio de seus portos.
Ao g1, o Governo do Amazonas afirmou que as operações de combate ao crime organizado, tanto em Manaus quanto no interior, continuam fortalecidas, com monitoramento permanente, apoio tecnológico, capacitação de pessoal e ampliação das fronteiras de atuação. Leia a íntegra da nota no fim da reportagem.
O relatório destaca ainda que facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) disputam o controle das rotas fluviais, fronteiras e cadeias logísticas que movimentam toneladas de drogas e milhões de reais.
A ruptura do pacto de não agressão entre os dois grupos, em 2016, intensificou os confrontos e levou à fragmentação da Família do Norte (FDN), facção criada em Manaus.
Com a dissolução da FDN, parte dos seus membros se aliou ao CV, formando o CV-AM, enquanto outra parcela fundou o grupo “Os Crias”, com base em Tabatinga, na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. Após a morte do líder Brendo dos Santos, em 2023, o CV-AM consolidou seu domínio na região.
Além do tráfico de drogas, o relatório aponta que o garimpo ilegal também impulsiona o avanço das facções no Amazonas
A expansão das redes criminosas acelera a destruição ambiental e ameaça o papel da Amazônia como filtro de carbono global. Na conclusão, o estudo mostra que a região vive uma “era de violência exacerbada”, impulsionada pelo ouro e pela cocaína, e alerta para o risco de corrupção das forças estatais.
Com rios navegáveis, portos movimentados e fronteiras vulneráveis, Manaus se consolida como epicentro da criminalidade na Amazônia, refletindo os desafios enfrentados pelo Brasil no combate ao crime organizado transnacional.
Leia a nota do Governo do Amazonas na íntegra
A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informa que, em todo o Estado do Amazonas, estão sendo implementadas de forma contínua medidas estratégicas para combater o crime organizado, o tráfico de drogas e demais ilícitos.
Neste ano, já foram apreendidas mais de 37 toneladas de entorpecentes em todo o Amazonas, resultado direto das operações integradas que demonstram a eficiência do trabalho conjunto no enfrentamento às organizações criminosas que tentam usar as vias fluviais para o transporte de drogas e outros ilícitos.
Atualmente, o Estado conta com três Bases Arpão, duas bases náuticas de apoio operacional, lanchas blindadas e lanchas de transporte de tropa, equipamentos que garantem maior presença, eficiência e segurança das forças policiais nas regiões estratégicas do Amazonas.
As ações contam com a atuação integrada da Polícia Militar do Amazonas (PMAM), Polícia Civil (PC-AM), Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) e com o apoio da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO-AM), composta por agentes da Polícia Federal, que vêm intensificando o patrulhamento e as fiscalizações nas principais rotas fluviais do Estado.
Desde 2019, o Programa Amazonas Mais Seguro já contou com investimentos superiores a R$ 1,16 bilhão, voltados à modernização das forças de segurança, reforço do efetivo, aquisição de equipamentos, viaturas, embarcações e tecnologia de inteligência. Além disso, mais de 2,8 mil novos servidores foram convocados para compor as forças de segurança, fortalecendo a atuação das instituições e ampliando a presença do Estado em todas as regiões do Amazonas.
Em 2024, o Amazonas atingiu recorde histórico de apreensões de drogas, com 43,2 toneladas de entorpecentes retiradas de circulação em todo o Estado. No mesmo período, as apreensões de armas de fogo também cresceram, chegando a 1.593 unidades, representando um aumento de cerca de 11% em relação a 2023.
A SSP-AM reforça que as operações de combate ao crime organizado, tanto em Manaus quanto no interior, continuam fortalecidas, com monitoramento permanente, apoio tecnológico, capacitação de pessoal e ampliação das fronteiras de atuação, reafirmando o compromisso do Governo do Amazonas com a proteção da vida e a segurança da população.
Amazonas
Operações Lei Seca prendem 47 motoristas por embriaguez ao volante em Manaus
Published
10 meses agoon
10 de maio de 2025
Duas ações da Operação Lei Seca realizadas pelo Detran-AM, com apoio das polícias Militar e Civil, resultaram na prisão de 47 condutores por embriaguez ao volante em Manaus. As abordagens ocorreram entre a noite de quinta-feira (8) e a madrugada deste sábado (10), na zona norte da cidade.
Na madrugada de sábado (10), 38 motoristas foram presos durante fiscalização na zona norte. Eles foram levados para os 1º, 6º, 14º e 19º Distritos Integrados de Polícia (DIP) após serem flagrados com teor alcoólico igual ou superior a 0,34 mg/L — índice que configura crime de trânsito, conforme o artigo 306 do Código de Trânsito Brasileiro.
Na ação anterior, realizada entre a noite de quinta-feira (8) e madrugada de sexta (9), na alameda Alphaville, bairro Novo Aleixo, outros nove motoristas foram presos por embriaguez ao volante. Os exames apontaram taxas entre 0,46 mg/L e 0,85 mg/L. A operação também resultou em 48 autuações, além da remoção de quatro carros e seis motos.
“Nós não queremos atrapalhar a diversão de ninguém, mas se faz necessário tomar as atitudes cabíveis para reduzirmos, cada vez mais, o número de mortes e internações no nosso estado”, disse o diretor-presidente do Detran-AM, David Fernandes.
Amazonas
MPAM abre procedimento para investigar uso inadequado de atestados médicos por servidores em maternidade de Manaus
Published
10 meses agoon
10 de maio de 2025
O Ministério Público do Amazonas (MPAM), instaurou procedimento administrativo para acompanhar a investigação do possível uso inadequado de atestados médicos por servidores públicos que atuam na Maternidade Dr. Moura Tapajós (MMT), na Zona Oeste de Manaus. De acordo com a instituição o procedimento foi instaurado após denúncias anônimas.
Conforme o MPAM, obstetras plantonistas estariam orientando pacientes a buscar atendimento em outras unidades de saúde, em virtude da escassez de profissionais devido a frequência de afastamentos médicos de servidores concursados.
No entanto, esses servidores estariam supostamente atuando em cooperativas e hospitais particulares nos mesmos dias dos afastamentos ou em datas próximas. Tal conduta pode indicar uso indevido de atestados médicos, além de possível prática de falsidade ideológica.
De acordo 58ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa dos Direitos Humanos à Saúde Pública (PRODHSP), foi solicitado da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) a que encaminhe a previsão para a conclusão do procedimento investigatório para possibilitar a instrução e o encerramento do procedimento administrativo.
A medida, assinada pela promotora de Justiça Luissandra Chíxaro de Menezes, tem como base os artigos 196 e 197 da Constituição Federal, que estabelecem a saúde como direito de todos e dever do Estado, sendo de competência do poder público dispor sobre sua regulamentação, fiscalização e controle.


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